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zona de desconforto

zona de desconforto

Vamos falar de nutrição? "Coca-cola light sim. Bananas não!"

Desde que me comecei a preocupar mais com a minha alimentação, no sentido de optar por coisas que contribuam para o meu bem-estar e para a minha saúde, que comecei a olhar para tudo o que tem a ver com o tema com outros olhos.

 

Evito comprar produtos embalados e industrializados, mas como nem sempre é possível abolir todos eles – como é o caso do pão alemão ou da bebida de amêndoa, produtos que consumo com frequência , por exemplo – quando tenho de comprar algum leio sempre os rótulos e tudo o que tiver uma imensidão de “ingredientes” ou adição de açúcar – qualquer que seja a forma de açúcar adicionado - fica na prateleira. Já consigo distinguir o trigo do joio, o essencial do acessório e sinto-me muito melhor. O mesmo se aplica a artigos sobre o tema. Há uns muito interessantes que de facto nos ensinam qualquer coisa, ou abordam um tema já muito corriqueiro mas de uma perspetiva diferente e que acaba sempre por acrescentar qualquer coisa à conversa. Depois… bom, depois há aqueles que só servem para encher chouriços e para baralhar as cabeças pouco esclarecidas ou confusas sobre o que é isto de comer bem. Foi o caso, na minha modestíssima opinião, desta entrevista do Observador que aproveitou a edição do livro de uma nutricionista para lhe fazer umas perguntas sobre o tema – estratégia de marketing da parte da editora? Interesse genuíno do jornal naquilo que ela tinha para dizer? We’ll never know.

 

Para esta senhora o mundo da nutrição não se divide em pessoas saudáveis ou doentes mas sim entre gordos e magros, na medida em que uns são pessoas que comem calorias a mais e os outros que comem a menos. Ou têm bons genes. As calorias são a única coisa que interessa. A composição dos alimentos… not so much.

 

Portanto, esta entrevista sobre os malefícios do açúcar, que existem e são reais – apesar de não ser só para o açúcar que temos de olhar. Há todo um mundo de corantes, conservantes e aditivos que não se qualificam como ingredientes e que deviam ser evitados - até podia ser uma boa ideia mas quando chegamos a meio percebemos que é mesmo só absurda e que a coerência não é, de todo, o forte desta senhora. Houve particularmente dois pontos onde tropecei e tive de ler e reler várias vezes para ter a certeza se estava a entender bem. E estava.

 

Sobre os refrigerantes no regime alimentar que esta nutricionista defende: “Aconselho refrigerantes “zero” ou “light” aos meus doentes que estão resumidos a uma salada para perderem peso. Agora não devem é beber um litro daquele refrigerante por dia.” Há tanta coisa errada nesta frase que até é difícil saber por onde começar. Primeiro: porquê resumir o regime de uma pessoa que quer perder peso a saladas? Porquê?! Segundo: refrigerantes? A sério? Estamos em 2017 e ainda achamos que refrigerantes – light, zero, normais, whatever – são uma opção? A sério?? Os doentes “estão resumidos a uma salada para perderem peso” mas podem acompanhar a dita com um refrigerante? Não é só a mim que isto parece uma barbaridade pois não?

 

Sobre essa fruta do demónio que é a banana: “Se a pessoa fizer realmente um ginásio intenso, aí faz algum sentido, porque esteve a desgastar massa muscular e aquele açúcar vai ser rapidamente metabolizado. Mas uma mulher que vai duas ou três vezes ao ginásio e faz aulas de grupo ou máquinas com pesos baixos, aí não precisa de comer uma banana.”

Reparem que ela diz que faz "algum sentido"! Não vamos agora embandeirar em arco e desatar a comer bananas depois de treinos intensos. Qué isso? Se estiver assim muito carente, tipo com o período, pode comer uma banana, mas o melhor seria assim, sei lá, um talinho de aipo.


Portanto, resumindo: 'bora lá pedir a uma pessoa que quer perder peso para comer só umas saladinhas, assim com muita alface para encher o olho, mas como não quero que dê em maluca ao fim do primeiro dia pode beber uma latinha coca-cola light, vá. Bananas é que nem pensar! Que isso é fruta que está ali carregadinha de açúcares e já todos conhecemos o ditado: um segundo na boca, uma vida nas ancas. A não ser que esteja disposta a matar-se no ginásio durante horas sem fim. Não me venha é dizer que faz Zumba e que anda a comer bananas! Assim não vamos lá!

 

Beijinhos e boa sorte.

Os 5 estágios da procura de casa

Eu e o meu homem terminámos 2016 em demanda pela casa perfeita em Lisboa. Objetivo: comprar. Começámos otimistas, afinal quão difícil podia ser encontrar casa?, mas rapidamente percebemos que este é um caminho sinuoso, cheio de altos e baixos, e que são mais as desilusões que as agradáveis surpresas. Aliás, das primeiras tivemos muitas, mas das segundas, até agora, zero. Espetáculo! Percebemos também que procurar casa para comprar é frustrante e faz com que até a mais calma e otimista das pessoas passe pelos 5 estágios da perda, mas aplicado ao mercado imobiliário.

 

Negação

 

Depois de falarmos com duas ou três pessoas que também tinham estado, ou estavam naquele momento, à procura de casa e de ouvirmos atentamente as suas histórias de terror, trocámos olhares cúmplices como que a dizer “Humpf, isto não pode ser assim tão difícil. De certeza que eles estão a procurar nos sítios errados.” E foi com este espírito otimista que começamos as nossas buscas nesse baluarte do mercado imobiliário que é o Imovirtual. Usámos todos os filtros disponíveis para só nos aparecerem as coisas que pretendíamos e, curiosamente, o que nos apareceu foi mau! Casas caras, casas pequeníssimas, prédios sem elevador e casas a precisar de “pequenas obras” mas que as fotografias deixavam antever looooooongos meses e rios de dinheiro gastos em pôr a casa de pé novamente. “De certeza que o Imovirtual não tem tudo. As agências imobiliárias devem ter coisas muito mais interessantes e exclusivas.” Right?!

 

Raiva

 

Ao fim de dois dias não só já conhecíamos de cor TODAS as casas que estavam no mercado como começámos a perceber que era indiferente consultar uma panóplia tão grande de motores de busca porque, basicamente, tinham TODOS a mesma coisa. Imovirtual, Casa Sapo, Remax, Era, OLX, têm todos praticamente as mesmas casas… e quando começamos à procura de coisas no OLX sabemos que batemos no fundo.
Outro pormenor muito giro que nos começou a dar cabo dos nervos foi essa epidemia do mercado imobiliário que são as “fotos modelo”. Adoramos. Encontramos uma fotografia catita, abrimos o link, vemos o resto das fotografias, “Uau, que giro. Tudo remodelado e branquinho” lemos a descrição, que até agrada, começamos a ficar entusiasmados mas depois chegamos ao fim e pimba, aviso: “fotos modelo”, que só piora quando se segue do convite “venha conhecer!” Portanto, tudo o que eu tinha visto até ali e que tinha gostado não passava de uma miragem porque, na verdade, aquelas fotografias são de uma casa que não era aquela. Mas nós até damos o benefício da dúvida e lá vamos, só para encontrar apartamentos minúsculos, cheios de pó e sem encanto. E isso leva-nos a outro ponto deprimente: as casas são todas iguais, sem personalidade nenhuma.
Aparentemente o que está a dar em Lisboa são as remodelações "chapa cinco". Já as conheço de cor: cozinhas com bancada “em Silestone cinza”, "pavimento flutuante cor de carvalho", que faz aquele barulho oco super irritante mas extremamente útil para perceber a fraca qualidade da coisa e que dali a 5 anos, máximo, aquilo vai começar tudo a levantar e vai ter de ser substituído, "pré instalação de ar condicionado", janelas “oscilo-batentes lacadas a branco”, vidros duplos com um isolamento acústico para cima de espetacular, não se ouve nada tirando o comboio do outro lado da rua que parece mesmo que está a passar dentro de casa mas que tirando isso é um sossego, e "porta de alta segurança", whatever that means mas que agora também é super tendência nisto das casas. Podemos ver 5 apartamentos num dia que parece que vimos só um. Mais metro quadrado, menos metro quadrado acaba por ser tudo igual, estandardizado, estéril.

 

Negociação

 

Meia-dúzia de visitas depois percebemos que vamos ter de fazer cedências - gente pobre é assim, não pode ficar feliz muito tempo - e já estamos por tudo. Queremos um T2 com áreas decentes e boa exposição solar. Quando damos por nós estamos numa casa de 90m2 - o que em Lisboa é um palácio! - com um logradouro que, como é lógico, fica num rés do chão.
Rés do chão está fora de questão, que as pessoas lá fora passam mesmo ali ao lado da janela do quarto e isso é estranho. "Pronto, então até podemos ter uma casa um bocadinho mais pequena, desde que seja num andar intermédio". Damos por nós numa casa de 68m2 - !! -, num 2.º andar mas as janelas da cozinha e da sala ficam viradas para um muro.
"Sejamos realistas, precisamos mesmo de uma casa maior, 68m2 é minúsculo, e também gostávamos de ter uma vista. Se for preciso aumentamos um bocadinho mais o orçamento". Dias depois entramos numa casa ligeiramente maior, num 3.º andar com "magníficas vistas para Monsanto", 20 mil euros mais cara mas... sem elevador. E as "magníficas vistas para Monsanto" resumiam-se a umas tímidas copas de quatro árvores que ficavam em terceiro plano, depois da estação da CP e de uns cabos elétricos. É o que dá responder a anúncios com "fotos modelo".

 

Depressão

 

E com isto tudo passam-se meses, só que não, na verdade passaram apenas duas semanas só que isto de andar em busca de casa é tão cansativo que um dia parecem dois e duas semanas rapidamente se transformam em meses, e damos por nós a desistir do sonho de continuar a morar em Lisboa, numa casa com áreas decentes, com quartos onde se possa pôr uma cama, só uma cama, perto do metro e segura, onde uma pessoa possa andar a pé depois das 21h sem ter medo de ser cortada às postas ali ao virar da esquina. Em menos de nada começamos a ver casas lindas e enormes que ficam para trás do sol posto e a ponderar se demorar 1h40m para chegar ao trabalho será assim tão mau. Houve um dia particularmente péssimo em que chegamos a ponderar ir ver uma casa enorme... a Cacilhas. Cacilhas!!!! Dez minutos depois caímos em nós e pusemos essa brilhante ideia de parte. Ainda bem, porque era péssima. A ideia, não a casa.

 

Aceitação

 

Ontem abri o meu email e tinha a resposta de uma imobiliária para onde tinha enviado um pedido de visita a um apartamento que já nem me lembrava qual era mas que "infelizmente, já se encontrava vendido". Ainda assim a agente, muito simpática e pro-ativa, enviou-me uma lista de 5 imóveis que ela acreditava irem "de encontro" ao que pretendíamos. Um deles dizia o seguinte, ora atentem que isto é tão bom que, lido em voz alta, até faz festinhas no lóbulo da orelha:

 

T3,

 

"Uau! T3! Tantos quartos!"

 

completamente remodelado, a estrear.

 

"Ótimo, não precisa de obras!"

 

Perto do metro de Sete Rios.

 

"Bingo! Linha azul. A melhor linha, logo ali à porta de casa. Tu queres ver que é desta?!"

 

O apartamento é uma cave,

 

"... ... ... ..."

 

no entanto, não há qualquer divisão interior,

 

"... ... ..."

 

há divisões que dão para o logradouro e outras que dão para o passeio com aproximadamente 1 metro de altura.

 

"..."

 

Preço: 229 mil euros. 

 

Foi depois de ler esta deliciosa peça de literatura ficcional que percebi que tinha chegado ao quinto estágio: a aceitação. E como é que percebi isto? Porque quando cheguei ao fim em vez de desesperar e não ver a luz ao fundo do túnel desatei-me a rir. Duzentos e vinte e nove mil euros?! Por uma cave?! Ahahahahahahahahahahahahahahaha. De facto a senhora agente imobiliária estava cheia de razão, os imóveis que ela me enviou iam todos "de encontro" ao que nós procurávamos como, aliás, foram todos os que vimos até agora. Difícil, pelos vistos, é algum ir AO ENCONTRO do que nós queremos. Mas pronto, a esperança é a última a morrer. E se não for em Lisboa será noutro sítio qualquer. Sem pressas.

A publicidade disfarçada nos jornais online e a ténue linha entre fazer dinheiro e o bom senso

Gosto do Observador. Acho que faz um excelente trabalho em quase todos os artigos que publica mas gosto, particularmente, dos “Explicadores”, uma secção do site onde explicam aos leitores o bê-a-bá dos assuntos do momento em vez de partir para grandes artigos de opinião ou investigação partindo do princípio que quem está a ler já sabe o básico. Dos jornais online portugueses que leio este é o único que o faz. É louvável e diferenciador e tenho pena que outros jornais do género não lhe sigam o exemplo. Mas… tinha de haver um mas… este tipo de textos dão cabo de mim.

 

É claro que um jornal online para sobreviver tem de fazer dinheiro, à semelhança da imprensa em papel e, apesar de não estar nada por dentro deste assunto, já percebi que grande parte das receitas devem vir da publicidade. Até aqui tudo bem. O que me parece muito mal é que um meio de comunicação social, que tem o dever de informar quem o lê, aceite fazer artigos deste género que podem influenciar negativamente a saúde das pessoas. Textos destes podem ser inofensivos se estivermos a falar de marcas de maquilhagem, shampoos, carros, vestuário. Mas quando entramos no campo da saúde alto e pára o baile. Aqui as coisas deveriam ser tratadas de maneira totalmente diferente.

Este jornal em particular criou a OBS Lab, uma marca que dá voz às marcas. Explicam eles que este espaço é “o palco perfeito para as marcas contarem a sua história de forma mais completa e indelével, fazendo chegar o melhor do seu conteúdo aos leitores.” Óptimo. Acho óptimo que a Becel tenha a oportunidade de contar a sua história. Mas é preocupante que um jornal online, que chega a milhares de pessoas, publique um artigo que afirma que comer Becel ajuda a baixar o colesterol prevenindo, assim, doenças cardíacas e que estes textos apareçam no meio de notícias reais e não num separador dedicado só à publicidade e devidamente identificado. É certo que no feed principal onde aparece a notícia, por baixo do lead, está a inscrição "OBS Lab" mas quem não saiba o que é o OBS Lab será que percebe que aquilo é publicidade? Duvido. Até porque só agora é que eu soube o que aquilo significava, e leio o Observador todos os dias. Como eu, devem haver mais pessoas. Daí chamar-lhe "publicidade disfarçada".

Neste artigo todas estas informações estão fundamentadas por “vários investigadores” e “vários estudos científicos” desenvolvidos “à luz da ciência moderna”. Ora bem, isto bem espremidinho quer dizer, basicamente, zero. Que tal um link para todos esses estudos científicos e altamente credíveis para as pessoas os poderem ler e, aí sim, formarem a sua opinião? Pois não há. E não há porque isso à Becel não dá jeito nenhum. À Becel o que dá jeito é que uma pessoa com o colesterol elevado leia este artigo, acredite que o que ali está escrito é a mais pura das verdades porque, afinal, são os “vários estudos científicos” que o dizem, e vá a correr comprar uma embalagem das grandes da manteiga vegetal para barrar no pão todas as manhãs e a todos os lanches convencidíssima de que a cada dentada o colesterol está a baixar. Mas não são só as pessoas com colesterol elevado que beneficiam disto. Quem sofre de hipertensão também pode tratar, ou prevenir, a doença com um produto Becel! Não é incrível? A Becel é a cura para todos os males! Só que não.

 

A solução para baixar a colesterol ou para prevenir qualquer doença não está numa embalagem de manteiga vegetal nem num copo de iogurte com dez mil milhões de qualquer coisa que ninguém sabe muito bem o que é e o que faz efectivamente. A solução está em comer comida de verdade, que não vem em embalagens nem tem rótulos com prazos de validade e contagem de calorias. É bastante óbvio não é? Mas são artigos como aquele que fazem as pessoas acreditar que não, que o que é bom é aquela embalagem de manteiga vegetal. Porque é que o Observador, ou outro jornal online, não faz publicidade a pequenas empresas que cultivam brócolos, couve-flor ou de venda de peixe ou carne? Porque isso não é rentável para o site, nem para a Becel, nem para a indústria farmacêutica que, com este tipo de alimentação natural, não conseguiria vender tantos medicamentos para baixar o colesterol porque as pessoas, simplesmente, não precisariam deles. Esta marca do Observador, e de todos os jornais online que fazem os mesmos tipos de artigos publicitários, não é “o palco perfeito para as marcas contarem a sua história”. É o palco perfeito para as marcas contarem as suas histórias. Aquelas que mais lhes convêm. E, como disse ali em cima, se isto é inofensivo quando falamos de marcas de roupa, carros, cosmética no que toca à alimentação não deveria ser assim.

 

Se tivesse lido isto há um ano não me teria afectado minimamente. Porque há um ano eu também preferia as manteigas vegetais às manteigas normais porque achava que estava a fazer bem. Porque o que é vegetal é, obviamente, melhor que os produtos animais e nem me ocorreria ler os rótulos daquilo que comprava, nem reflectia que comer o que quer que seja “com sabor a” não podia ser bom, não podia ser a melhor escolha. Mas há um ano houve qualquer coisa em mim que mudou e comecei a querer fazer o melhor por mim e a querer saber mais sobre aquilo que compro para me alimentar. Com essa decisão e curiosidade tudo mudou. Comecei a investigar muito, descobri artigos chocantes como este, que mostra que as directrizes do governo inglês sobre uma alimentação saudável estão a engordar e a adoecer a população inglesa, descobri que afinal não há uma relação entre comer ovos e ter colesterol elevado ou que ter o colesterol elevado não aumenta necessariamente o risco de doenças cardíacas. Descobri o brilhante e elucidativo blog do Dr. Souto e comecei a seguir no Snapchat a nutricionista Lara Nesteruk e a Catarina Lopes, percebi que aquela regra idiota de comer de 3 em 3 horas não se aplica a toda a gente e não acelera o metabolismo coisa nenhuma, as pessoas devem comer quando têm fome. Ponto. Isso é o natural. Comecei a saber diferenciar um estudo clínico randomizado de um “estudo” patrocinado por uma marca qualquer de produtos industrializados, ou por uma farmacêutica, que pagou a médicos para fazerem testes a meia dúzia de pessoas muito específicas durante uma semana para se chegar à conclusão de que para curar X temos de comer Y ou tomar Z.

Infelizmente são estes últimos “estudos” que chegam aos jornais com títulos sensacionalistas do género “comer fiambre provoca cancro”. E, acreditem, saber estas coisas, ter curiosidade para investigar mais, ler realmente os estudos científicos mais sérios e credíveis, virar todas as embalagens de produtos alimentares para ler os rótulos faz uma diferença gigantesca nas escolhas que eu faço e que, acredito, serem as melhores para mim. Mas isto sou eu, que tive vontade e curiosidade de saber mais. A geração dos nossos pais ou dos nossos avós influenciam-se apenas por este tipo de notícias e pelo que vem escrito no rótulo das bolachas. Se um pacote de bolachas disser na embalagem que possui um ingrediente que baixa o colesterol, pimba, é mesmo esse que levam. Mesmo que o primeiro ingrediente seja açúcar e segundo seja óleo de palma ou de girassol.

 

Lembro-me bem de um anúncio que circulou na televisão portuguesa há uns anos, com a Adelaide de Sousa e o Nuno Delgado, atleta olímpico português, que promovia, juntamente com a Fundação Portuguesa de Cardiologia os benefícios de comer pão com margarina.

 

 

MARGARINA!!! Quem não tiver apego pelo estudo, quem não for curioso e vir um anúncio destes, feito por um atleta e, ainda por cima, com o cunho de uma respeitada instituição, vai acreditar logo que sim senhor, pão com margarina é que é saudável. Pão com uma coisa que só se pode fazer em fábricas, feita com óleo de palma, leite em pó e aromas é que é bom. A manteiga verdadeira, feita só com leite e sal é horrível, vai matar toda a gente, é péssima para o coração. Tal como o queijo. Nos produtos industrializados, nas margarinas, é que está a solução. E pronto, as pessoas engolem, literalmente, isto.

 

O tratamento e a denúncia destes temas na comunicação social deveria ser outro porque a responsabilidade social é - tem de ser - sem dúvida, outra. Mas isto é irreal, não é? O dinheiro fala sempre mais alto. É pena e é assustador, também. Principalmente assustador.

 

"Calma, estás muito irritada!"

Quando li este post d’A Gaja

“Quando um homem fala alto, está a "expressar a sua opinião". Uma mulher quando eleva a voz é "uma histérica". Quando um homem está zangado é porque deve ter razões para isso. Quando uma mulher está chateada, "está hormonal, com TPM".“

lembrei-me de uma coisa que acontece comigo há anos. Não sei se por ser mulher ou por ser como sou ou uma mistura das duas coisas. De qualquer maneira incomoda-me muitíssimo.

Sou, geralmente, uma pessoa reservada, apaziguadora e diplomática. Não gosto de conflitos e quando me deparo com uma pessoa que não sabe debater uma ideia ou que o faz de maneira que, para mim, é agressiva tendo a manter-me neutra para acabar a discussão rapidamente para não me chatear. Porém, volta e meia, acontece expressar a minha opinião e envolver-me em debates sobre determinados assuntos que me apaixonam particularmente. Pasme-se! E sempre que o faço, especialmente se o meu ponto de vista for diferente do do meu interlocutor, a reacção é sempre a mesma: “Calma! Estás muito enervada.” A sério? Esse é o teu melhor argumento para provares que tens razão? Eu não estou enervada, estou só a dar a minha opinião que, por acaso, é diferente da tua. Lida com isso. Mas lida de uma forma construtiva, apresentando argumentos para defender o teu ponto de vista em vez de acabares com a conversa com a cartada do “estás muito enervada”.

Não obtenho esta reacção só da parte de homens, as mulheres também fazem o mesmo, e isso faz-me reflectir se é por, normalmente, evitar alongar-me em discussões que prevejo serem intermináveis e desagradáveis ou se é por ser mulher. De qualquer das formas adorava que as pessoas aceitassem esse facto, de que sou mulher e sou como sou, se focassem naquilo que estou a dizer e se envolvessem na discussão em vez de tomarem o meu entusiasmo por determinado assunto por histerismo, stress, TPM ou o raio que o parta. E não, não estou irritada. Estou só a expressar a minha opinião. Obrigada.

#onrepeat | Banks - The altar

"Have you ever read about wounded healers? It’s somebody who’s been through something where they felt hurt or traumatized. Real pain. Real pain hurts so bad. When you’ve gone through something and you’ve overcome it, you’re able to heal other people. A wounded healer, I think, is a lot more powerful than a healer that has not been wounded."

 

Depois desta entrevista à revista Time, onde a Banks despejou muito da sua essência enquanto mulher e cantora, fiquei a adorá-la ainda mais. Não imaginava que tal fosse possível.

O novo album The Altar saiu hoje e, por aqui, já está em repeat. Podem ouvi-lo no Spotify ou aqui.

 

 

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Get away | Lousã: as aldeias do xisto

Se há coisa que me move são as viagens. A possibilidade de entrar num avião e horas depois aterrar noutro país, ouvir outra língua, comer e ver coisas totalmente diferentes das que conheço ou das que me rodeiam no dia-a-dia. Mas quando não dá para sair de Portugal também não desanimo. Há imensa coisa no nosso país que não conheço e que estou pronta para explorar.

Em Janeiro já sabíamos que não ia dar para fazer uma grande viagem por isso fizemos uma lista de sítios que não conhecíamos em Portugal, ou que já conhecíamos mas não juntos, e começámos a planear. O primeiro destino foi o Porto, em Maio, e o mais recente as aldeias do xisto da zona da Lousã. O plano inicial era ir a Évora mas, depois de duas semanas de papo para o ar no Algarve, já estava tão fartinha da paisagem árida do Sul que só queria ver verde, montanhas e vales. A zona do Douro, ali para os lados de Lamego, era muito apetecível mas não queríamos ir para tão longe por isso, e depois de esmiuçado o mapa da Portugal, optámos pela Lousã. Ficava a 2h de caminho, o hotel era bom e acessível, a comida da região tinha bom ar e a cereja no topo do bolo eram as aldeias do xisto, que nenhum dos dois conhecia. Tudo isto somado fez-nos mudar os planos do Sul para o Centro, de Évora para Lousã, uns escassos dias antes de irmos. Enervante para uma control freak como eu, que gosto de estudar e planear tudo muito bem antes de ir, mas foi o melhor que fizemos e correu tudo lindamente, mesmo sem termos grande coisa planeada com excepção dos restaurantes, que já iam todos escolhidos e com reservas feitas. Se há coisa que me assusta é estar cheia de fome  e não ter sítio para comer e acabar num tasco gorduroso com comida de origem e confecção duvidosa.

Chegámos à Lousã pelas 14h, esganados, sob o calor abrasador de uns simpáticos 40ºC, e fomos direitinhos ao Casa Velha. Ainda bem que fizemos reserva. Havia uma fila assustadora à porta e o restaurante estava à pinha. Só havia uma mesinha livre. A nossa! :) Pedimos uma dose de pataniscas com arroz de feijão para os dois, que parecia ser para 4, que me soube pela vida. De estômago cheio começámos a nossa rota pelas aldeias do xisto. Em dois dias vimos três aldeias e, no regresso, ainda parámos em Tomar para comer o melhor pernil EVER!

 

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 O primeiro impacto com a Serra da Lousã: brutal! Era mesmo, mesmo isto que estava a precisar. Verde a perder de vista e silêncio.

 

 

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 O percurso para as aldeias. Curvas e contracurvas, árvores e um cheirinho maravilhoso a eucalipto

 

  

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 Candal, ali escondidinha. 

 

 

 

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Nas escadinhas da aldeia do Casal Novo. Acho que moram lá duas pessoas, a maioria das casas está ao abandono, mas fiquei maravilhada com este caminho que parecia ter saído de uma história de encantar!

 

 

 

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Gondramaz

 

 

 

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O Beco do Tintol, em Gondramaz

 

 

 

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Duas habitantes da aldeia

 

 

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  A aldeia do Talasnal no meio dos vales!

 

 

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 O meu género de turismo rural. No Talasnal.

 

 

 

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Talasnal: a aldeia mais bonita de todas. Se lá forem é OBRIGATÓRIO visitarem a casa da Ti Lena. Um restaurante típico - mais típico é impossível - que fica mesmo dentro de uma das casas, onde se come o melhor cabrito de sempre! As duas senhoras que lá trabalham são uns amores e o ambiente é muito castiço. É preciso reservar. O lugar e a comida.
A sério, escolham o cabrito.

 

 

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A vista arrebatadora do topo do Talasnal

 

 

De regresso a Lisboa aproveitámos para visitar o Convento de Cristo e Castelo Templário, em Tomar, e para almoçar no centro da cidade.

 

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 Os jardins encantados do Convento

 

 

 

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O TripAdvisor tinha o restaurante Taverna Antiqua como o melhor de Tomar, por isso tínhamos que lá ir. Óbvio! Ir a este espaço é toda uma experiência. Quando ali entramos, entramos na época medieval. Desde a música - que consegue ser um bocadinho irritante, confesso. Demasiadas gaitas de foles. -, às roupas dos empregados, à iluminação toda feita à luz das velas, os copos de barro, as mesas e, claro, a comida!

 

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Depois do cabrito na Ti Lena queria mesmo comer pernil, dois pratos que apetecem muitíssimo em dias de 40ºC, mas toda a gente falava no raio do pernil nas reviews e eu adoro pernil portanto, pernil it is. E que boa decisão! Como podem ver é gigante, dá à vontadinha para duas pessoas, e estava indescritivelmente bom. Se passarem por Tomar visitem o restaurante que não vão ficar nada mal servidos. 

 

Foi o final perfeito destes dois dias mágicos nas aldeias do xisto da Lousã.

Um ano de ginásio!

Um ano de ginásio? What?! Já?! Quando me lembro das semanas de hesitação que antecederam a minha inscrição sinto-me ridícula. Como acontece, aliás, com todas as minhas hesitações prolongadas. Uma pessoa quando pensa muito sobre qualquer assunto começa a entrar numa espiral obsessiva até parecer que todos os cenários vão desembocar num mau desfecho. Pelo menos comigo é assim. Cheguei a um ponto em que sempre que pensava em inscrever-me no ginásio a conclusão era sempre a mesma: depois quero desistir e não posso por causa da fidelização e depois vou andar a pagar uma coisa que não uso durante um ano, ou mais!, e em vez de poupar aqueles 40€ estou a gastá-los numa coisa de que não gosto, e por aí fora até chegar àquele fatídico cenário hiper-realista em que ia estar a morar debaixo da ponte por estar cheia de dívidas por culpa dos 40€ de prestação do ginásio que eu não frequentava. O cenário nunca era: talvez corra bem e nem chegue a pensar em desistir. Nunca! Sofrer por antecipação é que muita bom. Porém, durante este ano desistir nunca foi uma opção, mesmo quando me lesionei e fiquei um mês sem lá aparecer, mesmo quando fui de férias três semanas e a última coisa a ocupar-me o pensamento ser o exercício físico, mesmo quando me lesionei outra vez, e mais outra. O facto de o ginásio ficar entre o meu trabalho e a minha casa também ajuda.

 

Só agora, ao fim de um ano, começo a ver ligeiras diferenças no meu corpo mas, a principal mudança, foi na cabeça. Encarar aquela hora que ali estou como um momento meu, em que estou a cuidar de mim, do meu corpo, da minha saúde física e mental. O objectivo vai muito além de uma barriga definida – é que já nem tento. Não tenho espírito de sacrifício para isso – e de um rabo firme que não abana com nada. Como diz a Lena Dunham, essa filósofa dos tempos modernos, “It ain't about the ass, it's about the brain”.

No passado, quando me inscrevi noutros ginásios, ao fim de três meses estava farta e desistia. Sempre detestei ginásios e qualquer espécie de exercício físico, por isso andar há um ano nisto, a ir todas as semanas, no mínimo duas vezes, idealmente três, é para cima de espectacular! Diria mesmo que é um marco na minha vida! Mas é precisamente quando penso nisto, e me sinto uma pessoa mega motivada, que oiço as minhas colegas da aula de Localizada a dizerem barbaridades do género: “Amanhã fazemos musculação e cardio e depois vamos à aula de zumba!” E dizem isto entusiasmadíssimas! Ora bem, segundo as minhas contas, isso dá, pelo menos, 2h no ginásio… DUAS HORAS! Achava eu que fazer uma aula de 55 minutos de Body Pump fazia de mim uma badass. Pffff, please.  Não passo meio-dia no ginásio, não levanto mais que 5kg e fico boquiaberta quando vejo aquela rapariga com caneleiras de 10kg quando eu me contento com 4kg. Cada pessoa tem os seus objectivos e eu estou muito contente com os meus. Mesmo.  

 

Apesar de não ser uma expert, talvez se já andasse nisto há 10 anos a minha credibilidade fosse outra mas, ainda assim, e como isto para mim é um feito!, resolvi reunir um conjunto de dicas que vos podem ajudar a não desistir do ginásio nesta rentrée. Ou melhor, a não desistir de vocês! Ãh? Depois desta estou quase uma lifecoach. Brincadeiras à parte, vejo mesmo as coisas desta forma. Se virmos uma inscrição no ginásio como um compromisso connosco próprios e não com uma empresa de crédito, é muito mais difícil desistirmos porque isso significa que estamos a desistir de nós. Da nossa saúde, do nosso bem-estar. Quem é que quer isso?

 

Bom, estas são as dicas que, até agora, têm resultado comigo:

  1. Agendar todas as sessões de treino no telemóvel. O meu mantra é: se estiver na agenda é porque é real. Portanto, se olhar para o meu calendário e vir agendada para todas as segundas-feiras do mês uma aula de Body Pump às 19h isso para mim é uma realidade, é uma coisa que eu tenho mesmo de fazer.

  2. Não pensar no assunto. Se ao fim do dia me puser a reflectir se me apetece mesmo ir ao ginásio, ou se prefiro atirar-me para o sofá e fazer zapping até me dar a fome, é provável que a resposta penda para a segunda hipótese. Por isso o segredo é não pensar nisso. É ir e pronto, como se não houvesse outra opção. Mais ou menos como quando nos levantamos para ir trabalhar. Se pensarmos, a uma segunda-feira de manhã, “será que quero mesmo ir trabalhar?” provavelmente a reacção seria calar o despertador, virarmo-nos para o outro lado e só acordar quando o corpo estivesse dorido da cama. Mas não dá. Temos mesmo de ir, é a vidinha. O espírito com que encaro o ginásio é o mesmo.

  3. Se naquele dia em que tiverem uma sessão de treino agendada não vos apetecer mesmo nada, nada, nada ir... vão! É nesses dias que mais precisamos de ir. Se não formos hoje porque não nos apetece deixamos uma porta aberta para um sem fim de faltas ao ginásio. Esse "hoje não quero, vou amanhã" rapidamente se transforma num mês sem lá pôr os pézinhos. Acreditem que nesses dias, quando o treino terminar, se vão sentir muitíssimo satisfeitos convosco próprios por terem contrariado a preguiça.

  4. Levar o saco do ginásio para o trabalho. Como é apenas uma agradável caminhada de 10 minutos que separa a minha casa do meu trabalho, nos dias em que tenho programado ir ao ginásio podia simplesmente ir a casa ao final do dia equipar-me e poupar as minhas ricas costas a andar com o saco do ginásio de um lado para o outro. ERRO. Levo sempre o saco comigo logo de manhã. Assim durante o dia estou sempre com ele ali ao lado, a olhar para mim, e isso funciona como um reforço. Uma espécie de reality check. Sim, hoje é MESMO dia de ginásio. Mesmo que depois até consiga sair cedo e dê tempo para ir a casa equipar-me e comer qualquer coisinha antes do treino. O saco do ginásio vai SEMPRE comigo de manhã.

  5. Escolher boa música. Se têm espírito de sacrifício suficiente para estarem 1h a fazer o vosso plano de treino… boa! Eu pensava que tinha, que era na elíptica e na máquina de aductores que ia ver a luz, só que não. É uma pasmaceira e uma morte lenta para mim. Porém, na altura em que me queria dedicar de corpo e alma ao plano de treino, a música era o meu principal boost. Era o que me dava pica para continuar só mais 5 minutos. Só mais uma série de dez. Portanto, apostem na música! Encham o vosso iPod, telemóvel, o que for, com as músicas que mais gostarem e façam por actualizar a playlist com frequência. Quando fazia download de uma música nova isso dava-me logo outra vontade de ir treinar, por saber que o ia fazer a ouvir aquela música. Pode parecer pateta, mas comigo resultou. Até certo ponto.

  6. Se, como eu, a vossa onda forem as aulas de grupo, óptimo. Têm todo um calendário por onde escolher. O que não falta nos ginásios são aulas de grupo. Escolham as que mais gostarem e agarrem-se a elas como se a vossa vida dependesse disso. E se as aulas forem dadas por professores de quem gostam, melhor ainda! Pessoalmente gosto infinitamente mais de aulas dadas por mulheres do que por homens. Os homens ou são umas bestas ou são uns nhonhós que só estão ali a cumprir horário e não motivam ninguém. Já as mulheres têm muito mais garra, são mais duras, porém sensíveis. Pelo menos as do meu ginásio. Isso para mim é logo uma motivação extra. Mesmo que não me apeteça muito ir, só de saber que vou ter aula com aquela professora super divertida e que puxa imenso pela turma fico logo com outra motivação. Para além disso são uma fonte de inspiração tremenda: eu quero ter aquelas pernas torneadas! Quero ter os braços definidos como os delas! Quando já estou muito cansada é a isso que me agarro. E resulta!

  7. Por último: é só 1h do vosso dia! Ou, no limite, 30 minutos, que agora há aquelas aulas de alta intensidade, rapidinhas, que passam num instante. 1h para cuidarmos de nós não é assim tanto tempo nem tão difícil de encaixar no nosso dia. No excuses.

 

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Carta aberta aos professores dos ginásios

Aula de Localizada. Professor com cara de poucos amigos e com braços que pareciam o tronco de uma árvore. Entramos na sala para começar. Ele berra o material que vamos usar. “Barra, step e colchão. Dois discos de 10kg para homens e 5kg para mulheres. Mínimo.” Fui buscar as coisas e trouxe comigo dois discos 2.50kg que é o que consigo levantar com algum esforço mas sem sentir que me estou a lesionar toda. Ele olha para mim e berra: “5kg! 5kg! 5kg!” Fulminei-o com o olhar: “Não consigo levantar 5kg.” “Tem de ser mais peso. Mais peso!” Meti o rabinho entre as pernas e fui buscar dois discos de 1.25kg só para lhe fazer a vontade e a achar que pôr aquilo ou fazer só com 2.50kg era igual. Não era. E senti logo isso quando quis levantar a barra. “Vamos fazer vários exercícios. Quatro séries de dez cada. No final da aula, tudo somado, tem de dar mil.” Ele disse mesmo isto. Mil repetições em 50 minutos de aula que, em tradução livre, é mais ou menos isto: vamos fazer quatro séries de dez repetições o mais depressa que conseguirmos. Que se lixe a técnica. Temos é de chegar ao fim com mil repetições feitas.

Primeiro exercício: barra atrás do pescoço e toca a agachar. Afinal agachar com 2.50kg de cada lado ou com 3.75kg ainda faz diferença. Fazia um agachamento por cada dois dele, que olhou furioso para mim, como se fosse a vergonha da turma, e gritou: “Mais rápida! Mais rápida!” E eu com uma vontadinha de mandar a barra ao chão e gritar de volta: “Mais rápida o quê c$%#%&o! Ou ponho mais peso ou sou rápida a agachar! As duas coisas é que não pode ser!” Uns quinze minutos depois, já a fazer um esforço horrível, comecei a lembrar-me de todo o dinheiro que já gastei para diagnosticar e tratar lesões feitas no ginásio: ressonância magnética, Raio X, ecografias, fisioterapia, dois meses sem conseguir treinar… “Fuck this shit”. Pousei a barra, tirei os discos mais leves e continuei com os de 2.50kg que devia ter usado desde o início.
Vamos lá ver aqui uma coisa muito simples: vocês, professores de ginásio que muitas vezes encaram as aulas como se fosse um treino vosso – não são!!!! Parem com isso! – têm de meter na cabeça que os alunos não têm todos a mesma condição física, nem têm todos os mesmos objectivos! Nem é suposto! Acham que conseguem entender isto e deixarem de ser umas pequenas bestas? Acham que é uma coisa com a qual podem viver? Eu só quero ser mais saudável, baixar os níveis de colesterol, e ter um corpo moderadamente fit. Sem pernas e braços a abanar, qual gelatina. É só isto. Não bebo batidos de proteína, nem como ovos nem bananas antes do treino, não ando a contar os dias até conseguir levantar mais peso que a colega do lado e a minha vida não gira à volta das gramas de hidratos e proteína que tenho de comer em cada refeição. Respeito quem viva assim, nada contra, mas essa não é a minha cena. Já é óptimo eu ir às vossas aulas, certo? Mostra empenho, resiliência, capacidade de superação e essas coisas todas muito boas de que a malta do ginásio gosta muito de falar. Para quê humilhar as pessoas fracas de braços? Ou que não podem saltar? Ou que têm problemas de costas? Ou de joelhos? Para quê?! Ficariam mais felizes se conseguissem levar toda a gente ao limite das forças e na semana seguinte não terem ninguém na aula porque ainda está tudo a recuperar a mobilidade perdida? É mais divertido assim? Ou será que é melhor e mais natural as pessoas evoluírem ao ritmo delas? Eu aposto mais na segunda hipótese. Vamos tentar a segunda hipótese? Só durante uns tempos, para ver como corre? Sim? Então está bem.

#onrepeat | MØ - Final song

A minha freak favorita está de volta! Já falei dela aqui mas não resisto a trazê-la novamente. A MØ tem novo single e é the bomb! As músicas dela sempre penderam mais para o alternativo mas agora parece estar mais comercial e, por mim, tudo bem: continua a ser catchy e a ficar no ouvido. Adoro-a! Quem não conhecer o trabalho anterior é capaz de não estranhar mas achei esta música altamente improvavel. Não tem nada, nada a ver com o que se ouviu no No Mythologies to Follow mas, pelo menos para mim, foi uma agradável surpresa. O ritmo é viciante e há ali uma altura em que a batida do refrão se mistura com outra e parece que é um mashup de duas músicas diferentes. Pode estar mais comercial mas continua com uma pitada de weirdness a que já nos tinha habituado. Está descoberto o hit deste Verão. Sorry Timberlake.

 

Ela é linda sem makeup? Não. Ela é linda quando faz o que a faz sentir melhor

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Parece que este ano vai ficar marcado pelo movimento anti-maquilhagem. O Agir diz que “ela é linda sem makeup” e a Alicia Keys diz que está farta de se esconder. Quanto a mim, que me maquilho todos os dias, tenho uma relação de amor/ódio com a maquilhagem. Bem, talvez “ódio” seja demasiado forte e, a existir, não é pela maquilhagem mas pela mentalidade tacanha das pessoas.

Gosto muito de me maquilhar. Aqueles minutos que passo sentada perto da janela a colocar máscara de pestanas e a passar pó bronzeador para dar alguma cor à minha cara branca amarelada são sagrados. É um momento só meu e acho-o até bastante relaxante, tal como acho relaxante a limpeza da pele ao final do dia. Mas depois há aqueles dias em que acordo virada do avesso e com muita vontade de reclamar e penso: “Mas porque é que é só às mulheres que é exigido que se apresentem ao mundo com um ar arranjado e cuidado?!” Os homens podem sair de casa com olheiras e pele baça que ninguém lhes diz nada, é uma coisa perfeitamente natural, mas se as mulheres se atreverem a fazer o mesmo, especialmente aquelas que, como eu, se maquilham todos os dias, têm de ouvir aquela simpática frase: “Que cara é essa? Estás bem?” ou então a minha favorita: “Estás com um ar cansado!” que é o mesmo que dizerem: “Estás com umas olheiras horríveis”. Os anúncios de maquilhagem são todos direccionados para as mulheres porque os homens, aparentemente, não têm de se preocupar com estas coisas. Dormiram mal e têm olheiras até ao queixo? Não faz mal. Na noite seguinte dormem melhor e passa. Já as mulheres têm de tapar tudo com corrector se não quiserem que o mundo passe o dia a olhar para elas com ar de pena. “Coitadinha, está tão cansadinha.”

Apesar desta revolta que acontece em mim de tempos a tempos a verdade é que gosto de me maquilhar e faço-o por mim. Porque gosto mais de me ver pestanuda, com as maçãs do rosto rosadinhas e com um ar fresco e acordado. Adorava dizer que me sinto melhor ao natural mas seria mentira. Provavelmente isto não é uma coisa muito saudável mas a verdade é que me sinto muito mais confiante e pronta para enfrentar a vida quando estou arranjada. De qualquer maneira também tenho os meus dias de preguiça e nesses detesto ser julgada ou chamada a atenção por não me ter maquilhado. "Estás cansada? Estás doente? Estás bem?" Que direito têm as pessoas de gratuitamente, sem ninguém lhes ter perguntado nada, me atribuírem defeitos? O que é que acham que vão acrescentar ao meu dia depois de me dizerem que estou com um ar cansado? Como se se sentissem ofendidas por me verem com olheiras ou com a minha pele livre de pós de qualquer espécie, no fundo, tal como ela é! Pessoas chatas: a vossa opinião é irrelevante e não interessa para nada. Back off! Isto para dizer que o mal não está, nunca, na maquilhagem mas sempre na cabeça das pessoas. Aliás, como em tudo nada vida. Não concordo com esta demonização da maquilhagem, como se fosse errado usá-la. Errado é as pessoas andarem curvadas à vontade dos outros.

Aplaudo de pé estes movimentos que dão poder às mulheres para se sentirem bem como são e se apresentarem ao mundo como bem entenderem. Se há mulheres que não gostam de maquilhagem, para quem é um martírio perder tempo a pôr máscara de pestanas e blush, então não se devem sentir obrigadas a usá-la para agradar não se sabe bem a quem. Mas as outras, as que gostam de se maquilhar também se devem sentir à vontade para fazê-lo sem serem olhadas de lado. Como se fosse um crime e uma futilidade atroz. "Ela só tem aquele aspecto porque está maquilhada. Sem aquilo fica horrível!" ou a minha favorita: "Só perde tempo com estas coisas porque não tem roupa e loiça para lavar nem filhos para cuidar", porque uma mulher "a sério" é aquela que se anula perante as obrigações domésticas e familiares. Right.

O mesmo se aplica à roupa. As pessoas devem poder vestir o que bem entenderem independentemente daquilo que os outros vão dizer ou pensar. Acho triste quando oiço mulheres dizer que não usam calções ou vestidos porque têm celulite, como se fosse uma ofensa para os restantes mostrar pele que não seja perfeitamente lisa e tonificada. Usem o que vos apetecer e que vos faça sentir confortáveis, é só isso que importa. Eu não adoro as minhas pernas, gostava que fossem torneadinhas mas quando olho para elas vejo dois troncos sem forma, porém isso nunca me impediu de andar com elas à mostra. Era só o que faltava! Prefiro andar com os meus tronquinhos ao léu que andar desconfortável e a morrer de calor com calças coladas ao corpo. O mesmo princípio se aplica à maquilhagem. Usem-na se gostarem. Se não gostarem passem à frente. Ficam com mais tempo para dormir e tudo. Somos obrigadas a quê? A nada!