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zona de desconforto.

zona de desconforto.

22
Set15

Workout report

Passaram-se mais de duas semanas desde a última vez que falei nesta vontade súbita de me inscrever no ginásio. A vontade esteve sempre aqui mas as dúvidas sobre se devia mesmo gastar 39€ do meu orçamento mensal no ginásio permaneciam. “E se me fartar?”, “E se quiser desistir e não me deixarem?”, “E se precisar do dinheiro para outra coisa?” e se, e se, e se. Typical me. Durante estas duas semanas andei a inquirir todas as pessoas que conhecia que andaram ou andam no Solinca para saber que tal tinha sido a experiência. Quem já andou diz que para cancelar o contrato é uma trabalheira, quem o frequenta diz que gosta muito e nem pensa em desistir. Entretanto saiu este artigo na NIT que ainda me deu mais vontade de fazer a inscrição, mas a gota de água foi mesmo a mensagem que recebi do ginásio a informar que até dia 17 iam oferecer o valor da jóia (30€) para novas inscrições. “É que nem é tarde nem é cedo!” Dia 17 ao fim do dia lá estava eu à porta do ginásio super decidida. Eu e mais 30 pessoas... sim, contei-as. Ainda pensei que aquela fila enorme era um sinal do além para me pôr a andar, que ainda estava a tempo de voltar atrás, mas não cedi! Esperei, esperei, esperei e lá me inscrevi e, coincidência das coincidências, no dia seguinte a Oysho estava com 20% de desconto em toda a colecção! Oh felicidade! Não é por nada, mas a roupa de desporto é toda caríssima e não morro de amores pela das marcas próprias da Sport Zone e da Decathlon, que são mais em conta mas enfim… acho que ter roupa bonita e com a qual me sinta bem também pode servir de motivação para ir treinar, por isso este desconto não podia ter vindo em melhor altura. Comprei ténis, calças e um soutien mas ainda me falta comprar mais dois pares de calças e soutiens, uns topzinhos e um saco para levar a tralha toda.

  

 

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Para a semana vou ao Freeport ver se encontro qualquer coisa de jeito. Sempre ouvi dizer que as lojas de desporto lá são óptimas, que se conseguem grandes achados por isso vamos lá ver se tenho sorte… estou muito céptica e acho que vou sair de mãos a abanar. Quando entro em lojas com tudo virado do avesso e desorganizado – cenário de 90% das lojas do Freeport – fico logo com vontade de vir embora.

Os treinos só começam em Outubro e até lá vou ficar a aguardar que me liguem para fazer a avaliação da minha condição física, que deve ser miserável, e o plano de treino. Can’t wait! Estou aqui que nem posso e isso assusta-me. Há grandes probabilidades de este entusiasmo todo cair a pique assim que saltar para a passadeira e começar a ver tudo turvo ao fim de 4 minutos. Foi a pensar nisso que elaborei todo um plano de ataque para os dias em que a desmotivação me bata à porta, porque vai bater. Criei uma playlist no iPod com músicas mexidas e divertidas para me motivar nos treinos – treinar sem música está fora de questão. Já tentei e é um inferno -, comecei a seguir uma data de sites, blogs e contas de Instagram viradas para o fitness e ainda fiz uma lista com todas as razões pelas quais não me posso deixar vencer pela preguiça. Sim, eu sei, sou uma nerd, aposto que mais ninguém faz isto, mas não quero ser apanhada desprevenida pela desmotivação e por isso todas as ajudas são bem-vindas. Para além disso, todos os motivos são bons para fazer uma lista! É uma forma eficaz de organizar o pensamento e não perder o foco das coisas importantes e isto tanto é válido para o supermercado como, pelos vistos, para o ginásio. Não me julguem.

21
Set15

Comer bem sem gastar muito. É possível?

A semana passada participei num workshop promovido pela Direcção Geral de Saúde onde foram abordados dois temas importantes e que estão, ou deveriam estar, na ordem do dia de todos nós: comer bem sem gastar muito dinheiro. E sim, é possível. As informações e dicas que nos foram passadas não constituem assim uma graaaande novidade, faz tudo um pouco parte do senso comum, mas, ainda assim, deu para aprender umas coisas novas e fazer uma revisão da matéria dada. Como acredito que este é um tema importante e que interessa a toda a gente vou partilhar aqui algumas dicas.

 

Antes de ir ao supermercado

 

O primeiro e mais importante passo para comer de forma saudável e poupar dinheiro é planear, planear, planear. Se, como eu, só pensam no que vão fazer para o almoço do dia seguinte na noite anterior aviso já que estão a cometer um erro gravíssimo. O ideal é ir às compras e planear todas as refeições da semana que se avizinha - todas: pequeno-almoço, almoço, lanches e jantar - ao fim-de-semana, que é quando temos mais tempo para pensar nestas coisas com a calma que elas merecem.
Dica: quando estiverem a elaborar o cardápio da semana abram a dispensa, o frigorífico e o congelador e vejam o que podem fazer com o que têm. Assim evitam o desperdício alimentar e comprar mais do que realmente necessitam.
Depois de elaborados os menus é só fazer uma lista com tudo o que precisam comprar para confeccionar os pratos e rumar ao supermercado.
Dica: comam qualquer coisinha antes de sair de casa. Ir às compras de estômago vazio é meio caminho andado para sermos tentados por tudo aquilo que nos faz mal.

 

No supermercado

 

Organização das compras

 

Já devem ter reparado que na maior parte dos supermercados a secção de frutas e legumes fica perto da entrada, o que nos leva a começar as compras logo por ali. Errado. As frutas e legumes, bem como os alimentos que precisam de refrigeração, devem ser comprados em último lugar. Os primeiros para não serem esborrachados por todas as outras coisas que formos comprar depois; os segundos pelas razões óbvias. Os alimentos refrigerados não devem ser passeados horas infinitas à temperatura ambiente porque podem perder propriedades ou degradarem-se.
Dicas: optem por comprar frutas e legumes da época porque, normalmente, são mais baratos e tenham atenção aos preços unitários. Uma garrafa de azeite de 3l é mais cara que uma mais pequena, mas o preço por litro pode ser inferior e, se assim for, acabam por poupar.

 

Compras inteligentes

 

Depois de comprarem o leite, o feijão, os ovos, os cereais, o pão vão finalmente buscar as frutas, vegetais e alimentos refrigerados. Na hora de comprar queijo e fiambre, por muito grande que seja a fila da charcutaria, evitem levar os produtos previamente embalados porque, regra geral, são mais caros. Peçam para serem fatiados ao balcão. Não só poupam como levam as quantidades que realmente precisam. Ah, e podem escolher a espessura das fatias o que é óptimo! Eu gosto do meu fiambre bem fininho.
Dica: as promoções podem ser nossas amigas mas também as piores inimigas. Não só porque normalmente são sobre coisas que só fazem mal – bolachas, batatas fritas, chocolates – como nos podem enganar e fazer-nos levar quantidades elevadas de um produto que não precisamos. Se a lata de 800gr de tomate pelado estiver em promoção mas se vocês só precisarem de uma de 390gr não se deixem tentar. O que vai acabar por acontecer é usarem pouca quantidade de produto e o resto ficar a apodrecer no frigorífico.

Vão fazer muitos pratos de peixe esta semana? Good for you. Fiquem a saber que o peixe congelado é sempre uma melhor opção que o dito fresco. Primeiro porque é congelado em alto mar e, portanto, não perde propriedades enquanto o outro foi passeado de armazém em armazém, sujeito a várias mudanças de temperatura, até ter chegado à banca da peixaria. Segundo, é mais barato. Se mesmo assim quiserem levar peixe fresco optem pelos peixes inteiros que são mais baratos que as postas ou os filetes.
Lá em cima, quando elaboraram a ementa da semana, incluíram um prato de esparguete à bolonhesa ou de hambúrgueres? Livrem-se de comprar algum desses produtos já embalados. Tirem a senha do talho e esperem o tempo que for preciso para pedirem carne picada ou hambúrgueres feitos na hora, ali à frente do vosso nariz. Vantagens? Saberem exactamente o que estão a comer. Assim não há dúvida de que estão a consumir 100% de carne de vaca/porco/frango. Se não acreditam façam o teste: peguem numa embalagem de hambúrgueres ou de carne picada congelada e vejam os ingredientes nos rótulos. O mais provável é serem confrontados com uma misturada de carnes que não se sabe de onde vieram e de gordura acrescentada. E isto leva-nos ao próximo ponto:

 

Ler os rótulos

 

É muito difícil não comprar produtos embalados, a não ser que haja por aí alguém que viva numa quinta e que consiga obter todos os produtos de que precisa directamente da fonte. É por isso que é tão importante saber ler a rotulagem do que compramos. É a única maneira de sabermos o que estamos a consumir. Não olhem só para a calorias, toda a informação nutricional deve ser levada em conta - açúcares, proteínas, cálcio, gordura… - bem como a lista de ingredientes. Os primeiros 4 são os mais importantes porque representam o que há em maior quantidade no produto que vão consumir. Se desses primeiros ingredientes fizerem parte açúcar, farinha, amido, aroma, corantes, os mais variados E’s… se calhar é melhor pensar duas vezes. Dá trabalho estar a ler a rotulagem de todos os produtos? Dá. Demoramos mais tempo nas compras? Demoramos. Mas é preferível isso que andarmos todos iludidos a pensar que Ice Tea é chá.
Dicas: ao compararem o valor nutricional de dois produtos semelhantes vejam a informação pelas 100gr, só assim vão conseguir ter uma ideia exacta da quantidade de açúcares, por exemplo, que há em cada embalagem. É verdade que não podemos aplicar esta técnica a todos os produtos que compramos. As frutas, vegetais, carnes, peixes, até mesmo as sobremesas que fazemos em casa não vêm com rótulos. “Então agora?!” perguntam vocês aflitos. Calma. O Instituto Ricardo Jorge tem uma extensa lista de alimentos com a respectiva informação nutricional.

 

Confecção

 

Depois de tudo comprado é só arrumar as compras nos devidos lugares, com a carne e o peixe divididos por porções, e pôr mãos à obra sem, claro, se desviarem do plano inicialmente estabelecido. Se não souberem quantas porções de quê devem comer a cada refeição façam um back to basics.

 

 

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Há umas semanas imprimi e colei esta Nova Roda dos Alimentos na porta do frigorífico lá de casa para me lembrar todos os dias do que é realmente importante incluir na nossa alimentação.
Não pensem que comer de forma saudável se resume a grelhados ao almoço e jantar todo o santo dia. Não só é aborrecidíssimo como são opções muito limitadas perante todo o universo que têm ali em cima. Uma das dicas preciosas que nos deram foi abusar dos "pratos de panela", ou seja, estufados e não guisados! Nada de refogados e coisas a nadar em azeite. Os estufados são saudáveis porque a comida é confeccionada com água e sal, e na panela de pressão é um instantinho, e são uma óptima maneira de comerem coisas saudáveis, com sabor e muita cor. Como são pratos que incluem uma grande variedade de ingredientes permitem-nos cortar nas quantidades de carne ou peixe e, portanto, poupar mais. 
Dica: se não quiserem comer carne ou peixe e acharem, e com razão, que uma salada também não é o suficiente virem-se para as sopas. Há já uns meses que tenho substituído a refeição do jantar por sopa de legumes, achando eu que estava a fazer uma coisa muito revolucionária para melhorar a minha alimentação. Não estava. Uma sopa de legumes é uma opção pobre para substituir toda uma refeição. É por isso que 1h ou 2h depois já estamos com fome. Mas há uma solução, claro: juntar à sopa, depois da base estar feita, massa e grão ou arroz e feijão. Estas leguminosas têm proteínas de elevada qualidade, por isso são óptimas alternativas à carne - 6 colheres de sopa de leguminosas equivalem a 100gr de carne - e como são ricas em hidratos de carbono de absorção lenta e em fibras desempenham um papel importante no controlo do apetite.

Dicas finais

 

- Evitem o lixo alimentar. Aqueles alimentos com baixo teor nutricional e com calorias vazias que são o calcanhar de Aquiles para as pessoas com excesso de peso. São eles os refrigerantes, produtos de pastelaria, salgados, batatas fritas, etc...

 

- Invistam num bom pequeno-almoço porque esta refeição corresponde a 20% da energia total do nosso dia, e para pouparem façam-no em casa. Não se esqueçam: um pequeno-almoço equilibrado deve incluir leite ou derivados, cereais e fruta.

 

- Preparem as lancheiras das crianças em casa em vez de lhes darem dinheiro ou comida previamente embalada - bolos, bolachas... - porque acabam por ser opções mais caras e nutricionalmente desadequadas. O que é que eles podem levar na lancheira? Pacotes de leite simples, pão de cereais com fiambre ou queijo, 4 ou 5 bolachinhas de água e sal, fruta, iogurtes - atenção aos rótulos! Os produtos direccionados para o público infantil estão carregados de açúcar -, etc.

 

- Apostem nos produtos da dieta mediterrânica: leguminosas, hortícolas, fruta, pão e outros cereais não refinados, azeite como principal fonte de gordura - isto não quer dizer que devam deitar 1l de azeite no peixe cozido. Uma colher de sobremesa por pessoa deve ser o suficiente - peixe, ovos - 1 por dia de tamanho M -, lacticínios e, claro, água.

 

 

Para mais informações consultem este guia.

15
Set15

Tão modernas que nós somos

Há um programa muito engraçado no canal Q, o “Paradoxo da Tangência”, apresentado pelo Eduardo Madeira, ali vestindo a pele de Eduardo Jaime, onde o entrevistador pergunta quase sempre às entrevistadas se elas estariam dispostas a despir-se por uma boa causa, por exemplo, para salvar a vida das focas bebés, ressalvando sempre que será “tudo feito com muito bom gosto!” porque, afinal de contas, o Eduardo Jaime é um intelectual e longe dele estar a propor às convidadas coisas indecentes. Nestes últimos dias a Joana Amaral Dias e a sua recém-descoberta nudez têm-me feito lembrar estes excertos do programa do canal Q. Primeiro apareceu nua na revista da Cristina Ferreira e uns dias depois, ainda estava eu a digerir o assunto e a tentar perceber se achava aquilo muito corajoso e irreverente ou só estranho, voltou a aparecer desnuda na capa da revista que sai gratuitamente aos sábados com o Correio da Manhã. Porquê tanto exibicionismo? Simples, porque a Joana é uma feminista assumida e quer chamar a atenção para esse flagelo que são os despedimentos de mulheres grávidas.
(suspiro)
Ora bem. Eu não fico chocada por ver a Joana despida numa revista, a mim o que me choca são os argumentos. Tudo bem, queria despir-se para chamar a atenção ou simplesmente para ficar com uma recordação bonita do estado de graça em que se encontra, qual Demi Moore fotografa pela Annie Leibovitz para a capa da Vanity Fair em 1991, nada contra. Nada mesmo. Mas não me queiram convencer que tudo isto é para defender as mulheres grávidas que perdem o emprego. É tão descabido como a outra menina que sangrou livremente – é assim que se chama o movimento, free bleed em inglês – porque há mulheres no Congo que não têm pensos higiénicos. Até podia comprar esse argumento se se tivesse ficado pela capa da Cristina mas com a do Correio da Manhã perdeu toda a credibilidade. Despiu-se duas vezes para defender as mulheres grávidas? Isso quer dizer que sempre que quiser falar do tema se vai despir até já só restar a capa da Playboy? E será que é mesmo preciso uma mulher grávida posar nua para alertar a restante população para a discriminação existente em certas empresas em relação a este assunto? Não me parece. Não sou nada pudica e acho que estes temas importantes não se devem cingir às amarras da vida política. Aliás, já o escrevi aqui. Mas acho que há atitudes que ridicularizam a causa pela qual se diz estar a lutar. Porque é que uma mulher aparecer nua e grávida na capa de uma revista é uma forma de protesto contra os despedimentos das mulheres em estado de graça? Não só não é uma fotografia inédita, longe disso, - ali em cima falei da Demi Moore, a primeira a arriscar algo do género, mas depois dessa as capas de grávidas nuas sucederam-se: Miranda Kerr, Cindy Crawford, Claudia Schiffer, Britney Spears, Alessandra Ambrosio... - como não é algo que tenha particular relação com a causa a defender. Aliás, a fotografia para o Correio da Manhã tem zero bom gosto e grita deboche por todos os lados. E não há mal nenhum nisso! Cada um usa o corpo como bem entende. Mas não nos queiram convencer que é tudo por uma boa causa e que é quase o mesmo que aquelas fotografias "que os políticos tiram na praia e essas ninguém critica". Primeiro: quais fotografias que os políticos tiram na praia?! Segundo: não Joana, não é o mesmo. Posso estar enganada, mas não me lembro de ter visto alguma vez uma foto de um político na praia em poses sexys todo molhado ou com coisas escritas na barriga de cerveja seguida do argumento "Isto no fundo é por uma boa causa. É para chamar a atenção para o flagelo do desemprego! Uma vergonha é o que é, é o que é!" 

 

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04
Set15

"Então e os nossos?"

Ontem vi no Facebook uma reportagem da SIC Notícias sobre como ajudar os refugiados que vão chegar a Portugal. Dizem eles que há já quem se tenha chegado à frente para lhes dar guarida e outros que anunciaram que têm trabalhos na área da agricultura para oferecer aos que fogem da guerra e da vida miserável que têm no país de origem. Até aqui tudo bem. Esta é uma boa notícia. Afinal somos conhecidos por sermos tão cinzentões mas no fundo, lá no fundinho, somos uns corações moles. Não podemos ver sofrimento alheio que vamos logo a correr ajudar quem precisa. Certo? Ou será que não é bem assim?

Quando comecei a ler a caixa de comentários caiu-me tudo ao chão: “Vão ser como os ciganos que recebem mais do que quem trabalha!”, “1 em cada 10 são terroristas”, “Vão viver dos nossos subsídios!”, “Temos o dever de os ajudar mas temos a obrigação de defender os nossos!”, “Não ajudamos os nossos mas ajudamos os de fora!”, “Deviam era juntar-se todos e lutar contra quem lhes quer fazer mal, mas na terra deles!”, “Primeiro estão os nossos que precisam de ser ajudados!”, “Estamos a ajudar estrangeiros em vez de ajudarmos os portugueses que passam fome e frio nas ruas!”, “Mandam os nossos jovens emigrar e depois dão trabalho aos que vêm de fora!”, e mais haveria para citar, infelizmente.

Mas que gente é esta? “Então e os nossos?” A sério? Estão com inveja daquelas pessoas? Pessoas que vêm para cá sem nada, que vão passar meses amontoados em abrigos, que não sabem falar a nossa língua, que, provavelmente, perderam familiares na travessia até à Europa e, sim, que vão trabalhar nos nossos campos agrícolas estando ao mesmo tempo a ajudar-nos com a sua mão de obra e, obviamente, a receber pelo trabalho que desempenham, que a escravatura, felizmente, já é crime. Acham mesmo que os jovens portugueses que emigram se podem comparar a estas pessoas? Acham que um jovem de 25 ou 30 anos, licenciado que vai para o estrangeiro procurar um trabalho onde lhe paguem mais que os 500 ou 600€ portugueses se pode comparar a pessoas que fogem dos seus países de origem por alguém lhes ter rebentado com as casas, por as escolas estarem fechadas porque são um alvo tão apetecível como qualquer outro, por não terem o que comer? Acham mesmo que estamos em pé de igualdade? E se virarmos a situação ao contrário? E se fossemos nós os refugiados? Se fossemos obrigados a fugir do nosso país por ser mais perigoso ficar do que ir? Sim, que nada nos garante que não viremos a passar por algo semelhante. Que tal nos sentiríamos se chegássemos ao outro lado sem nada, provavelmente depois de termos visto a nossa mulher, ou o nosso filho morrer pelo caminho, e nos depararmos com as reacções que estamos a ter agora para os que precisam de ajuda? “Vão ser como os ciganos que recebem mais que quem trabalha!”, “Vão viver dos nossos subsídios!”, “Temos o dever de os ajudar mas temos a obrigação de defender os nossos!”, “Não ajudamos os nossos mas ajudamos os de fora!”, “Deviam era juntar-se todos e lutar contra quem lhes quer fazer mal, mas na terra deles!”… se calhar se virmos as coisas assim, se nos pusermos na pele deles, já não gostamos, já não nos sentimos tão superiores nem tão nacionalistas. Se calhar achamos que estamos todos a exagerar e a comportarmo-nos como pequenos animais selvagens que, como não são racionais, fazem apenas o que se lhes está na natureza quando outro animal lhes invade o território: põem as garras de fora e atacam. É um exercício bastante simples este, o de nos pormos na pele dos outros. Basta sermos portadores de uma coisa muito bonita e humana que se chama empatia que é precisamente aquilo que nos permite identificar com outras pessoas e com situações pelas quais nunca passámos. Mas se por acaso houver aí alguém incapaz de desenvolver tal sentimento e, pelo que li nas redes sociais, há muita gente que sofre desta patologia, vejam este vídeo produzido pela organização Save the Children precisamente para tocar aqueles que ou andam a dormir e não sabem o que se passa ou têm um pedragulho no lugar do coração e, por isso, vão para as caixas de comentários das redes sociais vomitar alarvidades como aquelas que citei aqui.

 

 

 

 

Se quiserem saber mais sobre o que se está a passar, o Observador está a fazer um trabalho incrível sobre o tema. É, provavelmente, o site português mais informativo que tenho consultado ultimamente. Não só sobre a crise dos refugiados mas também sobre os temas de política interna. Gostei particularmente deste guia eleitoral que resume muitíssimo bem, de forma clara e simples, as propostas de cada um dos partidos portugueses. Se estão indecisos e não sabem em quem votar esta é uma boa forma de ficarem mais iluminados. Ou não, mas aí a culpa já não é do jornal.

03
Set15

#onrepeat | MØ

MØ. É assim que a cantora dinamarquesa Karen Marie Ørsted quer ser tratada. Descobri-a no início do ano, quando ainda andava entretida com o novíssimo 1989 da Taylor Swift – por falar nisso, viram a colaboração da Phoebe Buffay num dos últimos concertos da nova menina bonita da pop? É a colaboração mais aleatória mas também mais fixe de sempre! Se forem fãs da série Friends, como eu, vão adorar – dizia eu que descobri a MØ no início do ano e primeiro estranhei para só depois entranhar. Acho que é daquele tipo de música que vai crescendo em nós. A música que ela faz é assim um electro-punk-pop-moderno… será que existe? Nos tempos que correm fica cada vez mais difícil definir com clareza um estilo musical, já que parece que os artistas vão beber inspiração um pouco a todo o lado. E isso é bom. Gosto disso. Por isso, à falta de melhor descrição, fica assim: MØ = electro-punk-pop-moderno. Gosto da sonoridade, das letras atrevidas e acho graça ao estilo com que se apresenta, muito bad girl lá do bairro nos anos 90 que faz dela uma estrela pop improvável.
O álbum, No Mythologies to Follow, tem duas ou três músicas mais upbeat, mais animadas, mas é o lado mais negro, que ocupa grande parte deste trabalho, que lhe fica melhor. Porém, sinto que tem ali uma certa melancolia à la Lana del Rey que já me começa a irritar… também sentem isso? Os primeiros dois álbuns – Born to Die e Paradise – foram muito muito bons, fantásticos mesmo, e tudo o que se seguiu parece inundado por uma depressão crónica que não se aguenta. É sempre tudo um grande enfado para aquela rapariga. O facto de a MØ ter ali uns quase imperceptíveis traços de Lana faz-me temer pela nossa relação cantora-ouvinte. Acho a música dela muito original e, por isso, espero que se mantenha no mesmo registo e não siga os paços da diva Lana.
Ficam algumas músicas.

 

 

 

 

 

02
Set15

A rentrée dá cabo de mim

Nos últimos dois anos tenho-me apercebido que Setembro é para mim o que Janeiro parece ser para o resto das pessoas: um mês de mudança, de resoluções, um virar de página, um começar de novo e isso, aparentemente, traduz-se numa vontade estranha de fazer desporto. Detesto exercício e tudo o que envolva a obrigatoriedade de calçar uns ténis e roupa de licra e suar durante 1h, porém após o verão tenho sempre uma vontade súbita de fazer qualquer coisa, de me mexer, de cuidar da minha saúde.

Há quase dois anos inscrevi-me num ginásio ao pé da minha antiga casa para fazer Pilates, porque é de facto uma actividade – a única talvez? – que eu gosto, mas rapidamente percebi que não ia conseguir levar aquilo a bom porto. Ter de estar subjugada a horários chateia-me. Naquele caso ter de ir para o ginásio das 20h às 21h era meio caminho andado para não ir. Chegava a casa às 19h/19h30 ia para o sofá fazer tempo e perdia imediatamente a vontade de voltar a sair, e como era só duas vezes por semana se faltasse um dia ficava cheia de pesos na consciência porque isso significava que só tinha mais um dia para ir – o que nunca me demoveu, atenção! Nunca levei muito a sério os meus pesos de consciência - e, por cima disto tudo, as aulas apesar de terem começado bem, rapidamente descambaram. Eram raras as vezes em que estava em sintonia com a professora. Ou terminava os exercícios primeiro, ou tinha mais dificuldade e demorava mais um bocadinho e quando finalmente terminava um exercício já ela estava quase a meio de outro e a cereja no topo do bolo era a música. Era quase sempre os grandes êxitos do Pedro Abrunhosa… nada contra, mas para além de não ser nada o meu estilo de música – ouvir alguém a declamar poesia com música de fundo não é a minha onda – não era propriamente o que estava à espera quando me inscrevi no Pilates. Fazer exercícios ao som de “Hoje é o teu dia” tirava-me a pica toda, por isso desisti, voltei à minha normal vida sedentária e entretanto passaram-se quase dois anos e a vontade voltou. Merde! Desta vez com razões mais concretas que vão para além de uma vontade de fazer qualquer coisa só porque sim.

Para o ano faço 30 anos. 30! Sempre tive uma ideia muito romantizada dos 30: que era uma década de viragem, em que as mulheres são mais bem resolvidas que aos 20, mais decididas, mais senhoras do seu nariz, mais determinadas, com uma noção mais clara daquilo que querem. Não sei se é ou não mas agora que estou ali quase a chegar à estação dos intas parece que desceu em mim uma noção de que o meu corpo não vai ser sempre igual e sempre ouvi dizer que é a partir dos 30 que as coisas começam a mudar para pior. Tudo desce, nada sobe, tudo fica mais flácido, nada fica mais rijo a não ser que façamos algo para contrariar essa triste realidade. Para além disso agora que começo a pensar na maternidade um pouco mais a sério dou por mim a valorizar muito mais a prática de exercício e um estilo de vida mais saudável, não só para me sentir melhor comigo e não desatar a engordar sem qualquer tipo de controlo mas, também, para dar o exemplo. Um bom exemplo.

Posto isto, dirigi-me ao Solinca para saber as condições que tinham para me apresentar. Não foram más, que não foram, estava à espera de preços na ordem dos 50/60€ e afinal nem chega a 40 mas, e há sempre a porra de um mas, tem de ser com fidelização de 12 meses. Isto não seria problema se a) eu não tivesse más experiências anteriores no que toda a desistências. Ao fim de 5/6 meses farto-me e b) se não tivesse andado por essa internet fora a ler testemunhos de gente que também se inscreveu neste ginásio e quando quis cancelar foi o cabo dos trabalhos, com advogados ao barulho e tudo, mesmo cumprindo as regras deles – avisar 30 dias antes do término do contrato. Enfim, é todo um mundo de chatices que não me apetecia nada ter. Sim, bem sei que estou a ser derrotista, ainda nem comecei e já estou a pensar em desistir mas a verdade é que uma pessoa nunca sabe o que lhe pode acontecer na vida. E se eu precisar daquele dinheiro para outra coisa? Como é? Vou ter de continuar a abrir os cordões ao Solinca e virar as costas a tudo o resto? Hum? É isso? Mas afinal quem é que manda no meu dinheiro? Já me estou a irritar vêem? E por aí, há alguém que frequenta, ou já frequentou, o Solinca? A experiência é boa ou foi um casamento que terminou mal?

01
Set15

Fazer ou não fazer a cama, eis a questão

Há uns dias li na Harpers’s Bazaar as 9 coisas que os organizadores profissionais – não sei o que são mas parece-me algo que estou muito perto de ser! – fazem todos os dias e lembrei-me imediatamente de uma conversa que tinha tido com uma amiga e que, por estranho que pareça, até é bastante recorrente na minha vida: a importância de fazer a cama. A primeira coisa que a Harper’s Bazaar destaca é que os organizadores profissionais fazem sempre as suas camas. Dizem que é um acto que promove a produtividade ao longo do dia e que é o primeiro passo para uma vida mais organizada. Não sei se é ou não mas a verdade é que dia em que não faça a cama antes de sair de casa é dia que começa mal ou que se avizinha caótico. Sempre fui muito arrumada e organizada e desde pequena que tenho o hábito de fazer a cama antes de sair de casa. Já faz parte da minha rotina matinal. Detesto chegar a casa ao fim do dia, entrar no quarto e ter a cama de pantanas como se alguém se tivesse acabado de levantar. Não sei explicar exactamente porquê mas é um cenário que me esfrangalha assim um bocadinho os nervos – acredito que tenho um transtorno obsessivo compulsivo ligeiro que ainda não foi diagnosticado. 

Bom, essa minha amiga e, aparentemente, 95% das pessoas que conheço acham que fazer a cama é uma perda de tempo e uma coisa que não faz sentido nenhum. O argumento é sempre o mesmo e, a meu ver, muito pouco aceitável: “Para que é que eu vou fazer a cama se logo à noite me vou lá deitar outra vez?” Será que quem diz isto aplica este modelo de raciocínio a tudo? “Para que é que vou pendurar este casaco se amanhã o vou vestir outra vez? Fica aqui em cima do sofá que fica muito bem”, “Para que é que vou guardar o pijama se logo à noite o vou vestir outra vez? Vou mas é deixá-lo enrolado aqui no meio dos lençóis, que assim com'ássim também não vou fazer a cama”, “Para que é que vou aspirar a casa se amanhã já está tudo sujo outra vez, que o raio do gato/cão/coelho só larga pelo?”, “Para que é que vou passar a ferro se logo a seguir vou vestir a camisola e ela fica toda amarrotada?”. "Para que é que vou baixar a tampa da sanita se daqui a uma hora, o mais tardar, já vou ter de a levantar outra vez?" CAOS! A vida desta gente é um caos. Para além disso, um quarto com a cama feita é imediatamente um quarto arrumado e organizado, com um aspecto mais limpo e bonito e isso é uma característica que eu prezo muito em minha casa onde eu não vou só para dormir. Passo lá bastante tempo, gosto de viver o meu espaço e por isso gosto que o meu espaço esteja arrumado, organizado e limpo porque só assim me sinto bem.

Há um mito cultivado por todas as pessoas que não acreditam em fazer a cama, que é a cama ter de arejar por causa dos ácaros. Ai, adoro. Adoro porque nunca ninguém me sabe dizer quanto tempo é, realmente, preciso passar para dar cabo desses malvados mas, na dúvida, deixa-se o dia todo pronto, que assim já não há perigo. E adoro porque isso não está realmente provado, parece-me que é assim um daqueles mitos urbanos que passa de geração em geração, como aquele de que tomar banho depois de comer pode matar. Segundo um artigo do Observador – sim que eu fui-me informar para poder refutar estas ideias e evangelizar todos em meu redor - deixar a cama a arejar durante todo o dia ou não não tem qualquer influência na melhoria das alergias nem na redução das comunidades de ácaros que podem popular no vale dos nossos lençóis. Desconfio que a autoria dos “estudos” alarmistas que defendem a urgência de não fazer a cama foram levados a cabo por um preguiçoso que acha que isso é uma perda de tempo. E mais!, eu sempre dormi em camas feitas de manhã - calma enervadinhos dos ácaros, que não faço a cama assim que me levanto, é só a penúltima coisa que faço antes de sair. A última é calçar os sapatos. - e estou aqui para as curvas. Só padeço de um problema de estômago e de escoliose – mentira, tenho a certeza que tenho mais, que eu sou uma hipocondríaca do pior, mas estes são os únicos problemas diagnosticados – e não me parece que os malvados ácaros tenham desempenhado qualquer espécie de papel nestas maleitas.

Digam-me como é que alguém consegue sair de casa para ir trabalhar e deixar para trás um rasto de desorganização que vai reencontrar ao fim do dia quando regressa. Infelizmente o meu homem não é muito dado a esta actividade e como é o último a levantar-se já são mais as vezes que a cama fica por fazer. De qualquer forma, agora que vamos almoçar a casa, a primeira coisa que faço antes de me sentar a comer é... isso, fazer a caminha. Há imensos artigos que defendem que o quarto deve ser um sítio zen e calmo que promova o descanso, que até deve ser decorado com cores neutras e poucos padrões, que não deve ter televisão – bem… aqui discordo -, que não deve ser nem muito quente nem muito frio, enfim, que reúna as condições necessárias para uma pessoa entrar ali e mudar o chip para um estado de relaxamento. É por isso que não sei como fazem as pessoas que não fazem a cama. Quem é que se sente relaxado ao entrar num quarto com a cama por fazer? Com os lençóis todos amarrotados e, provavelmente, até desprendidos do colchão? Quem é que pode achar confortável entrar numa cama toda amarrotada? É que se me dissessem que fazer a cama é uma coisa que leva horas, mas é que nem isso! Em menos de cinco minutos despacha-se o assunto. E, meus amigos, se não têm cinco minutos de manhã para fazer a cama então não têm tempo para nada.

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