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zona de desconforto.

zona de desconforto.

29
Mar16

Analisar os 20's à luz dos quase 30

Estas são as minhas últimas semanas nos vintes! Está quaseeeeeee. Estou quase a transformar-me numa trintona. Sempre idealizei os 30 como uma fase muito bonita  e interessante da vida de uma mulher, provavelmente fruto das milhares de vezes que (re)vi os episódios do Sexo e a Cidade: se ter 30 é aquilo então que venham os 30! Mas sem as neuras e psicosses relacionadas com o sexo oposto, que sempre me pareceram muito cansativas. O problema é que afinal aos 30 a vida não está assim tão bem resolvida, as inseguranças não fazem parte do passado e o nosso ordenado não chega para pagar a renda da casa no centro da cidade, comprar roupa cara, ir comer fora todos os dias com as amigas e ainda sobrar para passar um fim-de-semana nos Hamptons. Uma chatice. Parece-me que os 30, ou a vida adulta assim no geral, seja qual for a idade a que se atinja tal estatuto, resume-se a procurar respostas no Google. Ou seja, na verdade continuamos sem respostas para um milhão de coisas, mas lá nos vamos desenrascando à espera da tal idade em que, finalmente, vejamos a luz e tudo seja claro nas nossas cabecinhas. Se alguma vez essa idade chega é uma coisa que ainda está para ser provada. E, já que estamos nisto, acho que a vida assim tem muito mais piada. Learning as we go

 

Mas como dizia ali em cima, os 30 para mim são oh such a big deal. São um marco! É uma mudança de década caraças! e isso é sempre importante. Quando penso nisto recordo-me do formigueiro que sentia na barriga uns dias antes de fazer 18 anos, "Isto a partir daqui é mesmo a sério! Mesmo a sério!" só para depois perceber que, afinal, a partir dali continuou tudo na mesma. Grande desilusão. Se calhar aos 30 vai ser a mesma coisa. Mas não interessa. Estou entusiasmada, coisa que não sucedeu com os 28 nem os 29, senti até uma ligeira depressão ou melancolia excessiva por ver o tempo passar, por isso o facto de estar entusiasmada com o grande 3-0 é motivo de comemoração! Como sou mega organizada e listas é comigo, aqui fica uma lista de coisas - não, não são 30. Cliché mas não tanto - que fui aprendendo até aqui:

 

 

  1.  Aquela lengalenga de que o nosso metabolismo muda com a idade é mesmo verdade. E muda para pior! Longe vão os tempos em que podia comer um sacalhão de pipocas no cinema e no dia seguinte estar como se nada fosse. Agora fico inchada que nem um leitãozinho pelo menos durante 3 dias. Oh mundo cruel!

  2. Não perder tempo com pessoas que não me tratam bem. Quando era miúda tinha uma necessidade ridícula de agradar a tudo e todos. Hoje, simplesmente, não quero saber. Nós somos o que permitimos e eu não permito que façam de mim gato sapato. Não há nada de bom que resulte de tolerarmos comportamentos e pessoas tóxicas.

  3. Não podes ter tudo nem ganhar todas as batalhas. Deal with it.

  4. Não ter - muito - medo de arriscar. As mudanças para mim continuam a ser o maior bicho papão. Sou muito feliz na rotina. Preciso dela. Mas com o passar dos anos aprendi que não há mal nenhum em, de vez em quando, sair da zona de conforto e arriscar. O drama da mudança de casa é um perfeito exemplo disso. 

  5. Nunca ninguém sabe o que está a fazer. Mesmo que pareça. Ninguém sabe. Toda a gente anda cá nas mesmas circunstâncias: aprender por tentativa e erro. A tal metáfora de pesquisar no Google, lembram-se?

  6. As pessoas não pensam tanto em nós nem reparam tanto nos nossos defeitos como nós achamos e isso leva-me ao ponto 7.

  7. Não querer saber o que os outros pensam. Claro que o que os outros pensam é importante e, às vezes, até consegue ser útil, mas há muito que deixei de permitir que isso condicionasse a minha vida. A vida é minha, eu é que tenho de viver com as decisões que tomo e isso já é pressão suficiente, o que seria se, nesta equação, ainda tivesse de incluir o que pensa meio mundo. Obrigado, mas não obrigado.

  8.  O perfeccionismo pode facilmente descambar e fazer-te sentir miserável e prisioneira dentro da tua própria cabeça. Let. It Go. Não sejas tão dura contigo.

  9. Aquele velho conceito muito adolescente da integração é um mito. Não há nada melhor que sentirmos que temos valor por nós próprios, por aquilo que nos separa dos restantes, ao invés de sentirmos que só importamos por estarmos fundidos com o resto da paisagem. A autenticidade é a chave.

  10.  Nós somos mesmo o que comemos. As borbulhas que tenho na cara por causa das toneladas de chocolate que comi na Páscoa que o digam.

  11.  As mulheres não são todas umas cabras. Sim, isto é mesmo verdade. Aprender a ser simpática para as outras mulheres em vez de pôr logo as garras de fora faz de nós mulheres melhores. 

  12. A tua intuição está quase sempre certa. Na dúvida segue o teu instinto.

  13. Segue o teu coração mas não te esqueças de levar o cérebro na viagem. 

  14. Aquela frase que diz que os amigos são para sempre é mentira. Vais perder amizades pelo caminho, é normal e não há mal nenhum nisso. As pessoas mudam, os interesses deixam de ser os mesmos, os caminhos são outros. Amizades longas e cheias de significância são raras e difíceis de manter. 

  15. Só porque é barato ou está em saldos não quer dizer que valha a pena.

  16. Entraste nos 20 com um sentido de estilo pavoroso mas, se tudo correr bem, vais entrar nos 30 fabulosa. 

  17. Não te queixes. Ou mudas a situação ou aprendes a lidar com isso. Às vezes uma simples mudança de perspectiva muda tudo. Queixumes ad eternum não mudam nada. Nunca.

  18. Relativizar. Relativizar. Relativizar. É esta a chave da felicidade.

  19. Poupar dinheiro é difícil. A independência traz responsabilidades, dores de cabeça e contas para pagar, mas vale cada cêntimo.

  20. O bom trabalho nem sempre é reconhecido mas isso não pode ser uma desculpa para te tornares preguiçosa e desinteressada. 

  21. Vai sempre haver alguém melhor que tu. Mais bonita, mais inteligente, com mais dinheiro. Aceitares-te como és, flaws and all, é meio caminho andado para que essa realidade não te esmague a auto-estima.

  22.  "Self-love is a good thing but self-awareness is more important", o Louis CK tem sempre razão!

  23. "Everyone has the right to believe in anything they want. And everyone else has the right to find it fucking ridiculous" e o Ricky Gervais também.

  24. Na dúvida leva casaco. Não há nada pior que passar frio.

  25. A pontualidade é tudo e os "estudos" que dizem que as pessoas que chegam atrasadas são mais optimistas simplesmente não fazem sentido. Chegar atrasado por princípio é só uma enorme falta de respeito pela pessoa que está à espera e pelo tempo dela.

  26. Digam o que disserem, planear torna tudo mais fácil.
22
Mar16

Ah, as vendas pelo OLX!

Vender coisas no OLX é bastante útil: desfazemo-nos do que já não queremos e ainda ganhamos uns trocos pelo caminho. Isto, claro, partindo do princípio que tudo o que ali pomos é, efectivamente, vendido, o que nem sempre acontece. Mas a ideia, na teoria, é boa. O problema, como em tudo na vida, são as pessoas.


Nunca comprei nada no OLX, porque sou uma fútil que gosta que ter coisas novinhas nunca antes usadas por outras pessoas, mas já vendi algumas e de todas as vezes que pus coisas à venda acabei por me chatear. Porque a verdade é só uma: vender online exige toda uma energia e paciência que eu não tenho. Não tenho! Há uns meses pus o meu telemóvel à venda. Um LG G3, branquinho, lindo. Adorava-o mas já me estava a dar problemas há séculos por isso resolvi pô-lo a arranjar pela segunda vez! e desfazer-me dele um miserável ano e meio depois de o comprar. Custou-me 600€ e pu-lo à venda por 200. Só isto já foram facadas no meu coração, mas eu sei que a tecnologia desvaloriza muito, à excepção do raio dos iPhones que são zero personalizáveis e não têm espaço de memória interna para quase nada mas custam um dinheirão e três anos depois desvalorizaram, sei lá, 20€. A vida é injusta. Mas adiante, engoli em seco, pus o telemóvel à venda e esperei. Nem meia hora depois comecei a receber mensagens e é nesta fase que começa a palhaçada.


No anúncio tinha escrito explicitamente que não estava interessada em trocas. Ora, o que é que as pessoas que andam à procura de coisas para comprar no OLX fazem? Ignoram tudo o que vem escrito nos anúncios. ÓBVIO! Mais de metade das mensagens que recebi eram a perguntar se estava interessada em trocar… Cheguei ao ponto de receber uma mensagem muito divertida de um rapaz a perguntar se estava interessada em trocar o meu telemóvel por um carro telecomandado a gasolina! Não é fantástico? Não era um carro qualquer! Não era uma porcaria de plástico a pilhas. Aquilo funcionava a gasolina e tinha uma data de acessórios para cima de espectaculares! Praticamente um diamante em bruto por lapidar do mundo dos carros telecomandados, visto estar à venda por 400€. Portanto, com um bocadinho de sorte, ainda tinha de pagar a diferença. Depois de ler a proposta passei por três fases. Primeiro fiquei incrédula. Afinal quem é que no seu perfeito juízo ia trocar um telemóvel que, parecendo que não, é uma coisa bastante útil, por um carro telecomandado?! What’s the point? Depois comecei-me a rir com o ridículo da situação e imediatamente a seguir fiquei furiosa, porque aquela já devia ser a 628.ª mensagem a perguntar se estava interessada em trocar. Respondi qualquer coisa do género: “Claro que sim! Fazemos negócio amanhã às 11h no farol.” Não respondeu. 


Mas nem tudo é mau. Há pessoas que estão mesmo interessadas em comprar! A maior troca de mensagens que tive foi com um senhor que me disse logo que ficava com ele. Óptimo! “Venha ter comigo ao Colombo, à porta que fica ao lado da PSP, e fazemos a venda.” É nestas alturas que me sinto uma fora da lei. Se dependesse de mim todos estes negócios eram feitos à distância com zero contacto entre as partes. Mas há alturas em que, infelizmente, isso é impossível. Parece que fazer uma transferência de 200€ para a conta de uma pessoa e ficar pacientemente à espera que lhe chegue um telemóvel por correio é um bocado arriscado. Portanto, ali estava eu a ser uma pessoa normal, nada anti-social, a propor um sítio público e seguro para nos encontrarmos. O que eu fui dizer! Não, não. Eu tinha era que ir ter com ele ao Continente, ou ao Pingo Doce, já não me lembro, de Alfornelos para ele ver o telemóvel. Disse-lhe que não, que ele é que tinha de vir ter comigo porque eu não me ia deslocar a Alfornelos por nada. Quando estou interessada em comprar qualquer coisa, sei lá, na Zara, eu é que tenho de ir à Zara, não é a Zara que vem até mim. Mas parece que isso é um conceito que já não se usa. “Eu para ir para o Colombo tenho de gastar dinheiro em gasolina e no parque de estacionamento. Portanto vai ter de tirar 20€ ao preço do telemóvel.” Estão a ver o absurdo? Só me calham pessoas doidas! Pela lógica eu devia era aumentar 150€ ao valor das coisas que é o que vou ter de gastar em cremes anti-rugas pela quantidade de vezes que franzo o sobrolho ao ler estas brutalidades. A conversa durou mais 3 ou 4 mensagens - tempo demais! - altura em que simplesmente deixei de responder. Acabei por vendê-lo a um senhor que queria um telemóvel com um ecran grande para o filho poder ver vídeos no Youtube às refeições e que não estrebuchou por vir ter comigo onde eu queria. O negócio fez-se, assim, tranquilamente. No muss, no fuss.


Actualmente, estou a vender algumas peças de roupa e a história repete-se. A primeira venda correu lindamente. Foi de um blazer da Zara. Apareceu uma rapariga que o queria comprar, deu-me a morada, fez-me a transferência do valor, nem tentou negociar, e lá foi o blazer. O resto é que está a ser mais difícil. As últimas mensagens que recebi foram de uma miúda interessada em comprar uma parka que chegou ao cúmulo de, depois de perguntar quantas vezes a tinha usado, sair-se com: "Então deve ter algumas marcas de uso não?!" Hummmm, poissssss. Se está a querer comprar uma coisa usada é natural que essa mesma coisa tenha marcas de uso porque foi, imagine-se, USADA, e todas as marcas de uso estão bem visíveis nas fotografias. Acho piada a estas pessoas que partem para compras online de coisas em segunda mão com a mesma exigência com que vão ali à Mango espreitar a nova colecção. A sério, não tenho paciência nenhuma para pessoas no geral e para as do OLX em particular.

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