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zona de desconforto.

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22
Mar16

Ah, as vendas pelo OLX!

Vender coisas no OLX é bastante útil: desfazemo-nos do que já não queremos e ainda ganhamos uns trocos pelo caminho. Isto, claro, partindo do princípio que tudo o que ali pomos é, efectivamente, vendido, o que nem sempre acontece. Mas a ideia, na teoria, é boa. O problema, como em tudo na vida, são as pessoas.


Nunca comprei nada no OLX, porque sou uma fútil que gosta que ter coisas novinhas nunca antes usadas por outras pessoas, mas já vendi algumas e de todas as vezes que pus coisas à venda acabei por me chatear. Porque a verdade é só uma: vender online exige toda uma energia e paciência que eu não tenho. Não tenho! Há uns meses pus o meu telemóvel à venda. Um LG G3, branquinho, lindo. Adorava-o mas já me estava a dar problemas há séculos por isso resolvi pô-lo a arranjar pela segunda vez! e desfazer-me dele um miserável ano e meio depois de o comprar. Custou-me 600€ e pu-lo à venda por 200. Só isto já foram facadas no meu coração, mas eu sei que a tecnologia desvaloriza muito, à excepção do raio dos iPhones que são zero personalizáveis e não têm espaço de memória interna para quase nada mas custam um dinheirão e três anos depois desvalorizaram, sei lá, 20€. A vida é injusta. Mas adiante, engoli em seco, pus o telemóvel à venda e esperei. Nem meia hora depois comecei a receber mensagens e é nesta fase que começa a palhaçada.


No anúncio tinha escrito explicitamente que não estava interessada em trocas. Ora, o que é que as pessoas que andam à procura de coisas para comprar no OLX fazem? Ignoram tudo o que vem escrito nos anúncios. ÓBVIO! Mais de metade das mensagens que recebi eram a perguntar se estava interessada em trocar… Cheguei ao ponto de receber uma mensagem muito divertida de um rapaz a perguntar se estava interessada em trocar o meu telemóvel por um carro telecomandado a gasolina! Não é fantástico? Não era um carro qualquer! Não era uma porcaria de plástico a pilhas. Aquilo funcionava a gasolina e tinha uma data de acessórios para cima de espectaculares! Praticamente um diamante em bruto por lapidar do mundo dos carros telecomandados, visto estar à venda por 400€. Portanto, com um bocadinho de sorte, ainda tinha de pagar a diferença. Depois de ler a proposta passei por três fases. Primeiro fiquei incrédula. Afinal quem é que no seu perfeito juízo ia trocar um telemóvel que, parecendo que não, é uma coisa bastante útil, por um carro telecomandado?! What’s the point? Depois comecei-me a rir com o ridículo da situação e imediatamente a seguir fiquei furiosa, porque aquela já devia ser a 628.ª mensagem a perguntar se estava interessada em trocar. Respondi qualquer coisa do género: “Claro que sim! Fazemos negócio amanhã às 11h no farol.” Não respondeu. 


Mas nem tudo é mau. Há pessoas que estão mesmo interessadas em comprar! A maior troca de mensagens que tive foi com um senhor que me disse logo que ficava com ele. Óptimo! “Venha ter comigo ao Colombo, à porta que fica ao lado da PSP, e fazemos a venda.” É nestas alturas que me sinto uma fora da lei. Se dependesse de mim todos estes negócios eram feitos à distância com zero contacto entre as partes. Mas há alturas em que, infelizmente, isso é impossível. Parece que fazer uma transferência de 200€ para a conta de uma pessoa e ficar pacientemente à espera que lhe chegue um telemóvel por correio é um bocado arriscado. Portanto, ali estava eu a ser uma pessoa normal, nada anti-social, a propor um sítio público e seguro para nos encontrarmos. O que eu fui dizer! Não, não. Eu tinha era que ir ter com ele ao Continente, ou ao Pingo Doce, já não me lembro, de Alfornelos para ele ver o telemóvel. Disse-lhe que não, que ele é que tinha de vir ter comigo porque eu não me ia deslocar a Alfornelos por nada. Quando estou interessada em comprar qualquer coisa, sei lá, na Zara, eu é que tenho de ir à Zara, não é a Zara que vem até mim. Mas parece que isso é um conceito que já não se usa. “Eu para ir para o Colombo tenho de gastar dinheiro em gasolina e no parque de estacionamento. Portanto vai ter de tirar 20€ ao preço do telemóvel.” Estão a ver o absurdo? Só me calham pessoas doidas! Pela lógica eu devia era aumentar 150€ ao valor das coisas que é o que vou ter de gastar em cremes anti-rugas pela quantidade de vezes que franzo o sobrolho ao ler estas brutalidades. A conversa durou mais 3 ou 4 mensagens - tempo demais! - altura em que simplesmente deixei de responder. Acabei por vendê-lo a um senhor que queria um telemóvel com um ecran grande para o filho poder ver vídeos no Youtube às refeições e que não estrebuchou por vir ter comigo onde eu queria. O negócio fez-se, assim, tranquilamente. No muss, no fuss.


Actualmente, estou a vender algumas peças de roupa e a história repete-se. A primeira venda correu lindamente. Foi de um blazer da Zara. Apareceu uma rapariga que o queria comprar, deu-me a morada, fez-me a transferência do valor, nem tentou negociar, e lá foi o blazer. O resto é que está a ser mais difícil. As últimas mensagens que recebi foram de uma miúda interessada em comprar uma parka que chegou ao cúmulo de, depois de perguntar quantas vezes a tinha usado, sair-se com: "Então deve ter algumas marcas de uso não?!" Hummmm, poissssss. Se está a querer comprar uma coisa usada é natural que essa mesma coisa tenha marcas de uso porque foi, imagine-se, USADA, e todas as marcas de uso estão bem visíveis nas fotografias. Acho piada a estas pessoas que partem para compras online de coisas em segunda mão com a mesma exigência com que vão ali à Mango espreitar a nova colecção. A sério, não tenho paciência nenhuma para pessoas no geral e para as do OLX em particular.

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