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zona de desconforto

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Como não pedir a vossa cara-metade em casamento

Há nesta vida duas coisas que me horrorizam: lamechices, daquelas que ninguém aguenta e nos fazem encolher de vergonha alheia, e pedidos de casamento em público. Pior só estas duas coisas juntas e olhem que não é difícil. Nunca fui pedida em casamento mas gostava que tal acontecesse porém, ao contrário da maioria das mulheres, nunca imaginei como gostava que fosse o momento mas sim como não gostava que a coisa se desse. Typical me, sempre a pensar no pior. Na lista de dont's estão coisas como anéis dentro de bebidas ou sobremesas; partidas de mau gosto, como fingir que se está a acabar a relação só para enervar a outra pessoa e depois terminar com um "ah estava a brincar. Queres casar comigo?!"; fazê-lo no dia dos namorados - piroooooooooso - ou quando a mulher está no sofá, de pijama, com uma máscara de argila na cara, e, claro, em público, e aqui a lista é infindável: com flashmobs, num restaurante, no trabalho, num estádio de futebol - que falta de originalidade... -, no palco de um concerto, em directo para um qualquer programa de televisão, no centro comercial, etc, etc, etc. Basicamente tudo o que meta pessoas que não deveriam fazer parte daquele momento. Até pedidos em frente à família são um big don't.


Um pedido de casamento é uma coisa muito pessoal que deve ser vivida apenas por aquelas duas pessoas de forma intimista, sem público a assistir. Depois sim, vamos a correr contar a toda a gente que importa. Mas isso é depois. Nunca durante. E muito menos com estranhos, pessoas que nunca mais vamos ver na vida, ali a assistir e a tirar fotografias ou a filmar e a soltar uns "oooh" emocionados. Que palhaçada. E agora podem estar a questionar-se: "Mas assim o que nos resta? Sermos pedidas em casamento no conforto do lar?". Bom, essa é sempre uma opção, e se a coisa for bem feita até pode ser romântica e especial, basta ser original e puxar um bocadinho pela cabeça, mas há mais: numa suite de um hotel com uma vista bonita, durante uma viagem, no local onde se conheceram ou onde deram o primeiro beijo - se tiver sido no carro, quais adolescentes desesperados, é melhor passarem à frente -, bolas até é possível fazê-lo dentro de um closet vazio. Basta pensarem na vossa relação, naquilo que é importante ou marcante para os dois, e facilmente encontrarão a forma memorável de fazer o pedido. Já este feito no aeroporto de Lisboa há uns dias foi tão mauzinho que chegou a ser penoso de ver. Houve várias coisas que me impressionaram: o porquê de em Dezembro e numa das semanas mais frias do ano ela estar vestida como se estivéssemos em pleno Agosto; aquele poema com rimas de 4.ª classe ao som de um órgão e, o pior, a reacção do noivo, que é bem capaz de ter sido a menos entusiasta da história dos pedidos de casamento. Vão lá ver o vídeo, vão lá que eu espero.
Então, já foram? Sim? Agora digam-me lá se aquela reacção é normal. Ali especado, de mãos nos bolsos, muito quieto e quase sem pestanejar. É de mim ou ele estava com cara de quem chegou a casa, sentou a mulher numa cadeirinha, afastou-se dois passos e disse, por fim, "num bai dar"? Esse é outro inconveniente dos pedidos de casamento em público. E se a pessoa quiser dizer que não como é que faz? Diz logo ali no momento e faz com que a cara-metade passe a vergonha da vida dela? Ou espera até chegarem a casa para lhe partir o coração em mil bocadinhos e destruir-lhe todos os planos que ela foi fazendo no caminho para casa? Não. Definitivamente os pedidos de casamento em público têm tudo para correr mal.

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