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zona de desconforto

zona de desconforto

#girlcrush - Joana Barrios

Já mencionei aqui que gosto imenso da Lena Dunham. Adoro a Girls - estou em contagem decrescente para a nova temporada que estreia já em Fevereiro -, sou uma leitora assídua da newsletter, estou sempre atenta a novas entrevistas e gosto, especialmente, que ela se esteja nas tintas para “as regras” – ler “as regras” com a mesma entoação que o Ricky Gervais lhes dá aqui. “Ficam chocados sempre que sou fotografada com calções curtos porque se vêem as minhas coxas com celulite? Então vou continuar a vestir-me assim até isso deixar de ser um problema e assunto de conversa.” Não acham isto extraordinário? Eu acho. Numa altura em que cada vez mais nos entram pelos olhos adentro imagens de girls next door, instagramers e models off dutty, todas sempre muito cool e careless e perfeitas quando, na verdade, aquilo é tudo pensado e a antítese de careless, é uma lufada de ar fresco haver alguém como a Lena que faz aquilo que lhe apetece, veste-se como gosta, diz aquilo que pensa, mesmo que se afaste d’”as regras”, que ninguém sabe muito bem de onde vieram ou quem as criou, e que se está a borrifar para os haters.

Há uns meses este meu girl crush recaía apenas nela – vá e na Taylor Swift - até ter começado a ler o Trashédia da Joana Barrios, que agora é uma assumida fashion blogger – finalmente!!!!! - , mas nos seus próprios termos, o que torna tudo muitíssimo mais interessante.

 

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Já conhecia o blog mas como os conteúdos não eram constantes passavam-se meses sem lá ir. Até ler um artigo que escreveu no jornal SOL, sobre a fantástica vida dos freelancers, e que foi imensamente mal interpretado por toda a gente, provavelmente gente que não sabe o que é ironia, e voltei a ser leitora assídua do Trashédia, mesmo que se passassem semanas sem conteúdos novos. Foram muitas as vezes que me punha a procurar textos antigos e ficava ali perdida a carregar em older posts.

A minha opinião vale o que vale, mas a Joana era a fashion/lifestyle blogger que faltava em Portugal. Porque é de uma originalidade desmedida, nas palavras e no estilo, porque também se está a marimbar para “as regras”, porque tem imensa pinta e aquele je ne sais quai que a diferencia dos demais, porque explica às pessoas tacanhas porque é que gostar de “trapos”, vulgo moda, não é nada fútil, que a moda sempre teve um papel importantíssimo na História, que é possível estudar História através da moda, que aquilo que vestimos todas as manhãs é uma forma de comunicação não verbal tão importante como a verbal e porque, como se vê, é um poço de cultura. Quando vou ao blog dela aprendo sempre qualquer coisa, sempre!, e isso é, sem dúvida, surpreendente tendo em conta a actual conjuntura dos blogs portugueses que falam todos do mesmo, estão todos nos mesmos eventos e gostam todos das mesmas coisas. Aliás, nem é preciso ir ao blog, leiam esta entrevista que deu à Vogue há umas semanas e percebem o que quero dizer.

O Trashédia, para mim, está ao nível do americano Man Repeller, outra grande, enorme, referência nos blogs de moda e lifestyle que vai muito para além de fotografias de #OOTD e de instagrams de sushi ou qualquer outra iguaria da moda.

Portanto o meu conselho é: se gostam de ler blogs de moda mas estão saturados dos suspeitos do costume, dêem uma oportunidade ao Trashédia. Acho que não se vão arrepender. Quanto a mim, estou expectante para ver o rumo que a fantástica Joana vai dar a este Trashédia agora com nova roupagem* e novos conteúdos! 

 

 

*estou a tentar, mas ainda não amo aquele cursor.