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zona de desconforto.

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09
Nov15

Gostar de uma criança não é dar-lhe doces

É o oposto.

A reportagem “Somos o que comemos” que passou na SIC em abril deste ano funcionou como uma wake up call para mim. Foi a partir daí que deixei de beber refrigerantes praticamente todos os dias – já não me lembro da última vez que bebi um – e que comecei a ler os rótulos dos alimentos que compro lá para casa. Estas foram as primeiras mudanças que fiz e que deram origem a outras tantas: comer sopa todos os dias, beber um copo de água logo de manhã em jejum e, também, a acompanhar todas as refeições, comer fruta ao pequeno-almoço e evitar petiscar porcarias. Esta última é a mais difícil mas o esforço é real e não são raras as vezes em que troco bolachas e chocolates pelos queijinhos Babybel light, fruta, frutos secos ou cenoura crua. Não é uma questão de dieta, é sim uma necessidade de comer melhor e evitar ingerir coisas que me vão fazer mal e das quais o meu organismo não necessita. Saber que estou a tratar bem o meu corpo é meio caminho andado para me sentir melhor.

Uma das coisas que mais me chocou naquela reportagem foi a negligência aliada à falta de informação dos pais que não percebem que dar uma tigela de chocapic ou qualquer outro cereal infantil aos miúdos não é um pequeno-almoço saudável, que comprarem Ice Tea para acompanhar as refeições é um veneno e que prepararem lancheiras com iogurtes líquidos, bolachas, bolicaos e outras porcarias embaladas que se vendem nos supermercados não podem, nunca, fazer parte de um lanche saudável. São várias as situações com que me deparo no meu dia-a-dia que me fazem recordar esta reportagem e hoje de manhã ao ler este post no blog da Ana Galvão ela voltou a ressurgir na minha memória.

O que a Ana propõe a quem a lê é passar um mês sem ingerir açúcar, que é só assim a coisa mais difícil do mundo. Praticamente todas as coisas que compramos têm açúcar adicionado. Até o pão, que para além do açúcar tem uma data de E’s – descoberta recente que me alarmou imenso. Não sei se a maioria de nós consegue cumprir este desafio mas uma coisa podemos fazer: reduzir os açúcares que consumimos. Como? Lendo os rótulos dos produtos alimentares que compramos e mantendo-nos longe daquelas coisas óbvias: gelados, bolos, bolachas, doces para barrar no pão, chocolate em pó para pôr no leite e por aí fora.

Foi também ao ler este post que tropecei numa frase que, à semelhança de reportagem da SIC, me ficou cravada na memória e me vai acompanhar daqui para a frente: “Houve uma ocasião em que disse ao pai de um amigo do meu filho Pedro, que na minha casa não havia nem chocolates, nem doces nem refrigerantes e que ele (o Pedro) só comia em ocasiões especiais, e o pai olhou, condescendente, para mim e disse-me: “Coitado!”. E dei-me conta de como está instituído que gostar de uma criança é dar-lhe doces quando na verdade deveria ser o oposto.” Está instituído que gostar de uma criança é dar-lhe doces quando na verdade deveria ser o oposto. Isto é tão, mas tão verdade. Eu não tenho filhos mas já por diversas vezes afirmei que quando os tiver vou tentar que a introdução de doces – bolachas, bolos, gelados, gomas, etc - na dieta deles seja o mais tarde possível. E o mesmo se aplica a batatas fritas e fast food. Praticamente todas as pessoas a quem disse isto tiveram a mesma reacção que aquele pai amigo da Ana: “Coitados!” Isto para mim é assustador. Mas coitados porquê? Ao não lhes dar açúcares estamos a privá-los de alguma coisa que lhes seja essencial? Não estamos. E o que ela escreveu faz todo, todo o sentido: gostar das nossas crianças não é dar-lhes guloseimas. É precisamente o contrário.

“Se ama o seu filho/sobrinho/afilhado não lhe dê bolachas/gelados/gomas.” Isto devia estar escrito em outdoors gigantes espalhados pelas ruas do nosso país. Talvez, assim, os educadores pensassem duas vezes sobre o mal que estão a fazer às nossas crianças sempre que lhes dão produtos do género. Um gelado ou uma fatia de bolo no fim de uma refeição é muitas vezes usado como recompensa e não entendo porquê. “Olha que se não comeres o peixe todo não comes um gelado depois!”, “Muito bem, comeste os brócolos. Agora podes ir buscar uma fatia de bolo”. O que é isto? Sei que os miúdos conseguem ser muito chatos às refeições mas, bolas, nós somos os adultos, sabemos melhor que isso! Porque é que usamos os doces como moeda de troca de uma alimentação saudável? Será que comer o que nos faz bem é assim tão horrível, penoso e difícil? É que, parecendo que não, é essa mensagem que estamos a passar às nossas crianças. “Eu sei que comer uma tigela de sopa é horrível. Mas olha… se comeres tudo podes comer kinder surpresa no final!” Não! Estamos a fazer tudo ao contrário.

O que me deixa mais optimista no meio disto tudo é que todas estas reportagens, estudos e toda esta conscienlização é um passo enorme para que esta seja a última geração viciada em açúcar. É graças a este boom de informação sobre o que faz bem e o que faz mal, que os nossos filhos vão ter uma alimentação diferente da que nós tivemos e os filhos deles também e por aí fora. Espero mesmo que este seja o primeiro passo para uma urgente mudança de mentalidades em relação ao que comemos.

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