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zona de desconforto

zona de desconforto

Isto está mesmo a acontecer?

Se calhar estava a ser ingénua, mas acreditava mesmo que ao fim de 4 anos de greves, manifestações brutais, críticas constantes ao Governo que cortava na saúde, na educação, na cultura, que obrigava os jovens a emigrar, depois de 4 anos de revolta generalizada acreditava mesmo que era impossível o Passos Coelho ser novamente eleito para nos governar mais 4 anos. Mais. Quatro. Anos!!! Fiquei em choque e só perguntava, enquanto olhava incrédula para a televisão, “Isto está mesmo a acontecer?!” Mas as más notícias sucediam-se. "PaF ganha as eleições", primeiro murro no estômago. "Abstenção atinge os 43%", segundo murro no estômago. Será mesmo possível? Como é que um país está 4 anos a criticar quem o governa e depois quando tem, finalmente, poder para mudar alguma coisa não levanta o rabo do sofá para ir votar? Como? Como é que estas pessoas vivem com elas próprias? Ontem já ao final da noite a actriz Maria Vieira dizia que no Brasil as pessoas eram obrigadas a votar e que não entendia porque é que em Portugal não se passava o mesmo e eu, que nem costumo simpatizar com as opiniões radicais da Maria Vieira, tive de concordar. Claro que ninguém gosta de ser obrigado a fazer nada, que isso é meio caminho andado para ficarmos todos nervosinhos, que uma Democracia não é isso, que temos de ter liberdade para fazer o que bem entender, que foi para isso que lutámos. Tudo bem, mas entre ser obrigada a ir às urnas e deixar que metade do país decida a realidade dos próximos 4 anos pela outra metade prefiro, sem dúvida alguma, a primeira opção. Até porque não percebo o argumento de que não ir votar também é marcar uma posição. Não, não é. Se não querem ir votar porque está frio, ou a chover, ou está sol e o que é bom é estar na praia, ou porque joga o Benfica e não vos apetece pensar noutra coisa, assumam-no. Mas não digam que estão a marcar uma posição porque isso não é verdade. A inércia de um povo diz mais sobre ele do que sobre quem o governa, acreditem. Afinal de contas, eles estão lá outra vez, felizes e contentes, e nós continuamos amargurados com a triste sorte que nos calhou na rifa. E agora? Continuam a achar que a inércia, que não ir votar, faz toda uma diferença na mensagem que é passada aos nossos governantes? Não faz.

Já hoje, quando acordei, a primeira notícia que vi foi a de que um terço dos lugares na Assembleia vai ser ocupado por mulheres. Finalmente uma boa notícia! E isto sim, pode fazer a diferença.