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zona de desconforto

zona de desconforto

Mudanças

Qual é aquela coisa que ninguém quer fazer no dia em que as férias terminam? Podia ser desfazer a mala que, de facto, é uma chatice e nunca apetece, mas não, não é isso, estou mesmo a referir-me a preparar uma mudança de casa. Este ano foi o que nos calhou na rifa. Depois de muito matutar, quase até à exaustão – mesmo!... – decidimos avançar com a mudança. A área do novo apartamento é um bocadinho menor que a que temos agora mas para morar em Lisboa, pertinho de tudo e, consequentemente, melhorar a nossa qualidade de vida – adeus trânsito e gastos parvos em gasolina -, há que fazer alguns sacrifícios e a área útil numa casa é, sem dúvida, uma delas. A não ser, claro, que sejamos ricos, aí o céu é o limite – eu contentava-me com uma penthouse no Chiado. Assim que entrámos em casa, depois de uns retemperadores 15 dias de praia, desfizemos as malas de viagem e começámos imediatamente a encaixotar a nossa vida de dois anos e meio nestes 90m2. Cheguei ao final do dia tão estoirada que quase não conseguia falar. E só enchemos umas seis caixas. Ou seja, ainda falta TUDO! Felizmente tivemos a presença de espírito de contratar uma empresa que nos vai tratar da mudança dos móveis, o que já é um descanso.
O grande defeito que achei que a casa nova tinha era o facto de não ter dispensa nem varanda/marquise onde se pudessem guardar coisas, mas depois entrei em minha casa, vi a quantidade de tralha que tenho guardada nesses dois espaços e agradeci a Deus ter-me levado para um sítio onde vou ser obrigada a ter um estilo de vida mais minimalista. A sério, quem é que precisa de 50 sacos de plástico e papel? O que é que eu acho que me vai acontecer na vida para precisar de armazenar tanto saco? E as caixas acumuladas das coisas que fomos comprando?  Ele é a caixa do secador, da máquina do café, da liquidificadora, do aquecedor ranhoso que deve ter custado uns 10€ - mas que me dá um jeitão no inverno para aquecer a casa de banho! -, da varinha mágica, do fervedor… ufa! “Guardamos a caixa durante 2 meses, não vá haver algum problema com o aparelho, mas depois vai fora.” Vai, vai. A minha vontade é entrar ali, fechar os olhos e mandar tudo para o lixo, assim indiscriminadamente, mas, infelizmente, vou ter de passar por um longo e penoso processo de selecção, não vá haver ali alguma coisa que faça, realmente, falta.
No meio disto tudo percebi que uma das coisas boas de se ter os pais a viver num raio de 20km é podermos distribuir a tralha que não conseguimos pôr na casa nova pelas casas deles. Por exemplo, sempre que entro na marquise o que me salta logo à vista é a enorme bola de Pilates que resolvi ir buscar a casa dos meus pais num dia em que, provavelmente, me estava a sentir muito virada para a actividade física – go figure… Erro. Trouxe-a, enchi-a e guardei-a ali. Vai, obviamente, regressar às origens, que na casa nova não há espaço para devaneios parvos deste género. Na casa antiga temos três varandas com janelões enormes mas na casa nova isso não existe, logo, vão sobrar cortinados. Solução: vão dobradinhos para a casa dos sogros que era só o que faltava agora pôr cortinados no lixo. Coincidência das coincidências, os nossos pais vão de férias na altura das mudanças o que pode significar que, quando regressarem, tenham uma decoração nova lá por casa (inserir riso maquiavélico).
Nos próximos dias a minha vida vai ser isto: trabalhar durante o dia, encaixotar coisas à noite e ir levando o que conseguirmos para a casa nova ao final do dia de forma a que, no fim de semana, quando chegarem os senhores das mudanças, já estar tudo organizadinho e só ser preciso levar. Quando tomámos esta decisão pensei que mal começássemos as mudanças ia começar a chorar copiosamente com pena de deixar a casa, tão bonitinha, onde fomos tão felizes nos últimos dois anos e meio, mas já tirámos todos os cortinados das janelas, molduras das paredes e encaixotámos roupas e coisas de cozinha e, até agora, mantive-me firme como uma rocha. So far so good.

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