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zona de desconforto.

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29
Jun15

Mudar de casa

O que é que duas pessoas que não gostam de mudanças nunca conseguem fazer de forma leviana? Exacto, mudar de casa. Certamente haverá muitas outras coisas, mas mudar de casa é capaz de ser o maior pesadelo de alguém que não gosta muito que lhe abanem as estruturas. Eu e o meu homem moramos nos subúrbios numa casa linda, espaçosa, com muita luz, completamente decorada a nosso gosto. Um mimo. Problema: fazemos toda a nossa vidinha em Lisboa e só regressamos à base para dormir. O que significa que passamos imenso tempo enfiados no carro e que não usufruímos da zona onde está a nossa casa e isso, ao fim de dois anos e meio, foi uma coisa que nos começou a aborrecer. O facto de ser um terceiro andar sem elevador também não ajuda. Já lá estamos há tempo suficiente para as minhas pernas se terem habituado a subir três (longos) lances de escadas, mas a verdade é que ainda hoje fico surpreendida por não morar no segundo andar, onde chego sempre cansadíssima e a desejar parar logo ali.
Há meses que andamos a ver casas em Lisboa, o que é o mesmo que dizer que há meses que sofremos desilusões umas atrás das outras. Por norma nas fotografias as casas parecem sempre lindas e enormes mas quando lá entramos são minúsculas e escuras/a precisar de pintura/com muros em frente às janelas/com quartos onde não cabe uma cama/os senhorios são uns burgessos… you name it. E as casas giras têm sempre um Calcanhar de Aquiles que torna impossível avançar para o aluguer. Normalmente são as cozinhas semi-equipadas, que é como quem diz com fogão e, com sorte, esquentador e/ou casas sem roupeiros. Ora, se nos pedem 600€ mas depois ainda temos de equipar a cozinha toda, ou se temos de comprar armários que vão, invariavelmente, tirar área aos quartos… a brincadeira sai cara. Portanto o cenário foi este durante quase um ano, até nos ter aparecido a casa que tinha tudo para ser perfeita: remodelada, com elevador, cozinha equipada e a uma distância pedonal de tudo o que interessa, inclusive do trabalho. Se no sítio onde estamos agora precisamos de carro para tudo – mas mesmo tudo! -, ali podemos ir a pé ao supermercado, ao cinema, a uma data de restaurantes e se quisermos ir um bocadinho mais longe também temos o metro logo ali à porta. Problema: a casa é mais pequena que a nossa – uma diferença de 15m2 - e a nossa… epá, é mais gira. Sinto que para todas as pessoas com quem falo do assunto isto não se qualifica como um problema, na maioria das vezes ficam convencidas com o argumento de ir a pé para o trabalho, mas a verdade é que perante a hipótese de deixarmos a nossa primeira casa, tão lindinha e maior, com as paredes pintadas de cinzento clarinho e o papel do Querido Mudei a Casa na sala… a verdade é que vacilamos e começamos a pensar se afinal ir a pé para todo o lado, inclusive para o trabalho, é assim tãaaaaao importante. Também não ajuda estarmos a passar por este dilema no verão, altura em que quase não há trânsito nenhum em Lisboa. Se calhar se estivéssemos em Janeiro, com chuvas torrenciais e filas de trânsito assustadoras, a conversa era diferente.
E pronto há uma semana que não se fala noutra coisa, de manhã achamos que nunca na vida vamos conseguir abandonar a nossa primeira casa, mas a meio da tarde já só vemos vantagens na outra: “É mais pequena, mas…”. Daqui a umas semanas vou de férias e não queria nada usar o meu tempo de relax a martirizar-me com este assunto, de formas que já só me apetece ligar ao senhorio e dizer “esqueça lá isso” só para conseguir pensar noutras coisas. E este filme todo é só para decidirmos se queremos mesmo mudar de casa ou não! Nem quero imaginar como será se tivermos de empacotar tudo e voltar a desempacotar e arrumar tudo no sítio na casa nova. Pânico.

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