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zona de desconforto.

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17
Dez17

O mundo encantado das coisas para bebés

Se o mundo encantado das coisas para grávidas consegue ser mind blowing para quem está a passar pela experiência pela primeira vez, o mundo encantado das coisas para bebés é todo um outro campeonato. Mesmo! Eu, que estava longe de ser uma analfabeta no que respeita ao universo dos bebés, assim que comecei a pesquisar mais a sério sobre o assunto o meu cérebro deu um nó. Quem diria que um ser tão pequenito que nos primeiros tempos só come, dorme e produz grandes cocós, fosse precisar de tantos gadgets?
Tal como nas coisas para grávidas também aqui deve imperar o bom senso que, infelizmente, é muito mais difícil de pôr em prática porque é óbvio que queremos TUDO! E queremos tudo nas melhores versões que houver. O carrinho mais topo de gama, a cadeirinha de refeição que se vai transformando em cenas várias até a criança ter 18 anos, o berço mais giro, os brinquedos mais estimulantes, os produtos mais naturais, a banheira que vimos naquele blog porque sim, os lençóis que impedem que a criança escorregue pela cama, o último grito dos esterilizadores de biberões, as fraldas que mudam de cor quando estão molhadas… tudo o que for menos que o melhor e mais incrível não serve. Mas se formos pessoas normais, com consciência e fundos limitados, chegamos a duas brilhantes conclusões: a) o dinheiro não chega para tudo; b) a criança não precisa nem de 1/3.

Quando descobri que estava grávida preparei-me para enlouquecer. Imaginava que, por esta altura, já teria tudo: mobília, roupa de cama, ninhos, almofadas de amamentação, decoração, montanhas de roupa para lhe vestir, vários tipos de biberões e chuchas, fraldas para as diferentes etapas, carrinho, berço, mochila ergonómica, intercomunicadores com câmara, kits de primeiros socorros, kits de banho… enfim, tudo. Mas o tempo foi passando e, ao contrário do cenário dantesco que desenhei na minha cabeça, consegui manter a sanidade mental e poupar as nossas finanças! Começámos com uma lista inacreditável de coisas para comprar mas conforme o tempo foi passando fomos excluindo muitas delas por já não nos parecerem tão essenciais assim. O que me ajudou a não perder a cabeça e a não ter ataques de pânico sucessivos sempre que chegava à triste, mas real, conclusão que não ia conseguir chegar a tudo, foi ter uma queda, bastante acentuada, para o minimalismo e pessoas à minha volta com mais experiência que eu. 



A experiência dos outros é a nossa melhor amiga
Quando soube que íamos ter uma menina primeiro entrei em pânico - mas sobre isso falaremos depois - e a seguir fui ao site da Zara e da Mango onde reuni uma quantidade infindável de coisas para lá de giras para lhe vestir. Em duas horas fiquei com o roupeiro da criança todo pensado e esquematizado para o primeiro ano. Espetacular! Mas depois falei com uma amiga que para além de mãe é enfermeira, logo tem um olhar muito mais clínico sobre o assunto, que me alertou para dois pormenores muito simples: roupas 100% algodão para os primeiros tempos, para evitar alergias, e que apertem com molas à frente, porque são mais práticas e rápidas de vestir e despir. Mas como é que eu não tinha pensado nisto? Vou mesmo querer enfiar camisolas com golinhas de folhos pela cabeça da minha filha recém-nascida que, muito provavelmente, vai desatar num berreiro quando aquilo lhe ficar preso, por uns míseros milésimos de segundo, ali entre as orelhas e o nariz? Provavelmente não. Quando fui rever a lista à luz deste conhecimento recém-adquirido metade das coisas deixaram de fazer sentido. Eram práticas, com as tais molas ou botões à frente, mas muitas eram quase 100% poliester.

Quero com isto dizer que devemos ser cegos e fazer tudo o que as outras pessoas nos dizem, anulando-nos completamente? Claro que não! Este conselho em particular fez-me todo o sentido. Estava tão preocupada em vestir-lhe roupas giras que nem me lembrei do mais básico, que era saber de que é que as roupas eram feitas. Mas há muitas coisas que fazem sentido para os outros e que para mim nem por isso. Não por achar que são más compras ou que não são úteis, quem sou eu para tecer juízos de valor sobre isso, mas que não combinam connosco, com o nosso estilo de vida, com o nosso estilo de casa.

Minimalismo: a solução para todos os males
Também ajuda muito ser-se "anti merdinhas". Detesto, mas detesto mesmo, ter a casa cheia de merdinhas que não uso. No mínimo uma vez por ano encho uma data de sacos de coisas que só me estão a atafulhar a casa e ou as deito fora ou dou-as a pessoas que precisem mais. Seja roupa, papelada que já não interessa, revistas antigas, loiça, caixas e caixinhas. É um alívio quando chego ao fim e vejo o espaço livre com que fiquei. Infelizmente nos meses seguintes algum desse espaço livre é ocupado com mais merdinhas, que eu ainda não tenho maturidade suficiente para ser tão minimal quanto gostaria, mas é um processo. Esta queda para destralhar é ótima quando falamos do mundo encantado das coisas para bebés.
Quero mesmo ter um esterilizador e um aquecedor de biberões, que eu nem sei se vou utilizar, a ocuparem-me espaço na bancada da cozinha quando uma panela com água a ferver faz o mesmo? Não, não quero. Se entretanto chegar à conclusão, in loco, que um esterilizador é muito mais prático que a panela serei a primeira a dar o braço a torcer e ir comprar um. Não quero é fazer mais esse investimento quando nem sei se vou precisar de o usar.
Por outro lado faz-me muito mais sentido ter um biberão em casa e uma lata de leite adaptado just in case a criança querer comer às 4 da manhã e eu, por qualquer razão, não lhe conseguir dar de mamar mas, se calhar, para outra pessoa, isto também seria totalmente dispensável. Somos todas diferentes e isso é ótimo porque torna as discussões e a partilha de experiências muito mais enriquecedoras. Acho que é pondo estas variáveis todas em cima da mesa, sem fundamentalismos, que vamos conseguindo filtrar os conselhos que nos são úteis dos outros. 

Pesquisar, pesquisar, pesquisar
Não fazem ideia das coisas que à primeira vista me pareceram excelentes investimentos para fazer antes do nascimento mas que, depois de ler sobre o assunto, cheguei à conclusão que o melhor mesmo é ir com calma e deixar essas aquisições para mais tarde. 
A primeira coisa a ficar em stand by foi a mochila ergonómica. O babywearing parece-me a melhor invenção de todas. Então para mim, que não gosto de conduzir e faço tudo a pé, parece mesmo a solução para todos os males. Ir ao supermercado com o bebé coladinho a nós, que entretanto ficamos com as duas mãos livres, parece-me infinitamente mais prático que andar com carrinhos atrás. Se estivermos sozinhas como é que transportamos os sacos e empurramos o carrinho ao mesmo tempo? E se eu quiser ir só ali à mercearia da minha rua comprar leite e ovos, como é que vou andar naqueles corredores estreitos, onde não cabem duas pessoas, com um carrinho de bebé? E mesmo para as carro-dependentes, como é que levam os sacos até à porta do prédio se tiverem o bebé dentro do automóvel? Deixam-no lá dentro e andam a fazer piscinas entre o carro e o prédio? Ou levam a criança primeiro e deixam-na dentro do prédio sozinha enquanto vão ao carro buscar os sacos? Ou a solução é ficar em casa à espera do marido, ou fazer as compras online? Lá está, para mim essas soluções não servem, por isso o babywearing parece ótimo.
Assim que soube da existência da Ergobaby, que dá desde o nascimento até aos 20kg, achei que era mesmo aquilo que precisava mas, lá está, depois fui investigar e percebi que, mesmo com o redutor, a mochila não é o meio de transporte ideal para recém-nascidos e que os panos elásticos ou semi-elásticos, que rejeitei de início por me pareceram uma coisa assim meio alternativa, são muito mais confortáveis para bebés tão pequenos. Pelo sim, pelo não prefiro esperar para perguntar a um pediatra e, até lá, informar-me sobre os panos e aprender como se usam.
O mais recente item a sair da lista a grande velocidade foi o muda-fraldas. Há quem me garanta que é uma coisa essencial e que dá um jeitaço, mas também conheço muitas pessoas que resolveram o assunto na cama dos pais com uma toalha e siga o baile. Nós começámos por escolher um simples e bonitinho do IKEA mas quando nos apercebemos que o preço do móvel era quase o mesmo que o da cama de grades começámos a questionar o quão relevante seria o muda-fraldas para nós. Resultado: menos um móvel para comprar, menos um mono a ocupar espaço no quarto. Vamos experimentar mudar as fraldas na nossa cama com a ajuda de um trocador portátil, daqueles de viagem, e só se virmos que não resulta - coisa que duvido que aconteça, muito honestamente - é que investimos no móvel. 

 

Descomplicar
E quando tudo o que foi dito anteriormente não resulta entra em cena o Marcos Piangers que, um dia, tão sabiamente, nos alertou para as principais preocupações que nos assolam quando descobrimos que vamos ter um filho. Infelizmente o que nos ocupa a cabeça a maioria do tempo e nos mantém acordados grande parte das noites não são os valores que lhes queremos passar ou em que tipo de pessoas queremos que eles se tornem. As nossas energias estão focadas nas coisas e no dinheiro que essas coisas nos vão custar. "Um carro melhor", "um apartamento maior", "juntar dinheiro para a melhor creche do mundo". Não é triste? Quando fazem o exercício de sair das vossas cabeças e das vossas listas de nascimento e dos cestos de compras online onde já acumularam todas as coisas que "têm" de comprar nos próximos meses, não acham tudo isso um bocadinho demais, completamente acessório e à margem da bigger picture? Eu própria me incluo neste grupo, eu também me perco durante horas nos sites de puericultura. Mas pôr os pés na terra e sair desse estado meio sonâmbulo é um trabalho, um esforço, que me obrigo a fazer diariamente para conseguir ver as coisas da maneira mais objetiva e descomplicada possível.

Ninguém duvida que todos queremos o melhor para os nossos bebés. É verdade, queremos. Mas o melhor não significa ter tudo o que as marcas nos querem fazer acreditar serem indispensáveis. O melhor não é competir com o vizinho do lado pelo gadget mais recente. O melhor não é ter o carrinho mais incrível, as roupas das marcas mais caras, uma casa com jardim ou aquele SUV que saiu há um mês e que, de certeza, tem espaço para tudo. O melhor somos nós. O melhor que lhes podemos dar é o nosso amor, o nosso tempo, a nossa paciência e, se possível, a leveza de uma vida sem dívidas e coisas a mais, perfeitamente dispensáveis. 

O melhor somos nós.

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