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zona de desconforto

zona de desconforto

"O que é que vais fazer na passagem de ano?"

Nada.

 

Todos os anos, sem excepção, na semana do Natal e, principalmente, na do Ano Novo sou olhada como um ser de outro planeta porque, pasme-se, não gosto de fazer nada na passagem de ano. Onde é que já se viu? Uma noite tão importante (NOT), carregadinha de significado (NOT) ser passada sem uma grande ramboiada! Parece impossível. Parece, mas não é meus amigos. Existe uma enorme pressão social para se fazer qualquer coisa extraordinária nessa noite para cima de espectacular. Há quem planeie a passagem de ano com meses, meses!, de antecedência, qual viagem transatlântica! E depois vai-se a ver e toda a gente faz mais ou menos o mesmo e nunca é nada de memorável, é, afinal, só mais uma noite igual a tantas outras mas com mais histerismo à mistura, não se sabe bem porquê. Ainda assim, ao longo dos anos fui fazendo um esforço para deixar de ser bicho do mato e experimentar maneiras diferentes de passar essa noite e foram todas uma grande desilusão. Que choque (NOT).

 

Passagem de ano na rua – péssima ideia. Está frio e pode estar a chover e ninguém no seu perfeito juízo celebra o que quer que seja sob essas condições adversas.

 

Passagem de ano em discotecas – me-do. Já não gosto de discotecas numa noite normal por isso obrigar-me a estar nesse ambiente na noite de passagem de ano é só uma grande tortura.

 

Passagem de ano em restaurantes – tudo demasiado caro, não se come particularmente bem e o momento de fazer o brinde é do mais constrangedor que pode haver. De repente damos por nós a brindar com as restantes pessoas que estão ali a jantar que nunca vimos nem vamos voltar a ver.

 

Passagem de ano em casas alheias - a comida é deprimente. Cada pessoa traz uma coisa ao calhas e depois de ter chegado toda a gente tem-se uma mesa com 6 pacotes de batatas fritas, um sem número de refrigerantes, duas ou três garrafas de vinho que resultam quase sempre em sangria ranhosa, chocolates, salgadinhos, uma enorme tigela de baba de camelo que alguém que não é dado a grandes cozinhados trouxe e os doces que sobraram do Natal. É nesta altura que alguém sugere ir buscar um ou dois frangos assados, ou umas pizzas familiares e pronto, é este o espectacular jantar do último dia do ano. Depois, nas horas que se seguem, vê-se a final de um qualquer reality show, jogam-se vezes infinitas Pictionary, Trivial Pursuit, qualquer jogo que o dono da casa tenha para a Playstation e pior que tudo... canta-se karaoke, e quando o karaoke entra em cena sabe-se que se acabou de bater no fundo do poço. À meia-noite toda a gente grita muito, comem-se doze passas, bebe-se mau champanhe a custo e pronto, está bom até para o ano.

 

Passagem de ano em casas alheias com direito a sleepover - igual ao de cima mas com o desconforto acrescido de dormir num sofá de três lugares ou, pior!, no chão dentro de um saco-cama que não via a luz do dia há 15 anos, porque ir para uma casa com quartos suficientes para toda a gente poder dormir numa cama é demasiado caro. Na manhã seguinte acordam todos da mesma maneira: cansados, doridos e com azia da quantidade de porcarias que andaram a comer na noite anterior. Feliz ano novo!!!!

 

Para piorar qualquer um destes cenários há a indumentária. Diz a tradição que as pessoas do sexo feminino têm de se encher de um grande espírito de sacrifício, ignorarem os 10ºC que estão lá fora e enfiarem-se num vestidinho sexy e sapatos de salto alto, porque é noite de festa!, e isso, para mim, constitui todo um pesadelo. Andar-me a passear de vestido e pés ao leu na madrugada da última noite de Dezembro e só a pior ideia de sempre. Está frio caraças! E, provavelmente, chuva! Não estamos no Brasil e eu sou uma pessoa que não se dá bem com o frio. Tudo o que meta saídas de casa tem de incluir camadas de roupa quentinha, botas, cachecóis e, em dias especialmente frios, luvas e gorro. Ainda assim, depois destes factos todos, quando digo que não vou fazer nada na passagem de ano, NA-DA, sou olhada de soslaio como se fosse um bicho estranho. De facto para mim essa noite é como qualquer outra, aliás, na maioria dos anos até é uma noite em que fico assim mais nostálgica e sem paciência para confusões, por isso não imagino nada mais entusiasmante que passá-la em casa, sossegada, no quentinho do pijama polar e das mantas, encomendar comidinha boa – Sushi at Home é sempre uma opção segura e deliciosa -, a ver filmes e séries e depois então, no dia 1, fazer qualquer coisa diferente. Até porque me parece muito mais saudável celebrar inícios em vez de o fim de qualquer coisa. Daí preferir usar o primeiro dia do ano para ir almoçar a qualquer lado ou ir passear a um sítio que goste muito. Desta vez parece que o plano é um brunch num hotelzaço em Lisboa a convite de uma amiga que me conhece bem. Enfardar comidinha boa num sítio fancy e quentinho? I’m in!! Vêem? São estas coisas que me entusiasmam, não é cá andar ao frio no meio de multidões histéricas. Humpf. 

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