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zona de desconforto.

zona de desconforto.

29
Nov17

O 1.º trimestre

Descobri que estava grávida em agosto, no segundo dia de férias, num Algarve quentíssimo.
Recuemos agora 24 meses.
Nos dois anos que antecederam o momento em que o teste deu positivo, e apesar de, na altura, não estar a tentar engravidar, o tema da parentalidade começou a interessar-me bastante por isso li imenso não só sobre gravidez mas sobre educação, alimentação de crianças, parentalidade positiva, como lidar com birras, o que fazer e o que não fazer, etc., etc., etc. 
Voltemos agora ao verão de 2017.
Quando tomámos a decisão de começar a tentar engravidar pensava que estava preparada, no mínimo, para o que esperar durante a gravidez. Afinal tinha lido tanto!
Pois. Não estava.
Não sei se fiquei tão assoberbada que me esqueci de tudo, ou se li as coisas erradas ou se, simplesmente, há coisas que não vêm escritas em lado nenhum porque cada corpo é um corpo e reage de forma diferente a esta transformação incrível que é a gravidez. Aposto mais na última.
Conhecem o livro "O que esperar quando está à espera"? Pois, eu esperava muita coisa que não aconteceu: o sono, as dores no peito, os vómitos, a pele fantástica... no meu caso, foi tudo ao lado. E como muitos dos sintomas mais falados são maus e eu estava à espera do pior - como sempre - quando o pior não acontecia eu pensava que havia qualquer coisa errada. Sick, right? Não tem de ser assim e eu gostava de ter sabido disso para ter tido um início de gravidez um bocadito mais tranquilo.

 

Enjoos

Lembram-se daquela cena inicial do filme Olha Quem Fala, em que a Kirstie Alley está desesperada na casa de banho do emprego a vomitar sem saber porquê? Era isso que eu achava que nos acontecia mais ou menos meia-hora depois de a conceção ter ocorrido. Achava que o normal era estar três longos meses enjoada e a vomitar. Mentira. O primeiro enjoo aconteceu já eu estava a meio do segundo mês da gravidez. Enjoo que atribuí à bola de Berlim que comi alarvamente na praia no dia anterior para comemorar o início das férias. Por descargo de consciência, e porque a menstruação já estava mais atrasada que o normal, fiz o teste no dia seguinte e... não é que deu positivo? Afinal não era o doce de ovo que estava estragado, era a minha feijoca a formar-se no ventre. Ele há coisas! Não sei se foi da emoção de ver o teste positivo mas a verdade é que nesse dia não tive enjoos nenhuns. "Fixe! Só tive um enjoo! Afinal isto não é assim tão mau!", para logo a seguir pensar, já com o telemóvel na mão pronta para ligar para a Saúde 24: "O que é que se passa?! Porque é que não estou enjoada?!" Que inocente. Nos 15 dias que se seguiram estive mais enjoada que uma pescada.
Lição número 1: os enjoos vão e vêm. Há dias melhores que outros, há até dias ótimos. E isso é normal. Também há quem tenha enjoos todos os dias durante meses e vomite imenso mas essa, felizmente, não foi a minha experiência. Os meus enjoos eram intermitentes. Houve dias horríveis, em que não conseguia comer nada, houve outros em que só estava assim de manhã e outros em que só me começava a sentir mal disposta ao final do dia e se prolongava noite dentro. Nunca vomitei mas enjoei de imediato o cheiro a carne e peixe grelhado, assim de repente. Num dia estava a lambuzar-me com um prato de choco grelhado e no outro só de pensar nisso ficava com vómitos. E sim, isto dá um jeitaço quando se está no Algarve, onde tudo o que se come são... exato, grelhados. Quando saía de casa e sentia aquele cheiro a peixe era como se alguém me estivesse a matar. "Porquê???" E isto leva-me ao ponto seguinte.

 

Alimentação

É senso comum que uma grávida tem de ter dois cuidados básicos com aquilo que come: os legumes e frutas têm de ser desinfetados e a carne e o peixe têm de ser muito bem cozinhados. Básico não é? Bom não é bem assim, porque dentro destes dois universos há todo um mundo de nuances irritantes que nos lixam as refeições, mas isso fica para outro dia. Para além daqueles dois cuidados básicos existem mais mudanças que eu não esperava. Quando engravidei fazia já um ano que tinha mudado completamente a minha alimentação. A principal mudança foi trocar os hidratos de carbono às refeições por legumes. Há meses que não comia esparguete. 
Lição número 2: quando estamos enjoadas, muito provavelmente, a única coisa que vamos conseguir tolerar são hidratos de carbono. E não estou a falar dos hidratos que existem num pratinho de brócolos, estou a falar de hidratos à séria: arroz, massa, batatas, pão. Eu sei. Isto para mim também foi um choque. Nos 15 miseráveis dias que estive de férias a única coisa que me apetecia comer era peixe cozido com batatas cozidas, carne de vaca estufada com batatas e canja de galinha com arroz. Tudo coisas que há ao pontapé em agosto no Algarve. Ah, e pão. Mas que pão? Aquele pão de centeio fantástico, super saudável, que se compra no Celeiro e que eu andei a comer durante um ano? Vómito. Só o cheiro deixava-me doente. Só conseguia comer do de trigo. Atualmente, já no quinto mês, consegui voltar ao meu pão de centeio e aos brócolos mas o cheiro a carne grelhada continua a ser difícil de suportar e não consigo comer grelos salteados, que era uma coisa que, antes, comia praticamente todas as semanas.

 

Cansaço

Outra coisa que estava preparada para sentir era todo aquele sono incrível de que tantas grávidas se queixam e com o qual eu teria lidado lindamente nas férias. Havia finalmente um motivo de força maior para fazer sestas intermináveis na praia. Também não aconteceu. O meu cansaço manifestou-se de outra maneira.
O calor! O calor do Algarve dava cabo de mim. Eu, que sempre aguentei tão bem temperaturas altas, que cheguei a estar no Talasnal com quase 40ºC como se nada fosse, não suportei o calor daquele agosto. Estar na praia a qualquer hora do dia era um martírio. Só queria ir para casa, ligar o ar condicionado, deitar-me na cama em posição fetal e mexer-me o mínimo possível. Também não aguentava muito tempo em pé. Ir da toalha à beira-mar era um suplício, quando lá chegava estava tão ofegante que parecia que tinha corrido 5km e ao final do dia, quando chegava a casa da praia, aquela rotina básica de tomar banho, hidratar a pele e vestir-me deixava-me exausta. Hoje, muitas destas coisas ainda se mantêm mas, felizmente, com menos gravidade. Estar em pé quieta, de facto, é uma tortura. Ainda bem que existem cenas prioritárias para grávidas. Estar numa fila à espera para pagar qualquer coisa ou em pé a conversar com alguém deixa-me sem forças num estalar de dedos. Chega a ser ridículo, mas é a verdade. Caminhar não me cansa tanto desde que eu reduza a velocidade a que estava habituada. Sempre fui pessoa de andar imenso a pé - fiz 25km num dia em Nova Iorque quase sem dar por isso - e sempre tive passo acelerado mas agora tenho de andar mais devagar se quiser ter energia para chegar ao destino sem paragens. Sim, a gravidez fez de mim uma avó. É a vida.

 

Dores nas mamas

Acho que todas as grávidas que conheço se queixaram disto no início da gestação. Dores terríveis no peito em que até o toque de uma camisolinha era insuportável. Nunca soube o que isso era. Se calhar vou saber quando a criança nascer e quiser mamar... Bom, o melhor é não pensar nisso agora. Mamas doridas foi outro daqueles sintomas clássicos que me passou completamente ao lado. Fiquei tão intrigada que perguntei ao meu médico se isso seria normal, se não haveria algo de errado comigo. Ele riu-se. Fez bem.

 

Pele e cabelo fantásticos

Uma das coisas que li e ouvi com bastante frequência, inclusive de médicas dermatologistas, foi que na gravidez o cabelo fica forte e volumoso e aguenta uma semana sem ser lavado e que a nossa pele fica lindíssima, com uma luz especial e rebéubéu. Por aqui, até ver, continua tudo igual ao que era dantes. E isso não é especialmente interessante. Continuo com o cabelo fino que toda a vida conheci, a precisar de ser lavado dia sim dia não, e aquela acne incrível que acampou no meu rosto depois de ter deixado de tomar a pílula, há mais de um ano, também continua cá. Mas ainda não perdi a esperança.

 

O tamanho da barriga

Outra coisa que não sabia: é provável que no primeiro trimestre haja dias em que a barriga pareça mais pequena que no dia anterior. Fisicamente acho que isso é impossível, mas a nossa cabeça quer tanto que se comece a notar qualquer coisa que acaba por nos enganar. É o que eu acho. Havia dias em que eu jurava que via um altinho e no dia seguinte o altinho parecia ter desaparecido, ou parecia mais pequeno. Pelo que li nesse mundo magnífico que são os fóruns de maternidade e pelo que ouvi de outras grávidas, essa sensação é normal. Tal como é normal a barriga demorar algum tempo a aparecer. Todos os corpos são diferentes e se há quem faça barriga aos dois meses também há quem só comece a notar alguma coisa aos cinco. De qualquer maneira comentários do género "Bem, já se nota imenso! De certeza que só estás de 3 meses?!" ou "Já estás de 5 meses? Não se nota nada!" são parvos e, geralmente, as grávidas não gostam de os ouvir. Mas isso fica para outro post.

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