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zona de desconforto.

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20
Fev15

Quando a política e a cultura pop se cruzam

Há uns meses escrevi neste espaço que achava importante, urgente até, que "as discussões de assuntos sérios e que interessam a toda a gente,(...), não se cinjam apenas à política e às pessoas que a fazem. Que não sejam discutidos apenas em assembleias por alguém com pouco carisma e que, por isso mesmo, não consiga chegar às massas. É importante que esses temas extrapolem desses locais cinzentos e empoeirados para a cultura pop e sejam divulgadas por quem a faz." Foi por acreditar mesmo muito nisto que estava cheia de curiosidade por ver a entrevista da Assunção Esteves à Maria Capaz. Queria ver como é que uma pessoa que está na política, e que não tem uma imagem propriamente simpática - infelizmente são poucos os que têm -, 'desceria' até à cultura pop para falar de um assunto tão sério como o papel da mulher na sociedade. Fiquei agradavelmente surpreendida. Tão surpreendida que vi a entrevista duas vezes seguidas. O que vemos aqui é uma mulher igual a tantas outras. Doce, nada austera, leve, divertida e perfeitamente consciente dos mitos que se foram criando em redor da sua imagem. Talvez o maior de todos seja o de que quando fala ninguém a entende - todos nos lembramos do "inconseguimento" e do "nível social frustracional". Pois que aqui acho que todos a entendemos muito bem e conseguimos desenvolver alguma simpatia por ela, ideologias políticas à parte.
Houve três momentos da entrevista que me emocionaram particularmente e que acho que vão ficar a ecoar dentro de mim. O primeiro foi quando falou da não-indiferença inerente à condição feminina. Esta não-indiferença é talvez um dos maiores catalisadores da mudança. O haver algo dentro de nós que nos impele a agir, a não deixar passar algo que sabemos, no nosso íntimo, que tem de ser melhorado, mudado. O segundo momento foi quando falou da urgência da diminuição das horas de trabalho. Achei essa afirmação fantástica! Numa altura em que parece haver um braço de ferro constante entre homens e mulheres, entre chefes e subordinados, para ver quem trabalha mais horas, não quem trabalha melhor, atenção!, mas quem trabalha mais, acho que talvez seja preciso dar um passo atrás e avaliar friamente o que está verdadeiramente em jogo. O terceiro foi o da descrição do olhar apreensivo que a Assunção sentiu por parte de alguns homens no Parlamento Europeu quando se levantou para falar. Algo que, diz ela, nunca tinha sentido em Portugal. Dá que pensar, certo? Pelo menos a mim deu.


 


 



 


Para verem a entrevista completa é só clicar aqui.

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