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zona de desconforto.

zona de desconforto.

10
Out16

"Calma, estás muito irritada!"

Quando li este post d’A Gaja

“Quando um homem fala alto, está a "expressar a sua opinião". Uma mulher quando eleva a voz é "uma histérica". Quando um homem está zangado é porque deve ter razões para isso. Quando uma mulher está chateada, "está hormonal, com TPM".“

lembrei-me de uma coisa que acontece comigo há anos. Não sei se por ser mulher ou por ser como sou ou uma mistura das duas coisas. De qualquer maneira incomoda-me muitíssimo.

Sou, geralmente, uma pessoa reservada, apaziguadora e diplomática. Não gosto de conflitos e quando me deparo com uma pessoa que não sabe debater uma ideia ou que o faz de maneira que, para mim, é agressiva tendo a manter-me neutra para acabar a discussão rapidamente para não me chatear. Porém, volta e meia, acontece expressar a minha opinião e envolver-me em debates sobre determinados assuntos que me apaixonam particularmente. Pasme-se! E sempre que o faço, especialmente se o meu ponto de vista for diferente do do meu interlocutor, a reacção é sempre a mesma: “Calma! Estás muito enervada.” A sério? Esse é o teu melhor argumento para provares que tens razão? Eu não estou enervada, estou só a dar a minha opinião que, por acaso, é diferente da tua. Lida com isso. Mas lida de uma forma construtiva, apresentando argumentos para defender o teu ponto de vista em vez de acabares com a conversa com a cartada do “estás muito enervada”.

Não obtenho esta reacção só da parte de homens, as mulheres também fazem o mesmo, e isso faz-me reflectir se é por, normalmente, evitar alongar-me em discussões que prevejo serem intermináveis e desagradáveis ou se é por ser mulher. De qualquer das formas adorava que as pessoas aceitassem esse facto, de que sou mulher e sou como sou, se focassem naquilo que estou a dizer e se envolvessem na discussão em vez de tomarem o meu entusiasmo por determinado assunto por histerismo, stress, TPM ou o raio que o parta. E não, não estou irritada. Estou só a expressar a minha opinião. Obrigada.

17
Jun16

Carta aberta aos professores dos ginásios

Aula de Localizada. Professor com cara de poucos amigos e com braços que pareciam o tronco de uma árvore. Entramos na sala para começar. Ele berra o material que vamos usar. “Barra, step e colchão. Dois discos de 10kg para homens e 5kg para mulheres. Mínimo.” Fui buscar as coisas e trouxe comigo dois discos 2.50kg que é o que consigo levantar com algum esforço mas sem sentir que me estou a lesionar toda. Ele olha para mim e berra: “5kg! 5kg! 5kg!” Fulminei-o com o olhar: “Não consigo levantar 5kg.” “Tem de ser mais peso. Mais peso!” Meti o rabinho entre as pernas e fui buscar dois discos de 1.25kg só para lhe fazer a vontade e a achar que pôr aquilo ou fazer só com 2.50kg era igual. Não era. E senti logo isso quando quis levantar a barra. “Vamos fazer vários exercícios. Quatro séries de dez cada. No final da aula, tudo somado, tem de dar mil.” Ele disse mesmo isto. Mil repetições em 50 minutos de aula que, em tradução livre, é mais ou menos isto: vamos fazer quatro séries de dez repetições o mais depressa que conseguirmos. Que se lixe a técnica. Temos é de chegar ao fim com mil repetições feitas.

Primeiro exercício: barra atrás do pescoço e toca a agachar. Afinal agachar com 2.50kg de cada lado ou com 3.75kg ainda faz diferença. Fazia um agachamento por cada dois dele, que olhou furioso para mim, como se fosse a vergonha da turma, e gritou: “Mais rápida! Mais rápida!” E eu com uma vontadinha de mandar a barra ao chão e gritar de volta: “Mais rápida o quê c$%#%&o! Ou ponho mais peso ou sou rápida a agachar! As duas coisas é que não pode ser!” Uns quinze minutos depois, já a fazer um esforço horrível, comecei a lembrar-me de todo o dinheiro que já gastei para diagnosticar e tratar lesões feitas no ginásio: ressonância magnética, Raio X, ecografias, fisioterapia, dois meses sem conseguir treinar… “Fuck this shit”. Pousei a barra, tirei os discos mais leves e continuei com os de 2.50kg que devia ter usado desde o início.
Vamos lá ver aqui uma coisa muito simples: vocês, professores de ginásio que muitas vezes encaram as aulas como se fosse um treino vosso – não são!!!! Parem com isso! – têm de meter na cabeça que os alunos não têm todos a mesma condição física, nem têm todos os mesmos objectivos! Nem é suposto! Acham que conseguem entender isto e deixarem de ser umas pequenas bestas? Acham que é uma coisa com a qual podem viver? Eu só quero ser mais saudável, baixar os níveis de colesterol, e ter um corpo moderadamente fit. Sem pernas e braços a abanar, qual gelatina. É só isto. Não bebo batidos de proteína, nem como ovos nem bananas antes do treino, não ando a contar os dias até conseguir levantar mais peso que a colega do lado e a minha vida não gira à volta das gramas de hidratos e proteína que tenho de comer em cada refeição. Respeito quem viva assim, nada contra, mas essa não é a minha cena. Já é óptimo eu ir às vossas aulas, certo? Mostra empenho, resiliência, capacidade de superação e essas coisas todas muito boas de que a malta do ginásio gosta muito de falar. Para quê humilhar as pessoas fracas de braços? Ou que não podem saltar? Ou que têm problemas de costas? Ou de joelhos? Para quê?! Ficariam mais felizes se conseguissem levar toda a gente ao limite das forças e na semana seguinte não terem ninguém na aula porque ainda está tudo a recuperar a mobilidade perdida? É mais divertido assim? Ou será que é melhor e mais natural as pessoas evoluírem ao ritmo delas? Eu aposto mais na segunda hipótese. Vamos tentar a segunda hipótese? Só durante uns tempos, para ver como corre? Sim? Então está bem.

08
Jun16

Ela é linda sem makeup? Não. Ela é linda quando faz o que a faz sentir melhor

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Parece que este ano vai ficar marcado pelo movimento anti-maquilhagem. O Agir diz que “ela é linda sem makeup” e a Alicia Keys diz que está farta de se esconder. Quanto a mim, que me maquilho todos os dias, tenho uma relação de amor/ódio com a maquilhagem. Bem, talvez “ódio” seja demasiado forte e, a existir, não é pela maquilhagem mas pela mentalidade tacanha das pessoas.

Gosto muito de me maquilhar. Aqueles minutos que passo sentada perto da janela a colocar máscara de pestanas e a passar pó bronzeador para dar alguma cor à minha cara branca amarelada são sagrados. É um momento só meu e acho-o até bastante relaxante, tal como acho relaxante a limpeza da pele ao final do dia. Mas depois há aqueles dias em que acordo virada do avesso e com muita vontade de reclamar e penso: “Mas porque é que é só às mulheres que é exigido que se apresentem ao mundo com um ar arranjado e cuidado?!” Os homens podem sair de casa com olheiras e pele baça que ninguém lhes diz nada, é uma coisa perfeitamente natural, mas se as mulheres se atreverem a fazer o mesmo, especialmente aquelas que, como eu, se maquilham todos os dias, têm de ouvir aquela simpática frase: “Que cara é essa? Estás bem?” ou então a minha favorita: “Estás com um ar cansado!” que é o mesmo que dizerem: “Estás com umas olheiras horríveis”. Os anúncios de maquilhagem são todos direccionados para as mulheres porque os homens, aparentemente, não têm de se preocupar com estas coisas. Dormiram mal e têm olheiras até ao queixo? Não faz mal. Na noite seguinte dormem melhor e passa. Já as mulheres têm de tapar tudo com corrector se não quiserem que o mundo passe o dia a olhar para elas com ar de pena. “Coitadinha, está tão cansadinha.”

Apesar desta revolta que acontece em mim de tempos a tempos a verdade é que gosto de me maquilhar e faço-o por mim. Porque gosto mais de me ver pestanuda, com as maçãs do rosto rosadinhas e com um ar fresco e acordado. Adorava dizer que me sinto melhor ao natural mas seria mentira. Provavelmente isto não é uma coisa muito saudável mas a verdade é que me sinto muito mais confiante e pronta para enfrentar a vida quando estou arranjada. De qualquer maneira também tenho os meus dias de preguiça e nesses detesto ser julgada ou chamada a atenção por não me ter maquilhado. "Estás cansada? Estás doente? Estás bem?" Que direito têm as pessoas de gratuitamente, sem ninguém lhes ter perguntado nada, me atribuírem defeitos? O que é que acham que vão acrescentar ao meu dia depois de me dizerem que estou com um ar cansado? Como se se sentissem ofendidas por me verem com olheiras ou com a minha pele livre de pós de qualquer espécie, no fundo, tal como ela é! Pessoas chatas: a vossa opinião é irrelevante e não interessa para nada. Back off! Isto para dizer que o mal não está, nunca, na maquilhagem mas sempre na cabeça das pessoas. Aliás, como em tudo nada vida. Não concordo com esta demonização da maquilhagem, como se fosse errado usá-la. Errado é as pessoas andarem curvadas à vontade dos outros.

Aplaudo de pé estes movimentos que dão poder às mulheres para se sentirem bem como são e se apresentarem ao mundo como bem entenderem. Se há mulheres que não gostam de maquilhagem, para quem é um martírio perder tempo a pôr máscara de pestanas e blush, então não se devem sentir obrigadas a usá-la para agradar não se sabe bem a quem. Mas as outras, as que gostam de se maquilhar também se devem sentir à vontade para fazê-lo sem serem olhadas de lado. Como se fosse um crime e uma futilidade atroz. "Ela só tem aquele aspecto porque está maquilhada. Sem aquilo fica horrível!" ou a minha favorita: "Só perde tempo com estas coisas porque não tem roupa e loiça para lavar nem filhos para cuidar", porque uma mulher "a sério" é aquela que se anula perante as obrigações domésticas e familiares. Right.

O mesmo se aplica à roupa. As pessoas devem poder vestir o que bem entenderem independentemente daquilo que os outros vão dizer ou pensar. Acho triste quando oiço mulheres dizer que não usam calções ou vestidos porque têm celulite, como se fosse uma ofensa para os restantes mostrar pele que não seja perfeitamente lisa e tonificada. Usem o que vos apetecer e que vos faça sentir confortáveis, é só isso que importa. Eu não adoro as minhas pernas, gostava que fossem torneadinhas mas quando olho para elas vejo dois troncos sem forma, porém isso nunca me impediu de andar com elas à mostra. Era só o que faltava! Prefiro andar com os meus tronquinhos ao léu que andar desconfortável e a morrer de calor com calças coladas ao corpo. O mesmo princípio se aplica à maquilhagem. Usem-na se gostarem. Se não gostarem passem à frente. Ficam com mais tempo para dormir e tudo. Somos obrigadas a quê? A nada!

19
Mai16

"Porque é que não disse nada?"

Acho o programa da SIC “E se fosse consigo?” interessante, quanto mais não seja para pôr as pessoas lá em casa a falar de temas importantes, a reflectir sobre as suas atitudes ou atitudes de terceiros. Programas deste género são importantes porque ajudam a alargar horizontes e a fazer ver a muita gente de vistas curtas que o mundo não termina no fundo da nossa rua. Que lá por não se passar connosco não significa que não aconteça. Porém, todos os episódios me causam uma certa urticária por terem sempre o ónus nas pessoas que não dizem nada. O foco do programa não devia ser esse, mas é. Quem não diz nada é um mau cidadão. Quem não diz nada é porque concorda ou é indiferente ao que se está a passar. Quem não diz nada é condenado em praça pública. E a minha pergunta é só uma e bastante simples: porquê? Provavelmente se me deparasse com situações semelhantes às que passam no programa também não diria nada e não é por achar bem e concordar que se discriminem casais homossexuais, ou que o bullying é ‘muita fixe’, ou que uma branca a namorar com um preto é uma porcaria. Não. Não diria nada porque não faz parte do meu feitio. Eu sou introvertida e meter-me numa conversa entre mãe e filha ou numa zaragata entre miúdos do secundário nunca seria uma atitude natural em mim. Além disso nunca se sabe quem está do outro lado. Quem é que me garante que a mãe da miúda gorda não ia rodar a baiana e desatar aos gritos no meio da rua e envergonhar ainda mais a filha? Quem é que me garante que não levava uma pêra dos rapazes a maltratar o colega? Quem é que me garante que ir pedir justificações ao rapaz aos gritos com a namorada não vai fazer escalar a violência? Certamente que a minha solução seria chamar a polícia, quando fosse caso para isso, e não acho que, por isso, deva ser condenada em praça pública. Acho óptimo que haja pessoas diferentes de mim, vejo sempre com grande entusiasmo quem se mete nas conversas e diz de sua justiça, às vezes também gostava de ser assim, mas não sou. E não há mal nenhum nisso. Acho que o programa só tinha a ganhar se se focasse na situação que pretende condenar e divulgar os meios que há à disposição para ajudar as pessoas, coisa que também faz, sim senhor, mas só depois de a Conceição Lino atirar o nariz para a lua e do alto do seu pedestal perguntar às pessoas que não deram o peito às balas: “Porque é que não disse nada?!” Acho mal e acho que o programa perde muito com isso. Ou então não. Se calhar até ganha, que o que dá audiência é sempre o lado escabroso da coisa e nunca o que realmente interessa.

03
Abr16

A caminho dos 30 - A wishlist

 

Há dois anos escrevia aqui no blog muito indignada - sempre! - sobre as convenções que se criam na vida adulta acerca das "obrigações" do aniversariante. Quando somos miúdos ele é festas surpresa, ele é prendas que nunca mais acabam, ele é bolos e bolinhos e gomas à vontade do freguês. De repente a pessoa cresce e quando se aproxima o dia de anos é só preocupações. Não acreditam? Vejamos então o simples acto de escolher o restaurante para jantar com os amigos: tem de ser um que nós gostemos muito, afinal é uma data especial, mas não pode ser muito caro porque não sei quem está mal de finanças, tem de ter pelo menos um prato vegetariano porque na semana antes o Francisco viu um documentário sobre matadouros e desmaia se comer um bife e ainda temos de ter o cuidado de perguntar ao chef se há alguma opção sem glúten porque agora é chique comer coisas gluten free, mesmo que não se seja celíaco que são as únicas pessoas no mundo que não podem mesmo aproximar-se dessa proteína. Houve um dia alguém, algures, que disse que o glúten era o inimigo e, portanto, 'bora lá comer coisas sem glúten e fazer todo um drama se alguém nos puser uma fatia de pão à frente. Para além de todos estes cuidados o aniversariante tem ainda de levar um bolo para o trabalho! Porquê, ninguém sabe. Só obrigações. Posto isto, e porque festejar um aniversário não pode ser só gestão de agenda e gostos alheios, aqui fica a minha dose de pedinchice a lembrar os tempos áureos da infância em que fazia círculos no catálogo da Toys'r'us à volta dos brinquedos que queria mesmo muito.

 

Na entrada nos intas quero aprender coisas novas ou aprofundar conhecimentos e é aqui que entra a fotografia. Os cursos e workshops são caríssimos por isso queria ser semi-auto-didata e tentar melhorar a minha técnica com a ajuda dos livros, e não me estou a referir ao manual da máquina. Este Fotografia do Joel Santos parece-me uma óptima escolha.

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Ainda nos livros, estou muito curiosa para ler este do brilhante Valter Hugo Mae:

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Gosto muito de viver a minha casa, o meu espaço, e volta e meia preciso dar um twist à decoração. Primeiro foi a estante dos livros, depois a sala de jantar e agora gostava de fazer um upgrade à mesa de centro da sala de estar. Detesto ver mesas de centro, ou coffee tables, vazias, só com os comandos da televisão. Fica tudo tão despido e frio e desinteressante… de momento temos umas Monocle, Vanity Fair e Harper’s Bazaar a fazer fogo de vista, mas queria substitui-las por livros atraentes de História da moda. Acho fascinante a forma como a moda influencia o mundo que nos rodeia e vice-versa e quero cultivar-me mais nesse aspecto. Para além da vertente lúdica são livros bonitos, que chamam a atenção e dão vontade de folhear.

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Deixei o mais importante para o fim: preciso mesmo, mesmo, mesmo muito de uma mala pequena e neutra, que vá bem com tudo, para aqueles dias em que não quero andar carregada com a mala XL do dia-a-dia. 

 

Zara:

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Mango:

 

 

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 Parfois:

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22
Mar16

Ah, as vendas pelo OLX!

Vender coisas no OLX é bastante útil: desfazemo-nos do que já não queremos e ainda ganhamos uns trocos pelo caminho. Isto, claro, partindo do princípio que tudo o que ali pomos é, efectivamente, vendido, o que nem sempre acontece. Mas a ideia, na teoria, é boa. O problema, como em tudo na vida, são as pessoas.


Nunca comprei nada no OLX, porque sou uma fútil que gosta que ter coisas novinhas nunca antes usadas por outras pessoas, mas já vendi algumas e de todas as vezes que pus coisas à venda acabei por me chatear. Porque a verdade é só uma: vender online exige toda uma energia e paciência que eu não tenho. Não tenho! Há uns meses pus o meu telemóvel à venda. Um LG G3, branquinho, lindo. Adorava-o mas já me estava a dar problemas há séculos por isso resolvi pô-lo a arranjar pela segunda vez! e desfazer-me dele um miserável ano e meio depois de o comprar. Custou-me 600€ e pu-lo à venda por 200. Só isto já foram facadas no meu coração, mas eu sei que a tecnologia desvaloriza muito, à excepção do raio dos iPhones que são zero personalizáveis e não têm espaço de memória interna para quase nada mas custam um dinheirão e três anos depois desvalorizaram, sei lá, 20€. A vida é injusta. Mas adiante, engoli em seco, pus o telemóvel à venda e esperei. Nem meia hora depois comecei a receber mensagens e é nesta fase que começa a palhaçada.


No anúncio tinha escrito explicitamente que não estava interessada em trocas. Ora, o que é que as pessoas que andam à procura de coisas para comprar no OLX fazem? Ignoram tudo o que vem escrito nos anúncios. ÓBVIO! Mais de metade das mensagens que recebi eram a perguntar se estava interessada em trocar… Cheguei ao ponto de receber uma mensagem muito divertida de um rapaz a perguntar se estava interessada em trocar o meu telemóvel por um carro telecomandado a gasolina! Não é fantástico? Não era um carro qualquer! Não era uma porcaria de plástico a pilhas. Aquilo funcionava a gasolina e tinha uma data de acessórios para cima de espectaculares! Praticamente um diamante em bruto por lapidar do mundo dos carros telecomandados, visto estar à venda por 400€. Portanto, com um bocadinho de sorte, ainda tinha de pagar a diferença. Depois de ler a proposta passei por três fases. Primeiro fiquei incrédula. Afinal quem é que no seu perfeito juízo ia trocar um telemóvel que, parecendo que não, é uma coisa bastante útil, por um carro telecomandado?! What’s the point? Depois comecei-me a rir com o ridículo da situação e imediatamente a seguir fiquei furiosa, porque aquela já devia ser a 628.ª mensagem a perguntar se estava interessada em trocar. Respondi qualquer coisa do género: “Claro que sim! Fazemos negócio amanhã às 11h no farol.” Não respondeu. 


Mas nem tudo é mau. Há pessoas que estão mesmo interessadas em comprar! A maior troca de mensagens que tive foi com um senhor que me disse logo que ficava com ele. Óptimo! “Venha ter comigo ao Colombo, à porta que fica ao lado da PSP, e fazemos a venda.” É nestas alturas que me sinto uma fora da lei. Se dependesse de mim todos estes negócios eram feitos à distância com zero contacto entre as partes. Mas há alturas em que, infelizmente, isso é impossível. Parece que fazer uma transferência de 200€ para a conta de uma pessoa e ficar pacientemente à espera que lhe chegue um telemóvel por correio é um bocado arriscado. Portanto, ali estava eu a ser uma pessoa normal, nada anti-social, a propor um sítio público e seguro para nos encontrarmos. O que eu fui dizer! Não, não. Eu tinha era que ir ter com ele ao Continente, ou ao Pingo Doce, já não me lembro, de Alfornelos para ele ver o telemóvel. Disse-lhe que não, que ele é que tinha de vir ter comigo porque eu não me ia deslocar a Alfornelos por nada. Quando estou interessada em comprar qualquer coisa, sei lá, na Zara, eu é que tenho de ir à Zara, não é a Zara que vem até mim. Mas parece que isso é um conceito que já não se usa. “Eu para ir para o Colombo tenho de gastar dinheiro em gasolina e no parque de estacionamento. Portanto vai ter de tirar 20€ ao preço do telemóvel.” Estão a ver o absurdo? Só me calham pessoas doidas! Pela lógica eu devia era aumentar 150€ ao valor das coisas que é o que vou ter de gastar em cremes anti-rugas pela quantidade de vezes que franzo o sobrolho ao ler estas brutalidades. A conversa durou mais 3 ou 4 mensagens - tempo demais! - altura em que simplesmente deixei de responder. Acabei por vendê-lo a um senhor que queria um telemóvel com um ecran grande para o filho poder ver vídeos no Youtube às refeições e que não estrebuchou por vir ter comigo onde eu queria. O negócio fez-se, assim, tranquilamente. No muss, no fuss.


Actualmente, estou a vender algumas peças de roupa e a história repete-se. A primeira venda correu lindamente. Foi de um blazer da Zara. Apareceu uma rapariga que o queria comprar, deu-me a morada, fez-me a transferência do valor, nem tentou negociar, e lá foi o blazer. O resto é que está a ser mais difícil. As últimas mensagens que recebi foram de uma miúda interessada em comprar uma parka que chegou ao cúmulo de, depois de perguntar quantas vezes a tinha usado, sair-se com: "Então deve ter algumas marcas de uso não?!" Hummmm, poissssss. Se está a querer comprar uma coisa usada é natural que essa mesma coisa tenha marcas de uso porque foi, imagine-se, USADA, e todas as marcas de uso estão bem visíveis nas fotografias. Acho piada a estas pessoas que partem para compras online de coisas em segunda mão com a mesma exigência com que vão ali à Mango espreitar a nova colecção. A sério, não tenho paciência nenhuma para pessoas no geral e para as do OLX em particular.

25
Fev16

Coisas que me encanitam

O WhatsApp. Acho que praticamente toda a gente que conheço tem WhatsApp. Eu também tenho, mas não uso. E não uso porque acho que é das coisas mais esgotantes que inventaram. Eu já acho que passo bastante tempo agarrada ao telemóvel no Instagram, Facebook e Pinterest e se tivesse WhatsApp está-me cá a parecer que não fazia mais nada. Mesmo! O próprio conceito da aplicação é uma coisa que me faz alguma espécie. Quem é que consegue ter conversas escritas em grupo ad eternum? Sim, que eu bem sei que há quem tenha milhentos grupos diferentes, um para cada assunto, e todos eles activos! E será que há alguém que leia tudo o que se foi escrevendo para ali na última hora? Ou a ideia é abrir a aplicação sempre que alguém escreve qualquer coisa? Provavelmente a maior parte das vezes nem se escrevem coisas que interessam. Alguém diz uma piada e os restantes 43 membros do grupo reagem com LOL’s e bonecada e lá estamos nós a receber notificações umas atrás das outras. Para quê?

Para mim o WhatsApp é a derradeira forma de escravatura dos telemóveis e irrita-me particularmente às refeições. Nunca tive o hábito de ter o telemóvel em cima da mesa enquanto como, principalmente porque morro de medo que alguém entorne qualquer coisa por cima do meu telemóvel caríssimo e lá vai ele para o galheiro – PÂNICO! – mas é surreal a quantidade de pessoas que comem com aquele apêndice logo ali ao lado do garfo e passam toda uma refeição a ler e a responder ao que é dito naquela aplicação do demónio. O meu homem no WhatsApp tem um grupo com todas as pessoas com quem trabalha, que são assim cerca de muitas, e aquilo é insuportável! Numa mísera hora o telemóvel toca e vibra um milhão de vezes. E se ele estiver uma tarde sem ligar nenhuma àquilo chega ao fim do dia com, quê? 128 mensagens por ler? Quem é que aguenta isto? Não só dá cabo da cabeça a uma pessoa como das baterias dos telemóveis, que duram cada vez menos.

Já tentei perceber o atractivo da coisa e o que a maioria das pessoas me tenta explicar é que é muito fácil para comunicar em grupo. Que é óptimo quando queremos combinar jantares com uma data de gente. Que se fala logo com todos ao mesmo tempo. E eu só pergunto uma coisa: quando é que se tornou assim tão difícil e caótico combinar um jantar/saída/copo com um grupo de pessoas ao ponto de termos de estar agarrados ao telemóvel durante HORAS a falar com toda a gente ao mesmo tempo? E mais: não foi para isso que se inventaram os eventos no Facebook?

Sinto-me velha. Toda a gente vê no WhatsApp a melhor coisa do mundo, toda a gente usa o WhatsApp e eu só acho tudo aquilo muito confuso e extremamente desnecessário. Mas também vivo muito bem com isso. Acho que dava em maluca se tivesse o telemóvel a apitar por tudo e por nada. Se já fico aborrecida quando comento a fotografia de alguém no Facebook e depois recebo 62 notificações a dizer que o X, Y e Z também comentaram/reagiram à publicação da não sei quantas. Tipo, eu não quero saber! É extremamente irritante estar constantemente a ser notificada com coisas que não me interessam. É como O Boticário, que passa a vida a enviar-me mensagens a dizer que os perfumes estão em promoção só porque lá fui comprar um pincel de maquilhagem há dois anos e tive a infeliz ideia de lá deixar o meu contacto.

Não sou nada fundamentalista nisto das novas tecnologias – a não ser com as crianças… ver miúdos a comer com iPads à frente é absurdo – adoro ir a um restaurante e publicar fotos do que estou a comer, venham as selfies e as fotografias de pezinhos descalços na areia da praia, viva o Skype, o Tumblr, o YouTube e o Snapchat, tudo tem o seu valor e a sua graça. Mas, de facto, a forma como nos deixamos absorver por estes aparelhos que quase já se transformaram na extensão das nossas mãos, não deixa de ser um bocadinho assustador. Especialmente para quem vê isto de fora.

 

 

 

 

 

25
Fev16

Coisas que me encanitam

O WhatsApp. Acho que praticamente toda a gente que conheço tem WhatsApp. Eu também tenho, mas não uso. E não uso porque acho que é das coisas mais esgotantes que inventaram. Eu já acho que passo bastante tempo agarrada ao telemóvel no Instagram, Facebook e Pinterest e se tivesse WhatsApp está-me cá a parecer que não fazia mais nada. Mesmo! O próprio conceito da aplicação é uma coisa que me faz alguma espécie. Quem é que consegue ter conversas escritas em grupo ad eternum? Sim, que eu bem sei que há quem tenha milhentos grupos diferentes, um para cada assunto, e todos eles activos! E será que há alguém que leia tudo o que se foi escrevendo para ali na última hora? Ou a ideia é abrir a aplicação sempre que alguém escreve qualquer coisa? Provavelmente a maior parte das vezes nem se escrevem coisas que interessam. Alguém diz uma piada e os restantes 43 membros do grupo reagem com LOL’s e bonecada e lá estamos nós a receber notificações umas atrás das outras. Para quê?

Para mim o WhatsApp é a derradeira forma de escravatura dos telemóveis e irrita-me particularmente às refeições. Nunca tive o hábito de ter o telemóvel em cima da mesa enquanto como, principalmente porque morro de medo que alguém entorne qualquer coisa por cima do meu telemóvel caríssimo e lá vai ele para o galheiro – PÂNICO! – mas é surreal a quantidade de pessoas que comem com aquele apêndice logo ali ao lado do garfo e passam toda uma refeição a ler e a responder ao que é dito naquela aplicação do demónio. O meu homem no WhatsApp tem um grupo com todas as pessoas com quem trabalha, que são assim cerca de muitas, e aquilo é insuportável! Numa mísera hora o telemóvel toca e vibra um milhão de vezes. E se ele estiver uma tarde sem ligar nenhuma àquilo chega ao fim do dia com, quê? 128 mensagens por ler? Quem é que aguenta isto? Não só dá cabo da cabeça a uma pessoa como das baterias dos telemóveis, que duram cada vez menos.

Já tentei perceber o atractivo da coisa e o que a maioria das pessoas me tenta explicar é que é muito fácil para comunicar em grupo. Que é óptimo quando queremos combinar jantares com uma data de gente. Que se fala logo com todos ao mesmo tempo. E eu só pergunto uma coisa: quando é que se tornou assim tão difícil e caótico combinar um jantar/saída/copo com um grupo de pessoas ao ponto de termos de estar agarrados ao telemóvel durante HORAS a falar com toda a gente ao mesmo tempo? E mais: não foi para isso que se inventaram os eventos no Facebook?

Sinto-me velha. Toda a gente vê no WhatsApp a melhor coisa do mundo, toda a gente usa o WhatsApp e eu só acho tudo aquilo muito confuso e extremamente desnecessário. Mas também vivo muito bem com isso. Acho que dava em maluca se tivesse o telemóvel a apitar por tudo e por nada. Se já fico aborrecida quando comento a fotografia de alguém no Facebook e depois recebo 62 notificações a dizer que o X, Y e Z também comentaram/reagiram à publicação da não sei quantas. Tipo, eu não quero saber! É extremamente irritante estar constantemente a ser notificada com coisas que não me interessam. É como O Boticário, que passa a vida a enviar-me mensagens a dizer que os perfumes estão em promoção só porque lá fui comprar um pincel de maquilhagem há dois anos e tive a infeliz ideia de lá deixar o meu contacto.

Não sou nada fundamentalista nisto das novas tecnologias – a não ser com as crianças… ver miúdos a comer com iPads à frente é absurdo – adoro ir a um restaurante e publicar fotos do que estou a comer, venham as selfies e as fotografias de pezinhos descalços na areia da praia, viva o Skype, o Tumblr, o YouTube e o Snapchat, tudo tem o seu valor e a sua graça. Mas, de facto, a forma como nos deixamos absorver por estes aparelhos que quase já se transformaram na extensão das nossas mãos, não deixa de ser um bocadinho assustador. Especialmente para quem vê isto de fora.

 

 

 

 

 

16
Fev16

Coisas que me encanitam

Se calhar isto é daquelas coisas que só vou entender quando for mãe mas... tenho cá as minhas dúvidas. 

 

Porque é que há pessoas que publicam fotografias das suas crianças nas redes sociais e depois lhes tapam a cara com bonecada? Epá, porquêeeeeeeeeeeeeeeeeeeee?
Não vejo mal algum em publicar fotografias de crianças no Facebook ou no Instagram. Acho que é tão perigoso como ir ali ao jardim ou à praia com a criança e haver um tarado qualquer do outro lado da rua a tirar-lhe fotos. As crianças não são nossas, são do mundo e acho esses pruridos em relação às redes sociais um exagero. Ninguém vos vai roubar a criança por publicarem uma imagem do bebé a brincar com carrinhos no chão da sala. Não sejam paranóicos. Claro que há pormenores que temos de ter em conta como, por exemplo, desactivar o serviço de localização dos nossos aparelhos para que o local exacto onde foi tirada a fotografia não ir colado à imagem. Mas isso é uma coisa que se aplica tanto a crianças como a adultos. Eu, que sou adulta e não tenho crianças, tenho essas definições desactivadas no telemóvel e na máquina fotográfica, não por ter medo que venha alguém atrás de mim para me fazer mal, mas porque ninguém tem nada a ver com os sítios onde eu ando. Se quiser revelar onde estou eu própria o faço, manual e conscientemente. De qualquer forma a questão aqui não é essa. A questão é: se não querem que as crianças apareçam nas redes sociais - e estão no vosso direito - então porque é que publicam fotografias delas de frente para a câmara com um stiker ridículo escarrapachado na cabeça do bebé? É, no mínimo, incoerente! Ou bem que querem mostrar o rebento ou bem que não querem. Se só querem mostrar os pezinhos, as mãozinhas ou as orelhas publiquem uma fotografia só dessas partes do corpo. Se só se querem mostrar a vocês com uma criança ao colo porque acham que isso é fixe e mostra um lado cutxi-cutxi que os vossos "amigos" não conhecem... bem isso é muito narcisista e doentio. Arranjem uma vida. 

Publicarem fotografias em que a cara da criança está tapada é só parvo e faz-me sempre lembrar aquelas pessoas que estão ao abrigo dos programas de protecção de testemunhas. É feio. É creepy. Não faz sentido. Parem com isso.

25
Jan16

Coisas que me encanitam

Tenho conta no Instagram e gosto. Gosto que seja uma aplicação que se foca apenas na imagem e que tenha uma data de filtros à disposição para a melhorar ou torná-la mais apelativa. Gosto especialmente do Valencia, o único filtro que deixa a nossa pele com cor de pele e um óptimo exterminador de manchas e vermelhidões. Até aqui acho que estamos todos de acordo. O Instagram é fixe. Agora, estão a ver aquelas aplicações que se focam apenas nas selfies e em alterar tooooooda a nossa cara, tipo photoshop? Não estou a falar de coisas básicas, tipo corrector de olheiras virtual, estou a falar de alterações drásticas do género tornarmos a nossa cara mais magra ou tirarmos uma selfie com zero maquilhagem e usarmos a aplicação para parecermos imaculadamente maquilhadas, tipo gueixa. Sim, isto existe. E é parvo. É parvo porque se vê PERFEITAMENTE que aquilo é falso - não, ninguém tem uma pele sem poros nem umas pestanas tão finas e longas que quase tocam nas sobrancelhas -, que é só tinta colocada por cima da imagem, e é parvo porque faz ZERO, zerinho pela auto-estima de quem as usa. Quem é que se sente bem ao partilhar uma fotografia aperfeiçoada com estas aplicações, que recebe 648 likes e comentários a dizer "és tão liiiiindaaaa", "adoro as tuas pestanas, que inveja!", "és perfeita" e depois olha-se ao espelho e, como é lógico, não vê o que está na fotografia que acabou de partilhar? Isto faz bem a alguém? Há alguém que se sinta bem com isto? Aposto que quem respondeu afirmativamente são as mesmas pessoas que dizem que ouvir piropos na rua faz maravilhas pelo ego de uma mulher. Não, não fazem. Nem os piropos nem estas aplicações. Parto do princípio que quem publica estas fotografias assumindo que aquela é a sua imagem real já tem uma auto-estima muito lá em baixo, portanto o uso destas coisas não vai fazer nada para ajudar a mudar isso. Antes pelo contrário.
Acho que o que quero dizer com isto é: parem. Por favor. Assumam as vossas imperfeições e saibam viver com isso. Aposto que se vão sentir muito mais felizes e confortáveis na vossa pele do que estarem constantemente a competir com a vossa própria imagem aperfeiçoada por uma aplicação chinesa.

 

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