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zona de desconforto.

zona de desconforto.

16
Jan17

Os 5 estágios da procura de casa

Eu e o meu homem terminámos 2016 em demanda pela casa perfeita em Lisboa. Objetivo: comprar. Começámos otimistas, afinal quão difícil podia ser encontrar casa?, mas rapidamente percebemos que este é um caminho sinuoso, cheio de altos e baixos, e que são mais as desilusões que as agradáveis surpresas. Aliás, das primeiras tivemos muitas, mas das segundas, até agora, zero. Espetáculo! Percebemos também que procurar casa para comprar é frustrante e faz com que até a mais calma e otimista das pessoas passe pelos 5 estágios da perda, mas aplicado ao mercado imobiliário.

 

Negação

 

Depois de falarmos com duas ou três pessoas que também tinham estado, ou estavam naquele momento, à procura de casa e de ouvirmos atentamente as suas histórias de terror, trocámos olhares cúmplices como que a dizer “Humpf, isto não pode ser assim tão difícil. De certeza que eles estão a procurar nos sítios errados.” E foi com este espírito otimista que começamos as nossas buscas nesse baluarte do mercado imobiliário que é o Imovirtual. Usámos todos os filtros disponíveis para só nos aparecerem as coisas que pretendíamos e, curiosamente, o que nos apareceu foi mau! Casas caras, casas pequeníssimas, prédios sem elevador e casas a precisar de “pequenas obras” mas que as fotografias deixavam antever looooooongos meses e rios de dinheiro gastos em pôr a casa de pé novamente. “De certeza que o Imovirtual não tem tudo. As agências imobiliárias devem ter coisas muito mais interessantes e exclusivas.” Right?!

 

Raiva

 

Ao fim de dois dias não só já conhecíamos de cor TODAS as casas que estavam no mercado como começámos a perceber que era indiferente consultar uma panóplia tão grande de motores de busca porque, basicamente, tinham TODOS a mesma coisa. Imovirtual, Casa Sapo, Remax, Era, OLX, têm todos praticamente as mesmas casas… e quando começamos à procura de coisas no OLX sabemos que batemos no fundo.
Outro pormenor muito giro que nos começou a dar cabo dos nervos foi essa epidemia do mercado imobiliário que são as “fotos modelo”. Adoramos. Encontramos uma fotografia catita, abrimos o link, vemos o resto das fotografias, “Uau, que giro. Tudo remodelado e branquinho” lemos a descrição, que até agrada, começamos a ficar entusiasmados mas depois chegamos ao fim e pimba, aviso: “fotos modelo”, que só piora quando se segue do convite “venha conhecer!” Portanto, tudo o que eu tinha visto até ali e que tinha gostado não passava de uma miragem porque, na verdade, aquelas fotografias são de uma casa que não era aquela. Mas nós até damos o benefício da dúvida e lá vamos, só para encontrar apartamentos minúsculos, cheios de pó e sem encanto. E isso leva-nos a outro ponto deprimente: as casas são todas iguais, sem personalidade nenhuma.
Aparentemente o que está a dar em Lisboa são as remodelações "chapa cinco". Já as conheço de cor: cozinhas com bancada “em Silestone cinza”, "pavimento flutuante cor de carvalho", que faz aquele barulho oco super irritante mas extremamente útil para perceber a fraca qualidade da coisa e que dali a 5 anos, máximo, aquilo vai começar tudo a levantar e vai ter de ser substituído, "pré instalação de ar condicionado", janelas “oscilo-batentes lacadas a branco”, vidros duplos com um isolamento acústico para cima de espetacular, não se ouve nada tirando o comboio do outro lado da rua que parece mesmo que está a passar dentro de casa mas que tirando isso é um sossego, e "porta de alta segurança", whatever that means mas que agora também é super tendência nisto das casas. Podemos ver 5 apartamentos num dia que parece que vimos só um. Mais metro quadrado, menos metro quadrado acaba por ser tudo igual, estandardizado, estéril.

 

Negociação

 

Meia-dúzia de visitas depois percebemos que vamos ter de fazer cedências - gente pobre é assim, não pode ficar feliz muito tempo - e já estamos por tudo. Queremos um T2 com áreas decentes e boa exposição solar. Quando damos por nós estamos numa casa de 90m2 - o que em Lisboa é um palácio! - com um logradouro que, como é lógico, fica num rés do chão.
Rés do chão está fora de questão, que as pessoas lá fora passam mesmo ali ao lado da janela do quarto e isso é estranho. "Pronto, então até podemos ter uma casa um bocadinho mais pequena, desde que seja num andar intermédio". Damos por nós numa casa de 68m2 - !! -, num 2.º andar mas as janelas da cozinha e da sala ficam viradas para um muro.
"Sejamos realistas, precisamos mesmo de uma casa maior, 68m2 é minúsculo, e também gostávamos de ter uma vista. Se for preciso aumentamos um bocadinho mais o orçamento". Dias depois entramos numa casa ligeiramente maior, num 3.º andar com "magníficas vistas para Monsanto", 20 mil euros mais cara mas... sem elevador. E as "magníficas vistas para Monsanto" resumiam-se a umas tímidas copas de quatro árvores que ficavam em terceiro plano, depois da estação da CP e de uns cabos elétricos. É o que dá responder a anúncios com "fotos modelo".

 

Depressão

 

E com isto tudo passam-se meses, só que não, na verdade passaram apenas duas semanas só que isto de andar em busca de casa é tão cansativo que um dia parecem dois e duas semanas rapidamente se transformam em meses, e damos por nós a desistir do sonho de continuar a morar em Lisboa, numa casa com áreas decentes, com quartos onde se possa pôr uma cama, só uma cama, perto do metro e segura, onde uma pessoa possa andar a pé depois das 21h sem ter medo de ser cortada às postas ali ao virar da esquina. Em menos de nada começamos a ver casas lindas e enormes que ficam para trás do sol posto e a ponderar se demorar 1h40m para chegar ao trabalho será assim tão mau. Houve um dia particularmente péssimo em que chegamos a ponderar ir ver uma casa enorme... a Cacilhas. Cacilhas!!!! Dez minutos depois caímos em nós e pusemos essa brilhante ideia de parte. Ainda bem, porque era péssima. A ideia, não a casa.

 

Aceitação

 

Ontem abri o meu email e tinha a resposta de uma imobiliária para onde tinha enviado um pedido de visita a um apartamento que já nem me lembrava qual era mas que "infelizmente, já se encontrava vendido". Ainda assim a agente, muito simpática e pro-ativa, enviou-me uma lista de 5 imóveis que ela acreditava irem "de encontro" ao que pretendíamos. Um deles dizia o seguinte, ora atentem que isto é tão bom que, lido em voz alta, até faz festinhas no lóbulo da orelha:

 

T3,

 

"Uau! T3! Tantos quartos!"

 

completamente remodelado, a estrear.

 

"Ótimo, não precisa de obras!"

 

Perto do metro de Sete Rios.

 

"Bingo! Linha azul. A melhor linha, logo ali à porta de casa. Tu queres ver que é desta?!"

 

O apartamento é uma cave,

 

"... ... ... ..."

 

no entanto, não há qualquer divisão interior,

 

"... ... ..."

 

há divisões que dão para o logradouro e outras que dão para o passeio com aproximadamente 1 metro de altura.

 

"..."

 

Preço: 229 mil euros. 

 

Foi depois de ler esta deliciosa peça de literatura ficcional que percebi que tinha chegado ao quinto estágio: a aceitação. E como é que percebi isto? Porque quando cheguei ao fim em vez de desesperar e não ver a luz ao fundo do túnel desatei-me a rir. Duzentos e vinte e nove mil euros?! Por uma cave?! Ahahahahahahahahahahahahahahaha. De facto a senhora agente imobiliária estava cheia de razão, os imóveis que ela me enviou iam todos "de encontro" ao que nós procurávamos como, aliás, foram todos os que vimos até agora. Difícil, pelos vistos, é algum ir AO ENCONTRO do que nós queremos. Mas pronto, a esperança é a última a morrer. E se não for em Lisboa será noutro sítio qualquer. Sem pressas.

10
Out16

A publicidade disfarçada nos jornais online e a ténue linha entre fazer dinheiro e o bom senso

Gosto do Observador. Acho que faz um excelente trabalho em quase todos os artigos que publica mas gosto, particularmente, dos “Explicadores”, uma secção do site onde explicam aos leitores o bê-a-bá dos assuntos do momento em vez de partir para grandes artigos de opinião ou investigação partindo do princípio que quem está a ler já sabe o básico. Dos jornais online portugueses que leio este é o único que o faz. É louvável e diferenciador e tenho pena que outros jornais do género não lhe sigam o exemplo. Mas… tinha de haver um mas… este tipo de textos dão cabo de mim.

 

É claro que um jornal online para sobreviver tem de fazer dinheiro, à semelhança da imprensa em papel e, apesar de não estar nada por dentro deste assunto, já percebi que grande parte das receitas devem vir da publicidade. Até aqui tudo bem. O que me parece muito mal é que um meio de comunicação social, que tem o dever de informar quem o lê, aceite fazer artigos deste género que podem influenciar negativamente a saúde das pessoas. Textos destes podem ser inofensivos se estivermos a falar de marcas de maquilhagem, shampoos, carros, vestuário. Mas quando entramos no campo da saúde alto e pára o baile. Aqui as coisas deveriam ser tratadas de maneira totalmente diferente.

Este jornal em particular criou a OBS Lab, uma marca que dá voz às marcas. Explicam eles que este espaço é “o palco perfeito para as marcas contarem a sua história de forma mais completa e indelével, fazendo chegar o melhor do seu conteúdo aos leitores.” Óptimo. Acho óptimo que a Becel tenha a oportunidade de contar a sua história. Mas é preocupante que um jornal online, que chega a milhares de pessoas, publique um artigo que afirma que comer Becel ajuda a baixar o colesterol prevenindo, assim, doenças cardíacas e que estes textos apareçam no meio de notícias reais e não num separador dedicado só à publicidade e devidamente identificado. É certo que no feed principal onde aparece a notícia, por baixo do lead, está a inscrição "OBS Lab" mas quem não saiba o que é o OBS Lab será que percebe que aquilo é publicidade? Duvido. Até porque só agora é que eu soube o que aquilo significava, e leio o Observador todos os dias. Como eu, devem haver mais pessoas. Daí chamar-lhe "publicidade disfarçada".

Neste artigo todas estas informações estão fundamentadas por “vários investigadores” e “vários estudos científicos” desenvolvidos “à luz da ciência moderna”. Ora bem, isto bem espremidinho quer dizer, basicamente, zero. Que tal um link para todos esses estudos científicos e altamente credíveis para as pessoas os poderem ler e, aí sim, formarem a sua opinião? Pois não há. E não há porque isso à Becel não dá jeito nenhum. À Becel o que dá jeito é que uma pessoa com o colesterol elevado leia este artigo, acredite que o que ali está escrito é a mais pura das verdades porque, afinal, são os “vários estudos científicos” que o dizem, e vá a correr comprar uma embalagem das grandes da manteiga vegetal para barrar no pão todas as manhãs e a todos os lanches convencidíssima de que a cada dentada o colesterol está a baixar. Mas não são só as pessoas com colesterol elevado que beneficiam disto. Quem sofre de hipertensão também pode tratar, ou prevenir, a doença com um produto Becel! Não é incrível? A Becel é a cura para todos os males! Só que não.

 

A solução para baixar a colesterol ou para prevenir qualquer doença não está numa embalagem de manteiga vegetal nem num copo de iogurte com dez mil milhões de qualquer coisa que ninguém sabe muito bem o que é e o que faz efectivamente. A solução está em comer comida de verdade, que não vem em embalagens nem tem rótulos com prazos de validade e contagem de calorias. É bastante óbvio não é? Mas são artigos como aquele que fazem as pessoas acreditar que não, que o que é bom é aquela embalagem de manteiga vegetal. Porque é que o Observador, ou outro jornal online, não faz publicidade a pequenas empresas que cultivam brócolos, couve-flor ou de venda de peixe ou carne? Porque isso não é rentável para o site, nem para a Becel, nem para a indústria farmacêutica que, com este tipo de alimentação natural, não conseguiria vender tantos medicamentos para baixar o colesterol porque as pessoas, simplesmente, não precisariam deles. Esta marca do Observador, e de todos os jornais online que fazem os mesmos tipos de artigos publicitários, não é “o palco perfeito para as marcas contarem a sua história”. É o palco perfeito para as marcas contarem as suas histórias. Aquelas que mais lhes convêm. E, como disse ali em cima, se isto é inofensivo quando falamos de marcas de roupa, carros, cosmética no que toca à alimentação não deveria ser assim.

 

Se tivesse lido isto há um ano não me teria afectado minimamente. Porque há um ano eu também preferia as manteigas vegetais às manteigas normais porque achava que estava a fazer bem. Porque o que é vegetal é, obviamente, melhor que os produtos animais e nem me ocorreria ler os rótulos daquilo que comprava, nem reflectia que comer o que quer que seja “com sabor a” não podia ser bom, não podia ser a melhor escolha. Mas há um ano houve qualquer coisa em mim que mudou e comecei a querer fazer o melhor por mim e a querer saber mais sobre aquilo que compro para me alimentar. Com essa decisão e curiosidade tudo mudou. Comecei a investigar muito, descobri artigos chocantes como este, que mostra que as directrizes do governo inglês sobre uma alimentação saudável estão a engordar e a adoecer a população inglesa, descobri que afinal não há uma relação entre comer ovos e ter colesterol elevado ou que ter o colesterol elevado não aumenta necessariamente o risco de doenças cardíacas. Descobri o brilhante e elucidativo blog do Dr. Souto e comecei a seguir no Snapchat a nutricionista Lara Nesteruk e a Catarina Lopes, percebi que aquela regra idiota de comer de 3 em 3 horas não se aplica a toda a gente e não acelera o metabolismo coisa nenhuma, as pessoas devem comer quando têm fome. Ponto. Isso é o natural. Comecei a saber diferenciar um estudo clínico randomizado de um “estudo” patrocinado por uma marca qualquer de produtos industrializados, ou por uma farmacêutica, que pagou a médicos para fazerem testes a meia dúzia de pessoas muito específicas durante uma semana para se chegar à conclusão de que para curar X temos de comer Y ou tomar Z.

Infelizmente são estes últimos “estudos” que chegam aos jornais com títulos sensacionalistas do género “comer fiambre provoca cancro”. E, acreditem, saber estas coisas, ter curiosidade para investigar mais, ler realmente os estudos científicos mais sérios e credíveis, virar todas as embalagens de produtos alimentares para ler os rótulos faz uma diferença gigantesca nas escolhas que eu faço e que, acredito, serem as melhores para mim. Mas isto sou eu, que tive vontade e curiosidade de saber mais. A geração dos nossos pais ou dos nossos avós influenciam-se apenas por este tipo de notícias e pelo que vem escrito no rótulo das bolachas. Se um pacote de bolachas disser na embalagem que possui um ingrediente que baixa o colesterol, pimba, é mesmo esse que levam. Mesmo que o primeiro ingrediente seja açúcar e segundo seja óleo de palma ou de girassol.

 

Lembro-me bem de um anúncio que circulou na televisão portuguesa há uns anos, com a Adelaide de Sousa e o Nuno Delgado, atleta olímpico português, que promovia, juntamente com a Fundação Portuguesa de Cardiologia os benefícios de comer pão com margarina.

 

 

MARGARINA!!! Quem não tiver apego pelo estudo, quem não for curioso e vir um anúncio destes, feito por um atleta e, ainda por cima, com o cunho de uma respeitada instituição, vai acreditar logo que sim senhor, pão com margarina é que é saudável. Pão com uma coisa que só se pode fazer em fábricas, feita com óleo de palma, leite em pó e aromas é que é bom. A manteiga verdadeira, feita só com leite e sal é horrível, vai matar toda a gente, é péssima para o coração. Tal como o queijo. Nos produtos industrializados, nas margarinas, é que está a solução. E pronto, as pessoas engolem, literalmente, isto.

 

O tratamento e a denúncia destes temas na comunicação social deveria ser outro porque a responsabilidade social é - tem de ser - sem dúvida, outra. Mas isto é irreal, não é? O dinheiro fala sempre mais alto. É pena e é assustador, também. Principalmente assustador.

 

08
Jun16

Ela é linda sem makeup? Não. Ela é linda quando faz o que a faz sentir melhor

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Parece que este ano vai ficar marcado pelo movimento anti-maquilhagem. O Agir diz que “ela é linda sem makeup” e a Alicia Keys diz que está farta de se esconder. Quanto a mim, que me maquilho todos os dias, tenho uma relação de amor/ódio com a maquilhagem. Bem, talvez “ódio” seja demasiado forte e, a existir, não é pela maquilhagem mas pela mentalidade tacanha das pessoas.

Gosto muito de me maquilhar. Aqueles minutos que passo sentada perto da janela a colocar máscara de pestanas e a passar pó bronzeador para dar alguma cor à minha cara branca amarelada são sagrados. É um momento só meu e acho-o até bastante relaxante, tal como acho relaxante a limpeza da pele ao final do dia. Mas depois há aqueles dias em que acordo virada do avesso e com muita vontade de reclamar e penso: “Mas porque é que é só às mulheres que é exigido que se apresentem ao mundo com um ar arranjado e cuidado?!” Os homens podem sair de casa com olheiras e pele baça que ninguém lhes diz nada, é uma coisa perfeitamente natural, mas se as mulheres se atreverem a fazer o mesmo, especialmente aquelas que, como eu, se maquilham todos os dias, têm de ouvir aquela simpática frase: “Que cara é essa? Estás bem?” ou então a minha favorita: “Estás com um ar cansado!” que é o mesmo que dizerem: “Estás com umas olheiras horríveis”. Os anúncios de maquilhagem são todos direccionados para as mulheres porque os homens, aparentemente, não têm de se preocupar com estas coisas. Dormiram mal e têm olheiras até ao queixo? Não faz mal. Na noite seguinte dormem melhor e passa. Já as mulheres têm de tapar tudo com corrector se não quiserem que o mundo passe o dia a olhar para elas com ar de pena. “Coitadinha, está tão cansadinha.”

Apesar desta revolta que acontece em mim de tempos a tempos a verdade é que gosto de me maquilhar e faço-o por mim. Porque gosto mais de me ver pestanuda, com as maçãs do rosto rosadinhas e com um ar fresco e acordado. Adorava dizer que me sinto melhor ao natural mas seria mentira. Provavelmente isto não é uma coisa muito saudável mas a verdade é que me sinto muito mais confiante e pronta para enfrentar a vida quando estou arranjada. De qualquer maneira também tenho os meus dias de preguiça e nesses detesto ser julgada ou chamada a atenção por não me ter maquilhado. "Estás cansada? Estás doente? Estás bem?" Que direito têm as pessoas de gratuitamente, sem ninguém lhes ter perguntado nada, me atribuírem defeitos? O que é que acham que vão acrescentar ao meu dia depois de me dizerem que estou com um ar cansado? Como se se sentissem ofendidas por me verem com olheiras ou com a minha pele livre de pós de qualquer espécie, no fundo, tal como ela é! Pessoas chatas: a vossa opinião é irrelevante e não interessa para nada. Back off! Isto para dizer que o mal não está, nunca, na maquilhagem mas sempre na cabeça das pessoas. Aliás, como em tudo nada vida. Não concordo com esta demonização da maquilhagem, como se fosse errado usá-la. Errado é as pessoas andarem curvadas à vontade dos outros.

Aplaudo de pé estes movimentos que dão poder às mulheres para se sentirem bem como são e se apresentarem ao mundo como bem entenderem. Se há mulheres que não gostam de maquilhagem, para quem é um martírio perder tempo a pôr máscara de pestanas e blush, então não se devem sentir obrigadas a usá-la para agradar não se sabe bem a quem. Mas as outras, as que gostam de se maquilhar também se devem sentir à vontade para fazê-lo sem serem olhadas de lado. Como se fosse um crime e uma futilidade atroz. "Ela só tem aquele aspecto porque está maquilhada. Sem aquilo fica horrível!" ou a minha favorita: "Só perde tempo com estas coisas porque não tem roupa e loiça para lavar nem filhos para cuidar", porque uma mulher "a sério" é aquela que se anula perante as obrigações domésticas e familiares. Right.

O mesmo se aplica à roupa. As pessoas devem poder vestir o que bem entenderem independentemente daquilo que os outros vão dizer ou pensar. Acho triste quando oiço mulheres dizer que não usam calções ou vestidos porque têm celulite, como se fosse uma ofensa para os restantes mostrar pele que não seja perfeitamente lisa e tonificada. Usem o que vos apetecer e que vos faça sentir confortáveis, é só isso que importa. Eu não adoro as minhas pernas, gostava que fossem torneadinhas mas quando olho para elas vejo dois troncos sem forma, porém isso nunca me impediu de andar com elas à mostra. Era só o que faltava! Prefiro andar com os meus tronquinhos ao léu que andar desconfortável e a morrer de calor com calças coladas ao corpo. O mesmo princípio se aplica à maquilhagem. Usem-na se gostarem. Se não gostarem passem à frente. Ficam com mais tempo para dormir e tudo. Somos obrigadas a quê? A nada!

19
Mai16

"Porque é que não disse nada?"

Acho o programa da SIC “E se fosse consigo?” interessante, quanto mais não seja para pôr as pessoas lá em casa a falar de temas importantes, a reflectir sobre as suas atitudes ou atitudes de terceiros. Programas deste género são importantes porque ajudam a alargar horizontes e a fazer ver a muita gente de vistas curtas que o mundo não termina no fundo da nossa rua. Que lá por não se passar connosco não significa que não aconteça. Porém, todos os episódios me causam uma certa urticária por terem sempre o ónus nas pessoas que não dizem nada. O foco do programa não devia ser esse, mas é. Quem não diz nada é um mau cidadão. Quem não diz nada é porque concorda ou é indiferente ao que se está a passar. Quem não diz nada é condenado em praça pública. E a minha pergunta é só uma e bastante simples: porquê? Provavelmente se me deparasse com situações semelhantes às que passam no programa também não diria nada e não é por achar bem e concordar que se discriminem casais homossexuais, ou que o bullying é ‘muita fixe’, ou que uma branca a namorar com um preto é uma porcaria. Não. Não diria nada porque não faz parte do meu feitio. Eu sou introvertida e meter-me numa conversa entre mãe e filha ou numa zaragata entre miúdos do secundário nunca seria uma atitude natural em mim. Além disso nunca se sabe quem está do outro lado. Quem é que me garante que a mãe da miúda gorda não ia rodar a baiana e desatar aos gritos no meio da rua e envergonhar ainda mais a filha? Quem é que me garante que não levava uma pêra dos rapazes a maltratar o colega? Quem é que me garante que ir pedir justificações ao rapaz aos gritos com a namorada não vai fazer escalar a violência? Certamente que a minha solução seria chamar a polícia, quando fosse caso para isso, e não acho que, por isso, deva ser condenada em praça pública. Acho óptimo que haja pessoas diferentes de mim, vejo sempre com grande entusiasmo quem se mete nas conversas e diz de sua justiça, às vezes também gostava de ser assim, mas não sou. E não há mal nenhum nisso. Acho que o programa só tinha a ganhar se se focasse na situação que pretende condenar e divulgar os meios que há à disposição para ajudar as pessoas, coisa que também faz, sim senhor, mas só depois de a Conceição Lino atirar o nariz para a lua e do alto do seu pedestal perguntar às pessoas que não deram o peito às balas: “Porque é que não disse nada?!” Acho mal e acho que o programa perde muito com isso. Ou então não. Se calhar até ganha, que o que dá audiência é sempre o lado escabroso da coisa e nunca o que realmente interessa.

25
Fev16

Coisas que me encanitam

O WhatsApp. Acho que praticamente toda a gente que conheço tem WhatsApp. Eu também tenho, mas não uso. E não uso porque acho que é das coisas mais esgotantes que inventaram. Eu já acho que passo bastante tempo agarrada ao telemóvel no Instagram, Facebook e Pinterest e se tivesse WhatsApp está-me cá a parecer que não fazia mais nada. Mesmo! O próprio conceito da aplicação é uma coisa que me faz alguma espécie. Quem é que consegue ter conversas escritas em grupo ad eternum? Sim, que eu bem sei que há quem tenha milhentos grupos diferentes, um para cada assunto, e todos eles activos! E será que há alguém que leia tudo o que se foi escrevendo para ali na última hora? Ou a ideia é abrir a aplicação sempre que alguém escreve qualquer coisa? Provavelmente a maior parte das vezes nem se escrevem coisas que interessam. Alguém diz uma piada e os restantes 43 membros do grupo reagem com LOL’s e bonecada e lá estamos nós a receber notificações umas atrás das outras. Para quê?

Para mim o WhatsApp é a derradeira forma de escravatura dos telemóveis e irrita-me particularmente às refeições. Nunca tive o hábito de ter o telemóvel em cima da mesa enquanto como, principalmente porque morro de medo que alguém entorne qualquer coisa por cima do meu telemóvel caríssimo e lá vai ele para o galheiro – PÂNICO! – mas é surreal a quantidade de pessoas que comem com aquele apêndice logo ali ao lado do garfo e passam toda uma refeição a ler e a responder ao que é dito naquela aplicação do demónio. O meu homem no WhatsApp tem um grupo com todas as pessoas com quem trabalha, que são assim cerca de muitas, e aquilo é insuportável! Numa mísera hora o telemóvel toca e vibra um milhão de vezes. E se ele estiver uma tarde sem ligar nenhuma àquilo chega ao fim do dia com, quê? 128 mensagens por ler? Quem é que aguenta isto? Não só dá cabo da cabeça a uma pessoa como das baterias dos telemóveis, que duram cada vez menos.

Já tentei perceber o atractivo da coisa e o que a maioria das pessoas me tenta explicar é que é muito fácil para comunicar em grupo. Que é óptimo quando queremos combinar jantares com uma data de gente. Que se fala logo com todos ao mesmo tempo. E eu só pergunto uma coisa: quando é que se tornou assim tão difícil e caótico combinar um jantar/saída/copo com um grupo de pessoas ao ponto de termos de estar agarrados ao telemóvel durante HORAS a falar com toda a gente ao mesmo tempo? E mais: não foi para isso que se inventaram os eventos no Facebook?

Sinto-me velha. Toda a gente vê no WhatsApp a melhor coisa do mundo, toda a gente usa o WhatsApp e eu só acho tudo aquilo muito confuso e extremamente desnecessário. Mas também vivo muito bem com isso. Acho que dava em maluca se tivesse o telemóvel a apitar por tudo e por nada. Se já fico aborrecida quando comento a fotografia de alguém no Facebook e depois recebo 62 notificações a dizer que o X, Y e Z também comentaram/reagiram à publicação da não sei quantas. Tipo, eu não quero saber! É extremamente irritante estar constantemente a ser notificada com coisas que não me interessam. É como O Boticário, que passa a vida a enviar-me mensagens a dizer que os perfumes estão em promoção só porque lá fui comprar um pincel de maquilhagem há dois anos e tive a infeliz ideia de lá deixar o meu contacto.

Não sou nada fundamentalista nisto das novas tecnologias – a não ser com as crianças… ver miúdos a comer com iPads à frente é absurdo – adoro ir a um restaurante e publicar fotos do que estou a comer, venham as selfies e as fotografias de pezinhos descalços na areia da praia, viva o Skype, o Tumblr, o YouTube e o Snapchat, tudo tem o seu valor e a sua graça. Mas, de facto, a forma como nos deixamos absorver por estes aparelhos que quase já se transformaram na extensão das nossas mãos, não deixa de ser um bocadinho assustador. Especialmente para quem vê isto de fora.

 

 

 

 

 

25
Fev16

Coisas que me encanitam

O WhatsApp. Acho que praticamente toda a gente que conheço tem WhatsApp. Eu também tenho, mas não uso. E não uso porque acho que é das coisas mais esgotantes que inventaram. Eu já acho que passo bastante tempo agarrada ao telemóvel no Instagram, Facebook e Pinterest e se tivesse WhatsApp está-me cá a parecer que não fazia mais nada. Mesmo! O próprio conceito da aplicação é uma coisa que me faz alguma espécie. Quem é que consegue ter conversas escritas em grupo ad eternum? Sim, que eu bem sei que há quem tenha milhentos grupos diferentes, um para cada assunto, e todos eles activos! E será que há alguém que leia tudo o que se foi escrevendo para ali na última hora? Ou a ideia é abrir a aplicação sempre que alguém escreve qualquer coisa? Provavelmente a maior parte das vezes nem se escrevem coisas que interessam. Alguém diz uma piada e os restantes 43 membros do grupo reagem com LOL’s e bonecada e lá estamos nós a receber notificações umas atrás das outras. Para quê?

Para mim o WhatsApp é a derradeira forma de escravatura dos telemóveis e irrita-me particularmente às refeições. Nunca tive o hábito de ter o telemóvel em cima da mesa enquanto como, principalmente porque morro de medo que alguém entorne qualquer coisa por cima do meu telemóvel caríssimo e lá vai ele para o galheiro – PÂNICO! – mas é surreal a quantidade de pessoas que comem com aquele apêndice logo ali ao lado do garfo e passam toda uma refeição a ler e a responder ao que é dito naquela aplicação do demónio. O meu homem no WhatsApp tem um grupo com todas as pessoas com quem trabalha, que são assim cerca de muitas, e aquilo é insuportável! Numa mísera hora o telemóvel toca e vibra um milhão de vezes. E se ele estiver uma tarde sem ligar nenhuma àquilo chega ao fim do dia com, quê? 128 mensagens por ler? Quem é que aguenta isto? Não só dá cabo da cabeça a uma pessoa como das baterias dos telemóveis, que duram cada vez menos.

Já tentei perceber o atractivo da coisa e o que a maioria das pessoas me tenta explicar é que é muito fácil para comunicar em grupo. Que é óptimo quando queremos combinar jantares com uma data de gente. Que se fala logo com todos ao mesmo tempo. E eu só pergunto uma coisa: quando é que se tornou assim tão difícil e caótico combinar um jantar/saída/copo com um grupo de pessoas ao ponto de termos de estar agarrados ao telemóvel durante HORAS a falar com toda a gente ao mesmo tempo? E mais: não foi para isso que se inventaram os eventos no Facebook?

Sinto-me velha. Toda a gente vê no WhatsApp a melhor coisa do mundo, toda a gente usa o WhatsApp e eu só acho tudo aquilo muito confuso e extremamente desnecessário. Mas também vivo muito bem com isso. Acho que dava em maluca se tivesse o telemóvel a apitar por tudo e por nada. Se já fico aborrecida quando comento a fotografia de alguém no Facebook e depois recebo 62 notificações a dizer que o X, Y e Z também comentaram/reagiram à publicação da não sei quantas. Tipo, eu não quero saber! É extremamente irritante estar constantemente a ser notificada com coisas que não me interessam. É como O Boticário, que passa a vida a enviar-me mensagens a dizer que os perfumes estão em promoção só porque lá fui comprar um pincel de maquilhagem há dois anos e tive a infeliz ideia de lá deixar o meu contacto.

Não sou nada fundamentalista nisto das novas tecnologias – a não ser com as crianças… ver miúdos a comer com iPads à frente é absurdo – adoro ir a um restaurante e publicar fotos do que estou a comer, venham as selfies e as fotografias de pezinhos descalços na areia da praia, viva o Skype, o Tumblr, o YouTube e o Snapchat, tudo tem o seu valor e a sua graça. Mas, de facto, a forma como nos deixamos absorver por estes aparelhos que quase já se transformaram na extensão das nossas mãos, não deixa de ser um bocadinho assustador. Especialmente para quem vê isto de fora.

 

 

 

 

 

25
Jan16

Coisas que me encanitam

Tenho conta no Instagram e gosto. Gosto que seja uma aplicação que se foca apenas na imagem e que tenha uma data de filtros à disposição para a melhorar ou torná-la mais apelativa. Gosto especialmente do Valencia, o único filtro que deixa a nossa pele com cor de pele e um óptimo exterminador de manchas e vermelhidões. Até aqui acho que estamos todos de acordo. O Instagram é fixe. Agora, estão a ver aquelas aplicações que se focam apenas nas selfies e em alterar tooooooda a nossa cara, tipo photoshop? Não estou a falar de coisas básicas, tipo corrector de olheiras virtual, estou a falar de alterações drásticas do género tornarmos a nossa cara mais magra ou tirarmos uma selfie com zero maquilhagem e usarmos a aplicação para parecermos imaculadamente maquilhadas, tipo gueixa. Sim, isto existe. E é parvo. É parvo porque se vê PERFEITAMENTE que aquilo é falso - não, ninguém tem uma pele sem poros nem umas pestanas tão finas e longas que quase tocam nas sobrancelhas -, que é só tinta colocada por cima da imagem, e é parvo porque faz ZERO, zerinho pela auto-estima de quem as usa. Quem é que se sente bem ao partilhar uma fotografia aperfeiçoada com estas aplicações, que recebe 648 likes e comentários a dizer "és tão liiiiindaaaa", "adoro as tuas pestanas, que inveja!", "és perfeita" e depois olha-se ao espelho e, como é lógico, não vê o que está na fotografia que acabou de partilhar? Isto faz bem a alguém? Há alguém que se sinta bem com isto? Aposto que quem respondeu afirmativamente são as mesmas pessoas que dizem que ouvir piropos na rua faz maravilhas pelo ego de uma mulher. Não, não fazem. Nem os piropos nem estas aplicações. Parto do princípio que quem publica estas fotografias assumindo que aquela é a sua imagem real já tem uma auto-estima muito lá em baixo, portanto o uso destas coisas não vai fazer nada para ajudar a mudar isso. Antes pelo contrário.
Acho que o que quero dizer com isto é: parem. Por favor. Assumam as vossas imperfeições e saibam viver com isso. Aposto que se vão sentir muito mais felizes e confortáveis na vossa pele do que estarem constantemente a competir com a vossa própria imagem aperfeiçoada por uma aplicação chinesa.

 

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04
Jan16

Como gastar pouco nos saldos?

Simples: olhar para as duas etiquetas e fazer as contas.

Acho que no mês de Dezembro as pessoas ensandeceram. Tive a impressão de ver muito mais gente a fazer compras de Natal, o Chiado no fim-de-semana anterior ao das festas estava instransitável, e agora nos saldos foi um histerismo idêntico. Tinha guardado umas peças no carrinho virtual no site da Zara e dia 29 80% das coisas tinham esgotado! Tentei ir às lojas mas foi impossível, tudo cheio de gente, parecia Natal outra vez, filas até à porta para pagar, tudo desarrumado e gente, sempre muita gente. Entrei em algumas lojas do Colombo a um dia de semana pelas 23h e continuavam cheias! Ainda assim dei por lá uma voltinha e não só não vi nada de jeito - será que desapareceu tudo nos primeiros dois dias ou os saldos estão mesmo cada vez piores? Estou inclinada para a segunda hipótese - como os descontos são ri-dí-cu-los. A Zara ainda escapa com quase 50% de desconto em algumas peças mas nas Stradivarius desta vida as diferenças de preços chegam a ser de 3/4€. Tanta correria para isto? A Mango é a única loja que nunca desilude. As peças que iniciaram a coleção de inverno vão mesmo para saldos, não é como na Zara onde as peças mais vendidas continuam como nova coleção apesar de já estarem à venda desde Setembro, e tem descontos como deve ser. Este ano vou optar novamente pelas compras online, que não há paciência para a confusão das lojas, mas vou esperar pelos saldos a sério. Quando vejo uma coisa que antes custava 19.99€ e agora está a 17.99€ fico sem vontade nenhuma de a comprar. Por isso, se quiserem poupar uns trocos já sabem: vejam bem as etiquetas e se o desconto, de facto, compensa. Não se deixem arruinar por uma etiqueta vermelha.

23
Dez15

"O que é que vais fazer na passagem de ano?"

Nada.

 

Todos os anos, sem excepção, na semana do Natal e, principalmente, na do Ano Novo sou olhada como um ser de outro planeta porque, pasme-se, não gosto de fazer nada na passagem de ano. Onde é que já se viu? Uma noite tão importante (NOT), carregadinha de significado (NOT) ser passada sem uma grande ramboiada! Parece impossível. Parece, mas não é meus amigos. Existe uma enorme pressão social para se fazer qualquer coisa extraordinária nessa noite para cima de espectacular. Há quem planeie a passagem de ano com meses, meses!, de antecedência, qual viagem transatlântica! E depois vai-se a ver e toda a gente faz mais ou menos o mesmo e nunca é nada de memorável, é, afinal, só mais uma noite igual a tantas outras mas com mais histerismo à mistura, não se sabe bem porquê. Ainda assim, ao longo dos anos fui fazendo um esforço para deixar de ser bicho do mato e experimentar maneiras diferentes de passar essa noite e foram todas uma grande desilusão. Que choque (NOT).

 

Passagem de ano na rua – péssima ideia. Está frio e pode estar a chover e ninguém no seu perfeito juízo celebra o que quer que seja sob essas condições adversas.

 

Passagem de ano em discotecas – me-do. Já não gosto de discotecas numa noite normal por isso obrigar-me a estar nesse ambiente na noite de passagem de ano é só uma grande tortura.

 

Passagem de ano em restaurantes – tudo demasiado caro, não se come particularmente bem e o momento de fazer o brinde é do mais constrangedor que pode haver. De repente damos por nós a brindar com as restantes pessoas que estão ali a jantar que nunca vimos nem vamos voltar a ver.

 

Passagem de ano em casas alheias - a comida é deprimente. Cada pessoa traz uma coisa ao calhas e depois de ter chegado toda a gente tem-se uma mesa com 6 pacotes de batatas fritas, um sem número de refrigerantes, duas ou três garrafas de vinho que resultam quase sempre em sangria ranhosa, chocolates, salgadinhos, uma enorme tigela de baba de camelo que alguém que não é dado a grandes cozinhados trouxe e os doces que sobraram do Natal. É nesta altura que alguém sugere ir buscar um ou dois frangos assados, ou umas pizzas familiares e pronto, é este o espectacular jantar do último dia do ano. Depois, nas horas que se seguem, vê-se a final de um qualquer reality show, jogam-se vezes infinitas Pictionary, Trivial Pursuit, qualquer jogo que o dono da casa tenha para a Playstation e pior que tudo... canta-se karaoke, e quando o karaoke entra em cena sabe-se que se acabou de bater no fundo do poço. À meia-noite toda a gente grita muito, comem-se doze passas, bebe-se mau champanhe a custo e pronto, está bom até para o ano.

 

Passagem de ano em casas alheias com direito a sleepover - igual ao de cima mas com o desconforto acrescido de dormir num sofá de três lugares ou, pior!, no chão dentro de um saco-cama que não via a luz do dia há 15 anos, porque ir para uma casa com quartos suficientes para toda a gente poder dormir numa cama é demasiado caro. Na manhã seguinte acordam todos da mesma maneira: cansados, doridos e com azia da quantidade de porcarias que andaram a comer na noite anterior. Feliz ano novo!!!!

 

Para piorar qualquer um destes cenários há a indumentária. Diz a tradição que as pessoas do sexo feminino têm de se encher de um grande espírito de sacrifício, ignorarem os 10ºC que estão lá fora e enfiarem-se num vestidinho sexy e sapatos de salto alto, porque é noite de festa!, e isso, para mim, constitui todo um pesadelo. Andar-me a passear de vestido e pés ao leu na madrugada da última noite de Dezembro e só a pior ideia de sempre. Está frio caraças! E, provavelmente, chuva! Não estamos no Brasil e eu sou uma pessoa que não se dá bem com o frio. Tudo o que meta saídas de casa tem de incluir camadas de roupa quentinha, botas, cachecóis e, em dias especialmente frios, luvas e gorro. Ainda assim, depois destes factos todos, quando digo que não vou fazer nada na passagem de ano, NA-DA, sou olhada de soslaio como se fosse um bicho estranho. De facto para mim essa noite é como qualquer outra, aliás, na maioria dos anos até é uma noite em que fico assim mais nostálgica e sem paciência para confusões, por isso não imagino nada mais entusiasmante que passá-la em casa, sossegada, no quentinho do pijama polar e das mantas, encomendar comidinha boa – Sushi at Home é sempre uma opção segura e deliciosa -, a ver filmes e séries e depois então, no dia 1, fazer qualquer coisa diferente. Até porque me parece muito mais saudável celebrar inícios em vez de o fim de qualquer coisa. Daí preferir usar o primeiro dia do ano para ir almoçar a qualquer lado ou ir passear a um sítio que goste muito. Desta vez parece que o plano é um brunch num hotelzaço em Lisboa a convite de uma amiga que me conhece bem. Enfardar comidinha boa num sítio fancy e quentinho? I’m in!! Vêem? São estas coisas que me entusiasmam, não é cá andar ao frio no meio de multidões histéricas. Humpf. 

25
Nov15

Carta aberta às funcionárias da Intimissimi

aqui falei do meu ódio de estimação pelas vendas agressivas nas lojas. Uma pessoa não pode pegar em nada que aparece logo uma funcionária muito solicita a querer impingir mais 28 coisas. “Leve estes brincos para fazerem conjunto!”, “Já viu este lenço tão giro! Ficava mesmo bem com essa camisola!”, “Vai levar só o soutien? Leve também as cuecas para fazer conjunto!” “Se levar mais duas peças tem outra gratuita! Não quer aproveitar? Não?!” Não há paciência. Mas hoje quero falar de uma coisa ligeiramente diferente mas igualmente irritante: as funcionárias que não se coordenam e atacam o desgraçado do cliente por todos os lados. E é aqui que, também, entra a Intimissimi. Adoro a Intimissimi, é lá que compro toda a minha lingerie, gosto como assenta no corpo, gosto dos materiais, gosto da durabilidade das peças mas do que não gosto NADA é de entrar numa loja e ser abordada por três pessoas diferentes.

Sábado fui à loja do Chiado para ver se havia novidades e graças às funcionárias irritantes que eles lá têm saí em menos de 1 minuto. Nem cheguei a meio da loja. Entrei, não havia clientes e as três funcionárias estavam a dobrar roupa. Todas elas – TODAS!!!!!!! – vieram falar comigo num espaço de segundos. Segundos! Primeiro foi o clássico “Precisa de ajuda?”, não, não preciso, obrigada. Depois foi outra que achou por bem informar que havia mais números e modelos “lá atrás” e ainda fui abordada pela terceira que me perguntou, novamente, se precisava de ajuda não fosse eu ter ficado confusa desde a última vez que me tinham feito a mesma pergunta 10 segundos antes. Revirei os olhos, suspirei, disse, mais uma vez, que não e saí com cara de poucos amigos. Mas o que é isto senhoras?! Que formação é que esta gente recebe? Não seria mais produtivo uma só funcionária abordar o cliente e deixar a pessoa em paz para ver as coisas à vontade? Depois se o cliente precisar de ajuda dirige-se à menina que se mostrou solicita logo de início. Simples! Ser abordada por três funcionárias diferentes é só ridículo e a única coisa que conseguem é afugentar toda a gente. “Yei um cliente!!!! Vamos TODAS falar com ele e sufocá-lo com a nossa presença!”

Eu compreendo que a vida de um comercial - porque é isso que elas são - não seja fácil. Ter um ordenado que depende das comissões das vendas é uma merda, especialmente se as vendas correrem mal nesse mês mas, bolas, é preciso ter algum bom senso. Irem as três falar com a mesma pessoa é o mesmo que estarem a tentar roubar as vendas umas às outras e isso só tem um nome: falta de ética. E pior: falam quase sempre com os clientes como se fossem a) bebés com dois, três anos ou b) atrasados mentais. Que estratégia é esta? Onde é que está escrito que é assim que se deve abordar um potencial cliente? Será que não têm sensibilidade para perceber que estão a ser inconvenientes? Será que têm zero competências sociais?

Detesto não me sentir à vontade nas lojas. Gosto de ver as coisas com calma, experimentar sem ter uma pessoa estranha do outro lado da cortina a perguntar se assenta bem, se pode ver, se é preciso outro número, gosto de reflectir se é mesmo aquilo que quero ou se é melhor ir para casa pensar ou dar mais uma voltinha pelas outras lojas, não vá encontrar algo melhor e mais em conta e ter uma pessoa a respirar-me no pescoço o tempo todo dá-me cabo dos nervos. Chega a roçar a má educação. Juro que quando saí da loja do Chiado a correr muito, não fosse mais alguma atirar-se a mim com unhas e dentes para conversar mais um bocadinho, ponderei se não deveria começar a comprar lingerie noutra marca.

Posto isto a minha sugestão é só uma: pessoa que manda nas lojas da Intimissimi de Lisboa – sim porque o problema não é só no Chiado. No Colombo e nas Amoreiras é igual – mude a estratégia de venda das funcionárias POR FAVOR! ou sensibilize-as para formas menos inoportunas de abordarem os clientes. Só saem a ganhar. Garanto.

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