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zona de desconforto.

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16
Abr15

Tempo de qualidade para os filhos é só para alguns?

Li no site do Público que está a ser posta em cima da mesa uma proposta de lei que prevê a possibilidade de as mulheres que trabalham na função pública e que têm filhos ou netos com menos de 12 anos possam optar por trabalhar apenas meio dia, abdicando de 40% do ordenado. 
Acho que esta ideia é de louvar, se bem que receber menos 40% do ordenado ao fim do mês é, para muita gente, insustentável, porém não consigo evitar a indignação com duas coisas muito simples que se calhar para muita gente são pormenores mas para mim é um sinal de alerta brutal: porque é que esta lei está a ser pensada apenas para as mulheres? E porque é que é só para as que trabalham na função pública? Os homens também não têm direito a passar tempo com os filhos/netos? Continuam a ser vistos como personagens secundárias nisto da parentalidade, é? Só estão cá para ajudar, é isso? Porque "mãe é mãe", essa expressão completamente vazia que tanta gente gosta de apregoar. Mãe é mãe e pai é pai. Têm os dois a mesma importância e responsabilidade naquilo que é educar, proteger e amar uma criança.
E quem trabalha no privado? Tem menos necessidade de passar tempo de qualidade com as suas crianças? São só os funcionários públicos que têm, quase sempre, horário certinho de entrada e de saída que podem optar por trabalhar menos horas? E os do privado que, muitas vezes, entram às 9h mas não sabem a que horas saem, não merecem, também, ter a opção e o direito de trabalharem menos umas horas para estarem com os filhos/netos?
Actualmente muitos pais - homens e mulheres - sentem-se quase culpados por pedirem ao chefe para, 'por favor', poderem sair mais cedo ou faltarem um ou dois dias porque o filho está doente, ou teve um problema na escola ou, simplesmente, porque já não vê o pai ou a mãe há não sei quantos dias, fruto dos horários absurdos que se praticam em muitas empresas, na sua maioria privadas, claro. É, por isso, urgente, que a hipótese de uma lei destas seja discutida mas, de preferência, para abranger toda a gente, e não só alguns. Caso contrário, uma coisa que começa por ser uma boa ideia passa, muito rapidamente, a ser uma injustiça.

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