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zona de desconforto.

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15
Jun15

Uma outra forma de viajar

Este ano estou a conseguir fazer uma coisa que já não fazia há uns bons… sete anos, talvez: dedicar-me à leitura. Quando era mais nova e andava a estudar lia imenso, devorava livros, mas desde que comecei a trabalhar parece que o tempo para a leitura deixou de existir. Também vos acontece? Nunca deixei de ter tempo e disponibilidade mental para ir ao cinema, a concertos, ao teatro, para descobrir e acompanhar séries novas mas os livros foram ficando de lado, estava sempre demasiado cansada ou havia sempre qualquer coisa mais interessante para fazer que me sentar sossegada 1h a ler. Isso frustrava-me, afinal sempre foi uma coisa que gostei de fazer. 


Nós últimos tempos, e como não gosto de gastar dinheiro em revistas – a informação é sempre tão rápida e parece  tudo tão descartável, que acabo por achar um desperdício gastar 2€ ou 3€ numa coisa que para a semana já está desactualizada. Prefiro os telejornais e os sites de informação -, as minhas leituras resumiam-se, em grande parte, a artigos que ia encontrando na net, blogs e pouco mais. Eu sei… uma vergonha. O ano passado, no verão, consegui ler dois livros e achei que tinha conseguido um grande feito! Mas este ano, e sem pensar muito no assunto, já vou no terceiro e tenho mais dois em lista de espera!
Comecei com o fabuloso Pintassilgo, da Dona Tartt, no final do ano passado e que só consegui terminar este ano – são quase 900 páginas, give me a break -, depois foi a vez da incrível Lena Dunham com o Não Sou Esse Tipo de Miúda – já disse que a-do-ro a Lena não já? – e agora estou a ler A Vida Amorosa de Nathaniel P. uma reflexão sobre o caos amoroso da nossa geração. É escrito por uma mulher mas relata o ponto de vista de um homem com 30 e poucos anos. É um romance fresco, inteligente e com sentido de humor. Uma das passagens que li recentemente e que achei interessante foi quando a personagem principal se questionou sobre o porquê das mulheres que dizem que não querem homens para nada, que estão bem sozinhas, serem vistas como mulheres independentes e muito bem resolvidas, mas quando é um homem a assumir que não quer compromissos ser visto como um cabrão imaturo. Isto é verdade e, de facto, dá que pensar. 


Na calha está A Morte do Pai, o primeiro volume de uma trilogia autobiográfica assinada pelo norueguês  Karl Ove Knausgaard. Li uma entrevista com o autor no jornal Público e fiquei desejosa por pegar nos livros dele. É uma pessoa muito intensa e algo sombria, com uma história de vida muito rica e dramática que quero muito ficar a conhecer. Também já comprado está A Rapariga no Comboio, de Paula Hawkins, que parece que está a deixar meio mundo histérico. O New York Times diz que a história é uma espécie de Gone Girl e isso foi o suficiente para me convencer. Sou uma fácil.
Portanto, prevê-se que seja um ano bastante rico no que à literatura diz respeito. Para mim, comprar livros é mais ou menos o mesmo que gastar dinheiro em viagens: são os únicos investimentos que faço com a certeza absoluta que me vão enriquecer. Não na conta bancária, obviamente, mas culturalmente. Ganhar mundo é das coisas mais importantes que podemos fazer nesta vida. Alargar horizontes, ver o que há para além da nossa rua faz-nos crescer. E, no fim de contas, os livros também podem ser uma forma, embora mais modesta, de viajar.


 


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