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zona de desconforto.

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28
Abr17

Vamos falar de nutrição? "Coca-cola light sim. Bananas não!"

Desde que me comecei a preocupar mais com a minha alimentação, no sentido de optar por coisas que contribuam para o meu bem-estar e para a minha saúde, que comecei a olhar para tudo o que tem a ver com o tema com outros olhos.

 

Evito comprar produtos embalados e industrializados, mas como nem sempre é possível abolir todos eles – como é o caso do pão alemão ou da bebida de amêndoa, produtos que consumo com frequência , por exemplo – quando tenho de comprar algum leio sempre os rótulos e tudo o que tiver uma imensidão de “ingredientes” ou adição de açúcar – qualquer que seja a forma de açúcar adicionado - fica na prateleira. Já consigo distinguir o trigo do joio, o essencial do acessório e sinto-me muito melhor. O mesmo se aplica a artigos sobre o tema. Há uns muito interessantes que de facto nos ensinam qualquer coisa, ou abordam um tema já muito corriqueiro mas de uma perspetiva diferente e que acaba sempre por acrescentar qualquer coisa à conversa. Depois… bom, depois há aqueles que só servem para encher chouriços e para baralhar as cabeças pouco esclarecidas ou confusas sobre o que é isto de comer bem. Foi o caso, na minha modestíssima opinião, desta entrevista do Observador que aproveitou a edição do livro de uma nutricionista para lhe fazer umas perguntas sobre o tema – estratégia de marketing da parte da editora? Interesse genuíno do jornal naquilo que ela tinha para dizer? We’ll never know.

 

Para esta senhora o mundo da nutrição não se divide em pessoas saudáveis ou doentes mas sim entre gordos e magros, na medida em que uns são pessoas que comem calorias a mais e os outros que comem a menos. Ou têm bons genes. As calorias são a única coisa que interessa. A composição dos alimentos… not so much.

 

Portanto, esta entrevista sobre os malefícios do açúcar, que existem e são reais – apesar de não ser só para o açúcar que temos de olhar. Há todo um mundo de corantes, conservantes e aditivos que não se qualificam como ingredientes e que deviam ser evitados - até podia ser uma boa ideia mas quando chegamos a meio percebemos que é mesmo só absurda e que a coerência não é, de todo, o forte desta senhora. Houve particularmente dois pontos onde tropecei e tive de ler e reler várias vezes para ter a certeza se estava a entender bem. E estava.

 

Sobre os refrigerantes no regime alimentar que esta nutricionista defende: “Aconselho refrigerantes “zero” ou “light” aos meus doentes que estão resumidos a uma salada para perderem peso. Agora não devem é beber um litro daquele refrigerante por dia.” Há tanta coisa errada nesta frase que até é difícil saber por onde começar. Primeiro: porquê resumir o regime de uma pessoa que quer perder peso a saladas? Porquê?! Segundo: refrigerantes? A sério? Estamos em 2017 e ainda achamos que refrigerantes – light, zero, normais, whatever – são uma opção? A sério?? Os doentes “estão resumidos a uma salada para perderem peso” mas podem acompanhar a dita com um refrigerante? Não é só a mim que isto parece uma barbaridade pois não?

 

Sobre essa fruta do demónio que é a banana: “Se a pessoa fizer realmente um ginásio intenso, aí faz algum sentido, porque esteve a desgastar massa muscular e aquele açúcar vai ser rapidamente metabolizado. Mas uma mulher que vai duas ou três vezes ao ginásio e faz aulas de grupo ou máquinas com pesos baixos, aí não precisa de comer uma banana.”

Reparem que ela diz que faz "algum sentido"! Não vamos agora embandeirar em arco e desatar a comer bananas depois de treinos intensos. Qué isso? Se estiver assim muito carente, tipo com o período, pode comer uma banana, mas o melhor seria assim, sei lá, um talinho de aipo.


Portanto, resumindo: 'bora lá pedir a uma pessoa que quer perder peso para comer só umas saladinhas, assim com muita alface para encher o olho, mas como não quero que dê em maluca ao fim do primeiro dia pode beber uma latinha coca-cola light, vá. Bananas é que nem pensar! Que isso é fruta que está ali carregadinha de açúcares e já todos conhecemos o ditado: um segundo na boca, uma vida nas ancas. A não ser que esteja disposta a matar-se no ginásio durante horas sem fim. Não me venha é dizer que faz Zumba e que anda a comer bananas! Assim não vamos lá!

 

Beijinhos e boa sorte.

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