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zona de desconforto

zona de desconforto

Vendas agressivas? Não, obrigada.

Andar às compras é uma das coisas que mais gosto de fazer nos meus tempos livres. Para muita gente ir enfiar-se no Colombo ou nas lojas da Baixa depois de um dia de trabalho é o maior dos pesadelos mas para mim é uma óptima forma de relaxar e distrair a cabeça. Gosto de andar por ali a ver as montras, as pecinhas novas que acabaram de chegar às lojas, ir para os provadores experimentar roupa que mesmo que não possa comprar na altura vejo se me fica bem ou não para comprar mais tarde. Enfim, um pequeno oásis. Mas como em quase tudo na vida também tem o seu lado mau. Não, não é ficar com menos dinheiro na carteira. Sim, são as vendedoras chatas. Longe vão os tempos em que só nas lojas do chinês tínhamos um empregado colado a nós a ver onde é que andávamos a mexer. Agora desconfio que em praticamente todas as lojas as empregadas sejam transformadas em autenticas comerciais e hiper-incentivadas a vender, vender, vender para ganharem boas comissões. E, meus amigos, não há nada que me incomode mais.
Assim que ponho o pézinho direito na Sephora aparece logo uma rapariga toda muito feliz e sorridente, de lábios rosa choque, a perguntar se preciso de ajuda. "Não, venho só ver", resposta automática. Ainda não cheguei a meio da loja e já tenho outra a perguntar-me exactamente o mesmo. "Por enquanto não". E assim que pego em qualquer coisa pumba: "Precisa de ajuda? Já conhece os novos produtos dessa marca? Já conhece a nossa promoção pague 3 leve 4?" BACK OFF!! Eu percebo que a ideia é levar as pessoas a comprar e de preferência a comprar muito, muitas vezes coisas que nem sequer precisam, mas acho que o efeito é precisamente o oposto. Pelo menos comigo que com tanto assédio fico logo com vontade de me pôr na alheta. E digo assédio sem pretensão de exagerar. Assédio não se limita aos "És bem boa" berrados pelos homens das obras e aos telefonemas da Cofidis às nove da noite a proporem-nos cartões de crédito. Entrar numa loja de onde só queremos uma coisa, ou onde só queremos gastar determinado valor, e termos alguém a impôr-nos milhentas sugestões depois de já termos dito e repetido que SÓ queremos levar o que já temos na mão é também um assédio.
Mas calma, que a Sephora não é a única. Há umas semanas fui à Calzedonia comprar uns collants pretos opacos normalíssimos. Como não queria perder tempo à procura deles pedi ajuda a uma funcionária, que eu quando preciso efectivamente de ajuda pergunto. Foi muito prestável, levou-me logo ao sítio deles e assim que mos entregou... sim, começou o assédio. "Não quer aproveitar a nossa promoção? Leva 5 pares e paga só 4. Não convém nada levar só um par de collants. Imagine que eles se rasgam! Assim fica já com uns quantos de reserva" "Agradeço mas não vale a pena. Eu sou muito cuidadosa e os collants da vossa marca são tão bons que não se rasgam assim tão facilmente." "Pois isso é verdade. Então agora vamos ali ver a colecção de fantasia". Juro que foi assim que ela falou. Parecia que estavamos num museu. "Então agora vamos passar à sala Renascentista". Disse-lhe que não valia a pena, que só precisava mesmo de uns collants pretos. "Tem a certeza? - adoro!.... Adoro, adoro, adoro. Tem a certeza? Tem a certeza que em vez de gastar só 7€ não quer gastar 18€? Tem a certeza?! - Olhe que uns collants fantasia dão logo outro ar aos looks. Um vestido preto normal, assim simples, ficaria muito giro com umas meias com risquinhas em relevo!" "Pois. Mas collants com bonecada não são mesmo nada a minha onda." "Ah. Prefere coisas mais simples é?" "Exacto." "Então e os nossos collants semi-opacos já conhece?" Estão a ver o rumo que isto está a levar, certo? Ela queria vender-me tudo! Qualquer coisa. Alguma coisa para além daquilo que eu queria, que Deus nos livre de gastarmos dinheiro só naquilo que realmente precisamos.
Há bocado fui à Parfois trocar uma coisa e na caixa esbarrei com uma fila de 8 pessoas. Todas elas foram assediadas pela menina da caixa. Todas! "É só a mala? Só?! É para si? Então porque é que não leva outra para oferecer a alguém no Natal? Não quer? Então e um alfinete de peito? Já viu estes tão bonitos que temos aqui?" Próxima vítima. "É só a echarpe? Não quer levar um anel ou uns brincos? Temos uns muito bonitos no mesmo tom que iam ficar aqui muito bem" Next. "Não quer escolher também um colar para fazer conjuntinho com os brincos que vai levar? Não?! E um anel? Aquele ali fazia um conjuntinho tão bonito!" Eu ouvia aquilo e só abanava a cabeça. Primeiro porque com aquela conversa toda a fila não havia meio de andar e eu tinha o tempo contado, e depois porque não queria ter de dizer que não às 25 coisas que ela se ia lembrar de me impingir. Felizmente calhou-me a estagiária. Não me tentou vender nada, fez-me a troca, deu-me o talão e "Obrigada e boa tarde". É só isto que eu quero. Só isto. Alguém prestável, que me atenda de forma simples e simpática sem quase me obrigar a levar metade da loja. É pedir muito?

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