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zona de desconforto

zona de desconforto

Workout report - Body Combat

Como cometi o erro de substimar as aulas de Localizada, quando decidi experimentar Body Combat preparei-me um bocadinho melhor. Vi alguns vídeos e li alguns artigos sobre a modalidade e uma coisa ficou clara: aprender a coreografia ia ser um desafio dos grandes tendo em conta a minha descoordenação motora crónica. 

As aulas consistem em dar murros, pontapés, joelhadas e cotoveladas a uma pessoa imaginária e têm 12 faixas musicais, cada faixa corresponde a um exercício diferente. O desafio à coordenação começou logo na primeira música, ou seja, no aquecimento que, por mim, bem podia ser o exercício propriamente dito. Socos, pontapés, agachamentos com socos. "Ai meu Deus, que estou tão confusa!!!" Mas depois começou o festim a sério: socos de baixo para cima, socos da esquerda para a direita, saltinhos para a frente e para trás, pontapés, primeiro um, depois dois, e depois isto tudo misturado. Primeiro devagar e depois em ácidos e pelo meio ainda ouvíamos uns "Não se esqueçam de apertar o abdominal!!" Foi mais ou menos aqui que comecei a pôr em causa todas as minhas life choices. Que con-fu-são!!!! A professora avisou que nas primeiras 10 aulas ia ser assim mas que depois ia ser mais fácil, o que seria fantástico se as coreografias não mudassem a cada 3 semanas. Que infernooooo.

O mais ridículo nisto tudo, descobri uns minutos mais tarde, nem é minha descoordenação! São mesmo aqueles momentos em que desvio o olhar da professora e olho para o meu reflexo no espelho. Toda eu sou suor, a minha cara parece um tomate e os meus murros e joelhadas são de alguém que desistiu da vida há muito. Quando estou de olhos postos na professora sinto-me super bad ass, porque acho que, num universo paralelo em que sou imensamente coordenada e rija, estou a fazer as coisas exactamente como ela mas depois olho para mim e vejo que não. A professora é a única bad ass na sala e eu só a definição de punch like a girl. Credo. E quando uma pessoa pensa que já não pode descer mais baixo entra a coreografia de Ju-Jitsu e as espadas imaginárias de samurai que nós temos de fingir estar a usar para rasgar as costelas do nosso inimigo. Nice. Como se não bastassem as cotoveladas e os pontapés ainda temos de tirar uma espada detrás das costas, rodar o tronco tipo Neo no Matrix a desviar-se das balas, puxar as mãos atrás e pimbas esventrar o filho da mãe. Fizemos estes movimentos umas dez vezes - já sabem: primeiro devagar e depois em fast forward - e devo ter acertado... uma. Na melhor das hipóteses. Espectáculo.

Depois do esforço que foi manejar uma espada imaginária sentia-me tudo menos a Uma Thurman no Kill Bill. Sentia-me mais uma desgraçada que perdeu a vontade de viver algures entre o aquecimento e a faixa número dois. Comecei a sentir uma dor de burro aqui do lado direito e a boca seca e achei melhor fazer uma pausa e ir buscar a minha garrafinha de água. "NÃO BEBE ÁGUA!!!!!!" isto foi a professora aos berros comigo de olhos arregalados. Aparentemente beber água quando sentimos que estamos no limite das nossas forças pode fazer-nos entrar em apneia e morrer o que, para ser sincera, não me pareceu assim uma ideia tão descabida, dadas as circunstâncias.

A 10 minutos do fim entrámos na fase maníaca dos murros e joelhadas: 31 joelhadas rápidas com cada perna. Portanto, na verdade eram 62. Em 1 minuto. E depois o mesmo com socos. Já não sabia se havia de rir com o desespero ou atirar-me para o chão a chorar. Ou, melhor ainda, ir beber água! Muahahahaha. Mas eis que chega a vez dos alongamentos. "Agora é que é. Vamos lá acalmar um bocadinho, deitar-mo-nos nos colchões, respirar fundo e ficar aqui uns 5 minutinhos em silêncio como no fim das aulas de Pilates" aposto que é isto que estão a pensar não é? Pelo menos era isto que eu estava convencida que ia acontecer. Só que não. "Alongamentos ao som de Rammstein pode ser? É a minha banda favorita" Whaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaat? Mas que raio de alongamentos são feitos ao som de Rammstein? Estes são. E incluem, wait for it... exacto: socos e saltinhos para a esquerda e para a direita. É esta a ideia de cool down desta gente.
Conclusão: a aula é muito dura mas muito gira, especialmente quando acertamos com a coreografia, mas não consigo apagar a sensação de ter andado por ali perdida a maior parte do tempo. Sou capaz de ir a mais meia dúzia de aulas porque sou teimosa, porque as expectativas para mim e para o Body Combat eram grandes e também  para ver se a minha descoordenação entra nos eixos, que é uma coisa que dá jeito nas aulas como na vida, mas se continuar assim não prevejo uma relação duradoura entre a minha pessoa e o Body Combat. Veremos. Até agora da que gostei mais foi de Localizada, apesar de ter andado 4 dias sem me conseguir sentar como deve ser, tal eram as dores nas coxas. Já fiz duas aulas e a segunda mais pareceu Body Pump, com agachamentos de barras às costas e outras coisas igualmente fofinhas mas a verdade é que me sinto mesmo bem quando saio do estúdio, com a sensação de dever cumprido e, agora sim, super bad ass

 

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