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zona de desconforto.

zona de desconforto.

09
Out15

Workout report - TRX

Há uns meses quando comecei a sentir esta vontade de ser mais activa... desculpem, tenho de corrigir: quando comecei a sentir esta vontade de ser activa - o "mais" estava, definitivamente, a mais - uma das coisas que tinha vontade de experimentar era TRX. Já tinha visto algumas pessoas a fazerem exercícios naquelas cordas e pareceu-me a coisa mais fixe de sempre. Na altura fui investigar e descobri que era um sistema de treino suspenso inventado pelos SEAL's, as forças especiais da marinha americana, para poderem exercitar o corpo em qualquer lugar. Portanto, fácil de certeza que não era mas, ainda assim, a vontade continuou cá. Entretanto inscrevi-me no ginásio e depois de uma semana, onde houve espaço para uma aula de Body Balance, cardio e treinos de musculação para pernas e braços, decidi que estava na hora de experimentar o TRX. Ontem foi o dia.

Como já sabia que a aula tinha entradas muito limitadas - 11 pessoas no máximo - cheguei cedo para não correr o risco de já não apanhar senhas. A aula era só de 30 minutos mas o PT que me elaborou o plano de treino já me tinha avisado que era muito intensa. Não estava a exagerar. Quando entrámos na sala fiquei muito atenta às movimentações para perceber o que tinha de fazer. Quando vou fazer uma aula de grupo nova sinto-me sempre como se estivesse no primeiro dia de escola. Não conhecemos ninguém, não sabemos bem para onde nos virar e a expectativa é enorme. "Ok, estão todos a ir buscar as fitas, vou buscar uma também. E agora onde é que isto se prende? Ah, é aqui por cima." Acabei por ficar entre dois homens com ar de quem já fazia aquilo há anos. O que estava à minha esquerda estava todo quitado com umas luvas especiais e quando vi aquilo armei-me logo em esperta e disse para os meus botões: "Pfffff que nerd. Vem para aqui de luvas, como se fosse preciso. Isto é só meia-hora, filho." Mas pouco tempo depois estava a engolir cada palavrinha destes pensamentos maldosos. 

Havia duas pessoas novas na aula, eu e mais uma, por isso a professora lá explicou como é que se mexia nas fitas. Afinal aquilo estica e encolhe, não sabia. O nível mais curto é para trabalhar os braços, o mais comprido para as pernas e o intermédio para exercícios de costas. As dificuldades começaram logo aqui: não estava a conseguir ajustar a fita às diferentes medidas, faltava-me a força e o jeito para puxar aquilo. "Isto não me parece muito bom sinal... não tenho força nem para ajustar as fitas!" A professora riu-se e disse-me para ir com calma.

Cinco ou seis minutos depois da aula começar já estava perto do falecimento. Bolas, que aquilo é mesmo difícil. Os exercícios de braços até se fazem bem, não me interpretem mal, são muito difíceis, mas gostei do desafio. Os de pernas já são um bocadinho mais penosos e os que mexem com o abdominal são um verdadeiro inferno. Mas aquilo que achei realmente difícil, ao ponto de quase me virem lágrimas aos olhos, foi a simples tarefa de agarrar no TRX. Quinze minutos depois tinha a mão esquerda completamente feita num oito, toda negra e dorida. A professora explicou que para quem não está habituado a trabalhar com TRX ou a levantar pesos é normal que sinta as mãos um bocadinho massacradas nas primeiras vezes. No kidding. Agora já percebo o porquê das luvas do outro senhor. Não sei se aquilo só impede que as mãos escorreguem ou se também ajuda a evitar estas dores mas sim, admito que sejam muito úteis.

Graças às dores agudas que tinha na mão não consegui aproveitar quase nada dos últimos 10 minutos da aula e isso deixou-me super frustrada. Queria tanto fazer aquilo e por ter a mão tão magoada não estava a conseguir completar os últimos exercícios. Dobrar os dedos para segurar nas fitas provocava-me dores insuportáveis. A dor era tanta que a sensação que eu tinha era de que tinha os ossos dos dedos todos partidinhos, só para fazerem uma ideia do desconforto. Curiosamente NUNCA ninguém me falou nisto! Não é espectacular? Antes de fazer a aula falei com, pelo menos, quatro pessoas - 4!! - que já tinham feito TRX e todas me disseram que era muito difícil, que tínhamos de fazer muita força nos músculos e que era um desafio ao nosso equilíbrio e rebéubéu pardais ao ninho mas nem uma, uma alminha que fosse, me falou nesta dor nas mãos. Aposto que foi de propósito! É a única razão porque uma dor destas não se esquece. Fui para o balneário com os dedos todos tortos e uma coisa tão simples como desapertar os atacadores dos ténis transformou-se num verdadeiro desafio. Não há vez em que saia do ginásio sem parecer uma pessoa com graves problemas motores. Descer as escadas passou a ser praticamente impossível, tenho de ir toda encostada à direita e agarrada ao corrimão que as minhas pernas parecem gelatina e a cada degrau que desço parece que fico cada vez mais perto de me esbardalhar toda por ali abaixo. E ontem, para juntar a isto, foram os dedos. Só 1h depois é que consegui voltar a dobrá-los mas ao fim da noite ainda sentia dores a fazer alguns movimentos.

Apesar deste contratempo fiquei com imensa vontade de voltar a fazer a aula. É curta mas tão intensa que suamos imenso e saímos dali com a sensação de termos treinado durante uma hora. Quando terminei e me olhei ao espelho tinha a minha máscara de pestanas, que nunca me tinha deixado ficar mal, derretida à volta dos olhos. Não podia estar com mais ar de morta, portanto. Apesar de tudo o que correu mal adorei o desafio e mal posso esperar por voltar. Mas se calhar antes é melhor passar na Sportzone para comprar umas luvinhas.

 

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