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zona de desconforto.

zona de desconforto.

02
Abr18

O 3.º trimestre

Entrámos na reta final! Ontem caiu-me a ficha: esta é a última semana! A última antes do grande dia, a última semana antes da data prevista para a cria nascer! Claro que ela ainda pode ficar cá dentro até às 41, no quentinho, mas eu espero que venha, o mais tardar, no dia previsto, pontual como a sua rica mãe. Quando penso nisso até se me dá aqui um friozinho na barriga. A partir de agora é só mesmo esperar.

 

 

O melhor do último trimestre

A minha barriga
Nos últimos dois meses a barriga assumiu todo um protagonismo que até aqui não tinha. Se até ali às 30 semanas ainda passava despercebida a algumas pessoas mais distraídas, a partir dessa altura perdeu a vergonha e deu um senhor salto! Com isso surgiram novos desafios: a minha passada, que sempre foi rápida, passou a estar ali ao nível da de uma tartaruga, comecei a ter sensações de falta de ar, calçar ténis passou a ser um desafio digno dos Jogos sem Fronteiras - a sério, a luta é real - e às 35 semanas a barriga começou a dar, oficialmente, noites difíceis e passámos a ser três na cama: eu, o meu homem e uma almofada de amamentação. Quem diria que uma estranha almofada em forma de U podia dar tanto jeito! Apesar de não me sentir nada sexy tenho muito orgulho na minha barriga e fico toda contente quando metem conversa comigo acerca da gravidez - FYI: a gravidez é o melhor desbloqueador de conversa de sempre.

Grandes rambóias no ventre
No primeiro e segundo trimestres aquilo que mais ansiedade me causava era a irregularidade com que sentia os movimentos da bebé - ou não sentir de todo, no caso dos primeiros meses. Estive "a isto" de comprar um daqueles dopplers para ouvir o coração dela quando bem entendesse só para ter a certeza que estava tudo bem, que isto de só ter consultas de mês a mês dava-me cabo dos nervos. Mas a partir do momento em que a comecei a sentir todos os dias e a detetar os padrões de movimento transformei-me numa grávida muito mais serena. Agora, no terceiro trimestre, os movimentos dela passaram de grandes cambalhotas para movimentos mais lentos que se vêem perfeitamente por baixo da pele, sinal de que a casa está a ficar pequena. É muito giro e tranquilizador. Mas nem tudo são rosas, que isto às vezes também aleija. Como quando a criatura estica os joelhos ou os cotovelos, eu sei lá, até não poder mais. Parece que me vai rasgar a pele, credo! Mas prefiro mil vezes isto à pasmaceira dos primeiros meses em que uma pessoa quase tem de estar a meditar para sentir qualquer coisinha para depois ainda ficar na dúvida se serão gases ou se foi o bebé a treinar um encarpado.


Soluços fetais

Fui apresentada aos adoráveis soluços dos bebés, que parece que é uma coisa banalíssima, fazem todos o mesmo. Todos os dias, pelo menos duas vezes, temos direito a grandes sessões de soluços.


Pele imaculada - bem, mais ou menos
Nos posts dedicados aos outros trimestres queixei-me do estado miserável da minha pele, que ficou com acne ligeira mas persistente, a cabra, depois de ter deixado a pílula. Finalmente, no terceiro trimestre, fui bafejada com uma pele livre de borbulhas! Que felicidade! Livre de borbulhas não significa livre de marcas. Todas as borbulhinhas que habitaram nas minhas bochechas durante meses deixaram pintinhas rosadas que não há meio de desaparecerem. Mas antes pintinhas que borbulhas horrorosas. Sei que é sol de pouca dura, que quando as hormonas de gravidez forem à sua vida vai tudo voltar ao mesmo - até porque tomar contracetivos hormonais, que deixam, efetivamente, a pele imaculada mas adormecem por completo o nosso corpo e, por conseguinte, a consciência que temos dele, já foi chão que deu uvas e nem quero ouvir falar disso -, mas por enquanto vou aproveitar estas últimas semanas de despreocupação com a pele.

 

Zero estrias
Apesar do aumento repentino da barriga as estrias não apareceram, não sei se por mérito do creme da Barral com óleo de amêndoas com que me besunto todas as noites, se por o flagelo das estrias não correr nos genes da minha família. Esperemos que tenha a mesma sorte no que toca à flacidez...

 

Umbigo para dentro
Há quem tenha fobias com pés, há quem não suporte que lhes toquem nas orelhas, a minha pancada é com o umbigo. Sempre foi uma bolinha enfiada para dentro, bonitinho e discreto, e eu sempre fingi que ele que não existia. Não gosto de lhe tocar, não gosto da sensação, e não aguento aquelas pessoas que tiram prazer de ter o indicador às voltas dentro do buraco do umbigo ou que fazem piercings naquela zona - arrepio. Acho que me ia fazer imensa impressão se, de repente, a minha barriga vomitasse o umbigo cá para fora - pausa para sentir pequeno suor frio. Felizmente não aconteceu, só ficou plano nada de mais, o que me permitiu continuar a fazer o que sempre fiz: a ignorá-lo.

 

Lavar roupa
Confesso que zerar o cesto da roupa suja me dá especial satisfação. Grávida ou não. Fico com nervoso miudinho quando chove por dias seguidos e a roupa se acumula dentro do cesto ao ponto de transbordar e de repente haver meias em cima da tampa por já não caberem lá dentro. Até se me dão uns tremeliques na vista esquerda. Mas agora refiro-me ao prazer de lavar roupinhas de bebé. Ver bodies, babygrows, vestidinhos, casaquinhos de malha e meias minúsculas ali tudo às voltas no tambor da máquina em grande folia foi o momento alto daquele dia. Até gostei de lhe passar a roupa a ferro, tarefa que eu odeiooooo. Tratar da roupa dela foi um marco cá em casa, do género "Ok, agora está mesmo quase". Senti o mesmo quando, às 37 semanas, fiz as malas da maternidade.

 

O pior, ou menos bom vá

O peso
A desgraça não tem sido grande mas é sempre difícil lidar com os números a mais na balança, especialmente quando deixam de nos ser familiares. Já conto com mais 10.5 kg no lombo. No início do oitavo mês ainda conseguia enfiar as pernas na maior parte das minhas calças pré-gravidez, mas agora já não passa quase nada nestas coxas. Escapam dois pares de calções de ganga e duas calças. Como já sei que isto vai ser um problema depois de ela nascer, porque me vou recusar a usar calças de grávida não estando grávida, já tenho toda uma lista de peças que acho que se vão adaptar bem ao meu novo corpo e que vou encomendar assim que tiver oportunidade: calças básicas um tamanho acima e vestidos, camisas e tops com botões amigos da amamentação.
Houve uma noite em que navegava alegremente pelo site da Zara e, de repente, fui esmagada por um camadão de culpa - ah, a culpa materna começa tão cedo, tão bom... - por estar a pensar no pós-parto como uma oportunidade de ir às compras em vez de estar a refletir seriamente sobre o quão maravilhosos e difíceis vão ser os nossos primeiros tempos de adaptação a um bebé. Mas também me passou depressa! Olhar-me ao espelho e sentir-me bem com o que vejo pode muito bem ser meio caminho andado para ser uma mãe mais bem disposta, equilibrada e menos nervosinha. Ou assim espero.

 

As dores
Ali perto do final do segundo trimestre comecei a ter umas dorzinhas ocasionais nos ossos das virilhas quando me levantava ou quando me queria virar na cama. Agora sempre que me quero levantar da cama de manhã, ou do sofá, ou de uma cadeira onde estive sentada uns míseros 10 minutos sinto com cada guinada que até ando de lado. O mais difícil é mesmo levantar-me da cama, exige toda uma preparação mental antes. Parece que sinto os ossos a abrir, é muito estranho. A parte boa é que basta dar três ou quatro passos para o desconforto desaparecer.

 

No big boobs for you
Cadê aquele mamaçal gigantesco que eu estava preparadíssima para exibir por baixo da roupa? Por aqui as madames ficaram mais ou menos na mesma. Aumentei um número de sutien e já gozei. Humpf, que miséria.

Despertares noturnos
Sei que há mulheres que ficam com a bexiga do tamanho de um bago de arroz que as obriga a correrem para a casa de banho aflitas para depois fazerem duas miseráveis pingas de urina, mas por aqui o tamanho da bexiga, à semelhança do tamanho das mamas, continua mais ou menos o mesmo. Apenas noto que me passei a levantar pelo menos uma vez durante a noite, quase sempre à mesma hora, com a bexiga cheia como se tivesse bebido 1,5l de água meia-hora antes, logo eu que tenho sempre tanto cuidado para não beber muita água ou chá à noite. As famosas insónias de gravidez também me bateram à porta. Recordo uma noite particularmente incrível em que acordei às 4h da manhã e nunca mais consegui dormir. Às 6h andava a arrumar a cozinha. Há meses que não sei o que é dormir uma noite inteira - nada que se compare ao que aí vem, bem sei - mas, em contrapartida, tenho dormido grandes sestas durante a tarde que me sabem pela vida.

A ansiedade
Sou uma pessoa naturalmente ansiosa e com a gravidez isso agravou-se, especialmente nos primeiros meses em que é tudo novo e parece ser tão frágil, mas com o avançar do tempo sinto-me cada vez mais serena. Tenho cá as minhas dúvidas e preocupações mas já não fico consumida dos nervos à mínima coisa. Tenho muitas perguntas que ainda não têm resposta, especialmente relacionadas com a amamentação e o choro do bebé, mas essas questões não são movidas pela ansiedade mas antes pela minha curiosidade natural e vontade de querer saber mais sobre determinado assunto até sentir que o tenho dominado e compreendido a 100%.

 

Sistema imunitário fraquinho
O meu sistema imunitário andou pelas ruas da amargura. Eu que raramente ficava doente, na gravidez tive direito a uma faringite e duas contipações valentes, uma delas com direito a febre e tudo. E como só podemos tomar aquela bomba que dá pelo nome de Ben-u-ron temos de arcar com os sintomas todos e esperar que passem. Nice!


A impossibilidade que é estar parada em pé
Desde o dia seguinte a ter descoberto que estava grávida até agora, estar em pé parada tem sido um martírio. Não interessa se estou aborrecidíssima na fila do supermercado ou em amena cavaqueira com alguém. Dois minutos parada em pé e começo a ter palpitações, a deixar de ouvir, a ter suores frios e aquela sensação horrível de desmaio. Ou estou em movimento ou tenho de me sentar. Abençoada lei da prioridade que me tem safado tantas vezes.

 

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