Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

zona de desconforto.

zona de desconforto.

25
Fev18

O curso de preparação para a parentalidade

Uma pessoa descobre que está à espera de bebé, vive ali um ou dois meses de enamoramento em segredo, em que todos os bebés e crianças em geral nos parecem encantadoras e todos os pais que se cruzam no nosso caminho parecem felizes e em controlo e pensamos que aquela vírgula vai ser a melhor coisa de sempre e que vamos ser os melhores pais do mundo. Depois, começamos a contar a notícia a toda a gente e acaba-se-nos o sossego. Todos os pais e mães à nossa volta nos despejam conselhos em cima e todos os conselhos são contraditórios. Todos. Porque as pessoas são diferentes, as rotinas de cada família são diferentes e, mais importante que tudo, cada bebé é diferente do anterior. Foi por isto que rapidamente decidi que precisava de fazer um curso de preparação para o parto. Precisava de dicas e conselhos de especialistas e de ajuda para arrumar todas as informações que os outros me estavam a querer transmitir e descartar o que não interessava. Por outro lado, receava estar um mês a praticar respirações e técnicas de alívio da dor no parto e isso deixava-me assim um bocadinho de pé atrás. Não queria estar uma imensidão de tempo a preparar-me para uma coisa que seria apenas um momento. Pode ser um momento mais ou menos longo, mas o parto é um momento. Eu queria era saber o que fazer depois de ela estar cá fora.

Se calhar é por haver mais pessoas com as mesmas reservas que eu que o nome dos cursos começou a mudar e se passaram a chamar, em muitos sítios, cursos de preparação para a parentalidade. Estas aulas são muito mais que respirações e o que fazer na sala de parto. São, de facto, uma introdução à parentalidade, ao que é isto de ser pai e mãe, desde a abordagem mais filosófica da coisa até à mais prática: dar banho, mudar fraldas, limpar os olhos do bebé, aprender técnicas de primeiros socorros, interpretar o choro do pequeno ditador... saímos dali com uma imagem bastante completa daquilo que nos espera. E na minha opinião estes cursos não são úteis apenas para quem nunca mudou uma fralda. De facto, quando somos nós, o chip muda. Uma coisa é estarmos uma ou duas horas com os filhos do outros, com os sobrinhos ou os filhos dos amigos, e sabermos assim por alto das dificuldades e facilidades pelas quais os pais daqueles bebés passam, outra, completamente diferente, somos nós a preparar-nos para assumir aquele papel. De repente uma coisa que parecia muito natural e óbvia levanta-nos imensas dúvidas.

 

Posso usar lentes de contacto no dia do parto? Em que é que consiste o famoso e temível "corte"? Qual o grau de inclinação ideal da cabeceira do berço? Como é que se veste um bebé? Têm mais calor ou mais frio que nós? A chucha ajuda a prevenir a morte súbita? É verdade que atrapalha a amamentação? Qual a temperatura ideal do banho? Durante quanto tempo é que o bebé deve estar na mama? Quando nos começamos a debruçar a sério sobre isto de cuidar de um recém-nascido, do nosso recém-nascido, as perguntas aparecem em catadupa e ficamos assim a modo que assoberbados. 

 

Como o nosso centro de saúde não dá estas aulas e nunca consegui que me atendessem o telefone no hospital público da área de residência, nem tínhamos tempo para lá ir durante a semana porque a secretaria só funciona em horário de expediente, optámos por fazer no privado. Depois de muitas pesquisas e de comparação de preços - há sítios absurdamente caros - decidimo-nos pelo Instituto4Life. Uma amiga já lá tinha feito o dela e gostou bastante, era mesmo ao pé de casa e foi o local com melhor preço que encontrámos. Não sei como são os outros mas acho que não podíamos ter escolhido melhor. O curso é muito completo e as enfermeiras são muitíssimo acessíveis. Se tivermos uma dúvida, mesmo depois de o curso ter terminado, estão a um telefonema ou a uma mensagem de whatsapp de distância. Um descanso!
No nosso caso, o curso não só nos ajudou a dissipar muitas dúvidas como nos deu muita confiança. E esta é a palavra-chave: confiança. Algumas pessoas, principalmente as que já têm filhos e se esqueceram do quão assustadora consegue ser esta fase, dizem que estes cursos não servem para nada porque depois nos esquecemos de tudo e só seguimos o instinto. Até pode ser verdade, e seguir o instinto é extremamente importante - mensagem que também nos é transmitida no curso -, mas eu acho que a utilidade destas aulas é precisamente para a altura em que nos estamos a preparar para sermos pais porque nos dá esse super-poder incrível que se chama confiança. Mesmo que depois, na hora H, nos esqueçamos de tudo e façamos as coisas como achamos melhor no momento, a confiança com que partimos para essa nova fase faz toda a diferença.

Uma das coisas que me estava a atrapalhar era não saber como a ia tirar da banheira e embrulhá-la na toalha quando lhe estivesse a dar banho sozinha. Não temos espaço na casa de banho para um muda-fraldas, nem quisemos comprar aqueles móveis com muda-fraldas e banheira incorporada para ter no quarto, por isso aquela passagem normal da banheira para o muda-fraldas onde já estaria uma toalha estendida e pronta para receber a criança, não existe. Como é que eu a ia embrulhar numa toalha se estivesse sozinha? Só lhe podia dar banho quando o pai estivesse em casa? Esta dúvida surgiu-me numa manhã enquanto eu estava a arranjar-me para ir trabalhar e estava a consumir-me os nervos. Como é que ia ser uma mãe decente se nem conseguia arranjar uma maneira segura de passar a minha filha da banheira para uma toalha quentinha? No curso esta dúvida desapareceu com a aula sobre o banho. Será que vou fazer exatamente como aprendi? Talvez sim, talvez não, logo se vê. Mas só o facto de saber qual a solução para aquele quebra-cabeças deixou-me muito mais tranquila e confiante. 
E sim, a componente das respirações, do alívio da dor e dos diversos sinais de trabalho de parto também fazem parte do curso mas, no caso deste que fizemos, foi tudo treinado e explicado nas duas primeiras aulas e foi mais que suficiente. Os outros módulos do curso foram dedicados ao pós-parto, ao choro do bebé, à amamentação e por aí fora. Aconselho mesmo muito. Este ou outro qualquer que decidam fazer. É muito útil.

 

Quanto às perguntas ali de cima:

 

- Podemos usar lentes de contacto no dia do parto mas temos de levar os óculos na mala e avisar as enfermeiras que as temos postas. Se for necessário avançar para uma cirurgia de urgência alguém terá de as retirar para evitar lesões na córnea.

 

- A episiotomia, ou o corte, é mesmo uma coisa horrorosa e serve para ajudar a criança a sair. Cada vez mais é feito apenas em caso de necessidade - infelizmente depende muito do hospital e da equipa que apanhamos... -, caso as enfermeiras ou o médico vejam que há perigo de a mãe rasgar e assim evita-se que seja uma coisa descontrolada. Durante a gravidez, a partir das 35 semanas, há massagens que podem ser feitas no períneo para tornar aquela zona mais elástica e tentar evitar, assim, a necessidade de se partir para o corte.

 

- A cabeceira do berço deve estar inclinada. Ponto. Para os mais perfecionistas que querem fazer tudo by the book a inclinação recomendada é de 30º. Se a criança bolsar muito necessitará de uma inclinação maior. 

 

- Para uma bebé de primavera, um body de manga comprida e um babygrow é suficiente. Se estiver muito frio acrescentar umas calcinhas de algodão por baixo do babygrow. Normalmente os bebés precisam de mais uma camada de roupa que os adultos, mas cada bebé é diferente. Há uns mais friorentos e outros menos. No fundo são pessoas, como todos nós. Para ver se a criança está quente ou fria basta pôr dois dedos no peito, por baixo da roupa. 

 

- A chucha ajuda a prevenir a morte súbita mas também pode atrapalhar a amamentação. O conselho que deram é para introduzir a chucha apenas depois de a amamentação estar estabelecida - mais ou menos 15 dias após o nascimento - para não baralhar a criança. Mais uma vez, cada bebé é diferente e se houver algum que se acalme e adormeça melhor com a chucha na boca... dá-se chucha.

 

- A água do banho deve estar a 38º-40º para quando o bebé for posto lá dentro já estar à temperatura corporal (37° mais ou menos). A ideia é descontar o tempo que levamos a despir o bebé, tirar-lhe a fralda, limpar o rabo e genitais, para não contaminarem a água caso estejam sujos. Se fizermos isto com a água a 37° quando a criança lá chegar já estará nos 34 ou 35 e isso torna o banho desconfortável.  Os banhos devem ser rápidos porque a água arrefece depressa. 

 

- Durante as mamadas o bebé deve estar na mama não mais que 15 minutos. Mais que isto já não se estará a alimentar mas sim a fazer da mama chucha. Já me estou a ver de cronómetro na mão... Apesar de estar mais esclarecida, a amamentação ainda é um assunto, se não O assunto, que me assusta mais. É suposto ser tudo muito natural e animal, mas depois há uma data de regras e técnicas e cremes e compressas frias e quentes que fazem com que isso pareça ciência de foguetões. Felizmente, no curso de preparação para a parentalidade, as enfermeiras disponibilizam-se para ajudar nessa fase. Se for preciso vão a nossa casa e tudo. Como é lógico não sei como vai correr esta parte, mas ajuda saber onde e a quem me posso dirigir para pedir ajuda.

 

 

Mais uma vez, na dúvida entre fazer ou não um curso destes, façam!

1 comentário

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D

passaram por aqui