Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

zona de desconforto.

zona de desconforto.

18
Abr18

O parto - I

A partir das 37 semanas entrei em modo "are we there yet"? O desconforto causado pelo peso da barriga, as dores para me levantar, os números na balança que aumentavam a cada semana - li algures que no final da gravidez o aumento de peso estagnava mas, no meu caso, foi a altura em que engordei mais -, o já não ter nada para vestir... era oficial, estava pronta para conhecer a minha filha. Fiz as malas para a maternidade, tirei o verniz das unhas e esperei. 


Na madrugada em que completava as 39 semanas acordei para ir à casa de banho e vi que tinha sangue rosado nas cuecas. O coração disparou mas tentei manter a calma e recordar o que me tinham ensinado no curso. "Deve ser o rolhão mucoso." Se fosse não queria dizer nada. O parto podia acontecer dali a umas horas ou dali a uns dias. Ainda assim, e como não faz parte do meu feitio estar grávida em fim de tempo, ver sangue e voltar para a cama como se nada fosse, liguei para a Saúde 24 para tirar teimas. A enfermeira passou logo a chamada ao INEM para me virem buscar de ambulância mas eu recusei. Tinha o pai da criança ao meu lado, eram 3h da manhã, não havia trânsito, eu sentia-me bem, por isso estavam reunidas as condições para chegarmos ao hospital num instante sem sobressaltos. 


A minha ideia romântica da entrada em trabalho de parto era começar a sentir pequenas contrações fofinhas a meio da tarde, o que me daria tempo para tomar um banho relaxante e maquilhar-me para ficar bem nas fotografias que o meu homem me ia tirar na sala de trabalho de parto enquanto eu fazia respirações na bola de pilates - até comprei máscara de pestanas à prova de água especialmente para aquela ocasião - mas, naquele momento, não houve paciência para nada disso. Comecei a tremer tal era a ansiedade e só queria chegar ao hospital para ser vista e ter a certeza que estava tudo bem. Vesti a primeira coisa que me apareceu à frente, acho que nem as lentes de contacto coloquei e 'bora lá para a maternidade do Hospital São Francisco Xavier.
Quando chegámos as urgências estavam às moscas, uma calmaria, tão bom. Era mesmo daquilo que eu precisava. Fui chamada em menos de nada, a obstetra pediu-me para me deitar na marquesa e elevar as pernas para ela me fazer o toque. O TOQUE! Desde as 37 semanas que andava a temer o toque que toda a gente dizia que doía horrores. Gelei. Ela colocou-se à minha frente, as mãos desapareceram no meio das minhas pernas e... não senti nada. A médica franziu o sobrolho.


"Não tem dores?"
"Não. Porquê?! O que é que se passa?"
"Está a entrar em trabalho de parto! O sangue que viu foi uma parte do rolhão mucoso que saiu mas já tem o colo do útero muito fininho. Deve estar prestes a iniciar a fase de dilatação."


Oh. Meu. Deus.
Como assim estou a entrar em trabalho de parto?! Onde estão as contrações que eu não as sinto?! Querem ver que a primeira contração que vou sentir vai ser tão forte que me vai mandar ao chão e eu nunca mais me levanto? Onde está o 511 tantas vezes falado nas aulas de preparação para o parto - contrações de 5 em 5 minutos, com a duração de 1 minuto, durante 1 hora?!
Fui fazer um CTG para saber a frequência das contrações e em meia hora tive três. Sem dor. Apenas três contrações iguais às que tive durante grande parte da gravidez. A obstetra mandou-me para casa descansar e regressar quando sentisse contrações com dor com intervalos de 5 minutos. Mas avisou-me logo que aquilo era capaz de demorar, que se calhar só no dia seguinte ia sentir necessidade de regressar às urgências. Por outro lado o enfermeiro que estava na sala do CTG - um querido, muito simpático - estava mais otimista: achava que no final daquela manhã eu ia voltar e só iria sair já com a cria nos braços. Os dados estavam lançados. 


Regressámos a casa mas claro que eu não descansei nada. Quem é que consegue dormir naquela situação?! A resposta é simples: o meu homem. O meu homem consegue. Conseguiu dormir um sono reparador de cinco horinhas, benzódeus. Já eu estava na cama de olho aberto e a sentir a realidade descer sobre mim: está quase, está quase, ela está quase a chegar! As contrações que senti na sala do CTG continuavam mas sempre sem dor. Farta de estar ali deitada levantei-me, fui tomar o pequeno almoço, liguei a televisão, fiz zapping e por volta das cinco da manhã... senti a primeira contração com dor.

1 comentário

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D

passaram por aqui