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zona de desconforto.

zona de desconforto.

28
Abr17

Vamos falar de nutrição? "Coca-cola light sim. Bananas não!"

Desde que me comecei a preocupar mais com a minha alimentação, no sentido de optar por coisas que contribuam para o meu bem-estar e para a minha saúde, que comecei a olhar para tudo o que tem a ver com o tema com outros olhos.

 

Evito comprar produtos embalados e industrializados, mas como nem sempre é possível abolir todos eles – como é o caso do pão alemão ou da bebida de amêndoa, produtos que consumo com frequência , por exemplo – quando tenho de comprar algum leio sempre os rótulos e tudo o que tiver uma imensidão de “ingredientes” ou adição de açúcar – qualquer que seja a forma de açúcar adicionado - fica na prateleira. Já consigo distinguir o trigo do joio, o essencial do acessório e sinto-me muito melhor. O mesmo se aplica a artigos sobre o tema. Há uns muito interessantes que de facto nos ensinam qualquer coisa, ou abordam um tema já muito corriqueiro mas de uma perspetiva diferente e que acaba sempre por acrescentar qualquer coisa à conversa. Depois… bom, depois há aqueles que só servem para encher chouriços e para baralhar as cabeças pouco esclarecidas ou confusas sobre o que é isto de comer bem. Foi o caso, na minha modestíssima opinião, desta entrevista do Observador que aproveitou a edição do livro de uma nutricionista para lhe fazer umas perguntas sobre o tema – estratégia de marketing da parte da editora? Interesse genuíno do jornal naquilo que ela tinha para dizer? We’ll never know.

 

Para esta senhora o mundo da nutrição não se divide em pessoas saudáveis ou doentes mas sim entre gordos e magros, na medida em que uns são pessoas que comem calorias a mais e os outros que comem a menos. Ou têm bons genes. As calorias são a única coisa que interessa. A composição dos alimentos… not so much.

 

Portanto, esta entrevista sobre os malefícios do açúcar, que existem e são reais – apesar de não ser só para o açúcar que temos de olhar. Há todo um mundo de corantes, conservantes e aditivos que não se qualificam como ingredientes e que deviam ser evitados - até podia ser uma boa ideia mas quando chegamos a meio percebemos que é mesmo só absurda e que a coerência não é, de todo, o forte desta senhora. Houve particularmente dois pontos onde tropecei e tive de ler e reler várias vezes para ter a certeza se estava a entender bem. E estava.

 

Sobre os refrigerantes no regime alimentar que esta nutricionista defende: “Aconselho refrigerantes “zero” ou “light” aos meus doentes que estão resumidos a uma salada para perderem peso. Agora não devem é beber um litro daquele refrigerante por dia.” Há tanta coisa errada nesta frase que até é difícil saber por onde começar. Primeiro: porquê resumir o regime de uma pessoa que quer perder peso a saladas? Porquê?! Segundo: refrigerantes? A sério? Estamos em 2017 e ainda achamos que refrigerantes – light, zero, normais, whatever – são uma opção? A sério?? Os doentes “estão resumidos a uma salada para perderem peso” mas podem acompanhar a dita com um refrigerante? Não é só a mim que isto parece uma barbaridade pois não?

 

Sobre essa fruta do demónio que é a banana: “Se a pessoa fizer realmente um ginásio intenso, aí faz algum sentido, porque esteve a desgastar massa muscular e aquele açúcar vai ser rapidamente metabolizado. Mas uma mulher que vai duas ou três vezes ao ginásio e faz aulas de grupo ou máquinas com pesos baixos, aí não precisa de comer uma banana.”

Reparem que ela diz que faz "algum sentido"! Não vamos agora embandeirar em arco e desatar a comer bananas depois de treinos intensos. Qué isso? Se estiver assim muito carente, tipo com o período, pode comer uma banana, mas o melhor seria assim, sei lá, um talinho de aipo.


Portanto, resumindo: 'bora lá pedir a uma pessoa que quer perder peso para comer só umas saladinhas, assim com muita alface para encher o olho, mas como não quero que dê em maluca ao fim do primeiro dia pode beber uma latinha coca-cola light, vá. Bananas é que nem pensar! Que isso é fruta que está ali carregadinha de açúcares e já todos conhecemos o ditado: um segundo na boca, uma vida nas ancas. A não ser que esteja disposta a matar-se no ginásio durante horas sem fim. Não me venha é dizer que faz Zumba e que anda a comer bananas! Assim não vamos lá!

 

Beijinhos e boa sorte.

10
Out16

A publicidade disfarçada nos jornais online e a ténue linha entre fazer dinheiro e o bom senso

Gosto do Observador. Acho que faz um excelente trabalho em quase todos os artigos que publica mas gosto, particularmente, dos “Explicadores”, uma secção do site onde explicam aos leitores o bê-a-bá dos assuntos do momento em vez de partir para grandes artigos de opinião ou investigação partindo do princípio que quem está a ler já sabe o básico. Dos jornais online portugueses que leio este é o único que o faz. É louvável e diferenciador e tenho pena que outros jornais do género não lhe sigam o exemplo. Mas… tinha de haver um mas… este tipo de textos dão cabo de mim.

 

É claro que um jornal online para sobreviver tem de fazer dinheiro, à semelhança da imprensa em papel e, apesar de não estar nada por dentro deste assunto, já percebi que grande parte das receitas devem vir da publicidade. Até aqui tudo bem. O que me parece muito mal é que um meio de comunicação social, que tem o dever de informar quem o lê, aceite fazer artigos deste género que podem influenciar negativamente a saúde das pessoas. Textos destes podem ser inofensivos se estivermos a falar de marcas de maquilhagem, shampoos, carros, vestuário. Mas quando entramos no campo da saúde alto e pára o baile. Aqui as coisas deveriam ser tratadas de maneira totalmente diferente.

Este jornal em particular criou a OBS Lab, uma marca que dá voz às marcas. Explicam eles que este espaço é “o palco perfeito para as marcas contarem a sua história de forma mais completa e indelével, fazendo chegar o melhor do seu conteúdo aos leitores.” Óptimo. Acho óptimo que a Becel tenha a oportunidade de contar a sua história. Mas é preocupante que um jornal online, que chega a milhares de pessoas, publique um artigo que afirma que comer Becel ajuda a baixar o colesterol prevenindo, assim, doenças cardíacas e que estes textos apareçam no meio de notícias reais e não num separador dedicado só à publicidade e devidamente identificado. É certo que no feed principal onde aparece a notícia, por baixo do lead, está a inscrição "OBS Lab" mas quem não saiba o que é o OBS Lab será que percebe que aquilo é publicidade? Duvido. Até porque só agora é que eu soube o que aquilo significava, e leio o Observador todos os dias. Como eu, devem haver mais pessoas. Daí chamar-lhe "publicidade disfarçada".

Neste artigo todas estas informações estão fundamentadas por “vários investigadores” e “vários estudos científicos” desenvolvidos “à luz da ciência moderna”. Ora bem, isto bem espremidinho quer dizer, basicamente, zero. Que tal um link para todos esses estudos científicos e altamente credíveis para as pessoas os poderem ler e, aí sim, formarem a sua opinião? Pois não há. E não há porque isso à Becel não dá jeito nenhum. À Becel o que dá jeito é que uma pessoa com o colesterol elevado leia este artigo, acredite que o que ali está escrito é a mais pura das verdades porque, afinal, são os “vários estudos científicos” que o dizem, e vá a correr comprar uma embalagem das grandes da manteiga vegetal para barrar no pão todas as manhãs e a todos os lanches convencidíssima de que a cada dentada o colesterol está a baixar. Mas não são só as pessoas com colesterol elevado que beneficiam disto. Quem sofre de hipertensão também pode tratar, ou prevenir, a doença com um produto Becel! Não é incrível? A Becel é a cura para todos os males! Só que não.

 

A solução para baixar a colesterol ou para prevenir qualquer doença não está numa embalagem de manteiga vegetal nem num copo de iogurte com dez mil milhões de qualquer coisa que ninguém sabe muito bem o que é e o que faz efectivamente. A solução está em comer comida de verdade, que não vem em embalagens nem tem rótulos com prazos de validade e contagem de calorias. É bastante óbvio não é? Mas são artigos como aquele que fazem as pessoas acreditar que não, que o que é bom é aquela embalagem de manteiga vegetal. Porque é que o Observador, ou outro jornal online, não faz publicidade a pequenas empresas que cultivam brócolos, couve-flor ou de venda de peixe ou carne? Porque isso não é rentável para o site, nem para a Becel, nem para a indústria farmacêutica que, com este tipo de alimentação natural, não conseguiria vender tantos medicamentos para baixar o colesterol porque as pessoas, simplesmente, não precisariam deles. Esta marca do Observador, e de todos os jornais online que fazem os mesmos tipos de artigos publicitários, não é “o palco perfeito para as marcas contarem a sua história”. É o palco perfeito para as marcas contarem as suas histórias. Aquelas que mais lhes convêm. E, como disse ali em cima, se isto é inofensivo quando falamos de marcas de roupa, carros, cosmética no que toca à alimentação não deveria ser assim.

 

Se tivesse lido isto há um ano não me teria afectado minimamente. Porque há um ano eu também preferia as manteigas vegetais às manteigas normais porque achava que estava a fazer bem. Porque o que é vegetal é, obviamente, melhor que os produtos animais e nem me ocorreria ler os rótulos daquilo que comprava, nem reflectia que comer o que quer que seja “com sabor a” não podia ser bom, não podia ser a melhor escolha. Mas há um ano houve qualquer coisa em mim que mudou e comecei a querer fazer o melhor por mim e a querer saber mais sobre aquilo que compro para me alimentar. Com essa decisão e curiosidade tudo mudou. Comecei a investigar muito, descobri artigos chocantes como este, que mostra que as directrizes do governo inglês sobre uma alimentação saudável estão a engordar e a adoecer a população inglesa, descobri que afinal não há uma relação entre comer ovos e ter colesterol elevado ou que ter o colesterol elevado não aumenta necessariamente o risco de doenças cardíacas. Descobri o brilhante e elucidativo blog do Dr. Souto e comecei a seguir no Snapchat a nutricionista Lara Nesteruk e a Catarina Lopes, percebi que aquela regra idiota de comer de 3 em 3 horas não se aplica a toda a gente e não acelera o metabolismo coisa nenhuma, as pessoas devem comer quando têm fome. Ponto. Isso é o natural. Comecei a saber diferenciar um estudo clínico randomizado de um “estudo” patrocinado por uma marca qualquer de produtos industrializados, ou por uma farmacêutica, que pagou a médicos para fazerem testes a meia dúzia de pessoas muito específicas durante uma semana para se chegar à conclusão de que para curar X temos de comer Y ou tomar Z.

Infelizmente são estes últimos “estudos” que chegam aos jornais com títulos sensacionalistas do género “comer fiambre provoca cancro”. E, acreditem, saber estas coisas, ter curiosidade para investigar mais, ler realmente os estudos científicos mais sérios e credíveis, virar todas as embalagens de produtos alimentares para ler os rótulos faz uma diferença gigantesca nas escolhas que eu faço e que, acredito, serem as melhores para mim. Mas isto sou eu, que tive vontade e curiosidade de saber mais. A geração dos nossos pais ou dos nossos avós influenciam-se apenas por este tipo de notícias e pelo que vem escrito no rótulo das bolachas. Se um pacote de bolachas disser na embalagem que possui um ingrediente que baixa o colesterol, pimba, é mesmo esse que levam. Mesmo que o primeiro ingrediente seja açúcar e segundo seja óleo de palma ou de girassol.

 

Lembro-me bem de um anúncio que circulou na televisão portuguesa há uns anos, com a Adelaide de Sousa e o Nuno Delgado, atleta olímpico português, que promovia, juntamente com a Fundação Portuguesa de Cardiologia os benefícios de comer pão com margarina.

 

 

MARGARINA!!! Quem não tiver apego pelo estudo, quem não for curioso e vir um anúncio destes, feito por um atleta e, ainda por cima, com o cunho de uma respeitada instituição, vai acreditar logo que sim senhor, pão com margarina é que é saudável. Pão com uma coisa que só se pode fazer em fábricas, feita com óleo de palma, leite em pó e aromas é que é bom. A manteiga verdadeira, feita só com leite e sal é horrível, vai matar toda a gente, é péssima para o coração. Tal como o queijo. Nos produtos industrializados, nas margarinas, é que está a solução. E pronto, as pessoas engolem, literalmente, isto.

 

O tratamento e a denúncia destes temas na comunicação social deveria ser outro porque a responsabilidade social é - tem de ser - sem dúvida, outra. Mas isto é irreal, não é? O dinheiro fala sempre mais alto. É pena e é assustador, também. Principalmente assustador.

 

08
Jun16

Ela é linda sem makeup? Não. Ela é linda quando faz o que a faz sentir melhor

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Parece que este ano vai ficar marcado pelo movimento anti-maquilhagem. O Agir diz que “ela é linda sem makeup” e a Alicia Keys diz que está farta de se esconder. Quanto a mim, que me maquilho todos os dias, tenho uma relação de amor/ódio com a maquilhagem. Bem, talvez “ódio” seja demasiado forte e, a existir, não é pela maquilhagem mas pela mentalidade tacanha das pessoas.

Gosto muito de me maquilhar. Aqueles minutos que passo sentada perto da janela a colocar máscara de pestanas e a passar pó bronzeador para dar alguma cor à minha cara branca amarelada são sagrados. É um momento só meu e acho-o até bastante relaxante, tal como acho relaxante a limpeza da pele ao final do dia. Mas depois há aqueles dias em que acordo virada do avesso e com muita vontade de reclamar e penso: “Mas porque é que é só às mulheres que é exigido que se apresentem ao mundo com um ar arranjado e cuidado?!” Os homens podem sair de casa com olheiras e pele baça que ninguém lhes diz nada, é uma coisa perfeitamente natural, mas se as mulheres se atreverem a fazer o mesmo, especialmente aquelas que, como eu, se maquilham todos os dias, têm de ouvir aquela simpática frase: “Que cara é essa? Estás bem?” ou então a minha favorita: “Estás com um ar cansado!” que é o mesmo que dizerem: “Estás com umas olheiras horríveis”. Os anúncios de maquilhagem são todos direccionados para as mulheres porque os homens, aparentemente, não têm de se preocupar com estas coisas. Dormiram mal e têm olheiras até ao queixo? Não faz mal. Na noite seguinte dormem melhor e passa. Já as mulheres têm de tapar tudo com corrector se não quiserem que o mundo passe o dia a olhar para elas com ar de pena. “Coitadinha, está tão cansadinha.”

Apesar desta revolta que acontece em mim de tempos a tempos a verdade é que gosto de me maquilhar e faço-o por mim. Porque gosto mais de me ver pestanuda, com as maçãs do rosto rosadinhas e com um ar fresco e acordado. Adorava dizer que me sinto melhor ao natural mas seria mentira. Provavelmente isto não é uma coisa muito saudável mas a verdade é que me sinto muito mais confiante e pronta para enfrentar a vida quando estou arranjada. De qualquer maneira também tenho os meus dias de preguiça e nesses detesto ser julgada ou chamada a atenção por não me ter maquilhado. "Estás cansada? Estás doente? Estás bem?" Que direito têm as pessoas de gratuitamente, sem ninguém lhes ter perguntado nada, me atribuírem defeitos? O que é que acham que vão acrescentar ao meu dia depois de me dizerem que estou com um ar cansado? Como se se sentissem ofendidas por me verem com olheiras ou com a minha pele livre de pós de qualquer espécie, no fundo, tal como ela é! Pessoas chatas: a vossa opinião é irrelevante e não interessa para nada. Back off! Isto para dizer que o mal não está, nunca, na maquilhagem mas sempre na cabeça das pessoas. Aliás, como em tudo nada vida. Não concordo com esta demonização da maquilhagem, como se fosse errado usá-la. Errado é as pessoas andarem curvadas à vontade dos outros.

Aplaudo de pé estes movimentos que dão poder às mulheres para se sentirem bem como são e se apresentarem ao mundo como bem entenderem. Se há mulheres que não gostam de maquilhagem, para quem é um martírio perder tempo a pôr máscara de pestanas e blush, então não se devem sentir obrigadas a usá-la para agradar não se sabe bem a quem. Mas as outras, as que gostam de se maquilhar também se devem sentir à vontade para fazê-lo sem serem olhadas de lado. Como se fosse um crime e uma futilidade atroz. "Ela só tem aquele aspecto porque está maquilhada. Sem aquilo fica horrível!" ou a minha favorita: "Só perde tempo com estas coisas porque não tem roupa e loiça para lavar nem filhos para cuidar", porque uma mulher "a sério" é aquela que se anula perante as obrigações domésticas e familiares. Right.

O mesmo se aplica à roupa. As pessoas devem poder vestir o que bem entenderem independentemente daquilo que os outros vão dizer ou pensar. Acho triste quando oiço mulheres dizer que não usam calções ou vestidos porque têm celulite, como se fosse uma ofensa para os restantes mostrar pele que não seja perfeitamente lisa e tonificada. Usem o que vos apetecer e que vos faça sentir confortáveis, é só isso que importa. Eu não adoro as minhas pernas, gostava que fossem torneadinhas mas quando olho para elas vejo dois troncos sem forma, porém isso nunca me impediu de andar com elas à mostra. Era só o que faltava! Prefiro andar com os meus tronquinhos ao léu que andar desconfortável e a morrer de calor com calças coladas ao corpo. O mesmo princípio se aplica à maquilhagem. Usem-na se gostarem. Se não gostarem passem à frente. Ficam com mais tempo para dormir e tudo. Somos obrigadas a quê? A nada!

19
Mai16

"Porque é que não disse nada?"

Acho o programa da SIC “E se fosse consigo?” interessante, quanto mais não seja para pôr as pessoas lá em casa a falar de temas importantes, a reflectir sobre as suas atitudes ou atitudes de terceiros. Programas deste género são importantes porque ajudam a alargar horizontes e a fazer ver a muita gente de vistas curtas que o mundo não termina no fundo da nossa rua. Que lá por não se passar connosco não significa que não aconteça. Porém, todos os episódios me causam uma certa urticária por terem sempre o ónus nas pessoas que não dizem nada. O foco do programa não devia ser esse, mas é. Quem não diz nada é um mau cidadão. Quem não diz nada é porque concorda ou é indiferente ao que se está a passar. Quem não diz nada é condenado em praça pública. E a minha pergunta é só uma e bastante simples: porquê? Provavelmente se me deparasse com situações semelhantes às que passam no programa também não diria nada e não é por achar bem e concordar que se discriminem casais homossexuais, ou que o bullying é ‘muita fixe’, ou que uma branca a namorar com um preto é uma porcaria. Não. Não diria nada porque não faz parte do meu feitio. Eu sou introvertida e meter-me numa conversa entre mãe e filha ou numa zaragata entre miúdos do secundário nunca seria uma atitude natural em mim. Além disso nunca se sabe quem está do outro lado. Quem é que me garante que a mãe da miúda gorda não ia rodar a baiana e desatar aos gritos no meio da rua e envergonhar ainda mais a filha? Quem é que me garante que não levava uma pêra dos rapazes a maltratar o colega? Quem é que me garante que ir pedir justificações ao rapaz aos gritos com a namorada não vai fazer escalar a violência? Certamente que a minha solução seria chamar a polícia, quando fosse caso para isso, e não acho que, por isso, deva ser condenada em praça pública. Acho óptimo que haja pessoas diferentes de mim, vejo sempre com grande entusiasmo quem se mete nas conversas e diz de sua justiça, às vezes também gostava de ser assim, mas não sou. E não há mal nenhum nisso. Acho que o programa só tinha a ganhar se se focasse na situação que pretende condenar e divulgar os meios que há à disposição para ajudar as pessoas, coisa que também faz, sim senhor, mas só depois de a Conceição Lino atirar o nariz para a lua e do alto do seu pedestal perguntar às pessoas que não deram o peito às balas: “Porque é que não disse nada?!” Acho mal e acho que o programa perde muito com isso. Ou então não. Se calhar até ganha, que o que dá audiência é sempre o lado escabroso da coisa e nunca o que realmente interessa.

16
Fev16

Coisas que me encanitam

Se calhar isto é daquelas coisas que só vou entender quando for mãe mas... tenho cá as minhas dúvidas. 

 

Porque é que há pessoas que publicam fotografias das suas crianças nas redes sociais e depois lhes tapam a cara com bonecada? Epá, porquêeeeeeeeeeeeeeeeeeeee?
Não vejo mal algum em publicar fotografias de crianças no Facebook ou no Instagram. Acho que é tão perigoso como ir ali ao jardim ou à praia com a criança e haver um tarado qualquer do outro lado da rua a tirar-lhe fotos. As crianças não são nossas, são do mundo e acho esses pruridos em relação às redes sociais um exagero. Ninguém vos vai roubar a criança por publicarem uma imagem do bebé a brincar com carrinhos no chão da sala. Não sejam paranóicos. Claro que há pormenores que temos de ter em conta como, por exemplo, desactivar o serviço de localização dos nossos aparelhos para que o local exacto onde foi tirada a fotografia não ir colado à imagem. Mas isso é uma coisa que se aplica tanto a crianças como a adultos. Eu, que sou adulta e não tenho crianças, tenho essas definições desactivadas no telemóvel e na máquina fotográfica, não por ter medo que venha alguém atrás de mim para me fazer mal, mas porque ninguém tem nada a ver com os sítios onde eu ando. Se quiser revelar onde estou eu própria o faço, manual e conscientemente. De qualquer forma a questão aqui não é essa. A questão é: se não querem que as crianças apareçam nas redes sociais - e estão no vosso direito - então porque é que publicam fotografias delas de frente para a câmara com um stiker ridículo escarrapachado na cabeça do bebé? É, no mínimo, incoerente! Ou bem que querem mostrar o rebento ou bem que não querem. Se só querem mostrar os pezinhos, as mãozinhas ou as orelhas publiquem uma fotografia só dessas partes do corpo. Se só se querem mostrar a vocês com uma criança ao colo porque acham que isso é fixe e mostra um lado cutxi-cutxi que os vossos "amigos" não conhecem... bem isso é muito narcisista e doentio. Arranjem uma vida. 

Publicarem fotografias em que a cara da criança está tapada é só parvo e faz-me sempre lembrar aquelas pessoas que estão ao abrigo dos programas de protecção de testemunhas. É feio. É creepy. Não faz sentido. Parem com isso.

18
Jan16

#girlcrush - Joana Barrios

Já mencionei aqui que gosto imenso da Lena Dunham. Adoro a Girls - estou em contagem decrescente para a nova temporada que estreia já em Fevereiro -, sou uma leitora assídua da newsletter, estou sempre atenta a novas entrevistas e gosto, especialmente, que ela se esteja nas tintas para “as regras” – ler “as regras” com a mesma entoação que o Ricky Gervais lhes dá aqui. “Ficam chocados sempre que sou fotografada com calções curtos porque se vêem as minhas coxas com celulite? Então vou continuar a vestir-me assim até isso deixar de ser um problema e assunto de conversa.” Não acham isto extraordinário? Eu acho. Numa altura em que cada vez mais nos entram pelos olhos adentro imagens de girls next door, instagramers e models off dutty, todas sempre muito cool e careless e perfeitas quando, na verdade, aquilo é tudo pensado e a antítese de careless, é uma lufada de ar fresco haver alguém como a Lena que faz aquilo que lhe apetece, veste-se como gosta, diz aquilo que pensa, mesmo que se afaste d’”as regras”, que ninguém sabe muito bem de onde vieram ou quem as criou, e que se está a borrifar para os haters.

Há uns meses este meu girl crush recaía apenas nela – vá e na Taylor Swift - até ter começado a ler o Trashédia da Joana Barrios, que agora é uma assumida fashion blogger – finalmente!!!!! - , mas nos seus próprios termos, o que torna tudo muitíssimo mais interessante.

 

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Já conhecia o blog mas como os conteúdos não eram constantes passavam-se meses sem lá ir. Até ler um artigo que escreveu no jornal SOL, sobre a fantástica vida dos freelancers, e que foi imensamente mal interpretado por toda a gente, provavelmente gente que não sabe o que é ironia, e voltei a ser leitora assídua do Trashédia, mesmo que se passassem semanas sem conteúdos novos. Foram muitas as vezes que me punha a procurar textos antigos e ficava ali perdida a carregar em older posts.

A minha opinião vale o que vale, mas a Joana era a fashion/lifestyle blogger que faltava em Portugal. Porque é de uma originalidade desmedida, nas palavras e no estilo, porque também se está a marimbar para “as regras”, porque tem imensa pinta e aquele je ne sais quai que a diferencia dos demais, porque explica às pessoas tacanhas porque é que gostar de “trapos”, vulgo moda, não é nada fútil, que a moda sempre teve um papel importantíssimo na História, que é possível estudar História através da moda, que aquilo que vestimos todas as manhãs é uma forma de comunicação não verbal tão importante como a verbal e porque, como se vê, é um poço de cultura. Quando vou ao blog dela aprendo sempre qualquer coisa, sempre!, e isso é, sem dúvida, surpreendente tendo em conta a actual conjuntura dos blogs portugueses que falam todos do mesmo, estão todos nos mesmos eventos e gostam todos das mesmas coisas. Aliás, nem é preciso ir ao blog, leiam esta entrevista que deu à Vogue há umas semanas e percebem o que quero dizer.

O Trashédia, para mim, está ao nível do americano Man Repeller, outra grande, enorme, referência nos blogs de moda e lifestyle que vai muito para além de fotografias de #OOTD e de instagrams de sushi ou qualquer outra iguaria da moda.

Portanto o meu conselho é: se gostam de ler blogs de moda mas estão saturados dos suspeitos do costume, dêem uma oportunidade ao Trashédia. Acho que não se vão arrepender. Quanto a mim, estou expectante para ver o rumo que a fantástica Joana vai dar a este Trashédia agora com nova roupagem* e novos conteúdos! 

 

 

*estou a tentar, mas ainda não amo aquele cursor.

04
Jan16

Como gastar pouco nos saldos?

Simples: olhar para as duas etiquetas e fazer as contas.

Acho que no mês de Dezembro as pessoas ensandeceram. Tive a impressão de ver muito mais gente a fazer compras de Natal, o Chiado no fim-de-semana anterior ao das festas estava instransitável, e agora nos saldos foi um histerismo idêntico. Tinha guardado umas peças no carrinho virtual no site da Zara e dia 29 80% das coisas tinham esgotado! Tentei ir às lojas mas foi impossível, tudo cheio de gente, parecia Natal outra vez, filas até à porta para pagar, tudo desarrumado e gente, sempre muita gente. Entrei em algumas lojas do Colombo a um dia de semana pelas 23h e continuavam cheias! Ainda assim dei por lá uma voltinha e não só não vi nada de jeito - será que desapareceu tudo nos primeiros dois dias ou os saldos estão mesmo cada vez piores? Estou inclinada para a segunda hipótese - como os descontos são ri-dí-cu-los. A Zara ainda escapa com quase 50% de desconto em algumas peças mas nas Stradivarius desta vida as diferenças de preços chegam a ser de 3/4€. Tanta correria para isto? A Mango é a única loja que nunca desilude. As peças que iniciaram a coleção de inverno vão mesmo para saldos, não é como na Zara onde as peças mais vendidas continuam como nova coleção apesar de já estarem à venda desde Setembro, e tem descontos como deve ser. Este ano vou optar novamente pelas compras online, que não há paciência para a confusão das lojas, mas vou esperar pelos saldos a sério. Quando vejo uma coisa que antes custava 19.99€ e agora está a 17.99€ fico sem vontade nenhuma de a comprar. Por isso, se quiserem poupar uns trocos já sabem: vejam bem as etiquetas e se o desconto, de facto, compensa. Não se deixem arruinar por uma etiqueta vermelha.

17
Nov15

Eles podem ter armas, mas nós temos flores

De tudo o que li e vi sobre os atentados em Paris este vídeo foi o que mais me tocou. Pela simplicidade e beleza no meio de uma coisa tão complexa e triste. Que todos os pais tenham a mesma presença de espírito para poderem acalmar os filhos com palavras de amor e esperança. Porque cultivar o ódio não leva a lado nenhum. "Eles podem ter armas, mas nós temos flores."

 

 

09
Nov15

Gostar de uma criança não é dar-lhe doces

É o oposto.

A reportagem “Somos o que comemos” que passou na SIC em abril deste ano funcionou como uma wake up call para mim. Foi a partir daí que deixei de beber refrigerantes praticamente todos os dias – já não me lembro da última vez que bebi um – e que comecei a ler os rótulos dos alimentos que compro lá para casa. Estas foram as primeiras mudanças que fiz e que deram origem a outras tantas: comer sopa todos os dias, beber um copo de água logo de manhã em jejum e, também, a acompanhar todas as refeições, comer fruta ao pequeno-almoço e evitar petiscar porcarias. Esta última é a mais difícil mas o esforço é real e não são raras as vezes em que troco bolachas e chocolates pelos queijinhos Babybel light, fruta, frutos secos ou cenoura crua. Não é uma questão de dieta, é sim uma necessidade de comer melhor e evitar ingerir coisas que me vão fazer mal e das quais o meu organismo não necessita. Saber que estou a tratar bem o meu corpo é meio caminho andado para me sentir melhor.

Uma das coisas que mais me chocou naquela reportagem foi a negligência aliada à falta de informação dos pais que não percebem que dar uma tigela de chocapic ou qualquer outro cereal infantil aos miúdos não é um pequeno-almoço saudável, que comprarem Ice Tea para acompanhar as refeições é um veneno e que prepararem lancheiras com iogurtes líquidos, bolachas, bolicaos e outras porcarias embaladas que se vendem nos supermercados não podem, nunca, fazer parte de um lanche saudável. São várias as situações com que me deparo no meu dia-a-dia que me fazem recordar esta reportagem e hoje de manhã ao ler este post no blog da Ana Galvão ela voltou a ressurgir na minha memória.

O que a Ana propõe a quem a lê é passar um mês sem ingerir açúcar, que é só assim a coisa mais difícil do mundo. Praticamente todas as coisas que compramos têm açúcar adicionado. Até o pão, que para além do açúcar tem uma data de E’s – descoberta recente que me alarmou imenso. Não sei se a maioria de nós consegue cumprir este desafio mas uma coisa podemos fazer: reduzir os açúcares que consumimos. Como? Lendo os rótulos dos produtos alimentares que compramos e mantendo-nos longe daquelas coisas óbvias: gelados, bolos, bolachas, doces para barrar no pão, chocolate em pó para pôr no leite e por aí fora.

Foi também ao ler este post que tropecei numa frase que, à semelhança de reportagem da SIC, me ficou cravada na memória e me vai acompanhar daqui para a frente: “Houve uma ocasião em que disse ao pai de um amigo do meu filho Pedro, que na minha casa não havia nem chocolates, nem doces nem refrigerantes e que ele (o Pedro) só comia em ocasiões especiais, e o pai olhou, condescendente, para mim e disse-me: “Coitado!”. E dei-me conta de como está instituído que gostar de uma criança é dar-lhe doces quando na verdade deveria ser o oposto.” Está instituído que gostar de uma criança é dar-lhe doces quando na verdade deveria ser o oposto. Isto é tão, mas tão verdade. Eu não tenho filhos mas já por diversas vezes afirmei que quando os tiver vou tentar que a introdução de doces – bolachas, bolos, gelados, gomas, etc - na dieta deles seja o mais tarde possível. E o mesmo se aplica a batatas fritas e fast food. Praticamente todas as pessoas a quem disse isto tiveram a mesma reacção que aquele pai amigo da Ana: “Coitados!” Isto para mim é assustador. Mas coitados porquê? Ao não lhes dar açúcares estamos a privá-los de alguma coisa que lhes seja essencial? Não estamos. E o que ela escreveu faz todo, todo o sentido: gostar das nossas crianças não é dar-lhes guloseimas. É precisamente o contrário.

“Se ama o seu filho/sobrinho/afilhado não lhe dê bolachas/gelados/gomas.” Isto devia estar escrito em outdoors gigantes espalhados pelas ruas do nosso país. Talvez, assim, os educadores pensassem duas vezes sobre o mal que estão a fazer às nossas crianças sempre que lhes dão produtos do género. Um gelado ou uma fatia de bolo no fim de uma refeição é muitas vezes usado como recompensa e não entendo porquê. “Olha que se não comeres o peixe todo não comes um gelado depois!”, “Muito bem, comeste os brócolos. Agora podes ir buscar uma fatia de bolo”. O que é isto? Sei que os miúdos conseguem ser muito chatos às refeições mas, bolas, nós somos os adultos, sabemos melhor que isso! Porque é que usamos os doces como moeda de troca de uma alimentação saudável? Será que comer o que nos faz bem é assim tão horrível, penoso e difícil? É que, parecendo que não, é essa mensagem que estamos a passar às nossas crianças. “Eu sei que comer uma tigela de sopa é horrível. Mas olha… se comeres tudo podes comer kinder surpresa no final!” Não! Estamos a fazer tudo ao contrário.

O que me deixa mais optimista no meio disto tudo é que todas estas reportagens, estudos e toda esta conscienlização é um passo enorme para que esta seja a última geração viciada em açúcar. É graças a este boom de informação sobre o que faz bem e o que faz mal, que os nossos filhos vão ter uma alimentação diferente da que nós tivemos e os filhos deles também e por aí fora. Espero mesmo que este seja o primeiro passo para uma urgente mudança de mentalidades em relação ao que comemos.

03
Nov15

O melhor do Halloween?

Acho a comemoração do Halloween em Portugal uma coisa assim um bocado parva e sem sentido. É só mais uma tradição que importámos sem saber muito bem porquê. Pior que isto só mesmo o Carnaval, altura em que fica tudo estúpido e a achar que tudo é permitido porque “é carnaval e ninguém leva a mal”. Eu levo. Ok? E por mais anos que viva nunca me vou esquecer daquele balão de água com farinha atirado do 12º andar e que só não aterrou em cima da minha cabeça por mera sorte.

Agora que pusemos os pontos nos is tenho de sublinhar que na verdade há uma coisa que eu a-do-ro no Halloween e pela qual espero ansiosamente todos os anos: o desafio de Halloween do Jimmy Kimmel, um comediante e apresentador de um famoso talk show americano. O desafio consiste em os pais dizerem aos filhos que comeram todos os doces que receberam na noite de Halloween - é tudo a fingir, acalmem esses corações nervosos -, filmar a reacção e publicar no YouTube. Esta já é a quarta edição deste desafio que nunca desilude. O resultado é sempre hilariante e de ir às lágrimas. Há de tudo, desde miúdos que desatam a chorar aos berros, aos que ficam furiosos e batem nos pais e ainda os fofinhos que dizem que não faz mal, que está tudo bem, para o ano há mais, não se fala mais nisso. Se há tradição que devia ser importada aqui para o nosso rectângulo devia ser esta. Eu não tenho filhos mas voluntario-me já para testar o formato com as minhas sobrinhas! (inserir riso maléfico) Fica o resultado da edição deste ano. Enjoy:

 

 

A primeira edição, que ainda hoje me faz rebolar a rir, é esta:

 

 

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