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zona de desconforto.

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16
Mar15

O problema das expectativas | Brunch no Olivier Avenida

Há uma frase do comediante Louis CK que eu gosto muito e que reza assim: "I have a lot of beliefs, and I live by none of them" que em tradução livre é qualquer coisa do género: "Tenho muitas crenças mas não me rejo por nenhuma". Às vezes sinto-me um bocadinho assim. Há dias de em que simplesmente me apetece fazer o oposto daquilo que defendo. "Eu sei que temos de nos levantar sempre que o despertador toca, e faço sempre isso! Mas hoje... deixem-me que estou cansada." Ou: "Temos de manter sempre as nossas expectativas o mais baixinhas possível. Assim se as coisas correrem mal já não nos custa tanto aceitar a triste realidade" e isto é mesmo verdade. Por norma as minhas expectativas estão sempre ali muito rasteirinhas mas depois... há aquelas coisas que me entusiasmam tanto, tanto que fazem com que seja praticamente impossível ter baixas expectativas em relação a elas. É aqui que entram os restaurantes.
Gosto muito de descobrir espaços novos, trendy, com boa comida e bom ambiente. Sempre que vou a um restaurante novo fico entusiasmadíssima, especialmente se já estiver na minha whislist há muito tempo. E se tiver boas reviews então... meu Deus, de certeza que é soberbo. O problema é quando não é. Foi isso que me aconteceu a semana passada quando resolvi finalmente ir experimentar o brunch do Olivier Avenida. Andava há meses para lá ir e sempre que lia mais uma review mais me apetecia experimentar. Os comentários eram sempre os mesmos: "que é um dos melhores da cidade, que a comida é muito muito boa, que tem imenso por onde escolher, e ai os pães com chouriço que são daqui, e o sushi também é uma coisa do outro mundo, é um bocadinho caro mas vale muito a pena, a qualidade é muito superior à dos mais baratinhos". Bom... isto se calhar até é tudo verdade, se calhar eu é que lá fui num dia mau, mas a verdade, a minha verdade, é que... não é mau, que não é, mas já comi bem melhor. 
O espaço é muito giro, talvez um bocadinho pretensioso, mas eu também lido bem com isso; os funcionários são muito prestáveis e simpáticos e, de facto, há muito por onde escolher. Este brunch tem um buffet à disposição - que não é o meu estilo de brunch favorito, ter de me estar sempre a levantar para ir buscar comida chateia-me - e em comparação com outros, como o Pão de Canela por exemplo, - outro balde de água fria. Toda a gente diz maravilhas deste brunch e eu saí de lá desoladíssima. Não era nada do que estava à espera. - tem de facto mais oferta. A qualidade é que, infelizmente, deixa muito a desejar.

Como sou muito gulosa os meus brunchs começam sempre com coisas doces, por isso assim que vi as panquecas atirei-me logo a elas. Levei também pães, um scone, manteiga, geleia e sumo de laranja com cenoura. Foi uma primeira leva muito composta. Assim que me sentei e dei um gole no sumo fiquei com o brunch estragado. O sumo não era natural, era concentrado. Isto irrita-me tanto como ir a um restaurante e porem-me batatas fritas congeladas à frente. Tenham dó. O mínimo que se espera de um brunch que custa 25€ e que é considerado "dos melhores da cidade" é que tenham, pelo menos, sumo de laranja natural. Não tinham. 
A seguir provei o scone com a manteiga. Outra desilusão. Como no fim-de-semana anterior tinha ido ao Choupana Caffe - review aqui -, e duas das coisas que mais tinha gostado tinham sido precisamente a manteiga e o scone, fiquei tristíssima ao comprovar que as mesmas coisas neste brunch todo xpto eram más. Mesmo más. A manteiga era daquelas individuais que nos servem nos restaurantes, nada de extraordinário, e o scone era simplesmente uma vergonha. Insosso, duro e a esfarelar-se todo. Tentei partir um pedaço que se desfez imediatamente na minha mão e me encheu o prato de migalhas. Foi o pior scone que comi na vida. Se quiserem comer scones como deve ser vão ao Café Saudade, em Sintra, ou ao Choupana Caffe, em Lisboa. 
As panquecas também ficaram muito aquém. Não duvido que sejam feitas por eles mas fizeram-me lembrar aquelas mini-panquecas que se vendem nos supermercados para dar aos miúdos ao pequeno-almoço. São muito altas e esponjosas. E o chocolate que tinham à disposição para pôr por cima também não me encheu as medidas, mas aí eu sei que o mal é meu. O creme era feito com chocolate preto, precisamente o tipo de chocolate que menos aprecio.

A seguir passei aos salgados: ovos mexidos e sushi. Sim, só. Eu sou mais doces. Os ovos estavam deliciosos. Húmidos e muito saborosos, muito bem temperados. Recomendo! Já o sushi... era bom mas muito pouco variado. Quando me disseram que este brunch tinha sushi pensei que ia ter uma grande variedade de peças. Mentira. Só havia rolinhos de salmão e sashimi, também de salmão. Só!!! Lá está, o raio das expectativas. Ninguém me disse que havia uma mesa inteira só de sushi. Eu é que parti do princípio que como logo ali ao lado têm o Yakuza, também do Olivier, que o sushi do brunch foi um tease para o que se pudesse encontrar no outro espaço. Não é. Não há tease nenhum. Há rolinhos de salmão iguais aos que se comem no Noori. 

Resumindo: pelo preço e pelo buzz, estava à espera de um brunch do outro mundo mas o que tive ficou muito aquém das expectativas. O do Kaffeehaus e o do Choupana - os meus favoritos - podem não ser tão glamorosos mas, por menos dinheiro, ficam muito melhor servidos. Ah, e os sumos são naturais.

02
Mar15

Rota dos Restaurantes | Choupana Caffe

O dicionário diz-nos que uma choupana é uma casa rústica e pobre porém, não é nada disso que se encontra quando se passam as portas de vidro do Choupana Caffe. Este espaço moderno e de inspiração ecléctica é um tudo em um: padaria, pastelaria, cafetaria, iogurteria e mercearia. Esta choupana é tudo menos pobre! Já tinha ouvido falar muito bem de muita coisa neste simpático espaço: que os pastéis de nata eram uma pequena maravilha, que o brunch era delicioso, que as tostas eram fantásticas, etc, etc, etc. Não duvido de nada disso, mas bastava terem falado no brunch para me convencerem. Sou viciada! Importar este conceito para Portugal foi a melhor coisa que alguém poderia ter feito. Adoro a ideia de acordar mais tarde ao domingo sem me preocupar com a rigidez das refeições com hora marcada e, em vez disso, ir a um sítio giro e trendy encher o bandulhinho com coisas boas que vão desde cereais, bolos, compotas a ovos mexidos e salmão fumado. É tudo muito boémio e eu a-do-ro. 
Chegámos ao Choupana já passava das 14h e aquilo estava a rebentar pelas costuras! Esperámos um bocadinho mas rapidamente fomos encaminhados para uma mesinha em frente àquele balcão recheado de coisas boas: pães-de-deus, pasteis de nata, croissants recheados, bolas de berlim, ... (suspiro). Apesar de estar cheio o atendimento foi sempre muito simpático e rápido. Cinco minutos depois de termos pedido já tínhamos um cesto de pão na mesa, compotas e a melhor manteiga que já comi na vida!, dois cappucinos e sumos de laranja naturais. E isto era só o início!
Este foi talvez dos brunchs mais completos que já comi. Há imenso por onde escolher. Para além da variedade de pães tem também croissants, bagels, scones - recomendo! -, ovos mexidos, salada, fruta, uma simpática selecção de queixos, carnes frias, capuccinos de canela ou chocolate, iogurtes biológicos e sumos naturais. É impossível sair daqui com fome, mas se depois disto tudo ainda ficarem com um buraquinho no estômago podem atacar as panquecas com Nutella. Eu não comi mas o casal que estava na mesa ao lado pediu e o aspecto era de se babar. A única coisa que não me encheu as medidas foram os ovos mexidos. Estavam secos e sem alma, faltava ali um tempero mais arrojado. Mas tirando isso, é perfeito! Desde que me iniciei nisto dos brunchs só havia um onde voltava sempre, o Kaffeehaus, no Chiado, - do qual já falei aqui - mas, agora, o Choupana Caffe veio fazer-lhe enorme concorrência no meu coração. É verdade, também eu tenho dois amores, um é austríaco e outro português, e não sei de qual gosto mais. 

Quero aproveitar para deixar aqui uma nota importante. O ano passado descobri que o meu organismo não se dá bem com lactose e, por isso, sempre que vou lanchar, brunchar ou tomar o pequeno-almoço a qualquer lado tenho que me manter afastada do café com leite, que eu adoro!, porque é raríssimo haver opções sem lactose, especialmente nas pastelarias convencionais onde só há leite de vaca meio gordo... O Choupana Caffe parece conhecer esta realidade das intolerâncias alimentares e tem opções compatíveis com organismos como o meu. Não têm leite sem lactose mas têm leite de soja que foi o que veio no meu capuccino de canela. Estava bem bom e foi digerido sem problemas.
Ficam as imagens.

 

 

 

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Capuccino de canela

 

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Cesto com pão branco, duas variedades de pão com sementes, croissant e scone / doce de morango, doce de maçã e manteiga / sumo de laranja natural

 

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Ovos mexidos / queijo emmental, queijo de cabra e Queijo da Serra / salada de rúcula e tomate cherry / fiambre / salmão fumado com queijo creme / maçã, meloa, morangos e manga

 

 

 

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O brunch custa 14€ (inclui um de três menus salgados que podem, e devem!, completar com as opções doces) e é servido aos fins-de-semana entre as 10h e as 16h.

 

 

 

 

17
Abr14

Rota dos restaurantes | Kaffeehaus

Já experimentei variadíssimos brunchs em Lisboa mas há só um onde volto sempre: o Kaffeehaus, um restaurante austríaco situado no coração do Chiado e com um ambiente descontraído e urbano. Acho giro os empregados não andarem de farda, cada um tem o seu estilo, e são sempre, sempre simpáticos. Ah, e mais importante, a comida nunca desilude. Gosto muito do conceito do brunch - aquela refeição onde o pequeno-almoço e o almoço se encontram - mas torço o nariz aos buffets, à laia de pequeno-almoço de hotel, e aos menus muito pobrezinhos na oferta e implacáveis na carteira. Neste restaurante podemos escolher entre quatro menus, onde apenas um é menos substancial que os restantes, e o special brunch, que muda todos os dias. Também acho os preços bem simpáticos: os menus variam entre os 8.60€ e os 11.90€, sem bebidas. 
Ao contrário do típico português bom garfo, que gosta de enfardar até não poder mais e passar horas à mesa na conversa, eu gosto de terminar a minha refeição, beber um cafezinho e pôr-me a andar que se faz tarde. Não enfardo e não tenho paciência para estar horas intermináveis sentada à mesa. Porém... acho este espaço muito convidativo a serões desse género. Quer queiram estar sossegados a ler o jornal, a trabalhar no portátil ou em amena cavaqueira com amigos e juntar o brunch com o jantar, aqui podem estar à vontade que ninguém vos expulsa. Só um conselho: se estão a pensar passar por aqui ao fim-de-semana entre as 12h e as 13h30, mais coisa menos coisa, esqueçam. Eu também já caí nessa patetice e encontrei sempre o restaurante cheio. Esplanada incluída. É bom sinal, claro! Significa que têm sucesso e que a comida é, de facto, boa. Mas se, como eu, não gostam de esperar para comer aconselho-vos a aparecerem lá para as 14h. Deixo-vos as imagens daquilo que me chegou ao estômago para vos abrir o apetite:

 

 

 

 

 

 

 

 

Special brunch, com salsichas austríacas grelhadas, queijo ralado e salada de batata - com batata assada, rúcula, tomate e cebola

 

 

 



Wiener Frühstück - o mais pobrezinho dos brunchs à escolha do freguês, para quem tem estômago de passarinho ou é muito guloso! - composto por croissant, pão austríaco, bolo-mármore, doce de morango, manteiga, mel e Nutella

 



 

Em primeiro plano está o Kaffeehaus Frühstück - o meu favorito!! - do qual fazem parte pão, fiambre, queijo brie e Emmental, manteiga, ovo mexido com cebolinho - que é di-vi-nal!!! - e muesli com iogurte e mel. Lá ao fundo estão os melhores panados de frango que já comi - não estou a exagerar, juro! - com salada de batata. A bebida é limonada gaseificada de frutos vermelhos austríacos




 

Se quiserem consultar o menu completo basta irem aqui e aqui.

 

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