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zona de desconforto.

zona de desconforto.

16
Jan17

Os 5 estágios da procura de casa

Eu e o meu homem terminámos 2016 em demanda pela casa perfeita em Lisboa. Objetivo: comprar. Começámos otimistas, afinal quão difícil podia ser encontrar casa?, mas rapidamente percebemos que este é um caminho sinuoso, cheio de altos e baixos, e que são mais as desilusões que as agradáveis surpresas. Aliás, das primeiras tivemos muitas, mas das segundas, até agora, zero. Espetáculo! Percebemos também que procurar casa para comprar é frustrante e faz com que até a mais calma e otimista das pessoas passe pelos 5 estágios da perda, mas aplicado ao mercado imobiliário.

 

Negação

 

Depois de falarmos com duas ou três pessoas que também tinham estado, ou estavam naquele momento, à procura de casa e de ouvirmos atentamente as suas histórias de terror, trocámos olhares cúmplices como que a dizer “Humpf, isto não pode ser assim tão difícil. De certeza que eles estão a procurar nos sítios errados.” E foi com este espírito otimista que começamos as nossas buscas nesse baluarte do mercado imobiliário que é o Imovirtual. Usámos todos os filtros disponíveis para só nos aparecerem as coisas que pretendíamos e, curiosamente, o que nos apareceu foi mau! Casas caras, casas pequeníssimas, prédios sem elevador e casas a precisar de “pequenas obras” mas que as fotografias deixavam antever looooooongos meses e rios de dinheiro gastos em pôr a casa de pé novamente. “De certeza que o Imovirtual não tem tudo. As agências imobiliárias devem ter coisas muito mais interessantes e exclusivas.” Right?!

 

Raiva

 

Ao fim de dois dias não só já conhecíamos de cor TODAS as casas que estavam no mercado como começámos a perceber que era indiferente consultar uma panóplia tão grande de motores de busca porque, basicamente, tinham TODOS a mesma coisa. Imovirtual, Casa Sapo, Remax, Era, OLX, têm todos praticamente as mesmas casas… e quando começamos à procura de coisas no OLX sabemos que batemos no fundo.
Outro pormenor muito giro que nos começou a dar cabo dos nervos foi essa epidemia do mercado imobiliário que são as “fotos modelo”. Adoramos. Encontramos uma fotografia catita, abrimos o link, vemos o resto das fotografias, “Uau, que giro. Tudo remodelado e branquinho” lemos a descrição, que até agrada, começamos a ficar entusiasmados mas depois chegamos ao fim e pimba, aviso: “fotos modelo”, que só piora quando se segue do convite “venha conhecer!” Portanto, tudo o que eu tinha visto até ali e que tinha gostado não passava de uma miragem porque, na verdade, aquelas fotografias são de uma casa que não era aquela. Mas nós até damos o benefício da dúvida e lá vamos, só para encontrar apartamentos minúsculos, cheios de pó e sem encanto. E isso leva-nos a outro ponto deprimente: as casas são todas iguais, sem personalidade nenhuma.
Aparentemente o que está a dar em Lisboa são as remodelações "chapa cinco". Já as conheço de cor: cozinhas com bancada “em Silestone cinza”, "pavimento flutuante cor de carvalho", que faz aquele barulho oco super irritante mas extremamente útil para perceber a fraca qualidade da coisa e que dali a 5 anos, máximo, aquilo vai começar tudo a levantar e vai ter de ser substituído, "pré instalação de ar condicionado", janelas “oscilo-batentes lacadas a branco”, vidros duplos com um isolamento acústico para cima de espetacular, não se ouve nada tirando o comboio do outro lado da rua que parece mesmo que está a passar dentro de casa mas que tirando isso é um sossego, e "porta de alta segurança", whatever that means mas que agora também é super tendência nisto das casas. Podemos ver 5 apartamentos num dia que parece que vimos só um. Mais metro quadrado, menos metro quadrado acaba por ser tudo igual, estandardizado, estéril.

 

Negociação

 

Meia-dúzia de visitas depois percebemos que vamos ter de fazer cedências - gente pobre é assim, não pode ficar feliz muito tempo - e já estamos por tudo. Queremos um T2 com áreas decentes e boa exposição solar. Quando damos por nós estamos numa casa de 90m2 - o que em Lisboa é um palácio! - com um logradouro que, como é lógico, fica num rés do chão.
Rés do chão está fora de questão, que as pessoas lá fora passam mesmo ali ao lado da janela do quarto e isso é estranho. "Pronto, então até podemos ter uma casa um bocadinho mais pequena, desde que seja num andar intermédio". Damos por nós numa casa de 68m2 - !! -, num 2.º andar mas as janelas da cozinha e da sala ficam viradas para um muro.
"Sejamos realistas, precisamos mesmo de uma casa maior, 68m2 é minúsculo, e também gostávamos de ter uma vista. Se for preciso aumentamos um bocadinho mais o orçamento". Dias depois entramos numa casa ligeiramente maior, num 3.º andar com "magníficas vistas para Monsanto", 20 mil euros mais cara mas... sem elevador. E as "magníficas vistas para Monsanto" resumiam-se a umas tímidas copas de quatro árvores que ficavam em terceiro plano, depois da estação da CP e de uns cabos elétricos. É o que dá responder a anúncios com "fotos modelo".

 

Depressão

 

E com isto tudo passam-se meses, só que não, na verdade passaram apenas duas semanas só que isto de andar em busca de casa é tão cansativo que um dia parecem dois e duas semanas rapidamente se transformam em meses, e damos por nós a desistir do sonho de continuar a morar em Lisboa, numa casa com áreas decentes, com quartos onde se possa pôr uma cama, só uma cama, perto do metro e segura, onde uma pessoa possa andar a pé depois das 21h sem ter medo de ser cortada às postas ali ao virar da esquina. Em menos de nada começamos a ver casas lindas e enormes que ficam para trás do sol posto e a ponderar se demorar 1h40m para chegar ao trabalho será assim tão mau. Houve um dia particularmente péssimo em que chegamos a ponderar ir ver uma casa enorme... a Cacilhas. Cacilhas!!!! Dez minutos depois caímos em nós e pusemos essa brilhante ideia de parte. Ainda bem, porque era péssima. A ideia, não a casa.

 

Aceitação

 

Ontem abri o meu email e tinha a resposta de uma imobiliária para onde tinha enviado um pedido de visita a um apartamento que já nem me lembrava qual era mas que "infelizmente, já se encontrava vendido". Ainda assim a agente, muito simpática e pro-ativa, enviou-me uma lista de 5 imóveis que ela acreditava irem "de encontro" ao que pretendíamos. Um deles dizia o seguinte, ora atentem que isto é tão bom que, lido em voz alta, até faz festinhas no lóbulo da orelha:

 

T3,

 

"Uau! T3! Tantos quartos!"

 

completamente remodelado, a estrear.

 

"Ótimo, não precisa de obras!"

 

Perto do metro de Sete Rios.

 

"Bingo! Linha azul. A melhor linha, logo ali à porta de casa. Tu queres ver que é desta?!"

 

O apartamento é uma cave,

 

"... ... ... ..."

 

no entanto, não há qualquer divisão interior,

 

"... ... ..."

 

há divisões que dão para o logradouro e outras que dão para o passeio com aproximadamente 1 metro de altura.

 

"..."

 

Preço: 229 mil euros. 

 

Foi depois de ler esta deliciosa peça de literatura ficcional que percebi que tinha chegado ao quinto estágio: a aceitação. E como é que percebi isto? Porque quando cheguei ao fim em vez de desesperar e não ver a luz ao fundo do túnel desatei-me a rir. Duzentos e vinte e nove mil euros?! Por uma cave?! Ahahahahahahahahahahahahahahaha. De facto a senhora agente imobiliária estava cheia de razão, os imóveis que ela me enviou iam todos "de encontro" ao que nós procurávamos como, aliás, foram todos os que vimos até agora. Difícil, pelos vistos, é algum ir AO ENCONTRO do que nós queremos. Mas pronto, a esperança é a última a morrer. E se não for em Lisboa será noutro sítio qualquer. Sem pressas.

12
Jan16

Workout report - Aulas de grupo

2015 foi um óptimo ano: mudei de casa, saí dos subúrbios para morar na cidade e ganhei toda uma nova qualidade de vida; li muito, coisa que já não conseguia há anos - shame on me -; fiz a minha viagem de sonho da qual me lembro com saudade praticamente todos os dias mas com uma certeza: quero MUITO voltar; e, decidida a deixar de ser tão preguiçosa inscrevi-me no ginásio... again, mas desta vez não foi só porque sim, houve fortes motivos por detrás desta vontade súbita de mexer o rabo por isso estou confiante que desta vez vá ser diferente! E é aqui que entra o meu objectivo para 2016 no que ao exercício diz respeito: não desistir - nuncaaaaaaaaaaaaaaaaaaa - e evoluir. E a meu ver não há nada melhor para evoluir que frequentar as aulas de grupo do ginásio.

Inscrevi-me em Outubro, lesionei-me uma semana depois e só voltei em Dezembro, decidida a cumprir o meu plano de treino 3 vezes por semana, no matter what, para ganhar força e resistência para depois sim começar a fazer aulas de grupo já com alguma preparação física. Cumpri o primeiro objectivo: ginásio 3 vezes por semana, mas a meio do mês comecei a achar que as coisas estavam a ficar um bocado aborrecidas por isso aumentei 2.5kg em alguns exercícios e o número de repetições em todos. Ao fim de um mês, já em Janeiro, achei que estava com força e resistência qb para começar a ir às aulas de grupo. A primeira foi uma aula de Localizada, "uma coisa assim mais soft para não entrar a abrir como aconteceu com o TRX". Pronto, podem-se rir. Não foi nada soft.

Como fiquei traumatizada com a lesão ia determinada a fazer a aula com poucos pesos - 1 ou 2 kg's - e ao meu ritmo. O problema é que nas aulas de grupo uma pessoa sente-se competitiva e não quer ser a lesma lá atrás que está sempre atrasada e a queixar-se por isso, mesmo com poucos pesos, aquilo esteve longe de ser um passeio no parque.

As dificuldades começaram logo no aquecimento com saltinhos, primeiro devagar, depois mais depressa, ora leva o joelho esquerdo ao peito, ora leva o direito, agora a mesma coisa mais rápido, agora a mesma coisa mais rápido 8 vezes. Só me apetecia matar a professora que tinha uns pernões de fazer inveja, 'raisparta. Aliás, era precisamente para os pernões que eu olhava sempre que me apetecia pegar nas minhas coisas e abandonar a aula de fininho. Muito agachamento fiz eu em 45 minutos! Achava que o meu calcanhar de Aquiles eram os abdominais mas afinal são, também, a porra dos agachamentos. "5, 4, 3, 2, 1 e aguenta lá em baixo 15 segundos!" Senti-me muitas vezes uma das meninas do vídeo Call On Me mas em mau: nada sexy e com muita, muita dor e desconforto. E pensava eu que me estava a esforçar imenso a cumprir o plano de treino. Suei em bica na aula de Localizada e quando terminou fiquei na dúvida se as minhas pernas tinham vindo comigo para o balneário ou se tinham ficado no estúdio.

Realmente treinar com pressões externas é completamente diferente que fazer as coisas ao nosso ritmo. Por isso, e apesar de não ser dada a resoluções de ano novo, estou determinada a participar em mais aulas de grupo em 2016, porque é ali, nas aulas, que vou ao meu limite, não é a puxar pesos nas máquinas.

Já sei como são as aulas de Localizada, e vou continuar a ir, mas também quero experimentar Body Combat e Body Attack, ambos com o selo de qualidade Les Mills. Por enquanto o Body Pump vai ficar fora dos meus planos porque me assusta um bocadinho. É com pesos e as imagens que vejo na net é de pessoal a fazer agachamentos com barras pesadíssimas às costas que me lembram logo do meu rico braço que ficou esfrangalhado ao fim do que parecia uma inofensiva aula de TRX, onde só se usa o peso do corpo. Mas pronto, quero sair da minha chata zona de conforto e experimentar coisas novas, senão o ginásio torna-se aborrecido e é precisamente isso que eu não quero.

 

 

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16
Dez15

Estilizar a biblioteca pessoal

Estou cheia de vontade de reorganizar a estante dos livros da nossa sala. Quando nos mudámos havia tanta coisa para fazer que pedi ao meu homem para tratar da estante. Eram caixas e caixas de livros e eu não tinha energia nem disponibilidade mental para lidar com elas. Só lhe pedi para ter atenção ao peso e tentar distribuir as coisas de forma equilibrada, para não ficarmos com uma prateleira cheia de livros com 600 páginas sob risco de desabamento. Ele pôs tudo direitinho na nossa Billy do IKEA - que aguentou estoicamente a mudança, bem como toda a mobília da loja sueca que compõe a nossa casa. Yei! - e, na altura, achei perfeito. Mas agora, uns meses depois, acho que está demasiado… direitinho. Falta ali uma arrumação mais pensada. Já na outra casa foi igual. Tivemos uma trabalheira a pôr os livros todos por ordem alfabética – foram horas de trabalho! – e uns meses depois fartei-me, aproveitei a ausência dele e mudei tudo de sítio.

Todos os dias quando me sento no sofá olho para a estante e apetece-me logo atirar-me a ela e dar-lhe uma grande volta, mas o cansaço prende-me ao sofá e acabo sempre por adiar esse projecto. Mas cheira-me que não passa de Janeiro. Já perguntei ao meu homem se ele não se importa, visto ter sido ele a organizá-la e longe de mim estar a ferir o sentido estético dele, mas é para o lado que ele dorme melhor. Acho que ter perguntado enquanto ele estava a ver o Benfica ajudou.

Para despertar a minha criatividade estive a percorrer o meu Pinterest à procura de ideias giras e também já li alguns artigos sobre como estilizar estantes, uns mais interessantes que outros. Um deles sugeria aplicar a máxima less is more, ou seja, neste caso, fazer uma selecção de livros para dar para abrir mais espaço para a decoração propriamente dita. Nem li mais. Era só o que faltava desfazer-me dos nossos livros. Para mim uma casa sem livros é uma casa despida, sem vida. Os livros para além de dizerem muito sobre quem ali vive também dão personalidade ao espaço. Toda a vida vivi rodeada de livros e tenciono continuar. Aliás, até gostava de ter mais uma ou duas Billys porque continuamos a comprar livros e não estamos a conseguir guardá-los todos juntos, mas a falta de espaço é um entrave. Talvez um dia.

Até lá vou trabalhar com o que tenho e inspirar-me em projectos alheios para ganhar ideias e energia. 

 

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Todas as imagens via Pinterest.

 

 

04
Dez15

Digam "não" à tralha.

Encontrei a minha alma gémea no feminino! Já tinha o meu homem que, quase 4 anos depois, continuo a achar que é a minha versão no masculino, mas agora encontrei uma mulher que parece ter o mesmo grau de OCD que eu no que respeita a arrumações, e encontrei-a graças a este artigo do Observador. Não conhecia o livro e acho que o vou comprar!
Sempre fui muito arrumadinha – tirando ali um hiato na adolescência em que, simplesmente, não queria saber. Nessa altura o meu armário era todo um caos de roupa embrulhada e amontoada – e lido relativamente mal com a desorganização. Já fui pior mas o meu homem conseguiu reduzir um bocadito esse meu lado freak. Já consigo ignorar durante toda uma semana – que me parece uma eternidade - o facto de o cadeirão do nosso quarto estar permanentemente atulhado com roupa dele. Vou ignorando, ignorando mas ao fim de uma semana ele tem MESMO de fazer qualquer coisa em relação àquilo. Já comigo sou sempre muito exigente. Nunca deixo a minha roupa espalhada, ou vai para o armário ou para o cesto da roupa suja; tudo, TUDO, lá em casa tem de ter um sítio próprio e pelo menos uma vez por ano pego num saco do lixo e começo a deitar coisas fora. É aí o homem lá de casa leva as mãos à cabeça porque vai tudo a eito. Sou eu a deitar coisas fora e ele à minha frente a pôr de lado o que lhe faz mesmo muita falta.
“Onde é que está aquela embalagem de cera para o cabelo que tinha guardada no armário da casa de banho?!”
“Aquela que estava ali esquecida há meses? Foi fora. Entretanto foste comprando outras que usaste até ao fim e nunca mais tocaste na antiga, portanto não estava ali a fazer nada”
“Sim, mas ainda tinha um bocadinho e podia fazer-me falta quando deixasse acabar alguma!!!”
Isto é só um exemplo. 
A minha regra é simples: se não foi usado durante um ano é porque não faz falta. E isso aplica-se a tudo: roupa, bugigangas, produtos de beleza, utensílios de cozinha e por aí fora. Quando juntei os trapinhos com o meu homem houve uma coisa que perturbou bastante este meu lado arrumadinho: a quantidade de panos e tabuleiros que as nossas mães gentilmente nos cederam. Nós agradecemos muito porque, de facto, panos para limpar a loiça e tabuleiros dão jeito, mas com moderação. Quando demos por nós tínhamos um armário só com tabuleiros e uma gaveta só com panos e isto, para mim que penso muito nestas coisas, é só um enorme desperdício de espaço. Ninguém precisa de tanto pano e tabuleiro. Portanto, quando mudámos de casa, que ainda por cima era mais pequena, começámos a abrir tudo e a escolher o que não ia, de maneira nenhuma, para a casa nova e, imagine-se, metade dos tabuleiros e dos panos que nos tinham oferecido ficaram para trás. Não foi nada fora, acalmem-se, mas foram devolvidos à precedência. Tínhamos para aí uns 8 tabuleiros e em dois anos usámos sempre os mesmos três. Um exagero. Mudar de casa foi uma canseira mas desfazer-me de coisas que já não precisávamos foi uma alegria. Um alívio que não tem explicação. A sério, acho que ia ser óptima naquele programa do TLC sobre pessoas que têm a casa com tralha até ao tecto. Ia tudo fora e estava feita à festa. Não percebo pessoas que se agarram a coisas com unhas e dentes. “Eu não uso estes sapatos há três anos, mas são tão giros que tenho pena de os deitar fora.” Pena? Aaargh. Deite a porcaria dos sapatos fora e com o espaço livre compra outros que use todos os dias. Tough love é o que aquelas pessoas precisam. Não é de estranhar que tenha adorado esta japonesa que é da opinião que as pessoas só são felizes com menos. E é mesmo verdade! Quando começo a achar que a minha casa está demasiado cheia de tralha que tem utilidade zero só fico bem quando começo a pôr coisas de lado e a ver os armários ganharem espaço e a perderem aquele aspecto caótico. “(…) não vale a pena termos pena dos objectos que deitamos fora. Se o objectivo deles na nossa vida era ensinar-nos que não precisamos deles, então já cumpriram a sua função e podem agora ir em paz… para o lixo.” You tell’em sista!

01
Set15

Fazer ou não fazer a cama, eis a questão

Há uns dias li na Harpers’s Bazaar as 9 coisas que os organizadores profissionais – não sei o que são mas parece-me algo que estou muito perto de ser! – fazem todos os dias e lembrei-me imediatamente de uma conversa que tinha tido com uma amiga e que, por estranho que pareça, até é bastante recorrente na minha vida: a importância de fazer a cama. A primeira coisa que a Harper’s Bazaar destaca é que os organizadores profissionais fazem sempre as suas camas. Dizem que é um acto que promove a produtividade ao longo do dia e que é o primeiro passo para uma vida mais organizada. Não sei se é ou não mas a verdade é que dia em que não faça a cama antes de sair de casa é dia que começa mal ou que se avizinha caótico. Sempre fui muito arrumada e organizada e desde pequena que tenho o hábito de fazer a cama antes de sair de casa. Já faz parte da minha rotina matinal. Detesto chegar a casa ao fim do dia, entrar no quarto e ter a cama de pantanas como se alguém se tivesse acabado de levantar. Não sei explicar exactamente porquê mas é um cenário que me esfrangalha assim um bocadinho os nervos – acredito que tenho um transtorno obsessivo compulsivo ligeiro que ainda não foi diagnosticado. 

Bom, essa minha amiga e, aparentemente, 95% das pessoas que conheço acham que fazer a cama é uma perda de tempo e uma coisa que não faz sentido nenhum. O argumento é sempre o mesmo e, a meu ver, muito pouco aceitável: “Para que é que eu vou fazer a cama se logo à noite me vou lá deitar outra vez?” Será que quem diz isto aplica este modelo de raciocínio a tudo? “Para que é que vou pendurar este casaco se amanhã o vou vestir outra vez? Fica aqui em cima do sofá que fica muito bem”, “Para que é que vou guardar o pijama se logo à noite o vou vestir outra vez? Vou mas é deixá-lo enrolado aqui no meio dos lençóis, que assim com'ássim também não vou fazer a cama”, “Para que é que vou aspirar a casa se amanhã já está tudo sujo outra vez, que o raio do gato/cão/coelho só larga pelo?”, “Para que é que vou passar a ferro se logo a seguir vou vestir a camisola e ela fica toda amarrotada?”. "Para que é que vou baixar a tampa da sanita se daqui a uma hora, o mais tardar, já vou ter de a levantar outra vez?" CAOS! A vida desta gente é um caos. Para além disso, um quarto com a cama feita é imediatamente um quarto arrumado e organizado, com um aspecto mais limpo e bonito e isso é uma característica que eu prezo muito em minha casa onde eu não vou só para dormir. Passo lá bastante tempo, gosto de viver o meu espaço e por isso gosto que o meu espaço esteja arrumado, organizado e limpo porque só assim me sinto bem.

Há um mito cultivado por todas as pessoas que não acreditam em fazer a cama, que é a cama ter de arejar por causa dos ácaros. Ai, adoro. Adoro porque nunca ninguém me sabe dizer quanto tempo é, realmente, preciso passar para dar cabo desses malvados mas, na dúvida, deixa-se o dia todo pronto, que assim já não há perigo. E adoro porque isso não está realmente provado, parece-me que é assim um daqueles mitos urbanos que passa de geração em geração, como aquele de que tomar banho depois de comer pode matar. Segundo um artigo do Observador – sim que eu fui-me informar para poder refutar estas ideias e evangelizar todos em meu redor - deixar a cama a arejar durante todo o dia ou não não tem qualquer influência na melhoria das alergias nem na redução das comunidades de ácaros que podem popular no vale dos nossos lençóis. Desconfio que a autoria dos “estudos” alarmistas que defendem a urgência de não fazer a cama foram levados a cabo por um preguiçoso que acha que isso é uma perda de tempo. E mais!, eu sempre dormi em camas feitas de manhã - calma enervadinhos dos ácaros, que não faço a cama assim que me levanto, é só a penúltima coisa que faço antes de sair. A última é calçar os sapatos. - e estou aqui para as curvas. Só padeço de um problema de estômago e de escoliose – mentira, tenho a certeza que tenho mais, que eu sou uma hipocondríaca do pior, mas estes são os únicos problemas diagnosticados – e não me parece que os malvados ácaros tenham desempenhado qualquer espécie de papel nestas maleitas.

Digam-me como é que alguém consegue sair de casa para ir trabalhar e deixar para trás um rasto de desorganização que vai reencontrar ao fim do dia quando regressa. Infelizmente o meu homem não é muito dado a esta actividade e como é o último a levantar-se já são mais as vezes que a cama fica por fazer. De qualquer forma, agora que vamos almoçar a casa, a primeira coisa que faço antes de me sentar a comer é... isso, fazer a caminha. Há imensos artigos que defendem que o quarto deve ser um sítio zen e calmo que promova o descanso, que até deve ser decorado com cores neutras e poucos padrões, que não deve ter televisão – bem… aqui discordo -, que não deve ser nem muito quente nem muito frio, enfim, que reúna as condições necessárias para uma pessoa entrar ali e mudar o chip para um estado de relaxamento. É por isso que não sei como fazem as pessoas que não fazem a cama. Quem é que se sente relaxado ao entrar num quarto com a cama por fazer? Com os lençóis todos amarrotados e, provavelmente, até desprendidos do colchão? Quem é que pode achar confortável entrar numa cama toda amarrotada? É que se me dissessem que fazer a cama é uma coisa que leva horas, mas é que nem isso! Em menos de cinco minutos despacha-se o assunto. E, meus amigos, se não têm cinco minutos de manhã para fazer a cama então não têm tempo para nada.

04
Ago15

Ter um gato também é isto #9

Aquilo que mais me stressou no dia da mudança de casa foi, sem dúvida, a logística do gato. Sabia que ia ter alguns desafios pela frente:


1 – enfiá-lo na transportadora – pânico!;


2 – mantê-lo fechado não sei quantas horas num dos quartos da casa antiga enquanto os senhores das mudanças nos desmontavam os móveis;


3 – mantê-lo fechado não sei quantas horas num dos quartos da casa nova enquanto os senhores das mudanças nos montavam os móveis e os do MEO nos instalavam os serviços de tv e net, com a agravante de, desta segunda vez, ele ter de estar fechado num sítio que não conhecia, com cheiros, disposições e sons novos. Andei uma semana a sofrer por antecipação com este assunto mas as coisas acabaram por correr bastante bem. Por isso a minha dica para quem possa estar a passar pelo mesmo é só uma: relaxar.


No nosso último dia de férias foi um romance para o conseguir pôr dentro da transportadora. Foi coisa para demorar mais ou menos 40 minutos! A certa altura já estava desesperada, a suar em bica e a ponderar deixá-lo lá pronto, queres ficar ficas. Antes adorava a transportadora, não se chateava nada de lá estar dentro, mas agora odeia-a com todas as forças. Tentei tudo: enrolá-lo numa manta, pôr a comida dele na transportadora, mandar-lhe os ratinhos favoritos lá para dentro… nada resultou. Assanhou-se todo, bufou-me e rosnou-me não sei quantas vezes. No final, e já em desespero, abrimos o frigorífico para ver o que nos tinha sobrado de comida, mandámos um bocado de paio para dentro da caixa, ele foi a correr desvairado atrás do paio e foi essa a nossa oportunidade de o trancar! Cheguei ao fim desta odisseia mental e emocionalmente desgastada. E só de saber que podia ter de passar pelo mesmo filme novamente, agora com a agravante de ter pessoas estranhas em casa a fazer barulho, deixou-me com os nervos em franja.
Na semana que antecedeu a mudança deixei-lhe todos os dias a comida dentro da caixa transportadora para ele se ir habituando a estar lá dentro e encarar a coisa com normalidade, li algures que isso podia ajudar. E ajudou! Quando chegou a altura deitei uns grãozinhos de ração lá para dentro – não lhe queria dar muita comida porque podia enjoar no carro –, ele espreitou meio desconfiado, dei-lhe um empurrãozinho no rabiosque e lá foi ele. O primeiro desafio estava superado. Faltava o outro, que era deixá-lo fechado no quarto na casa nova durante sei lá quanto tempo depois de já ter estado 3h fechado na casa antiga. Só o queria soltar quando os senhores das mudanças se fossem embora e quando já não houvesse portas abertas para a rua, mas  tendo em conta o tempo que demoraram a tirar as coisas da outra casa temia o pior.
Quando chegámos à morada nova preparei o quarto onde ele ia ficar com as coisinhas todas – comida, água, caixa de areia, brinquedos, a caminha – e 1h depois voltei lá para ver como estava. Estava na maior! Muito carente mas cheio de vontade de sair e começar a explorar o resto da casa. Antes de nos mudarmos falei com um veterinário e uma rapariga de uma loja de animais e os dois aconselharam-me a apresentá-lo gradualmente à casa. “Cada dia uma divisão nova.” Acredito que resulte e seja necessário para gatos muito nervosos e assustadiços mas não me parecia que fosse a melhor abordagem para um gato tão impaciente e destemido como o meu. Acho que ia ser muito cansativo para toda a gente. Pois isso, 4h30 depois, quando já não estavam pessoas estranhas em casa, abri a porta e deixei-o explorar à vontade dele. Hoje, 4 dias depois, já está perfeitamente ambientado! Só a cozinha é que está a ser um desafio maior. Entra sempre muito rasteirinho, a cheirar tudo e assim que ouve um estalido dá um salto e volta para trás a correr. Mas com tempo a coisa vai lá.


 


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Novo sítio favorito para as sestas de final de dia. 


 


 


 

03
Ago15

Mudanças report

Done! 
O dia da mudança foi o mais cansativo de todos, apesar de não ter feito quase nada durante grande parte do tempo. Mas o stress de ver pessoas a desmontar as nossas coisas na casa antiga com medo que algo corresse mal, ver a casa nova de pantanas com caixas e móveis em todas as esquinas, tudo desarrumado, ter a equipa das mudanças e do MEO a trabalhar em simultâneo e a sujarem-me tudo, ter o gato fechado no quarto durante uma data de horas, tudo junto foi coisa para me dar cabo dos nervos, já de si frágeis. 



Depois de muitas pesquisas acabámos por escolher uma empresa de mudanças certificada em vez daquelas de vão de escada que colam anúncios nas paredes. Preferíamos pagar um bocadinho mais mas ter a certeza que as nossas coisas eram tratadas com cuidado e que, caso houvesse um azar, havia seguro incluído no preço que cobria os danos. Os senhores chegaram à morada antiga pontualmente, às 9h, mas quando os vi comecei a ver também a minha vida a andar para trás. Era um senhor de 50 e tal anos que assim que viu o que tínhamos em casa para eles transportarem começou a fazer alongamentos "que isto de manhã é mais complicado, ainda temos que aquecer", e um franganote na casa dos 20 pequenino e magrinho. Apesar da primeira impressão não ter sido a melhor a coisa até nem correu mal. Tiveram muito cuidado com tudo e o senhor mais velho foi muito compreensivo em relação aos cuidados a ter com o nosso gato - não entrar no quarto onde ele estava, montar as mobílias daquela divisão em último lugar, ausentar-se da zona dos quartos quando tinha de o passar de um quarto para o outro, para não se assustar, etc. - acho é que podiam ter demorado menos tempo. Ao todo foram 7h30! Está bem que a casa antiga ficava num 3.º andar sem elevador - e eu bem vi a diferença quando transportaram as coisas para a casa nova que tem elevador. Bem mais rápido! - e a distância entre as duas moradas era de pouco mais de 20km, mas 7h30 pareceu-me um exagero. Falei com duas pessoas que também mudaram de casa recentemente e o tempo que demoraram variou entre as três e as seis horas. Mas pronto, está feito e se não fosse a empresa de mudanças tinha sido impossível. As únicas baixas que houve foram três canecas, um pires e um copo que se partiram por culpa nossa. O resto está impecável!


Ao fim do dia o cenário cá em casa era caótico. A maior parte dos móveis estavam colocados no sítio certo mas o recheio estava todo dentro das caixas, de formas que ver caixas e mais caixas por todas as divisões foi avassalador. Confesso que tive ali um momento de histerismo interior em que não sabia para onde me virar. Abria as caixas que estavam na sala, via que tinham coisas que tinham de ser guardadas no quarto, ia ao quarto e via mais caixas com coisas que tinham de ir para o armário da casa de banho... aaaaaaaaaaaaaaargh. 


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Como o trabalho de equipa é essencial nestas situações eu e o meu homem unimos esforços e em 5h pusemos a casa operacional. Tudo arrumado, tudo limpo, decorações nos sítios... e às 22h estávamos derreados a ligar para a Sushi@Home para encomendar o jantar - regalias para quem mora na capital.


 


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Estávamos algo apreensivos antes da mudança, tínhamos receio que a nossa mobília ficasse muito atabalhoada num espaço que é mais pequeno que o anterior, mas o resultado superou largamente as expectativas. A sala é o nosso xodó, adoramo-la, mas toda a casa ficou muito harmoniosa e acolhedora, até mais que a antiga, vejo isso agora, onde as coisas estavam mais dispersas pelas divisões. Morar em Lisboa, pertinho de tudo - algo que sempre quisemos -, ir e vir a pé do trabalho, poder ir almoçar a casa é, sem sombra de dúvida, um luxo, e morar numa casa tão bonita, um bónus!

30
Jul15

Mudanças report

Em quatro dias já conseguimos embalar, transportar e arrumar na casa nova toda a nossa roupa, decoração, pequenos electrodomésticos, o recheio da dispensa e alguma loiça. Queremos que os senhores das mudanças só nos levem mesmo a mobília e uma ou outra caixa que seja mesmo muito pesada para nós ou que não nos caiba no carro durante este processo – que serão certamente as do resto da loiça e dos livros. Não só lhes reduz substancialmente o tempo da mudança como para nós é muito mais fácil só termos de arrumar livros e pratos na casa nova assim que a mudança estiver concluída, em vez de darmos por nós e termos tudo de pantanas. Tem-nos saído do pêlo! Actualmente moramos num 3.º andar sem elevador que sempre me custou horrores a subir mas agora, que tenho de subir e descer aquelas malditas escadas com caixas pesadíssimas nos braços vezes sem conta, estou-lhes a desenvolver o ódio nada saudável. É uma alegria sempre que chego à nova morada e só ter de depositar as coisas no elevador!
Apesar de estes dias estarem a ser muito cansativos sabe-nos bem começar a ver a casa nova a ganhar vida com as nossas coisinhas. É uma sensação muito boa. Quem está a adorar tudo isto é o senhor Kubrick, que agora tem todo um mundo de caixas e caixinhas onde se pode esconder e esticar o seu lombinho de 5kg.


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Mal sabe ele o que o espera...


 


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28
Jul15

Mudanças

Qual é aquela coisa que ninguém quer fazer no dia em que as férias terminam? Podia ser desfazer a mala que, de facto, é uma chatice e nunca apetece, mas não, não é isso, estou mesmo a referir-me a preparar uma mudança de casa. Este ano foi o que nos calhou na rifa. Depois de muito matutar, quase até à exaustão – mesmo!... – decidimos avançar com a mudança. A área do novo apartamento é um bocadinho menor que a que temos agora mas para morar em Lisboa, pertinho de tudo e, consequentemente, melhorar a nossa qualidade de vida – adeus trânsito e gastos parvos em gasolina -, há que fazer alguns sacrifícios e a área útil numa casa é, sem dúvida, uma delas. A não ser, claro, que sejamos ricos, aí o céu é o limite – eu contentava-me com uma penthouse no Chiado. Assim que entrámos em casa, depois de uns retemperadores 15 dias de praia, desfizemos as malas de viagem e começámos imediatamente a encaixotar a nossa vida de dois anos e meio nestes 90m2. Cheguei ao final do dia tão estoirada que quase não conseguia falar. E só enchemos umas seis caixas. Ou seja, ainda falta TUDO! Felizmente tivemos a presença de espírito de contratar uma empresa que nos vai tratar da mudança dos móveis, o que já é um descanso.
O grande defeito que achei que a casa nova tinha era o facto de não ter dispensa nem varanda/marquise onde se pudessem guardar coisas, mas depois entrei em minha casa, vi a quantidade de tralha que tenho guardada nesses dois espaços e agradeci a Deus ter-me levado para um sítio onde vou ser obrigada a ter um estilo de vida mais minimalista. A sério, quem é que precisa de 50 sacos de plástico e papel? O que é que eu acho que me vai acontecer na vida para precisar de armazenar tanto saco? E as caixas acumuladas das coisas que fomos comprando?  Ele é a caixa do secador, da máquina do café, da liquidificadora, do aquecedor ranhoso que deve ter custado uns 10€ - mas que me dá um jeitão no inverno para aquecer a casa de banho! -, da varinha mágica, do fervedor… ufa! “Guardamos a caixa durante 2 meses, não vá haver algum problema com o aparelho, mas depois vai fora.” Vai, vai. A minha vontade é entrar ali, fechar os olhos e mandar tudo para o lixo, assim indiscriminadamente, mas, infelizmente, vou ter de passar por um longo e penoso processo de selecção, não vá haver ali alguma coisa que faça, realmente, falta.
No meio disto tudo percebi que uma das coisas boas de se ter os pais a viver num raio de 20km é podermos distribuir a tralha que não conseguimos pôr na casa nova pelas casas deles. Por exemplo, sempre que entro na marquise o que me salta logo à vista é a enorme bola de Pilates que resolvi ir buscar a casa dos meus pais num dia em que, provavelmente, me estava a sentir muito virada para a actividade física – go figure… Erro. Trouxe-a, enchi-a e guardei-a ali. Vai, obviamente, regressar às origens, que na casa nova não há espaço para devaneios parvos deste género. Na casa antiga temos três varandas com janelões enormes mas na casa nova isso não existe, logo, vão sobrar cortinados. Solução: vão dobradinhos para a casa dos sogros que era só o que faltava agora pôr cortinados no lixo. Coincidência das coincidências, os nossos pais vão de férias na altura das mudanças o que pode significar que, quando regressarem, tenham uma decoração nova lá por casa (inserir riso maquiavélico).
Nos próximos dias a minha vida vai ser isto: trabalhar durante o dia, encaixotar coisas à noite e ir levando o que conseguirmos para a casa nova ao final do dia de forma a que, no fim de semana, quando chegarem os senhores das mudanças, já estar tudo organizadinho e só ser preciso levar. Quando tomámos esta decisão pensei que mal começássemos as mudanças ia começar a chorar copiosamente com pena de deixar a casa, tão bonitinha, onde fomos tão felizes nos últimos dois anos e meio, mas já tirámos todos os cortinados das janelas, molduras das paredes e encaixotámos roupas e coisas de cozinha e, até agora, mantive-me firme como uma rocha. So far so good.

29
Jun15

Mudar de casa

O que é que duas pessoas que não gostam de mudanças nunca conseguem fazer de forma leviana? Exacto, mudar de casa. Certamente haverá muitas outras coisas, mas mudar de casa é capaz de ser o maior pesadelo de alguém que não gosta muito que lhe abanem as estruturas. Eu e o meu homem moramos nos subúrbios numa casa linda, espaçosa, com muita luz, completamente decorada a nosso gosto. Um mimo. Problema: fazemos toda a nossa vidinha em Lisboa e só regressamos à base para dormir. O que significa que passamos imenso tempo enfiados no carro e que não usufruímos da zona onde está a nossa casa e isso, ao fim de dois anos e meio, foi uma coisa que nos começou a aborrecer. O facto de ser um terceiro andar sem elevador também não ajuda. Já lá estamos há tempo suficiente para as minhas pernas se terem habituado a subir três (longos) lances de escadas, mas a verdade é que ainda hoje fico surpreendida por não morar no segundo andar, onde chego sempre cansadíssima e a desejar parar logo ali.
Há meses que andamos a ver casas em Lisboa, o que é o mesmo que dizer que há meses que sofremos desilusões umas atrás das outras. Por norma nas fotografias as casas parecem sempre lindas e enormes mas quando lá entramos são minúsculas e escuras/a precisar de pintura/com muros em frente às janelas/com quartos onde não cabe uma cama/os senhorios são uns burgessos… you name it. E as casas giras têm sempre um Calcanhar de Aquiles que torna impossível avançar para o aluguer. Normalmente são as cozinhas semi-equipadas, que é como quem diz com fogão e, com sorte, esquentador e/ou casas sem roupeiros. Ora, se nos pedem 600€ mas depois ainda temos de equipar a cozinha toda, ou se temos de comprar armários que vão, invariavelmente, tirar área aos quartos… a brincadeira sai cara. Portanto o cenário foi este durante quase um ano, até nos ter aparecido a casa que tinha tudo para ser perfeita: remodelada, com elevador, cozinha equipada e a uma distância pedonal de tudo o que interessa, inclusive do trabalho. Se no sítio onde estamos agora precisamos de carro para tudo – mas mesmo tudo! -, ali podemos ir a pé ao supermercado, ao cinema, a uma data de restaurantes e se quisermos ir um bocadinho mais longe também temos o metro logo ali à porta. Problema: a casa é mais pequena que a nossa – uma diferença de 15m2 - e a nossa… epá, é mais gira. Sinto que para todas as pessoas com quem falo do assunto isto não se qualifica como um problema, na maioria das vezes ficam convencidas com o argumento de ir a pé para o trabalho, mas a verdade é que perante a hipótese de deixarmos a nossa primeira casa, tão lindinha e maior, com as paredes pintadas de cinzento clarinho e o papel do Querido Mudei a Casa na sala… a verdade é que vacilamos e começamos a pensar se afinal ir a pé para todo o lado, inclusive para o trabalho, é assim tãaaaaao importante. Também não ajuda estarmos a passar por este dilema no verão, altura em que quase não há trânsito nenhum em Lisboa. Se calhar se estivéssemos em Janeiro, com chuvas torrenciais e filas de trânsito assustadoras, a conversa era diferente.
E pronto há uma semana que não se fala noutra coisa, de manhã achamos que nunca na vida vamos conseguir abandonar a nossa primeira casa, mas a meio da tarde já só vemos vantagens na outra: “É mais pequena, mas…”. Daqui a umas semanas vou de férias e não queria nada usar o meu tempo de relax a martirizar-me com este assunto, de formas que já só me apetece ligar ao senhorio e dizer “esqueça lá isso” só para conseguir pensar noutras coisas. E este filme todo é só para decidirmos se queremos mesmo mudar de casa ou não! Nem quero imaginar como será se tivermos de empacotar tudo e voltar a desempacotar e arrumar tudo no sítio na casa nova. Pânico.

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