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zona de desconforto.

zona de desconforto.

16
Jan17

Os 5 estágios da procura de casa

Eu e o meu homem terminámos 2016 em demanda pela casa perfeita em Lisboa. Objetivo: comprar. Começámos otimistas, afinal quão difícil podia ser encontrar casa?, mas rapidamente percebemos que este é um caminho sinuoso, cheio de altos e baixos, e que são mais as desilusões que as agradáveis surpresas. Aliás, das primeiras tivemos muitas, mas das segundas, até agora, zero. Espetáculo! Percebemos também que procurar casa para comprar é frustrante e faz com que até a mais calma e otimista das pessoas passe pelos 5 estágios da perda, mas aplicado ao mercado imobiliário.

 

Negação

 

Depois de falarmos com duas ou três pessoas que também tinham estado, ou estavam naquele momento, à procura de casa e de ouvirmos atentamente as suas histórias de terror, trocámos olhares cúmplices como que a dizer “Humpf, isto não pode ser assim tão difícil. De certeza que eles estão a procurar nos sítios errados.” E foi com este espírito otimista que começamos as nossas buscas nesse baluarte do mercado imobiliário que é o Imovirtual. Usámos todos os filtros disponíveis para só nos aparecerem as coisas que pretendíamos e, curiosamente, o que nos apareceu foi mau! Casas caras, casas pequeníssimas, prédios sem elevador e casas a precisar de “pequenas obras” mas que as fotografias deixavam antever looooooongos meses e rios de dinheiro gastos em pôr a casa de pé novamente. “De certeza que o Imovirtual não tem tudo. As agências imobiliárias devem ter coisas muito mais interessantes e exclusivas.” Right?!

 

Raiva

 

Ao fim de dois dias não só já conhecíamos de cor TODAS as casas que estavam no mercado como começámos a perceber que era indiferente consultar uma panóplia tão grande de motores de busca porque, basicamente, tinham TODOS a mesma coisa. Imovirtual, Casa Sapo, Remax, Era, OLX, têm todos praticamente as mesmas casas… e quando começamos à procura de coisas no OLX sabemos que batemos no fundo.
Outro pormenor muito giro que nos começou a dar cabo dos nervos foi essa epidemia do mercado imobiliário que são as “fotos modelo”. Adoramos. Encontramos uma fotografia catita, abrimos o link, vemos o resto das fotografias, “Uau, que giro. Tudo remodelado e branquinho” lemos a descrição, que até agrada, começamos a ficar entusiasmados mas depois chegamos ao fim e pimba, aviso: “fotos modelo”, que só piora quando se segue do convite “venha conhecer!” Portanto, tudo o que eu tinha visto até ali e que tinha gostado não passava de uma miragem porque, na verdade, aquelas fotografias são de uma casa que não era aquela. Mas nós até damos o benefício da dúvida e lá vamos, só para encontrar apartamentos minúsculos, cheios de pó e sem encanto. E isso leva-nos a outro ponto deprimente: as casas são todas iguais, sem personalidade nenhuma.
Aparentemente o que está a dar em Lisboa são as remodelações "chapa cinco". Já as conheço de cor: cozinhas com bancada “em Silestone cinza”, "pavimento flutuante cor de carvalho", que faz aquele barulho oco super irritante mas extremamente útil para perceber a fraca qualidade da coisa e que dali a 5 anos, máximo, aquilo vai começar tudo a levantar e vai ter de ser substituído, "pré instalação de ar condicionado", janelas “oscilo-batentes lacadas a branco”, vidros duplos com um isolamento acústico para cima de espetacular, não se ouve nada tirando o comboio do outro lado da rua que parece mesmo que está a passar dentro de casa mas que tirando isso é um sossego, e "porta de alta segurança", whatever that means mas que agora também é super tendência nisto das casas. Podemos ver 5 apartamentos num dia que parece que vimos só um. Mais metro quadrado, menos metro quadrado acaba por ser tudo igual, estandardizado, estéril.

 

Negociação

 

Meia-dúzia de visitas depois percebemos que vamos ter de fazer cedências - gente pobre é assim, não pode ficar feliz muito tempo - e já estamos por tudo. Queremos um T2 com áreas decentes e boa exposição solar. Quando damos por nós estamos numa casa de 90m2 - o que em Lisboa é um palácio! - com um logradouro que, como é lógico, fica num rés do chão.
Rés do chão está fora de questão, que as pessoas lá fora passam mesmo ali ao lado da janela do quarto e isso é estranho. "Pronto, então até podemos ter uma casa um bocadinho mais pequena, desde que seja num andar intermédio". Damos por nós numa casa de 68m2 - !! -, num 2.º andar mas as janelas da cozinha e da sala ficam viradas para um muro.
"Sejamos realistas, precisamos mesmo de uma casa maior, 68m2 é minúsculo, e também gostávamos de ter uma vista. Se for preciso aumentamos um bocadinho mais o orçamento". Dias depois entramos numa casa ligeiramente maior, num 3.º andar com "magníficas vistas para Monsanto", 20 mil euros mais cara mas... sem elevador. E as "magníficas vistas para Monsanto" resumiam-se a umas tímidas copas de quatro árvores que ficavam em terceiro plano, depois da estação da CP e de uns cabos elétricos. É o que dá responder a anúncios com "fotos modelo".

 

Depressão

 

E com isto tudo passam-se meses, só que não, na verdade passaram apenas duas semanas só que isto de andar em busca de casa é tão cansativo que um dia parecem dois e duas semanas rapidamente se transformam em meses, e damos por nós a desistir do sonho de continuar a morar em Lisboa, numa casa com áreas decentes, com quartos onde se possa pôr uma cama, só uma cama, perto do metro e segura, onde uma pessoa possa andar a pé depois das 21h sem ter medo de ser cortada às postas ali ao virar da esquina. Em menos de nada começamos a ver casas lindas e enormes que ficam para trás do sol posto e a ponderar se demorar 1h40m para chegar ao trabalho será assim tão mau. Houve um dia particularmente péssimo em que chegamos a ponderar ir ver uma casa enorme... a Cacilhas. Cacilhas!!!! Dez minutos depois caímos em nós e pusemos essa brilhante ideia de parte. Ainda bem, porque era péssima. A ideia, não a casa.

 

Aceitação

 

Ontem abri o meu email e tinha a resposta de uma imobiliária para onde tinha enviado um pedido de visita a um apartamento que já nem me lembrava qual era mas que "infelizmente, já se encontrava vendido". Ainda assim a agente, muito simpática e pro-ativa, enviou-me uma lista de 5 imóveis que ela acreditava irem "de encontro" ao que pretendíamos. Um deles dizia o seguinte, ora atentem que isto é tão bom que, lido em voz alta, até faz festinhas no lóbulo da orelha:

 

T3,

 

"Uau! T3! Tantos quartos!"

 

completamente remodelado, a estrear.

 

"Ótimo, não precisa de obras!"

 

Perto do metro de Sete Rios.

 

"Bingo! Linha azul. A melhor linha, logo ali à porta de casa. Tu queres ver que é desta?!"

 

O apartamento é uma cave,

 

"... ... ... ..."

 

no entanto, não há qualquer divisão interior,

 

"... ... ..."

 

há divisões que dão para o logradouro e outras que dão para o passeio com aproximadamente 1 metro de altura.

 

"..."

 

Preço: 229 mil euros. 

 

Foi depois de ler esta deliciosa peça de literatura ficcional que percebi que tinha chegado ao quinto estágio: a aceitação. E como é que percebi isto? Porque quando cheguei ao fim em vez de desesperar e não ver a luz ao fundo do túnel desatei-me a rir. Duzentos e vinte e nove mil euros?! Por uma cave?! Ahahahahahahahahahahahahahahaha. De facto a senhora agente imobiliária estava cheia de razão, os imóveis que ela me enviou iam todos "de encontro" ao que nós procurávamos como, aliás, foram todos os que vimos até agora. Difícil, pelos vistos, é algum ir AO ENCONTRO do que nós queremos. Mas pronto, a esperança é a última a morrer. E se não for em Lisboa será noutro sítio qualquer. Sem pressas.

10
Out16

"Calma, estás muito irritada!"

Quando li este post d’A Gaja

“Quando um homem fala alto, está a "expressar a sua opinião". Uma mulher quando eleva a voz é "uma histérica". Quando um homem está zangado é porque deve ter razões para isso. Quando uma mulher está chateada, "está hormonal, com TPM".“

lembrei-me de uma coisa que acontece comigo há anos. Não sei se por ser mulher ou por ser como sou ou uma mistura das duas coisas. De qualquer maneira incomoda-me muitíssimo.

Sou, geralmente, uma pessoa reservada, apaziguadora e diplomática. Não gosto de conflitos e quando me deparo com uma pessoa que não sabe debater uma ideia ou que o faz de maneira que, para mim, é agressiva tendo a manter-me neutra para acabar a discussão rapidamente para não me chatear. Porém, volta e meia, acontece expressar a minha opinião e envolver-me em debates sobre determinados assuntos que me apaixonam particularmente. Pasme-se! E sempre que o faço, especialmente se o meu ponto de vista for diferente do do meu interlocutor, a reacção é sempre a mesma: “Calma! Estás muito enervada.” A sério? Esse é o teu melhor argumento para provares que tens razão? Eu não estou enervada, estou só a dar a minha opinião que, por acaso, é diferente da tua. Lida com isso. Mas lida de uma forma construtiva, apresentando argumentos para defender o teu ponto de vista em vez de acabares com a conversa com a cartada do “estás muito enervada”.

Não obtenho esta reacção só da parte de homens, as mulheres também fazem o mesmo, e isso faz-me reflectir se é por, normalmente, evitar alongar-me em discussões que prevejo serem intermináveis e desagradáveis ou se é por ser mulher. De qualquer das formas adorava que as pessoas aceitassem esse facto, de que sou mulher e sou como sou, se focassem naquilo que estou a dizer e se envolvessem na discussão em vez de tomarem o meu entusiasmo por determinado assunto por histerismo, stress, TPM ou o raio que o parta. E não, não estou irritada. Estou só a expressar a minha opinião. Obrigada.

23
Set16

Get away | Lousã: as aldeias do xisto

Se há coisa que me move são as viagens. A possibilidade de entrar num avião e horas depois aterrar noutro país, ouvir outra língua, comer e ver coisas totalmente diferentes das que conheço ou das que me rodeiam no dia-a-dia. Mas quando não dá para sair de Portugal também não desanimo. Há imensa coisa no nosso país que não conheço e que estou pronta para explorar.

Em Janeiro já sabíamos que não ia dar para fazer uma grande viagem por isso fizemos uma lista de sítios que não conhecíamos em Portugal, ou que já conhecíamos mas não juntos, e começámos a planear. O primeiro destino foi o Porto, em Maio, e o mais recente as aldeias do xisto da zona da Lousã. O plano inicial era ir a Évora mas, depois de duas semanas de papo para o ar no Algarve, já estava tão fartinha da paisagem árida do Sul que só queria ver verde, montanhas e vales. A zona do Douro, ali para os lados de Lamego, era muito apetecível mas não queríamos ir para tão longe por isso, e depois de esmiuçado o mapa da Portugal, optámos pela Lousã. Ficava a 2h de caminho, o hotel era bom e acessível, a comida da região tinha bom ar e a cereja no topo do bolo eram as aldeias do xisto, que nenhum dos dois conhecia. Tudo isto somado fez-nos mudar os planos do Sul para o Centro, de Évora para Lousã, uns escassos dias antes de irmos. Enervante para uma control freak como eu, que gosto de estudar e planear tudo muito bem antes de ir, mas foi o melhor que fizemos e correu tudo lindamente, mesmo sem termos grande coisa planeada com excepção dos restaurantes, que já iam todos escolhidos e com reservas feitas. Se há coisa que me assusta é estar cheia de fome  e não ter sítio para comer e acabar num tasco gorduroso com comida de origem e confecção duvidosa.

Chegámos à Lousã pelas 14h, esganados, sob o calor abrasador de uns simpáticos 40ºC, e fomos direitinhos ao Casa Velha. Ainda bem que fizemos reserva. Havia uma fila assustadora à porta e o restaurante estava à pinha. Só havia uma mesinha livre. A nossa! :) Pedimos uma dose de pataniscas com arroz de feijão para os dois, que parecia ser para 4, que me soube pela vida. De estômago cheio começámos a nossa rota pelas aldeias do xisto. Em dois dias vimos três aldeias e, no regresso, ainda parámos em Tomar para comer o melhor pernil EVER!

 

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 O primeiro impacto com a Serra da Lousã: brutal! Era mesmo, mesmo isto que estava a precisar. Verde a perder de vista e silêncio.

 

 

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 O percurso para as aldeias. Curvas e contracurvas, árvores e um cheirinho maravilhoso a eucalipto

 

  

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 Candal, ali escondidinha. 

 

 

 

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Nas escadinhas da aldeia do Casal Novo. Acho que moram lá duas pessoas, a maioria das casas está ao abandono, mas fiquei maravilhada com este caminho que parecia ter saído de uma história de encantar!

 

 

 

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Gondramaz

 

 

 

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O Beco do Tintol, em Gondramaz

 

 

 

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Duas habitantes da aldeia

 

 

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  A aldeia do Talasnal no meio dos vales!

 

 

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 O meu género de turismo rural. No Talasnal.

 

 

 

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Talasnal: a aldeia mais bonita de todas. Se lá forem é OBRIGATÓRIO visitarem a casa da Ti Lena. Um restaurante típico - mais típico é impossível - que fica mesmo dentro de uma das casas, onde se come o melhor cabrito de sempre! As duas senhoras que lá trabalham são uns amores e o ambiente é muito castiço. É preciso reservar. O lugar e a comida.
A sério, escolham o cabrito.

 

 

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A vista arrebatadora do topo do Talasnal

 

 

De regresso a Lisboa aproveitámos para visitar o Convento de Cristo e Castelo Templário, em Tomar, e para almoçar no centro da cidade.

 

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 Os jardins encantados do Convento

 

 

 

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O TripAdvisor tinha o restaurante Taverna Antiqua como o melhor de Tomar, por isso tínhamos que lá ir. Óbvio! Ir a este espaço é toda uma experiência. Quando ali entramos, entramos na época medieval. Desde a música - que consegue ser um bocadinho irritante, confesso. Demasiadas gaitas de foles. -, às roupas dos empregados, à iluminação toda feita à luz das velas, os copos de barro, as mesas e, claro, a comida!

 

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Depois do cabrito na Ti Lena queria mesmo comer pernil, dois pratos que apetecem muitíssimo em dias de 40ºC, mas toda a gente falava no raio do pernil nas reviews e eu adoro pernil portanto, pernil it is. E que boa decisão! Como podem ver é gigante, dá à vontadinha para duas pessoas, e estava indescritivelmente bom. Se passarem por Tomar visitem o restaurante que não vão ficar nada mal servidos. 

 

Foi o final perfeito destes dois dias mágicos nas aldeias do xisto da Lousã.

20
Set16

Um ano de ginásio!

Um ano de ginásio? What?! Já?! Quando me lembro das semanas de hesitação que antecederam a minha inscrição sinto-me ridícula. Como acontece, aliás, com todas as minhas hesitações prolongadas. Uma pessoa quando pensa muito sobre qualquer assunto começa a entrar numa espiral obsessiva até parecer que todos os cenários vão desembocar num mau desfecho. Pelo menos comigo é assim. Cheguei a um ponto em que sempre que pensava em inscrever-me no ginásio a conclusão era sempre a mesma: depois quero desistir e não posso por causa da fidelização e depois vou andar a pagar uma coisa que não uso durante um ano, ou mais!, e em vez de poupar aqueles 40€ estou a gastá-los numa coisa de que não gosto, e por aí fora até chegar àquele fatídico cenário hiper-realista em que ia estar a morar debaixo da ponte por estar cheia de dívidas por culpa dos 40€ de prestação do ginásio que eu não frequentava. O cenário nunca era: talvez corra bem e nem chegue a pensar em desistir. Nunca! Sofrer por antecipação é que muita bom. Porém, durante este ano desistir nunca foi uma opção, mesmo quando me lesionei e fiquei um mês sem lá aparecer, mesmo quando fui de férias três semanas e a última coisa a ocupar-me o pensamento ser o exercício físico, mesmo quando me lesionei outra vez, e mais outra. O facto de o ginásio ficar entre o meu trabalho e a minha casa também ajuda.

 

Só agora, ao fim de um ano, começo a ver ligeiras diferenças no meu corpo mas, a principal mudança, foi na cabeça. Encarar aquela hora que ali estou como um momento meu, em que estou a cuidar de mim, do meu corpo, da minha saúde física e mental. O objectivo vai muito além de uma barriga definida – é que já nem tento. Não tenho espírito de sacrifício para isso – e de um rabo firme que não abana com nada. Como diz a Lena Dunham, essa filósofa dos tempos modernos, “It ain't about the ass, it's about the brain”.

No passado, quando me inscrevi noutros ginásios, ao fim de três meses estava farta e desistia. Sempre detestei ginásios e qualquer espécie de exercício físico, por isso andar há um ano nisto, a ir todas as semanas, no mínimo duas vezes, idealmente três, é para cima de espectacular! Diria mesmo que é um marco na minha vida! Mas é precisamente quando penso nisto, e me sinto uma pessoa mega motivada, que oiço as minhas colegas da aula de Localizada a dizerem barbaridades do género: “Amanhã fazemos musculação e cardio e depois vamos à aula de zumba!” E dizem isto entusiasmadíssimas! Ora bem, segundo as minhas contas, isso dá, pelo menos, 2h no ginásio… DUAS HORAS! Achava eu que fazer uma aula de 55 minutos de Body Pump fazia de mim uma badass. Pffff, please.  Não passo meio-dia no ginásio, não levanto mais que 5kg e fico boquiaberta quando vejo aquela rapariga com caneleiras de 10kg quando eu me contento com 4kg. Cada pessoa tem os seus objectivos e eu estou muito contente com os meus. Mesmo.  

 

Apesar de não ser uma expert, talvez se já andasse nisto há 10 anos a minha credibilidade fosse outra mas, ainda assim, e como isto para mim é um feito!, resolvi reunir um conjunto de dicas que vos podem ajudar a não desistir do ginásio nesta rentrée. Ou melhor, a não desistir de vocês! Ãh? Depois desta estou quase uma lifecoach. Brincadeiras à parte, vejo mesmo as coisas desta forma. Se virmos uma inscrição no ginásio como um compromisso connosco próprios e não com uma empresa de crédito, é muito mais difícil desistirmos porque isso significa que estamos a desistir de nós. Da nossa saúde, do nosso bem-estar. Quem é que quer isso?

 

Bom, estas são as dicas que, até agora, têm resultado comigo:

  1. Agendar todas as sessões de treino no telemóvel. O meu mantra é: se estiver na agenda é porque é real. Portanto, se olhar para o meu calendário e vir agendada para todas as segundas-feiras do mês uma aula de Body Pump às 19h isso para mim é uma realidade, é uma coisa que eu tenho mesmo de fazer.

  2. Não pensar no assunto. Se ao fim do dia me puser a reflectir se me apetece mesmo ir ao ginásio, ou se prefiro atirar-me para o sofá e fazer zapping até me dar a fome, é provável que a resposta penda para a segunda hipótese. Por isso o segredo é não pensar nisso. É ir e pronto, como se não houvesse outra opção. Mais ou menos como quando nos levantamos para ir trabalhar. Se pensarmos, a uma segunda-feira de manhã, “será que quero mesmo ir trabalhar?” provavelmente a reacção seria calar o despertador, virarmo-nos para o outro lado e só acordar quando o corpo estivesse dorido da cama. Mas não dá. Temos mesmo de ir, é a vidinha. O espírito com que encaro o ginásio é o mesmo.

  3. Se naquele dia em que tiverem uma sessão de treino agendada não vos apetecer mesmo nada, nada, nada ir... vão! É nesses dias que mais precisamos de ir. Se não formos hoje porque não nos apetece deixamos uma porta aberta para um sem fim de faltas ao ginásio. Esse "hoje não quero, vou amanhã" rapidamente se transforma num mês sem lá pôr os pézinhos. Acreditem que nesses dias, quando o treino terminar, se vão sentir muitíssimo satisfeitos convosco próprios por terem contrariado a preguiça.

  4. Levar o saco do ginásio para o trabalho. Como é apenas uma agradável caminhada de 10 minutos que separa a minha casa do meu trabalho, nos dias em que tenho programado ir ao ginásio podia simplesmente ir a casa ao final do dia equipar-me e poupar as minhas ricas costas a andar com o saco do ginásio de um lado para o outro. ERRO. Levo sempre o saco comigo logo de manhã. Assim durante o dia estou sempre com ele ali ao lado, a olhar para mim, e isso funciona como um reforço. Uma espécie de reality check. Sim, hoje é MESMO dia de ginásio. Mesmo que depois até consiga sair cedo e dê tempo para ir a casa equipar-me e comer qualquer coisinha antes do treino. O saco do ginásio vai SEMPRE comigo de manhã.

  5. Escolher boa música. Se têm espírito de sacrifício suficiente para estarem 1h a fazer o vosso plano de treino… boa! Eu pensava que tinha, que era na elíptica e na máquina de aductores que ia ver a luz, só que não. É uma pasmaceira e uma morte lenta para mim. Porém, na altura em que me queria dedicar de corpo e alma ao plano de treino, a música era o meu principal boost. Era o que me dava pica para continuar só mais 5 minutos. Só mais uma série de dez. Portanto, apostem na música! Encham o vosso iPod, telemóvel, o que for, com as músicas que mais gostarem e façam por actualizar a playlist com frequência. Quando fazia download de uma música nova isso dava-me logo outra vontade de ir treinar, por saber que o ia fazer a ouvir aquela música. Pode parecer pateta, mas comigo resultou. Até certo ponto.

  6. Se, como eu, a vossa onda forem as aulas de grupo, óptimo. Têm todo um calendário por onde escolher. O que não falta nos ginásios são aulas de grupo. Escolham as que mais gostarem e agarrem-se a elas como se a vossa vida dependesse disso. E se as aulas forem dadas por professores de quem gostam, melhor ainda! Pessoalmente gosto infinitamente mais de aulas dadas por mulheres do que por homens. Os homens ou são umas bestas ou são uns nhonhós que só estão ali a cumprir horário e não motivam ninguém. Já as mulheres têm muito mais garra, são mais duras, porém sensíveis. Pelo menos as do meu ginásio. Isso para mim é logo uma motivação extra. Mesmo que não me apeteça muito ir, só de saber que vou ter aula com aquela professora super divertida e que puxa imenso pela turma fico logo com outra motivação. Para além disso são uma fonte de inspiração tremenda: eu quero ter aquelas pernas torneadas! Quero ter os braços definidos como os delas! Quando já estou muito cansada é a isso que me agarro. E resulta!

  7. Por último: é só 1h do vosso dia! Ou, no limite, 30 minutos, que agora há aquelas aulas de alta intensidade, rapidinhas, que passam num instante. 1h para cuidarmos de nós não é assim tanto tempo nem tão difícil de encaixar no nosso dia. No excuses.

 

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17
Jun16

Carta aberta aos professores dos ginásios

Aula de Localizada. Professor com cara de poucos amigos e com braços que pareciam o tronco de uma árvore. Entramos na sala para começar. Ele berra o material que vamos usar. “Barra, step e colchão. Dois discos de 10kg para homens e 5kg para mulheres. Mínimo.” Fui buscar as coisas e trouxe comigo dois discos 2.50kg que é o que consigo levantar com algum esforço mas sem sentir que me estou a lesionar toda. Ele olha para mim e berra: “5kg! 5kg! 5kg!” Fulminei-o com o olhar: “Não consigo levantar 5kg.” “Tem de ser mais peso. Mais peso!” Meti o rabinho entre as pernas e fui buscar dois discos de 1.25kg só para lhe fazer a vontade e a achar que pôr aquilo ou fazer só com 2.50kg era igual. Não era. E senti logo isso quando quis levantar a barra. “Vamos fazer vários exercícios. Quatro séries de dez cada. No final da aula, tudo somado, tem de dar mil.” Ele disse mesmo isto. Mil repetições em 50 minutos de aula que, em tradução livre, é mais ou menos isto: vamos fazer quatro séries de dez repetições o mais depressa que conseguirmos. Que se lixe a técnica. Temos é de chegar ao fim com mil repetições feitas.

Primeiro exercício: barra atrás do pescoço e toca a agachar. Afinal agachar com 2.50kg de cada lado ou com 3.75kg ainda faz diferença. Fazia um agachamento por cada dois dele, que olhou furioso para mim, como se fosse a vergonha da turma, e gritou: “Mais rápida! Mais rápida!” E eu com uma vontadinha de mandar a barra ao chão e gritar de volta: “Mais rápida o quê c$%#%&o! Ou ponho mais peso ou sou rápida a agachar! As duas coisas é que não pode ser!” Uns quinze minutos depois, já a fazer um esforço horrível, comecei a lembrar-me de todo o dinheiro que já gastei para diagnosticar e tratar lesões feitas no ginásio: ressonância magnética, Raio X, ecografias, fisioterapia, dois meses sem conseguir treinar… “Fuck this shit”. Pousei a barra, tirei os discos mais leves e continuei com os de 2.50kg que devia ter usado desde o início.
Vamos lá ver aqui uma coisa muito simples: vocês, professores de ginásio que muitas vezes encaram as aulas como se fosse um treino vosso – não são!!!! Parem com isso! – têm de meter na cabeça que os alunos não têm todos a mesma condição física, nem têm todos os mesmos objectivos! Nem é suposto! Acham que conseguem entender isto e deixarem de ser umas pequenas bestas? Acham que é uma coisa com a qual podem viver? Eu só quero ser mais saudável, baixar os níveis de colesterol, e ter um corpo moderadamente fit. Sem pernas e braços a abanar, qual gelatina. É só isto. Não bebo batidos de proteína, nem como ovos nem bananas antes do treino, não ando a contar os dias até conseguir levantar mais peso que a colega do lado e a minha vida não gira à volta das gramas de hidratos e proteína que tenho de comer em cada refeição. Respeito quem viva assim, nada contra, mas essa não é a minha cena. Já é óptimo eu ir às vossas aulas, certo? Mostra empenho, resiliência, capacidade de superação e essas coisas todas muito boas de que a malta do ginásio gosta muito de falar. Para quê humilhar as pessoas fracas de braços? Ou que não podem saltar? Ou que têm problemas de costas? Ou de joelhos? Para quê?! Ficariam mais felizes se conseguissem levar toda a gente ao limite das forças e na semana seguinte não terem ninguém na aula porque ainda está tudo a recuperar a mobilidade perdida? É mais divertido assim? Ou será que é melhor e mais natural as pessoas evoluírem ao ritmo delas? Eu aposto mais na segunda hipótese. Vamos tentar a segunda hipótese? Só durante uns tempos, para ver como corre? Sim? Então está bem.

05
Abr16

Workout report - Hidroginasticar

Sempre detestei exercício mas, sabe-se lá porquê, quando decidi que ele tinha de fazer parte da minha vida e me inscrevi no ginásio achei que só fazia sentido fazer aulas de alta intensidade ou alto impacto. Se é para fazer que seja assim em grande! Primeiro aulas de localizada e Body cenas 3 vezes por semana e depois, quem sabe, cross fit praticamente todos os dias. Estes eram os objectivos que a minha cabeça tinha, já o meu corpo não estava nada para aí virado e tinha planos drasticamente diferentes. Fiz aulas de Body Pump, TRX, Body Attack, Localizada e gostei de todas – bem, a de Body Combat nem por isso. Uma pessoa sente-se um bocado ridícula a dar murros e pontapés no ar. – mas em metade delas acabei por ficar lesionada. Não é espectacular? A lesão no braço passou num mês mas a que arranjei nos tornozelos, há coisa de 2 meses depois da aula de Body Attack – que é só assim a melhor aula de todo o sempre, caraças! –, está a ser mais complicada. Entre outras coisas fiquei com líquido sinovial acumulado, que pode nunca desaparecer totalmente, e fiz fracturas de stress nos dois tornozelos. Nos dois! Exactamente nos mesmos sítios. Isto é tão raro e estranho que o fisioterapeuta quando viu os meus exames chamou um colega, que ficou igualmente boquiaberto, e até tirou fotografias para mostrar ao chefe. Sou praticamente um caso de estudo. Já o meu ortopedista, que é um querido, disse que talvez não fosse má ideia parar com estas aulas porque as probabilidades de fazer outra igual são grandes e, se acontecerem, tenho de ser operada. Adeus ilusão de que fui feita para andar aos pontapés a coisas e aos saltinhos. Adeus ilusão de que dentro de mim há uma bad ass pronta para sair cá para fora. Não. Aparentemente não passo de uma flor de estufa, de uma ratazana deprimida que só está bem ‘ssogadita e que se desestabiliza com qualquer actividade mais mexida. Posto isto, e depois de estudar muito bem o mapa de aulas do ginásio e o meu tempo livre durante a semana, cheguei à conclusão que a) limitava-me a fazer o meu plano de treino - musculação+cardio, sem correr na passadeira! - que é só assim uma espécie de morte lenta, ou b) começava a fazer aquela actividade que toooooooda a gente me dizia para fazer, médicos incluídos, porque fazia bem a tudo e era muito segura: natação/hidroginástica. Durante anos, ANOS, quando ia às consultas de clínica geral para os check-ups anuais a conversa era sempre a mesma: que os exercícios de piscina eram óptimos, que iam fazer maravilhas pelas minhas dores de costas, que é o único desporto que trabalha o corpo todo por igual, enfim a lista era sempre demasiado grande. Mas só de me imaginar com um fato de banho da Decathlon, que não são nada sexys, e de touca, de touca!, a chapinhar dentro de água parada com mais meia dúzia de pessoas, só de imaginar este cenário, punha logo a ideia de parte. Eu não gosto de me enfiar em piscinas no verão – mil vezes praia! – quanto mais para fazer exercício. A verdade, verdadinha é que nunca pensei ser o tipo de pessoa que se enfiasse num fato de banho banal e numa touca para andar aos saltinhos dentro de água e que gostasse mas… aqui estou eu.
Depois de perceber que só conseguia fazer aulas de Pilates – que adoro – uma vez por semana e que isso não me enchia as medidas, lá me rendi às evidências e fui comprar o equipamento para as aulas de hidroginástica. Já as comecei a fazer e, afinal, aquilo não é assim tãaaao mau. Afinal estar 45 minutos dentro de uma piscina aquecida a 31ºC depois de um dia de trabalho até me sabe bem. Afinal as aulas até são divertidas. Afinal, se me puser o mais à frente possível, até me consigo abstrair que estou enfiada dentro de água parada com mais pessoas. Afinal a hidroginástica cansa muito, apesar de não sentir aquela dor muscular de pós-treino de que gosto tanto. Gosto dos exercícios que fazemos ali de molho e sinto mesmo os músculos a trabalhar – manipular um chouriço de espuma debaixo de água é tudo menos fácil. Garanto-vos. Mas o mais espectacular de tudo é poder fazer uma aula sem me lesionar a meio! Não fazem ideia da quantidade de dinheiro que já gastei em médicos por causa das lesões. Só na ressonância magnética que fiz aos tornozelos ficou uma generosa fatia do meu orçamento mensal destinado à Zara.
Ontem cheguei 10 minutos antes da aula, olhei para a piscina e achei que não era má ideia usar aquele tempo para dar umas braçadas dentro de água para aquecer. “Peanuts!” Está bem, está. A piscina tem 25 metros e quando cheguei a meio, mais ou menos depois de 10 braçadas, já estava para morrer. Não sei como há pessoas que conseguem estar ali 1h a nadar de um lado ao outro da piscina sem terem vontade de falecer ao fim de 10 minutos.
Ainda não perdi a esperança de voltar às aulas de Localizada e de Body Pump mas por agora, que estou proibida de andar aos saltinhos em cima de steps, fico-me pelo Pilates e pela piscina. Novo objectivo: fazer os 25 metros seguidos como aquecimento antes da aula.


"It ain't about the ass, it's about the brain." Lena Dunham

29
Mar16

Analisar os 20's à luz dos quase 30

Estas são as minhas últimas semanas nos vintes! Está quaseeeeeee. Estou quase a transformar-me numa trintona. Sempre idealizei os 30 como uma fase muito bonita  e interessante da vida de uma mulher, provavelmente fruto das milhares de vezes que (re)vi os episódios do Sexo e a Cidade: se ter 30 é aquilo então que venham os 30! Mas sem as neuras e psicosses relacionadas com o sexo oposto, que sempre me pareceram muito cansativas. O problema é que afinal aos 30 a vida não está assim tão bem resolvida, as inseguranças não fazem parte do passado e o nosso ordenado não chega para pagar a renda da casa no centro da cidade, comprar roupa cara, ir comer fora todos os dias com as amigas e ainda sobrar para passar um fim-de-semana nos Hamptons. Uma chatice. Parece-me que os 30, ou a vida adulta assim no geral, seja qual for a idade a que se atinja tal estatuto, resume-se a procurar respostas no Google. Ou seja, na verdade continuamos sem respostas para um milhão de coisas, mas lá nos vamos desenrascando à espera da tal idade em que, finalmente, vejamos a luz e tudo seja claro nas nossas cabecinhas. Se alguma vez essa idade chega é uma coisa que ainda está para ser provada. E, já que estamos nisto, acho que a vida assim tem muito mais piada. Learning as we go

 

Mas como dizia ali em cima, os 30 para mim são oh such a big deal. São um marco! É uma mudança de década caraças! e isso é sempre importante. Quando penso nisto recordo-me do formigueiro que sentia na barriga uns dias antes de fazer 18 anos, "Isto a partir daqui é mesmo a sério! Mesmo a sério!" só para depois perceber que, afinal, a partir dali continuou tudo na mesma. Grande desilusão. Se calhar aos 30 vai ser a mesma coisa. Mas não interessa. Estou entusiasmada, coisa que não sucedeu com os 28 nem os 29, senti até uma ligeira depressão ou melancolia excessiva por ver o tempo passar, por isso o facto de estar entusiasmada com o grande 3-0 é motivo de comemoração! Como sou mega organizada e listas é comigo, aqui fica uma lista de coisas - não, não são 30. Cliché mas não tanto - que fui aprendendo até aqui:

 

 

  1.  Aquela lengalenga de que o nosso metabolismo muda com a idade é mesmo verdade. E muda para pior! Longe vão os tempos em que podia comer um sacalhão de pipocas no cinema e no dia seguinte estar como se nada fosse. Agora fico inchada que nem um leitãozinho pelo menos durante 3 dias. Oh mundo cruel!

  2. Não perder tempo com pessoas que não me tratam bem. Quando era miúda tinha uma necessidade ridícula de agradar a tudo e todos. Hoje, simplesmente, não quero saber. Nós somos o que permitimos e eu não permito que façam de mim gato sapato. Não há nada de bom que resulte de tolerarmos comportamentos e pessoas tóxicas.

  3. Não podes ter tudo nem ganhar todas as batalhas. Deal with it.

  4. Não ter - muito - medo de arriscar. As mudanças para mim continuam a ser o maior bicho papão. Sou muito feliz na rotina. Preciso dela. Mas com o passar dos anos aprendi que não há mal nenhum em, de vez em quando, sair da zona de conforto e arriscar. O drama da mudança de casa é um perfeito exemplo disso. 

  5. Nunca ninguém sabe o que está a fazer. Mesmo que pareça. Ninguém sabe. Toda a gente anda cá nas mesmas circunstâncias: aprender por tentativa e erro. A tal metáfora de pesquisar no Google, lembram-se?

  6. As pessoas não pensam tanto em nós nem reparam tanto nos nossos defeitos como nós achamos e isso leva-me ao ponto 7.

  7. Não querer saber o que os outros pensam. Claro que o que os outros pensam é importante e, às vezes, até consegue ser útil, mas há muito que deixei de permitir que isso condicionasse a minha vida. A vida é minha, eu é que tenho de viver com as decisões que tomo e isso já é pressão suficiente, o que seria se, nesta equação, ainda tivesse de incluir o que pensa meio mundo. Obrigado, mas não obrigado.

  8.  O perfeccionismo pode facilmente descambar e fazer-te sentir miserável e prisioneira dentro da tua própria cabeça. Let. It Go. Não sejas tão dura contigo.

  9. Aquele velho conceito muito adolescente da integração é um mito. Não há nada melhor que sentirmos que temos valor por nós próprios, por aquilo que nos separa dos restantes, ao invés de sentirmos que só importamos por estarmos fundidos com o resto da paisagem. A autenticidade é a chave.

  10.  Nós somos mesmo o que comemos. As borbulhas que tenho na cara por causa das toneladas de chocolate que comi na Páscoa que o digam.

  11.  As mulheres não são todas umas cabras. Sim, isto é mesmo verdade. Aprender a ser simpática para as outras mulheres em vez de pôr logo as garras de fora faz de nós mulheres melhores. 

  12. A tua intuição está quase sempre certa. Na dúvida segue o teu instinto.

  13. Segue o teu coração mas não te esqueças de levar o cérebro na viagem. 

  14. Aquela frase que diz que os amigos são para sempre é mentira. Vais perder amizades pelo caminho, é normal e não há mal nenhum nisso. As pessoas mudam, os interesses deixam de ser os mesmos, os caminhos são outros. Amizades longas e cheias de significância são raras e difíceis de manter. 

  15. Só porque é barato ou está em saldos não quer dizer que valha a pena.

  16. Entraste nos 20 com um sentido de estilo pavoroso mas, se tudo correr bem, vais entrar nos 30 fabulosa. 

  17. Não te queixes. Ou mudas a situação ou aprendes a lidar com isso. Às vezes uma simples mudança de perspectiva muda tudo. Queixumes ad eternum não mudam nada. Nunca.

  18. Relativizar. Relativizar. Relativizar. É esta a chave da felicidade.

  19. Poupar dinheiro é difícil. A independência traz responsabilidades, dores de cabeça e contas para pagar, mas vale cada cêntimo.

  20. O bom trabalho nem sempre é reconhecido mas isso não pode ser uma desculpa para te tornares preguiçosa e desinteressada. 

  21. Vai sempre haver alguém melhor que tu. Mais bonita, mais inteligente, com mais dinheiro. Aceitares-te como és, flaws and all, é meio caminho andado para que essa realidade não te esmague a auto-estima.

  22.  "Self-love is a good thing but self-awareness is more important", o Louis CK tem sempre razão!

  23. "Everyone has the right to believe in anything they want. And everyone else has the right to find it fucking ridiculous" e o Ricky Gervais também.

  24. Na dúvida leva casaco. Não há nada pior que passar frio.

  25. A pontualidade é tudo e os "estudos" que dizem que as pessoas que chegam atrasadas são mais optimistas simplesmente não fazem sentido. Chegar atrasado por princípio é só uma enorme falta de respeito pela pessoa que está à espera e pelo tempo dela.

  26. Digam o que disserem, planear torna tudo mais fácil.
22
Mar16

Ah, as vendas pelo OLX!

Vender coisas no OLX é bastante útil: desfazemo-nos do que já não queremos e ainda ganhamos uns trocos pelo caminho. Isto, claro, partindo do princípio que tudo o que ali pomos é, efectivamente, vendido, o que nem sempre acontece. Mas a ideia, na teoria, é boa. O problema, como em tudo na vida, são as pessoas.


Nunca comprei nada no OLX, porque sou uma fútil que gosta que ter coisas novinhas nunca antes usadas por outras pessoas, mas já vendi algumas e de todas as vezes que pus coisas à venda acabei por me chatear. Porque a verdade é só uma: vender online exige toda uma energia e paciência que eu não tenho. Não tenho! Há uns meses pus o meu telemóvel à venda. Um LG G3, branquinho, lindo. Adorava-o mas já me estava a dar problemas há séculos por isso resolvi pô-lo a arranjar pela segunda vez! e desfazer-me dele um miserável ano e meio depois de o comprar. Custou-me 600€ e pu-lo à venda por 200. Só isto já foram facadas no meu coração, mas eu sei que a tecnologia desvaloriza muito, à excepção do raio dos iPhones que são zero personalizáveis e não têm espaço de memória interna para quase nada mas custam um dinheirão e três anos depois desvalorizaram, sei lá, 20€. A vida é injusta. Mas adiante, engoli em seco, pus o telemóvel à venda e esperei. Nem meia hora depois comecei a receber mensagens e é nesta fase que começa a palhaçada.


No anúncio tinha escrito explicitamente que não estava interessada em trocas. Ora, o que é que as pessoas que andam à procura de coisas para comprar no OLX fazem? Ignoram tudo o que vem escrito nos anúncios. ÓBVIO! Mais de metade das mensagens que recebi eram a perguntar se estava interessada em trocar… Cheguei ao ponto de receber uma mensagem muito divertida de um rapaz a perguntar se estava interessada em trocar o meu telemóvel por um carro telecomandado a gasolina! Não é fantástico? Não era um carro qualquer! Não era uma porcaria de plástico a pilhas. Aquilo funcionava a gasolina e tinha uma data de acessórios para cima de espectaculares! Praticamente um diamante em bruto por lapidar do mundo dos carros telecomandados, visto estar à venda por 400€. Portanto, com um bocadinho de sorte, ainda tinha de pagar a diferença. Depois de ler a proposta passei por três fases. Primeiro fiquei incrédula. Afinal quem é que no seu perfeito juízo ia trocar um telemóvel que, parecendo que não, é uma coisa bastante útil, por um carro telecomandado?! What’s the point? Depois comecei-me a rir com o ridículo da situação e imediatamente a seguir fiquei furiosa, porque aquela já devia ser a 628.ª mensagem a perguntar se estava interessada em trocar. Respondi qualquer coisa do género: “Claro que sim! Fazemos negócio amanhã às 11h no farol.” Não respondeu. 


Mas nem tudo é mau. Há pessoas que estão mesmo interessadas em comprar! A maior troca de mensagens que tive foi com um senhor que me disse logo que ficava com ele. Óptimo! “Venha ter comigo ao Colombo, à porta que fica ao lado da PSP, e fazemos a venda.” É nestas alturas que me sinto uma fora da lei. Se dependesse de mim todos estes negócios eram feitos à distância com zero contacto entre as partes. Mas há alturas em que, infelizmente, isso é impossível. Parece que fazer uma transferência de 200€ para a conta de uma pessoa e ficar pacientemente à espera que lhe chegue um telemóvel por correio é um bocado arriscado. Portanto, ali estava eu a ser uma pessoa normal, nada anti-social, a propor um sítio público e seguro para nos encontrarmos. O que eu fui dizer! Não, não. Eu tinha era que ir ter com ele ao Continente, ou ao Pingo Doce, já não me lembro, de Alfornelos para ele ver o telemóvel. Disse-lhe que não, que ele é que tinha de vir ter comigo porque eu não me ia deslocar a Alfornelos por nada. Quando estou interessada em comprar qualquer coisa, sei lá, na Zara, eu é que tenho de ir à Zara, não é a Zara que vem até mim. Mas parece que isso é um conceito que já não se usa. “Eu para ir para o Colombo tenho de gastar dinheiro em gasolina e no parque de estacionamento. Portanto vai ter de tirar 20€ ao preço do telemóvel.” Estão a ver o absurdo? Só me calham pessoas doidas! Pela lógica eu devia era aumentar 150€ ao valor das coisas que é o que vou ter de gastar em cremes anti-rugas pela quantidade de vezes que franzo o sobrolho ao ler estas brutalidades. A conversa durou mais 3 ou 4 mensagens - tempo demais! - altura em que simplesmente deixei de responder. Acabei por vendê-lo a um senhor que queria um telemóvel com um ecran grande para o filho poder ver vídeos no Youtube às refeições e que não estrebuchou por vir ter comigo onde eu queria. O negócio fez-se, assim, tranquilamente. No muss, no fuss.


Actualmente, estou a vender algumas peças de roupa e a história repete-se. A primeira venda correu lindamente. Foi de um blazer da Zara. Apareceu uma rapariga que o queria comprar, deu-me a morada, fez-me a transferência do valor, nem tentou negociar, e lá foi o blazer. O resto é que está a ser mais difícil. As últimas mensagens que recebi foram de uma miúda interessada em comprar uma parka que chegou ao cúmulo de, depois de perguntar quantas vezes a tinha usado, sair-se com: "Então deve ter algumas marcas de uso não?!" Hummmm, poissssss. Se está a querer comprar uma coisa usada é natural que essa mesma coisa tenha marcas de uso porque foi, imagine-se, USADA, e todas as marcas de uso estão bem visíveis nas fotografias. Acho piada a estas pessoas que partem para compras online de coisas em segunda mão com a mesma exigência com que vão ali à Mango espreitar a nova colecção. A sério, não tenho paciência nenhuma para pessoas no geral e para as do OLX em particular.

25
Fev16

Coisas que me encanitam

O WhatsApp. Acho que praticamente toda a gente que conheço tem WhatsApp. Eu também tenho, mas não uso. E não uso porque acho que é das coisas mais esgotantes que inventaram. Eu já acho que passo bastante tempo agarrada ao telemóvel no Instagram, Facebook e Pinterest e se tivesse WhatsApp está-me cá a parecer que não fazia mais nada. Mesmo! O próprio conceito da aplicação é uma coisa que me faz alguma espécie. Quem é que consegue ter conversas escritas em grupo ad eternum? Sim, que eu bem sei que há quem tenha milhentos grupos diferentes, um para cada assunto, e todos eles activos! E será que há alguém que leia tudo o que se foi escrevendo para ali na última hora? Ou a ideia é abrir a aplicação sempre que alguém escreve qualquer coisa? Provavelmente a maior parte das vezes nem se escrevem coisas que interessam. Alguém diz uma piada e os restantes 43 membros do grupo reagem com LOL’s e bonecada e lá estamos nós a receber notificações umas atrás das outras. Para quê?

Para mim o WhatsApp é a derradeira forma de escravatura dos telemóveis e irrita-me particularmente às refeições. Nunca tive o hábito de ter o telemóvel em cima da mesa enquanto como, principalmente porque morro de medo que alguém entorne qualquer coisa por cima do meu telemóvel caríssimo e lá vai ele para o galheiro – PÂNICO! – mas é surreal a quantidade de pessoas que comem com aquele apêndice logo ali ao lado do garfo e passam toda uma refeição a ler e a responder ao que é dito naquela aplicação do demónio. O meu homem no WhatsApp tem um grupo com todas as pessoas com quem trabalha, que são assim cerca de muitas, e aquilo é insuportável! Numa mísera hora o telemóvel toca e vibra um milhão de vezes. E se ele estiver uma tarde sem ligar nenhuma àquilo chega ao fim do dia com, quê? 128 mensagens por ler? Quem é que aguenta isto? Não só dá cabo da cabeça a uma pessoa como das baterias dos telemóveis, que duram cada vez menos.

Já tentei perceber o atractivo da coisa e o que a maioria das pessoas me tenta explicar é que é muito fácil para comunicar em grupo. Que é óptimo quando queremos combinar jantares com uma data de gente. Que se fala logo com todos ao mesmo tempo. E eu só pergunto uma coisa: quando é que se tornou assim tão difícil e caótico combinar um jantar/saída/copo com um grupo de pessoas ao ponto de termos de estar agarrados ao telemóvel durante HORAS a falar com toda a gente ao mesmo tempo? E mais: não foi para isso que se inventaram os eventos no Facebook?

Sinto-me velha. Toda a gente vê no WhatsApp a melhor coisa do mundo, toda a gente usa o WhatsApp e eu só acho tudo aquilo muito confuso e extremamente desnecessário. Mas também vivo muito bem com isso. Acho que dava em maluca se tivesse o telemóvel a apitar por tudo e por nada. Se já fico aborrecida quando comento a fotografia de alguém no Facebook e depois recebo 62 notificações a dizer que o X, Y e Z também comentaram/reagiram à publicação da não sei quantas. Tipo, eu não quero saber! É extremamente irritante estar constantemente a ser notificada com coisas que não me interessam. É como O Boticário, que passa a vida a enviar-me mensagens a dizer que os perfumes estão em promoção só porque lá fui comprar um pincel de maquilhagem há dois anos e tive a infeliz ideia de lá deixar o meu contacto.

Não sou nada fundamentalista nisto das novas tecnologias – a não ser com as crianças… ver miúdos a comer com iPads à frente é absurdo – adoro ir a um restaurante e publicar fotos do que estou a comer, venham as selfies e as fotografias de pezinhos descalços na areia da praia, viva o Skype, o Tumblr, o YouTube e o Snapchat, tudo tem o seu valor e a sua graça. Mas, de facto, a forma como nos deixamos absorver por estes aparelhos que quase já se transformaram na extensão das nossas mãos, não deixa de ser um bocadinho assustador. Especialmente para quem vê isto de fora.

 

 

 

 

 

25
Fev16

Coisas que me encanitam

O WhatsApp. Acho que praticamente toda a gente que conheço tem WhatsApp. Eu também tenho, mas não uso. E não uso porque acho que é das coisas mais esgotantes que inventaram. Eu já acho que passo bastante tempo agarrada ao telemóvel no Instagram, Facebook e Pinterest e se tivesse WhatsApp está-me cá a parecer que não fazia mais nada. Mesmo! O próprio conceito da aplicação é uma coisa que me faz alguma espécie. Quem é que consegue ter conversas escritas em grupo ad eternum? Sim, que eu bem sei que há quem tenha milhentos grupos diferentes, um para cada assunto, e todos eles activos! E será que há alguém que leia tudo o que se foi escrevendo para ali na última hora? Ou a ideia é abrir a aplicação sempre que alguém escreve qualquer coisa? Provavelmente a maior parte das vezes nem se escrevem coisas que interessam. Alguém diz uma piada e os restantes 43 membros do grupo reagem com LOL’s e bonecada e lá estamos nós a receber notificações umas atrás das outras. Para quê?

Para mim o WhatsApp é a derradeira forma de escravatura dos telemóveis e irrita-me particularmente às refeições. Nunca tive o hábito de ter o telemóvel em cima da mesa enquanto como, principalmente porque morro de medo que alguém entorne qualquer coisa por cima do meu telemóvel caríssimo e lá vai ele para o galheiro – PÂNICO! – mas é surreal a quantidade de pessoas que comem com aquele apêndice logo ali ao lado do garfo e passam toda uma refeição a ler e a responder ao que é dito naquela aplicação do demónio. O meu homem no WhatsApp tem um grupo com todas as pessoas com quem trabalha, que são assim cerca de muitas, e aquilo é insuportável! Numa mísera hora o telemóvel toca e vibra um milhão de vezes. E se ele estiver uma tarde sem ligar nenhuma àquilo chega ao fim do dia com, quê? 128 mensagens por ler? Quem é que aguenta isto? Não só dá cabo da cabeça a uma pessoa como das baterias dos telemóveis, que duram cada vez menos.

Já tentei perceber o atractivo da coisa e o que a maioria das pessoas me tenta explicar é que é muito fácil para comunicar em grupo. Que é óptimo quando queremos combinar jantares com uma data de gente. Que se fala logo com todos ao mesmo tempo. E eu só pergunto uma coisa: quando é que se tornou assim tão difícil e caótico combinar um jantar/saída/copo com um grupo de pessoas ao ponto de termos de estar agarrados ao telemóvel durante HORAS a falar com toda a gente ao mesmo tempo? E mais: não foi para isso que se inventaram os eventos no Facebook?

Sinto-me velha. Toda a gente vê no WhatsApp a melhor coisa do mundo, toda a gente usa o WhatsApp e eu só acho tudo aquilo muito confuso e extremamente desnecessário. Mas também vivo muito bem com isso. Acho que dava em maluca se tivesse o telemóvel a apitar por tudo e por nada. Se já fico aborrecida quando comento a fotografia de alguém no Facebook e depois recebo 62 notificações a dizer que o X, Y e Z também comentaram/reagiram à publicação da não sei quantas. Tipo, eu não quero saber! É extremamente irritante estar constantemente a ser notificada com coisas que não me interessam. É como O Boticário, que passa a vida a enviar-me mensagens a dizer que os perfumes estão em promoção só porque lá fui comprar um pincel de maquilhagem há dois anos e tive a infeliz ideia de lá deixar o meu contacto.

Não sou nada fundamentalista nisto das novas tecnologias – a não ser com as crianças… ver miúdos a comer com iPads à frente é absurdo – adoro ir a um restaurante e publicar fotos do que estou a comer, venham as selfies e as fotografias de pezinhos descalços na areia da praia, viva o Skype, o Tumblr, o YouTube e o Snapchat, tudo tem o seu valor e a sua graça. Mas, de facto, a forma como nos deixamos absorver por estes aparelhos que quase já se transformaram na extensão das nossas mãos, não deixa de ser um bocadinho assustador. Especialmente para quem vê isto de fora.

 

 

 

 

 

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