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zona de desconforto.

zona de desconforto.

02
Jun16

O Kubrick ficou

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Desde que nos mudámos para Lisboa deixámos de ter quem cuidasse do Kubrick na nossa ausência. Os pais de cada um estão a meia-hora de distância o que torna incomportável passarem em nossa casa todos os dias, antes ou depois de irem trabalhar, para cuidarem do bichano. Sabíamos disso mas como nunca tínhamos ido a lado nenhum desde a mudança estávamos tranquilos. Até agora.

Queríamos ir 4 dias ao Porto e o gato não podia ficar esse tempo todo sozinho. Há quem diga que 4 dias não é nada, que eles ficam bem sozinhos, mas eu não ia conseguir ficar descansada. Pô-lo num "hotel" para gatos também estava fora de questão, que os gatos são animais territoriais e tirá-los do ambiente deles para os pôr numa box com outros animais à volta, cheiros novos e pessoas que nunca viram na vida é uma violência. Felizmente existe O Gato Fica, um projecto de catsitting que resolve todos estes dilemas que os donos de gatos conhecem tão bem. Nós vamos e eles ficam. E ficam muito bem!

Inicialmente, e apesar de ter lido todos os comentários elogiosos no site e no Facebook, fiquei apreensiva e com as dúvidas normais de quem pensa entregar a sua casa e o seu animal a alguém que não conhece. "E se elas não forem de confiança? E se ele não gostar delas? E se não tratarem bem dele? E se elas não tiverem cuidado a entrar em casa e ele se escapulir pela porta e nunca mais ninguém o vir?" Todas estas dúvidas deixaram de fazer sentido assim que conheci a Catarina. Antes de agendarmos as visitas propriamente ditas a Catarina foi a nossa casa, sem compromisso, conversar um bocadinho connosco sobre os hábitos e o comportamento do gato e conhecer o espaço e o bichano. Para além de ser uma simpatia é muito calma, muito serena e ainda me deu umas luzes sobre comportamento felino, área que lhe interessa particularmente. As catsitters d’O Gato Fica não são umas curiosas nisto de cuidar de animais domésticos. Gostam genuinamente dos animais e são formadas em Medicina Veterinária e, no caso da Catarina, em Bem-Estar e Comportamento Animal. Se isto não é o suficiente para confiar na qualidade do trabalho delas, não sei o que será. Depois da entrevista inicial fiquei muito mais calma e segura de que de facto seria a melhor solução para irmos se férias descansados.

No final de cada visita a Catarina enviou-nos um relatório, fotografias e vídeos do Kubrick. É um consolo recebermos imagens do nosso bichano e sabermos que ele está bem quando estamos longe de casa. É muito tranquilizador. Mesmo quando sabemos que o sr. Gato-com-mau feitio está a dificultar a vida à doce Catarina. No primeiro dia correu tudo sob rodas. Deixou-a entrar sem problemas, inspeccionou o trabalho dela para ver se fazia tudo como deve ser. Tudo tranquilo, tudo favorável. Mas nos outros dois foi um bocadinho diferente. A Catarina, naturalmente, trazia com ela cheiros de outros gatos, que o Kubrick não é cliente único, há muitos, muitos mais, e isso deixou-o ligeiramente aborrecido. Lá deve ter achado que não era tão especial como pensava. "Qué isso? Cheiros a outros felinos no meu território?" Conta a Catarina que assim que se aproximava da caixa de areia ele se punha à frente dela a bufar... sem maneiras nenhumas! Parecia um bully. Este gato só me faz passar vergonhas. Mas a Catarina é muito profissional e deu-lhe sempre a volta. Caixa limpa, comida e água fresca todos os dias. O que é que um gato pode querer mais? Ele não fala - embora às vezes pareça - mas tenho a certeza que a review do Kubrick também é positiva, apesar de se ter feito de difícil :)

Acredito mesmo que este projecto é um salva vidas para os donos de gatos e recomendo-o a toda a gente. Há imensos petsittings pensados para cães mas de facto para gatos a oferta era muito, muito pobre até aparecer O Gato Fica. Espero que elas queiram fazer isto para sempre porque se acabarem com este trabalho não sei o que vou fazer à minha vida. Vou, sem dúvida alguma, voltar a recorrer às catsitters d’O Gato Fica sempre que necessário.

 

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06
Jan16

Ter um gato também é isto #12

Ter um gato é desejar ter um buraco para me esconder a cada ida ao veterinário. Felizmente é coisa que só acontece uma vez por ano, por altura da renovação das vacinas.

 

O Kubrick nunca foi um gato bem comportado nas idas ao senhor doutor, mas piorou bastante quando uma mente iluminada de bata branca achou que a solução era por-lhe umas molas da roupa no cachaço para simular a pega da mãe e, assim, permitir uma melhor manipulação pelo médico. "É uma técnica muito utilizada em Londres" disse ele armado em esperto com três molas na mão. Pois que o meu Kubrick detesta modernices e passou-se completamente com a porcaria das molas. Primeiro ficou muito rasteirinho na mesa e depois deu um salto enorme e as molas saíram-lhe disparadas do cachaço. Menos uma que lhe ficou ali pendurada de lado que tive de ser eu a tirar, coitadinho. A partir daí foi sempre a piorar. Mas nunca nada foi tão mau como no passado fim-de-semana.

Como mudámos de casa fomos a um hospital veterinário novo, coisa que eu achava que ia mudar tudo. Era um começar do zero. Não foi. Assim que entrámos na sala de espera espreitei para dentro da transportadora e lá estava a linguagem corporal que já conhecemos tão bem: todo encolhido a um canto, olhos pretos, orelhas ligeiramente inclinadas para trás e bigodes para a frente. Assim que o médico tirou a parte de cima da transportadora começou a bufar, a rosnar e, com os olhos muito arregalados, a olhar lentamente para todos os cantos do consultório, como quem diz "Onde é que é a saída de emergência deste inferno???"

Esperámos dez minutos e depois entrou em cena o plano B: a assistente com duas toalhas turcas. "Vou tapá-lo. Pode ser que ele se acalme estando às escuras." Não disse nada mas pensei para com os meus botões "Eeeeeer, isso não me parece uma grande ideia...". Não foi. Ela tapou-o, ele deu um grito ensurdecedor que me assustou imenso, parecia que o estavam a magoar, e deu um salto gigante até ao tecto. Juro, por tudo, que não estou a exagerar. Estava montado o carnaval. Depois disto virou animal selvagem autêntico. Bufou, gritou, rosnou, trepou pelas quatro paredes do consultório, numa dessas escaladas caiu desamparado em cima do computador do médico que foi parar ao chão todo desconjuntado... um filme de terror autêntico. O médico entretanto mandou-nos para a sala de espera enquanto eles o tentavam pôr novamente na transportadora. Lá fora ouvia o gato aos gritos e a ir contra as coisas e de repente, para ajudar, começou um cão a ganir descontroladamente num dos consultórios. Senti-me a arder por dentro. "Não há ninguém que cale raio do cão?! Isto ainda o vai enervar mais!" Cinco minutos depois, que me pareceram toda uma eternidade, a assistente veio chamar-nos com a mão enrolada em papel, porque entretanto o Kubrick tinha-lhe dado uma valente dentada... Quando entrámos lá estava a ferinha enfiada na transportadora, todo rasteirinho e ofegante. Custou-me imenso vê-lo assim. Fui falar com ele baixinho e ele respondeu-me na mesma moeda: rosnou-me baixinho de olhos pregados no veterinário... lovely.

Quando chegámos a casa ficou inquieto durante mais de uma hora, andou de um lado para outro muito devagar e percorreu todas as divisões da casa umas quinze vezes. Deixei-o estar. Ao fim de quase uma hora e meia veio ter comigo ao sofá da sala, enrolou-se no meu colo, escondeu o focinho no meu braço, respirou fundo e adormeceu. Demorou dois dias a voltar ao estado normal: feliz, confiante e brincalhão.

Esta experiência foi traumática para todos: para o gato, para nós e, provavelmente, para o veterinário que se fartou de dizer que o gato não era mau, estava era muito assustado e só queria fugir. No fim da consulta aconselhou-nos a dar-lhe um comprimido calmante meia-hora antes da próxima ida ao veterinário mas eu estou é a pensar seriamente em não o voltar a levar às vacinas. Conheço quem tenha gatos há mais de 10 anos que nunca levaram vacinas e eles estão óptimos. Ainda por cima sei o quão sensíveis os gatos são ao stress e a última coisa que quero é levar o gato saudável às vacinas e regressar com um gato com uma infecção urinária devido ao stress. E sim, isto acontece. Li na Proteste deste mês e levo muito a sério tudo aquilo que a Deco diz. 

 

A modos que estamos assim: mais calmos e cheios de mimo

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 "Espero que o meu comportamento absolutamente vergonhoso no veterinário tenha deixado este assunto arrumado: acabaram-se as m%$das das vacinas!"

 

 

e a pensar seriamente se a vacina de 2017 é assim tãaaaao importante.

03
Nov15

Ter um gato também é isto #11

Não querendo parecer uma crazy cat lady, a verdade é que ter um gato consegue, muitas vezes, aproximar-se da realidade de ter um bebé em casa. A maioria das noites são calmas mas, e tinha de haver um mas, de vez em quando lá temos umas menos fáceis. A noite passada encaixa na segunda categoria.

Esteve tudo na paz do senhor até às 5h da manhã, altura em que o sr. gato achou que já tínhamos descansado o suficiente e resolveu ir fazer o que me pareceu ser uma espécie de sapateado para a caixa de areia. Raspou, raspou, raspou, raspou, raspou, saltou cá para fora só para depois voltar lá para dentro e raspar mais meia dúzia de vezes. Depois de estar tudo devidamente tapado na caixa de areia pensei que finalmente ia acabar o barulho e que ia conseguir voltar a adormecer. Estava enganada, claro. Poucos minutos depois o raio do gato foi brincar com o brinquedo mais barulhento que tem: um labirinto de plástico em forma de S, com 1.50m e uma bola lá dentro, que é a última coisa que uma pessoa quer ouvir perto das 6h da manhã de uma terça-feira. Dei-lhe 10 minutos e depois levantei-me furiosa, tirei-lhe o brinquedo, guardei-o na casa de banho, fechei a porta, encostei a porta do quarto dele e depois a nossa que eu não consigo dormir com claridade. O silêncio durou uns vinte minutos. Quando estava a cair no sono novamente comecei a ouvir um restolhar lá muito ao fundo que se começou a aproximar perigosamente da zona dos quartos. PUM. Veio a correr desenfreado da outra ponta da casa, a brincar com um ratinho, e foi de encontro à porta do quarto dele que se abriu toda para trás. No nosso quarto conseguia ouvi-lo a atirar o rato ao ar e depois a cavalgar para o ir buscar. Uma alegria. Pouco depois das 7h cansou-se, abriu a porta toda do nosso quarto, que ficou inundado da luz que vinha da janela do quarto ao lado, e foi-se deitar estrategicamente no meio da cama que é para ninguém se conseguir mexer. Ainda tentei esticar a perna, só para o testar, mas não acusou o toque. Ignorou-me completamente. Uns minutos depois senti o meu homem, que no meio disto tudo esteve quase sempre a dormir profundamente, a mexer-se e o lençol a fugir-me.
“O que é que estás a fazer?”
“Estou a fazer festinhas ao Kubrick. Ele está aqui deitado ao pé de nós todo fofinho! Tens de ver!”
Um segundo depois tocou o despertador.

 

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A verdade é que, faça ele o que fizer, adoro-o.

28
Ago15

Ter um gato também é isto #10

 


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 9 de Agosto de 2013 / 27 de Agosto de 2015


 


Dois anos e picos depois de termos ido buscar esta bola de pelo cheia de personalidade, depois de muitas mordidelas - muitas delas deixaram cicatrizes -, depois de um par de chinelos de borracha roídos até não sobrar nada em apenas uma noite!, depois de uma infecção de pele que também nos contagiou, de um valente ataque de diarreia que nos cagou, literalmente, a casa toda, de horas a gritar "Kubrick não!" para o tentar demover de comer a árvore de Natal e de rasgar os embrulhos, de um sem fim de comportamentos vergonhosos no veterinário; depois de muito dinheiro gasto em vacinas, teste de despiste de FIV e FeLV, brinquedos, arranhadores, uma cama de rei, teste para saber se tinha Tinha - ou ring worm, em inglês -, shampoo, ampôlas e antibiótico para curar a doença, testes para saber se a Tinha já tinha passado, esterilização, comida; dois anos e picos depois de preocupações desmesuradas, como quando fiquei com o coração do tamanho de um pinhão quando o deixei no veterinário para ser esterilizado, depois de muitos, muitos pêlos sacudidos de tapetes, mantas, peças de roupa e lençóis, depois de algumas chávenas partidas, de muitos exercícios de criatividade para o levar a fazer o que nós queremos - entrar na transportadora, dar-lhe medicamentos, cortar as unhas -, depois de muitas sestas no sofá enrolado no meio de nós, de muito ronron, às vezes quase imperceptível, mas está lá!, de muitas turras e muito mel logo de manhã em jeito de bom dia, de muitas, não, todas!, as refeições com este emplastro sentado no meio da mesa a olhar para nós, de muita companhia, tanta que às vezes não lhe reconheço a característica mega independente dos felinos - está sempre, sempre, sempre onde nós estamos -, de muitas tropelias que nos deixam horas a rir, de viagens de carro que começam sempre com miados desesperados e altíssimos mas que dez minutos depois dão lugar a uma valente soneca que só termina quando o carro pára; dois anos e picos depois de muitos ataques de carinho repentinos que derretem qualquer coração, de muitas 'patinhas' feitas nos meus pijamas polares, de muitos miados que agora conseguimos decifrar - tem quatro diferentes: "quero mimo", "quero brincar", "pára com isso!!!" e "quero fiambre!" -, de um entendimento que só quem tem animais de estimação entende, não é só o miar, cada olhar, cada expressão está, também, carregada de significado... dois anos e picos depois de tudo isto já não nos conseguimos imaginar sem ele. Sem esta bola de pelo que consegue levar quase sempre a melhor, que todas as manhãs nos vem pedinchar fiambre ao pequeno-almoço e que dá tanta, tanta vida à nossa casa.
É por saber a alegria que um animal de companhia traz à nossa vida e o quão gratos nos ficam pelas mais pequenas coisas que compreendo quem os defende e quem lhes dá voz - como é o caso do nosso Nuno Markl e de um dos meus comediantes favoritos, o Ricky Gervais - e é por isso também que ontem fiquei tão feliz por saber que demos mais um passo em direcção à criminalização de quem os desrespeita. Não consigo entender quem abandona os seus animais de estimação nem quem os maltrata. Não compreendo o que leva alguém a ter um cão que mantém fechado numa varanda horas a fio, seja verão ou inverno. Não consigo perceber quem abandona os seus amigos felinos, que valorizam tanto o espaço, a casa onde vivem, porque de repente se aperceberam que largam muito pêlo e têm unhas muito afiadas e que nada disso é conveniente numa casa com um sofá tão caro ou com uns cortinados tão bonitos. E também não consigo perceber aquelas pessoas que se insurgem contra quem defende os animais "porque as pessoas são mais importantes e há tantas crianças a passar fome e tantos velhotes abandonados sem ninguém fazer nada". Como é lógico uma coisa não invalida a outra. Quem defende os direitos dos animais não é indiferente ao sofrimento humano, mas o sofrimento humano também não pode ser usado como argumento para não se defender o bem-estar daqueles que não têm voz e que não pediram para ir para casa de alguém que não tem sensibilidade para perceber que um cão ou um gato dá trabalho e requer responsabilidade. Não são bonecos que se podem descartar, deitar fora, à mínima tropelia, não são objectos que possam ser deixados à beira de estrada à sua sorte ou que possam ser atirados para o outro lado de um portão porque já não presta, porque dá muito trabalho, porque vamos de férias e levar o cão ou o gato atrás é uma seca e uma prisão. Alguém que fecha os olhos e é indiferente a tudo isto não pode ser boa pessoa. Não pode. 


Adoptar um animal é um acto de bondade que deve ser encarado com grande responsabilidade e com a consciência de que é para a vida. Mesmo quando fazem cocó em casa, mesmo quando nos roem os sapatos, mesmo quando se zangam e nos dão uma dentada, mesmo quando ficam doentes e precisam de cuidados médicos que só nós lhes podemos providenciar. 


Espero que esta nova lei seja cumprida eficientemente e, também, que não fique por aqui. Espero que seja o início de uma nova era em que o bem-estar dos animais deixe de ser renegado para segundo plano e que quem os mal trata deixe de sair impune e de continuar a ser tratado como um cidadão normal. Porque não é.

04
Ago15

Ter um gato também é isto #9

Aquilo que mais me stressou no dia da mudança de casa foi, sem dúvida, a logística do gato. Sabia que ia ter alguns desafios pela frente:


1 – enfiá-lo na transportadora – pânico!;


2 – mantê-lo fechado não sei quantas horas num dos quartos da casa antiga enquanto os senhores das mudanças nos desmontavam os móveis;


3 – mantê-lo fechado não sei quantas horas num dos quartos da casa nova enquanto os senhores das mudanças nos montavam os móveis e os do MEO nos instalavam os serviços de tv e net, com a agravante de, desta segunda vez, ele ter de estar fechado num sítio que não conhecia, com cheiros, disposições e sons novos. Andei uma semana a sofrer por antecipação com este assunto mas as coisas acabaram por correr bastante bem. Por isso a minha dica para quem possa estar a passar pelo mesmo é só uma: relaxar.


No nosso último dia de férias foi um romance para o conseguir pôr dentro da transportadora. Foi coisa para demorar mais ou menos 40 minutos! A certa altura já estava desesperada, a suar em bica e a ponderar deixá-lo lá pronto, queres ficar ficas. Antes adorava a transportadora, não se chateava nada de lá estar dentro, mas agora odeia-a com todas as forças. Tentei tudo: enrolá-lo numa manta, pôr a comida dele na transportadora, mandar-lhe os ratinhos favoritos lá para dentro… nada resultou. Assanhou-se todo, bufou-me e rosnou-me não sei quantas vezes. No final, e já em desespero, abrimos o frigorífico para ver o que nos tinha sobrado de comida, mandámos um bocado de paio para dentro da caixa, ele foi a correr desvairado atrás do paio e foi essa a nossa oportunidade de o trancar! Cheguei ao fim desta odisseia mental e emocionalmente desgastada. E só de saber que podia ter de passar pelo mesmo filme novamente, agora com a agravante de ter pessoas estranhas em casa a fazer barulho, deixou-me com os nervos em franja.
Na semana que antecedeu a mudança deixei-lhe todos os dias a comida dentro da caixa transportadora para ele se ir habituando a estar lá dentro e encarar a coisa com normalidade, li algures que isso podia ajudar. E ajudou! Quando chegou a altura deitei uns grãozinhos de ração lá para dentro – não lhe queria dar muita comida porque podia enjoar no carro –, ele espreitou meio desconfiado, dei-lhe um empurrãozinho no rabiosque e lá foi ele. O primeiro desafio estava superado. Faltava o outro, que era deixá-lo fechado no quarto na casa nova durante sei lá quanto tempo depois de já ter estado 3h fechado na casa antiga. Só o queria soltar quando os senhores das mudanças se fossem embora e quando já não houvesse portas abertas para a rua, mas  tendo em conta o tempo que demoraram a tirar as coisas da outra casa temia o pior.
Quando chegámos à morada nova preparei o quarto onde ele ia ficar com as coisinhas todas – comida, água, caixa de areia, brinquedos, a caminha – e 1h depois voltei lá para ver como estava. Estava na maior! Muito carente mas cheio de vontade de sair e começar a explorar o resto da casa. Antes de nos mudarmos falei com um veterinário e uma rapariga de uma loja de animais e os dois aconselharam-me a apresentá-lo gradualmente à casa. “Cada dia uma divisão nova.” Acredito que resulte e seja necessário para gatos muito nervosos e assustadiços mas não me parecia que fosse a melhor abordagem para um gato tão impaciente e destemido como o meu. Acho que ia ser muito cansativo para toda a gente. Pois isso, 4h30 depois, quando já não estavam pessoas estranhas em casa, abri a porta e deixei-o explorar à vontade dele. Hoje, 4 dias depois, já está perfeitamente ambientado! Só a cozinha é que está a ser um desafio maior. Entra sempre muito rasteirinho, a cheirar tudo e assim que ouve um estalido dá um salto e volta para trás a correr. Mas com tempo a coisa vai lá.


 


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Novo sítio favorito para as sestas de final de dia. 


 


 


 

30
Jul15

Mudanças report

Em quatro dias já conseguimos embalar, transportar e arrumar na casa nova toda a nossa roupa, decoração, pequenos electrodomésticos, o recheio da dispensa e alguma loiça. Queremos que os senhores das mudanças só nos levem mesmo a mobília e uma ou outra caixa que seja mesmo muito pesada para nós ou que não nos caiba no carro durante este processo – que serão certamente as do resto da loiça e dos livros. Não só lhes reduz substancialmente o tempo da mudança como para nós é muito mais fácil só termos de arrumar livros e pratos na casa nova assim que a mudança estiver concluída, em vez de darmos por nós e termos tudo de pantanas. Tem-nos saído do pêlo! Actualmente moramos num 3.º andar sem elevador que sempre me custou horrores a subir mas agora, que tenho de subir e descer aquelas malditas escadas com caixas pesadíssimas nos braços vezes sem conta, estou-lhes a desenvolver o ódio nada saudável. É uma alegria sempre que chego à nova morada e só ter de depositar as coisas no elevador!
Apesar de estes dias estarem a ser muito cansativos sabe-nos bem começar a ver a casa nova a ganhar vida com as nossas coisinhas. É uma sensação muito boa. Quem está a adorar tudo isto é o senhor Kubrick, que agora tem todo um mundo de caixas e caixinhas onde se pode esconder e esticar o seu lombinho de 5kg.


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Mal sabe ele o que o espera...


 


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21
Jul15

Ter um gato também é isto #8

Assim que o Kubrick veio fazer parte da família a primeira regra que lhe impus foi nunca passar as noites no nosso quarto. Tinha o resto da casa por conta dele mas o quarto dos donos estava interdito. Sempre resultou, nunca nos arranhou a porta a meio da noite para entrar, de vez em quando vai lá miar à porta às 8h da manhã aos fins-de-semana mas depressa se cala.
Actualmente estamos de férias num T1 que ele já conhece, é o terceiro ano que o trazemos para cá, e, até agora, a regra das noites sempre se tinha aplicado também aqui sem stress. Só que este ano baixou nele um espírito do demónio e a coisa já não está a correr tão bem. Na primeira noite fechámos a porta do quarto e ele ficou com o resto da casa para ele. Passadas três horas desatou a arranhar a porta do nosso quarto de tal maneira que parecia que do outro lado estaria um touro. Mas não, continuava a ser o nosso gato de 5kg. Levantei-me - sim, porque o meu homem NUNCA ouve nada. Dá imenso jeito... - e fui fechá-lo na sala/kitchenet para não o ouvir. Pensava eu. Aguentou-se até às 6h da manhã, hora em que começou a dar à pata novamente e em que eu o deixei entrar no quarto e passar as restantes horas da manhã ali connosco. Ora isto foi assim durante toooooda a primeira semana de férias, com a agravante que à medida que os dias passavam mais vezes por noite tinha de me levantar para o mandar calar. Assim que abria a porta do quarto lá estava ele, do outro lado da porta da sala, com o olhar mais triste do mundo tipo gato das botas do Shrek. Não é que tal coisa me comova, que eu às 3h30 da manhã quero é dormir descansada, não quero cá saber de gatinhos manipuladores.


 


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Ao fim de uma semana achei que estar a acordar três vezes por noite nas minhas férias! já era demais e cedi. Pronto. Sou uma fraca. Esta última semana que cá vamos estar o Kubrick vai dormir connosco. Já é a segunda noite e, de facto, é um descanso. Está a noite toda a dormir connosco, não faz barulhos, não desata a fazer sprints pela casa de madrugada... problema: dorme aos meus pés, umas vezes encolhido, outras todo esticado como se isto fosse tudo dele. Portanto quando me quero esticar dou com os pés nesta massa peluda que não se mexe nem por nada e pronto, lá desperto eu outra vez porque quero mudar de posição e não consigo. Aaah, como é bom dormir com animais no quarto!... Claro que o meu homem dorme a noite toda como um pequeno querubim. Nada o incomoda, graças a Deus. Como dorme todo esticado a ocupar todo o espaço livre que encontra o gato não consegue estar ao pé dele. Já eu que durmo em posição fetal sou uma óptima candidata a parceira de cama de um felídeo. Raisparta.
Resta-me esperar que não se habitue a esta nova vida e que quando regressarmos a nossa casa, onde ele vai reaver o sítio favorito para bater as suas sestas, aka, o cadeirão da sala, tudo volte ao normal. 

07
Jun15

Ter um gato também é isto #7

Ter um gato, ou um cão. Na verdade, qualquer animal de estimação. É estarmos a viver a nossa viagem de sonho, e a adorar cada minuto, mas volta e meia lembrarmo-nos do nosso amigo de quatro patas tão longe e ficarmos com o coração apertadinho. Tem ido todos os dias uma pessoa tratar dele, mas não consigo evitar pensar se ele estará bem, se terá saudades nossas, se anda a beber água suficiente, se ainda tem os ratinhos favoritos para brincar  ou se já os enfiou todos debaixo do móvel da sala, de onde eu os tirei antes de me ir embora. Sei que quem não tem animais não entende isto, mas eles são parte da nossa família e é impossível não lhes sentir a falta. Tenho imensas saudades do meu Kubrick, sinto falta do festival de festas que lhe faço todas as manhãs e das maluquices dele, a correr a casa toda e chegar ao pé de nós com um dos ratinhos favoritos na boca, a pedir brincadeira. Ter um gato, ou um cão, ou qualquer animal de estimação, é das melhores coisas.


 


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09
Abr15

Ter um gato também é isto #6

Como lá em casa as janelas que estão ao nível rasteirinho do gato são de vidro fosco todas as manhãs, antes de sair de casa, coloco a cadeira do nosso quarto em frente à janela para o sr. Kubrick se conseguir empoleirar e, com todo o conforto, ver o que se passa do outro lado. Adora! Sempre que me ouve a mexer na cadeira lá vem ele a correr com a cauda para cima, todo confiante, para olhar para a rua e ver o que andam a fazer os seus amigos pombos – é obcecado por pombos.
Ontem quando saí de casa deixei-o lá e quando cheguei à rua olhei para cima e lá estava ele… a olhar para nós!* Partiu-me o coração ir trabalhar e deixá-lo ali, sozinho no terceiro andar, a ver-nos ir embora. Se já fico toda piegas com o gato nem quero imaginar quando for mãe e tiver de deixar a minha cria na escola pela primeira vez. Dra-ma!


 


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Gato mimado à janela.


 


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Gato de olhos arregalados a olhar para um pombo acabadinho de pousar no parapeito da janela da sala.


 



 *Agora que penso melhor, e tendo em conta o feitio do sr. gato em causa, aposto que estava a pensar qualquer coisa do género: irra, estava a ver que não. Alone, at last! Partei!!!

08
Dez14

Ter um gato também é isto #5

Feriado. Acordar às 9h e pouco. Abrir a porta do quarto e dar com o gato ali sentado, encostadinho à ombreira da porta, a olhar para mim como quem diz "estava a ver que não". Empurrar o gato que entretanto quer entrar no quarto mas não pode porque o homem ainda está a dormir. Fechar a porta e levar uma dentada no tornozelo direito. Ir à casa de banho fazer um xixi e ter o gato sentado no bidé a olhar para mim, porque ter um gato também é nunca mais ir à casa de banho sozinha. Abrir a janela da varanda para apanhar a roupa que tinha estendida. Fechar a janela para o gato não ir para a varanda, porque ter um gato também é viver com o pesadelo de eles se atirarem do parapeito e se esbardalharem lá em baixo. Apanhar a roupa com o gato a olhar para mim e a miar do outro lado da janela. Dar comida ao gato. Tomar o pequeno-almoço. Esticar-me no sofá da sala com o portátil no colo e preparar-me para ver Klhoe and Kourtney take the Hamptons, que apesar de ser feriado também é segunda-feira e nenhuma das opções de programas televisivos me agrada. Chamar o gato que vem a correr ter comigo e se manda para cima da minha barriga recém-cheia de café com leite. Assim que se vê em cima da manta polar do sofá desata a fazer patinhas e liga o motor dos ronrons. Derreto-me e faço-lhe festinhas. Perder 10 minutos até encontrar um link decente para ver a série, sempre com o gato ali. Encontro o link e aconchego-me no sofá. O gato salta do sofá e começa a andar pela sala, claramente à procura de alguma coisa para fazer. Salta para a mesa de centro e começa a mandar as velinhas ao chão. "Kubrick!" Apanho as velas e volto para o sofá. O gato salta da mesa e vai-se pôr ao pé dos presentes de natal enquanto olha para mim, claramente a desafiar-me. "Kubrick não." Chega-se mais um bocadinho. "Kubrick!" Começa a comer a árvore de natal. "Shhhhhht!" Pára de comer a árvore e olha para mim com uma expressão esquisita. Engasga-se e começa a tentar vomitar. Engole e fica bem. Volta a abrir a boca em direcção aos ramos. Ainda só vi dois minutos da série. Pego no gato, ponho-o fora da sala e fecho a porta. Mia baixinho. Ouço-o a saltar para cima da mesa da entrada. Silêncio. Dois minutos depois plimplimplimplim. Todas as moedinhas que estavam em cima da mesa da entrada vão parar ao chão, que o meu homem tem uma carteira mas não a usa, que é muito melhor andar com os trocos nos bolsos e esvaziá-los para cima da mesa da entrada quando chega a casa. Abro a porta da sala irritada. Vejo o gato em cima da mesa com a pata em cima da última moeda. Olha para mim e empurra lentamente a moeda até ela cair. Salta da mesa e vai para o chão brincar com as moedas. Pego nas moedas e ponho-as na tacinha onde guardamos as chaves. Volto para a sala e fecho a porta. Ouço o gato a miar à porta do quarto. Ouço o correr dos estores. O homem sai do quarto estremunhado, vem ter comigo à sala, dá-me um beijo e pergunta porque é que tinha a porta fechada com um ar muito admirado. Vai tomar o pequeno-almoço e o gato vai atrás dele. Já sabe que vai receber bocadinhos de fiambre de frango, o interesseiro. 1h depois de acordar posso, finalmente, ver a série.


 


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Quando quer consegue ser muito chatinho e dasafiador mas já não imagino a minha vida sem esta bola de pêlo. 


 


 

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