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zona de desconforto.

zona de desconforto.

19
Mai16

"Porque é que não disse nada?"

Acho o programa da SIC “E se fosse consigo?” interessante, quanto mais não seja para pôr as pessoas lá em casa a falar de temas importantes, a reflectir sobre as suas atitudes ou atitudes de terceiros. Programas deste género são importantes porque ajudam a alargar horizontes e a fazer ver a muita gente de vistas curtas que o mundo não termina no fundo da nossa rua. Que lá por não se passar connosco não significa que não aconteça. Porém, todos os episódios me causam uma certa urticária por terem sempre o ónus nas pessoas que não dizem nada. O foco do programa não devia ser esse, mas é. Quem não diz nada é um mau cidadão. Quem não diz nada é porque concorda ou é indiferente ao que se está a passar. Quem não diz nada é condenado em praça pública. E a minha pergunta é só uma e bastante simples: porquê? Provavelmente se me deparasse com situações semelhantes às que passam no programa também não diria nada e não é por achar bem e concordar que se discriminem casais homossexuais, ou que o bullying é ‘muita fixe’, ou que uma branca a namorar com um preto é uma porcaria. Não. Não diria nada porque não faz parte do meu feitio. Eu sou introvertida e meter-me numa conversa entre mãe e filha ou numa zaragata entre miúdos do secundário nunca seria uma atitude natural em mim. Além disso nunca se sabe quem está do outro lado. Quem é que me garante que a mãe da miúda gorda não ia rodar a baiana e desatar aos gritos no meio da rua e envergonhar ainda mais a filha? Quem é que me garante que não levava uma pêra dos rapazes a maltratar o colega? Quem é que me garante que ir pedir justificações ao rapaz aos gritos com a namorada não vai fazer escalar a violência? Certamente que a minha solução seria chamar a polícia, quando fosse caso para isso, e não acho que, por isso, deva ser condenada em praça pública. Acho óptimo que haja pessoas diferentes de mim, vejo sempre com grande entusiasmo quem se mete nas conversas e diz de sua justiça, às vezes também gostava de ser assim, mas não sou. E não há mal nenhum nisso. Acho que o programa só tinha a ganhar se se focasse na situação que pretende condenar e divulgar os meios que há à disposição para ajudar as pessoas, coisa que também faz, sim senhor, mas só depois de a Conceição Lino atirar o nariz para a lua e do alto do seu pedestal perguntar às pessoas que não deram o peito às balas: “Porque é que não disse nada?!” Acho mal e acho que o programa perde muito com isso. Ou então não. Se calhar até ganha, que o que dá audiência é sempre o lado escabroso da coisa e nunca o que realmente interessa.

03
Nov15

O melhor do Halloween?

Acho a comemoração do Halloween em Portugal uma coisa assim um bocado parva e sem sentido. É só mais uma tradição que importámos sem saber muito bem porquê. Pior que isto só mesmo o Carnaval, altura em que fica tudo estúpido e a achar que tudo é permitido porque “é carnaval e ninguém leva a mal”. Eu levo. Ok? E por mais anos que viva nunca me vou esquecer daquele balão de água com farinha atirado do 12º andar e que só não aterrou em cima da minha cabeça por mera sorte.

Agora que pusemos os pontos nos is tenho de sublinhar que na verdade há uma coisa que eu a-do-ro no Halloween e pela qual espero ansiosamente todos os anos: o desafio de Halloween do Jimmy Kimmel, um comediante e apresentador de um famoso talk show americano. O desafio consiste em os pais dizerem aos filhos que comeram todos os doces que receberam na noite de Halloween - é tudo a fingir, acalmem esses corações nervosos -, filmar a reacção e publicar no YouTube. Esta já é a quarta edição deste desafio que nunca desilude. O resultado é sempre hilariante e de ir às lágrimas. Há de tudo, desde miúdos que desatam a chorar aos berros, aos que ficam furiosos e batem nos pais e ainda os fofinhos que dizem que não faz mal, que está tudo bem, para o ano há mais, não se fala mais nisso. Se há tradição que devia ser importada aqui para o nosso rectângulo devia ser esta. Eu não tenho filhos mas voluntario-me já para testar o formato com as minhas sobrinhas! (inserir riso maléfico) Fica o resultado da edição deste ano. Enjoy:

 

 

A primeira edição, que ainda hoje me faz rebolar a rir, é esta:

 

 

04
Set15

"Então e os nossos?"

Ontem vi no Facebook uma reportagem da SIC Notícias sobre como ajudar os refugiados que vão chegar a Portugal. Dizem eles que há já quem se tenha chegado à frente para lhes dar guarida e outros que anunciaram que têm trabalhos na área da agricultura para oferecer aos que fogem da guerra e da vida miserável que têm no país de origem. Até aqui tudo bem. Esta é uma boa notícia. Afinal somos conhecidos por sermos tão cinzentões mas no fundo, lá no fundinho, somos uns corações moles. Não podemos ver sofrimento alheio que vamos logo a correr ajudar quem precisa. Certo? Ou será que não é bem assim?

Quando comecei a ler a caixa de comentários caiu-me tudo ao chão: “Vão ser como os ciganos que recebem mais do que quem trabalha!”, “1 em cada 10 são terroristas”, “Vão viver dos nossos subsídios!”, “Temos o dever de os ajudar mas temos a obrigação de defender os nossos!”, “Não ajudamos os nossos mas ajudamos os de fora!”, “Deviam era juntar-se todos e lutar contra quem lhes quer fazer mal, mas na terra deles!”, “Primeiro estão os nossos que precisam de ser ajudados!”, “Estamos a ajudar estrangeiros em vez de ajudarmos os portugueses que passam fome e frio nas ruas!”, “Mandam os nossos jovens emigrar e depois dão trabalho aos que vêm de fora!”, e mais haveria para citar, infelizmente.

Mas que gente é esta? “Então e os nossos?” A sério? Estão com inveja daquelas pessoas? Pessoas que vêm para cá sem nada, que vão passar meses amontoados em abrigos, que não sabem falar a nossa língua, que, provavelmente, perderam familiares na travessia até à Europa e, sim, que vão trabalhar nos nossos campos agrícolas estando ao mesmo tempo a ajudar-nos com a sua mão de obra e, obviamente, a receber pelo trabalho que desempenham, que a escravatura, felizmente, já é crime. Acham mesmo que os jovens portugueses que emigram se podem comparar a estas pessoas? Acham que um jovem de 25 ou 30 anos, licenciado que vai para o estrangeiro procurar um trabalho onde lhe paguem mais que os 500 ou 600€ portugueses se pode comparar a pessoas que fogem dos seus países de origem por alguém lhes ter rebentado com as casas, por as escolas estarem fechadas porque são um alvo tão apetecível como qualquer outro, por não terem o que comer? Acham mesmo que estamos em pé de igualdade? E se virarmos a situação ao contrário? E se fossemos nós os refugiados? Se fossemos obrigados a fugir do nosso país por ser mais perigoso ficar do que ir? Sim, que nada nos garante que não viremos a passar por algo semelhante. Que tal nos sentiríamos se chegássemos ao outro lado sem nada, provavelmente depois de termos visto a nossa mulher, ou o nosso filho morrer pelo caminho, e nos depararmos com as reacções que estamos a ter agora para os que precisam de ajuda? “Vão ser como os ciganos que recebem mais que quem trabalha!”, “Vão viver dos nossos subsídios!”, “Temos o dever de os ajudar mas temos a obrigação de defender os nossos!”, “Não ajudamos os nossos mas ajudamos os de fora!”, “Deviam era juntar-se todos e lutar contra quem lhes quer fazer mal, mas na terra deles!”… se calhar se virmos as coisas assim, se nos pusermos na pele deles, já não gostamos, já não nos sentimos tão superiores nem tão nacionalistas. Se calhar achamos que estamos todos a exagerar e a comportarmo-nos como pequenos animais selvagens que, como não são racionais, fazem apenas o que se lhes está na natureza quando outro animal lhes invade o território: põem as garras de fora e atacam. É um exercício bastante simples este, o de nos pormos na pele dos outros. Basta sermos portadores de uma coisa muito bonita e humana que se chama empatia que é precisamente aquilo que nos permite identificar com outras pessoas e com situações pelas quais nunca passámos. Mas se por acaso houver aí alguém incapaz de desenvolver tal sentimento e, pelo que li nas redes sociais, há muita gente que sofre desta patologia, vejam este vídeo produzido pela organização Save the Children precisamente para tocar aqueles que ou andam a dormir e não sabem o que se passa ou têm um pedragulho no lugar do coração e, por isso, vão para as caixas de comentários das redes sociais vomitar alarvidades como aquelas que citei aqui.

 

 

 

 

Se quiserem saber mais sobre o que se está a passar, o Observador está a fazer um trabalho incrível sobre o tema. É, provavelmente, o site português mais informativo que tenho consultado ultimamente. Não só sobre a crise dos refugiados mas também sobre os temas de política interna. Gostei particularmente deste guia eleitoral que resume muitíssimo bem, de forma clara e simples, as propostas de cada um dos partidos portugueses. Se estão indecisos e não sabem em quem votar esta é uma boa forma de ficarem mais iluminados. Ou não, mas aí a culpa já não é do jornal.

14
Mai15

#onrepeat | Girls OST

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Comecei a acompanhar a série Girls assim que estreou, em 2012, mas, ainda não percebi muito bem porquê, fiquei-me só pela primeira temporada. Porém, três anos depois tudo mudou. Quando vi o livro da Lena Dunham à venda em Portugal fui a correr comprá-lo e acabei por (re)descobrir uma coisa da qual já me tinha esquecido: esta miúda é mesmo brilhante. Mesmo! E assim, num ápice, tornou-se no meu novo girl crush - o último foi a Taylor Swift. Não me julguem, ok? Ela é gira e tem imensa pinta e já ninguém se lembra do quão azeiteira era nos primeiros álbuns.
O livro reencaminhou-me para a série que, nas últimas semanas, tem sido o meu vício. Todas as noites vejo, pelo menos, um episódio e tenho de me controlar para não ficar ali até de madrugada. Já vou na 4.ª temporada e estou a contar os dias para a estreia da 5.ª. Não há como não gostar disto! A história é muito divertida, adoro o ritmo dos episódios e a forma brilhante como está escrita, e é talvez das séries mais inteligentes que vi nos últimos tempos. É fresca e audaz e a criadora/produtora/protagonista, Lena Dunham, é uma das pessoas mais criativas e ground breaking da cultura pop americana do século XXI. Está a fazer um trabalho magnífico, e magnânimo, para mudar os padrões da beleza feminina, a forma como as mulheres se vêem a elas próprias e quão confortáveis se podem sentir na sua própria pele. 
Bom, tudo isto para dizer que, para além de estar viciada na série, estou também a ouvir em loop a banda sonora. Oh. Meu. Deus. que fonte tão boa de novas músicas! É raro não parar os episódios uma ou duas vezes para descobrir que música é que se está a ouvir em pano de fundo.
Estas são algumas das que me têm feito companhia nos últimos dias:


 



 




 


 



 


 



 


 


 

24
Mar15

Em playback

É só a mim que faz confusão ver pessoal a fingir que está a fazer aquilo para que lhe pagam num programa de talentos? Passo a explicar. Gosto muito de programas de dança, especialmente do Achas Que Sabes Dançar. Talvez por ser assim meio descoordenada e não acertar um passo – mas sou óptima no freestyle ãh? – perco-me a ver quem realmente percebe do assunto. Portanto qual não é o meu espanto ao ver que alguns convidados do programa, na sua maioria cantores, vão para ali fazer playback. Playback! Há duas semanas foi a Luciana Abreu que abriu o programa com uma imitação barata da Jennifer Lopez e a fingir que cantava e no passado domingo foi o Nélson Freitas, que foi cantar o Bo Tem Mel, esse grande êxito, para acompanhar a dança do Gonçalo (HOT!) e da Liliana. Estaria tudo muito bem, seria tudo muito interessante, se ele não estivesse a fazer um playback descaradíssimo. E o pessoal da produção ainda lhe deu tempo de antena, filmando-o imensas vezes! A sério?! Já é mau demais filmar uma pessoa a cantar quando na realidade o que interessa é quem está a dançar – especialmente quando é o Gonçalinho, cá beijinho – mas é ainda pior quando a pessoa em questão está a fingir que canta. Isto não pode ser considerado um insulto? Uma falta de respeito? Porem estes pseudo-artistas no mesmo palco que pessoas que têm, de facto, talento e que se estão a esforçar imenso, que estão ali a dar o litro? Estas coisas dão-me cabo dos nervos. Portanto, para acalmar, nada melhor que ver aqueles dois fofinhos a bailar. Só mais uma vez.
Para verem a actuação do Gonçalinho e da Liliana basta clicar aqui. Enjoy.

21
Out14

Dear kitten...

Estou viciada nestes anúncios da Friskies! Adoro quando dão vozes aos animais, quanto mais inteligentes e pretenciosas melhor, é a minha fraqueza não há volta a dar, e a forma como o fizeram aqui foi absolutamente genial. É só a coisa mais fofa de que há memória em publicidade deste género. Esqueçam o blablabla Whiskas saquetas. Este é bem melhor.


 



 Há mais aqui, aqui e aqui.

21
Ago14

Séries que valem a pena

Sou viciada em séries. Quando encontro uma que me prende vejo todos os episódios religiosamente e não descanso enquanto não chegar ao fim. E quando chego fico com aquele vazio esquisito, como se não houvesse mais nenhuma tão boa, que me prendesse tanto, como aquela. Acho que até hoje só houve uma que me tivesse desiludido a meio: a Anatomia de Grey. Tinha tudo para ser a melhor série de médicos, daquelas que se transformam em séries de culto, mas com a mania de esticarem as histórias ao máximo começou a perder qualidade. Todas as séries têm um fim e mais vale terminarem em grande, quando ainda são boas e nos prendem ao ecrã, do que quando já ninguém quer saber. Veja-se o exemplo de O Sexo e a Cidade e Friends. Duas séries excelentes - as únicas que revejo vezes sem conta sem me fartar - que terminaram na altura certa, antes de o espectador se começar a aborrecer. Mas felizmente ainda há óptimas séries que alimentam este meu vício. Homeland é uma delas, que vai recomeçar em Setembro, can't wait!, mas agora o vício cá em casa é a The Strain. Há uns dias o meu homem falou-me com bastante entusiasmo deste novo hype que tinha muito boa classificação no IMDB e que foi um sucesso desde o primeiro episódio. "É uma série de terror e ficção científica, baseada numa trilogia vampírica do Guillermo del Toro, sobre um vírus que se espalha pela cidade e contamina toda a gente." Ora bem, isto é só, assim de repente, tudo aquilo que eu não suporto em cinema/televisão. Detesto filmes de terror, a ficção científica aborrece-me de morte e nem me abriguem a falar de zombies e/ou vampiros. Torci o nariz mas ele estava tão entusiasmado com aquilo que lhe fiz a vontade e sentei-me com ele a ver. Meus amigos, pára tudo! Esta é, muito provavelmente, a melhor série de 2014! Sim, tem tudo aquilo que eu não gosto só que aqui as coisas estão tão bem feitas, a história está tão bem pensada, que é impossível ficar indiferente. O Guillermo del Toro é completamente fucked up e criou monstros aterradores que tornam quase impossível desviar os olhos do ecrã. Pode soar a contrassenso mas é o que é. Não tem nada a ver com aqueles vampiros hipsters com corpos de Adónis que brilham ao sol, nem com os mortos-vivos de 1982 que andam todos tortos e perdem braços pelo caminho. São monstros extremamente bem feitos e credíveis, que podem só estar ali em pé quietos, a olhar para a câmara, com um aspecto humano normalíssimo que já nos provoca arrepios na espinha, tal é a maldade que para ali vai. Bolas, têm mesmo de ver isto. I'm hooked. A primeira temporada vai a meio mas a segunda já está confirmada e vai estrear para o ano. 


 







 


 

26
Mai14

O poder do dinheiro

Ontem, por causa das eleições europeias, o The Voice, o meu programa de domingo à noite, não deu, por isso arrisquei o zapping pela SIC e a TVI e, meu Deus... abençoada tv por cabo. Como é má a televisão portuguesa! Nada que já não soubesse, mas parece que cada vez está pior. Acho muito bem que a RTP tenha abdicado do The Voice para fazer a cobertura das eleições, é serviço público e um assunto importante que merece tempo de antena, o que não achei nada normal foi a SIC ter interrompido a emissão noticiosa às 21h45 - 15 minutos antes dos resultados das eleições - para estrear um novo reality show que é só a coisa mais repugnante que vi em horário nobre. Uns dias antes vi uma publicidade ao programa e achei que fosse uma coisa má, sempre, mas um bocadito mais inteligente. Tipo, 10 casais fechados numa casa sujeitos às mais variadas pressões psicológicas para ver quem quebra primeiro. Mas não. São 10 casais que têm de se sujeitar a provas degradantes para provarem o amor uns pelos outros, como por exemplo estarem fechados numa redoma cheia de baratas ou andarem a chafurdar no meio de estrume à procura de malas. Só vi estas duas actividades e aquilo que senti foi muita, muita vergonha alheia. Não se iludam, isso não é o poder do amor é, sim, o poder da estupidez aliada ao poder do dinheiro. Uma das coisas mais ridículas que ali vi - para além da Cátia da Casa dos Segredos, de vestido, a roçar-se toda no estrume, com aquilo a entrar-lhe por todos os lados - foi a Cláudia Jacques apostar que o marido, vegetariano, ia conseguir comer testículos de boi e olhos de porco porque a amava muito. A sério Cláudia? É assim que se vê que a pessoa com quem estamos gosta muito de nós? Por pôr de lado as práticas alimentares que ele escolheu só porque tu apostaste 8 mil euros em como ele o faria? Isso a mim só me parece estúpido. Eu era incapaz de me enfiar numa redoma cheia de baratas para provar o amor que sinto pelo meu homem. E não é por não gostar dele! É só mesmo porque isso é humilhante e há mil e uma maneiras mais sinceras e menos traumáticas de mostrarmos o nosso amor por alguém. Enfim, depois de tanta parvoíce na SIC mudei para a TVI, na esperança de encontrar uma coisinha melhor mas não tive sorte. O que vi foi o José Carlos Pereira a mostrar a barriga agarrado ao Pedro Teixeira - que é um apresentador fraquinho, fraquinho e que está sempre com um ar confuso - enquanto gritavam um ao outro: "estás todo seco, mano!".


...


Pois, se isto já foi estranho o que se seguiu foi ainda mais: o José Carlos Pereira a cantar terrivelmente uma música do Michael Bublé enquanto os jurados, meio constrangidos, iam votando "sim". Até o desgraçado do Pedro Ribeiro, que parecia estar à procura de um buraco para se esconder, foi quase obrigado pelos colegas a votar a favor, porque parecia mal dizer a uma pessoa famosa que canta mal e que se devia dedicar à pesca. Só duas perguntinhas rápidas: porque é que o José Carlos Pereira, que é actor, foi ali cantar e sujeitar-se à votação do júri que, toda a gente percebeu, só votou a favor por obrigação, e, mais importante, o que é que o Pedro Ribeiro está ali a fazer?!?! Estava tão, mas tão melhor no The Voice que é um programa muito mais dignificante que este. Na ânsia de fazerem um programa muito moderno e com tecnologia de ponta acabaram por transformar o Rising Star numa coisa que parece feita por alguém numa trip de ácidos: a música de fundo está sempre altíssima, há luzes e écrans gigantes por todo o lado, os apresentadores estão sempre aos berros, o Pedro Teixeira parece-se cada vez mais com um porteiro de discoteca e, já agora, qual é a cena com a roupa justa?! Não têm calças e camisas para o tamanho do rapaz? Ah, e não sei se já tinha perguntado mas… o que é que o Pedro Ribeiro está ali a fazer?!? De certeza que estas pessoas só ali estão porque lhes pagam muito bem, tal como os outros do Poder do Amor. Só é pena investirem tanto dinheiro em programas muito, muito maus que, acredito, só provocam vergonha alheia em quem os vê, em vez de fazerem de facto coisas como deve ser. Basta porem os olhos no The Voice da RTP para perceberem como se consegue fazer um programa de qualidade sem envergonhar ninguém. Nem os concorrentes, nem o espectador.

14
Mar14

Dramas da vida doméstica

Na sala: ele a ver o Tottenham-Benfica, eu esticada no sofá de portátil no colo e o gato no cadeirão a dormir. Reinava a calma no lar. Até o Benfica marcar.


- GOLOOOOOOOOOOO. - Levantou-se, deu uma corridinha pela sala e um murro no cadeirão. O desgraçado do gato, que até ali estava a dormir muito descansado, dá um salto com os olhos todos pretos.


- Olha... estás a assustar o gato... 


- E em Inglaterra é tudo sempre nossooooo!! Tudo a saltaaaaaar, tudo a saltaaaaar! - de braços no ar, aos saltos.


- ...


- O que é que estamos a precisar de ver? - para mim, com os olhos muito abertos.


- Não sei. (suspiro) O resumo do jogo?!


- Não!


- ...


- Estamos a precisar de ver... tudo a saltaaaaaaar, tudo a saltaaaaaar.


 


O futebol transforma o mais charmoso dos homens num verdadeiro hooligan. Só espero não fazer figuras semelhantes quando sei que há promoções na Zara.

16
Jan14

Guiltiest pleasure

Sou uma pessoa que está sempre muito atenta aos fenómenos da cultura pop e até sou bastante permeável a alguns deles. Músicas, filmes, programas de televisão, blogs, you name it. Se está a dar que falar eu preciso saber porquê e descobrir o interesse daquilo. Para minha felicidade alguns desses fenómenos coincidem com as noites de domingo, noites essas das quais têm de fazer parte programas de televisão divertidos e com capacidade anestésica. São aquelas horas que antecedem esse dia do demónio que é a segunda-feira e, por isso, têm de ser passadas a ver coisas levezinhas e que me distraiam a 100% do facto do fim-de-semana estar mesmo, mesmo a terminar.


Há uns anos o Ídolos cumpria essa função na perfeição. Primeiro com a Sílvia Alberto e o Granger, depois com o Manzarra e a Cláudia Vieira. Depois apareceu o So You Think You Can Dance, também com o Manzarra, que me impedia sempre de ir dormir a horas decentes. Adorava todas as coreografias e apetecia-me saltar da cama e ir lá para o meio dançar. Entretanto, não sei o que se passou, esses programas sumiram-se e começaram as Casas dos Segredos e o Factor X, programas para os quais não tenho paciência nenhuma, especialmente para os "trocadalhos do carilho" que a Teresa Guilherme faz durante 3h. É demasiada conversa da treta, muito encher de chouriços e muitas horas depois alguém é expulso sem surpresa nenhuma, porque já toda a gente sabe que se a família da pessoa X estiver sentada na fila da frente, naquela pontinha que dá para o palco, é porque essa pessoa vai sair dali a nada. Portanto, basicamente, só é preciso ver os primeiros 30 segundos. Em relação ao Factor X... não tenho nada a dizer. Já tentei ver aquilo algumas vezes e não aguento nem 15 minutos. A culpa é do júri. Mas voltando à TVI, o que é mesmo, mesmo bom na Casa dos Segredos são as peixeiradas, e aí as actualizações de estado do Facebook e o 'rewind' do MEO são os meus aliados. Foi emocionante ver a Érica e a outra pequenina a quererem bater no outro desgraçado que é irmão do Cláudio Ramos e que eu, ainda hoje, não percebi que mal fez para haver aquela escandaleira toda. Ou quando aquele cyborg de olhos tortos foi a correr ao quarto da ex buscar a foto da filha e desatou a gritar "ela é minha filha, ela é minha filha". Ou quando uma loira acusou outra loira de andar a roubar na Zara. Ahahaha.


Mas depois, no meio de tudo isto, há um programa que põe todos os outros do mesmo género a um canto e me deixa completamente agarrada à televisão, é o meu ultimate guilty pleasure: o Keeping Up With the Kardashians, que passa aos domingos às 20h no E! channel. Loooooove it! Fascina-me o luxo em que aquela gente vive, os dramas que levam a Kim às lágrimas - como quando foi atirada de chapão para dentro de água pelo ex-marido e saiu de lá a chorar porque, pelo caminho, perdeu um brinco de diamantes -, a excentricidade da mãe, a coolness da miúda mais nova, a Kylie Jenner, as frases certeiras da Khloé que é a mais despachada delas todas, a frieza da Kourtney na qual me revejo bastantes vezes, as 'catch phrases' - tudo é 'on another level'. Enfim, é tudo em bom. E agora é melhor ainda, com o Kanye West a aparecer lá pelo meio. Não sei o que vai ser das minhas noites de domingo quando o programa terminar mas, até lá, ainda tenho mais duas temporadas com que me entreter, e a 9.ª vai começar já este domingo, oh felicidade! Já vi o tease e a coisa, como sempre, promete.


 






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